A Freira e o Prostituto
17 Prólogo - Segunda Temporada
-Chega! – Tanya entrou no quarto batendo a porta com força. Cobri minha cabeça com o edredom.
-Vá embora! – Gritei com raiva.
-Já faz dois meses que você está nessa depressão. Não aguento mais vê-la nesse estado! Levante esse traseiro dessa cama... Ficar ai chorando não vai resolver seus problemas!
-Me deixa em paz Tanya!
A ouvi bufando e então a diaba puxou meu edredom jogando-o no chão.
-O que pensa que está fazendo?
-Ajudando a futura princesa de Mônaco a se libertar desse sofrimento.
-Que princesa coisa nenhuma!
Ela suspirou e sentou-se ao meu lado.
-Bella. Olhe ao seu redor...
Tanya tinha razão em brigar comigo. Meu quarto estava uma verdadeira bagunça. Potes de sorvete e DVDs de filmes românticos espalhados por todo o canto. Meu cabelo já estava todo desgrenhado por falta de hidratação e minhas roupas se resumiam a regatas e calça moletom, meu rosto inchado e meus olhos tão vermelhos quanto sangue. Fazia dois meses que havia voltado da Califórnia de volta para meu buraco no Brooklyn. Dois meses que Edward havia partido e levado consigo metade do meu coração. Não foi difícil explicar toda a farsa para os meus pais. Eles estavam mais impressionados com o fato de Edward ser um príncipe do que eu ter mentido para eles.
-Só quero ficar sozinha Tanya – Falei limpando algumas lágrimas.
-Chorando enquanto assiste diário de uma paixão, se entope de sorvete e ouve Will Always Love you? De jeito nenhum! Aguentei isso por tempo demais. Pensei que talvez você só precisasse ficar um pouco sozinha para pensar, mas isso já passou dos limites. Você chegou ao fundo do poço.
-O que eu posso fazer? Minha vida é uma droga e é tudo culpa sua! Se não tivesse me metido naquela farsa de contratar prostituto de jornal eu nunca teria conhecido o Cullen!
-Grimaldi – Ela me corrigiu fazendo me chorar ainda mais – Acalme-se. Sei que está sofrendo porque ele mentiu, mas já está na hora de superar. Vocês dois se amam e precisam fazer as pazes!
-Não quero saber nada dele... Nunca mais.
-Como você é boba – Ela revirou os olhos – Tem a chance de ser a nova Kate Middleton e joga isso fora. Edward deve ser tão rico...
-Kate Middleton? Não exagere... E não me importo com dinheiro, esqueceu que meus pais também são ricos?
-É... Esqueci que você não liga para riquezas, mas tem a chance de ter seu próprio príncipe encantado. Tem idéia de quantas mulheres dariam tudo para ter essa oportunidade? Edward é lindo, um príncipe literalmente.
-Não quero falar sobre ele.
-Tudo bem. Vou deixá-la sozinha com sua depressão.
Tanya saiu do quarto bufando. De repente senti-me novamente sufocada. Droga! Como eu amava aquele mentiroso de uma figa! Meu coração doía tanto que parecia que uma faca atravessando meu peito. Voltei a chorar feito uma criança engasgando com os soluços. Tateei o criado mudo em busca dos lenços de papel notando que tinham acabado. Sem muito animo me levantei e fui até uma das gavetas da cômoda procurar outra caixa. Assim que abri e comecei a vasculhar me deparei com o envelope marrom que havia chegado pelo correio há um mês e meio. Era a devolução do dinheiro que eu havia dado a Edward pelos seus “serviços”. Ele mandou tudo de volta, estava com tanta raiva que nem sequer consegui abri-lo, mas naquele momento por alguma razão me peguei sentada na cama abrindo-o pela primeira vez. O dinheiro estava todo ali, mas para minha surpresa também havia um bilhete. Com as mãos trêmulas e com o coração disparado passei meus olhos pela letra perfeita e bem desenhada lendo cada linha com atenção.
Que este frio punhal
Cravado sobre meu peito
Eternamente me corrompa
Este estranho corpo que aqui deixo
E que me esventrei a entranhas.
Mas que jamais no tempo e no espaço
Este punhal com que desfaço meu coração
Me apodreça a alma eterna minha.
Porque em outras vidas na distância das eras
Que me lembre eu da tua face
Dos teus gestos e das tuas carícias.
Que o destino todo-poderoso
Nos separe vezes sem conta;
E que nós,
Num acaso desse mesmo destino
Unamos nossas mãos e nossos lábios.
E outrora perdidos nos encontremos
No fôlego de mil beijos de amor proibidos…
Novamente juntos voltaremos então;
À cama de lençóis brancos
Ainda quente de nossos desejos.
E cumpridos os dois seremos um
Pois na memória do mundo
Que sabendo sem saber
Nos proibiu e eternizou na palavra amor,
Seremos relembrados;
Culpados e julgados;
De um dia por acaso do destino
Termos inventado no amor;
A palavra Eternidade…
Para sempre seu Edward Anthony Grimaldi.
De repente meus pulmões já não conseguiam mais absorver o ar... Ler o trecho da despedida de Julieta a Romeu deixou-me completamente sem fôlego. Ele me amava... Sim é claro que me amava! Depressa corri para a sala onde Tanya estava estirada no sofá com a cara emburrada. Parei em sua frente e ela olhou-me confusa.
-Algum problema? – Perguntou estreitando os olhos.
-Espero que meu francês esteja bom.
-Por quê? – Ela sentou-se ficando interessada.
-Porque estou indo para Mônaco!
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