A Freira e o Prostituto
10 Capítulo 9 - Depois do erro a redenção
Notas iniciais
Abri meus olhos com dificuldade, mas os fechei imediatamente assim que a claridade quase me cegou. Onde eu estava? E por que minha cabeça doía tanto que eu mal podia respirar sem causar uma pontada enorme em meu cérebro?
–Bom dia dorminhoca – Ouvi a voz de Edward e abri os olhos vagarosamente. Ele estava com uma aparência ótima, carregava uma bandeja de café da manha. Sentou-se ao meu lado e segurou minha mão, espere ai... Por que ele fez isso?
–O que aconteceu? – Perguntei sentando-me na cama separando nossas mãos sutilmente e esfreguei as têmporas na vã tentativa de aliviar as pontadas de dor.
–Não se lembra de nada? – Ele perguntou com a voz um tanto decepcionada.
–Não – Murmurei e apertei os olhos sentindo uma náusea atordoante.
–Trouxe seu café da manhã – Ele disse apontando a bandeja.
–Obrigada, mas estou sem fome... Onde estão meus óculos? – Corri os olhos pelo quarto, além da dor de cabeça eu enxergava muito mal.
–Aqui – Ele disse entregando-os para mim.
–Valeu.
–Não vai comer? Sua mãe preparou uma omelete com bacon- Ele pegou o prato e me mostrou, o cheiro provocou um rebuliço em meu estomago.
Tapei a boca e corri para o banheiro fechando-a com o pé. Ajoelhei-me no vaso sanitário e vomitei até meu suco gástrico. Levantei-me zonza e fui até a pia. Escovei os dentes e joguei um pouco de água no rosto e então me olhei no espelho. Acho que o susto impediu-me de gritar feito uma louca assim que vi a mancha roxa em meu pescoço, aquilo era... Um... Um chupão? Ah meu Deus! Tateei a mancha certificando-me de que era real e era... Realmente era! Alguns flashes da noite passada passaram rapidamente em minha cabeça.
(Flashback on)
De repente eu já não me sentia mais eu mesma. Tudo que eu era... Tudo que em que eu acreditava parecia não existir mais, eu estava com os lábios colados nos dele e o gosto era extremamente bom, muito bom na verdade, uma mistura de morango com menta era saborosa. A música ainda tocava, mas parecia ser a quilômetros dali. O nosso beijo era um tanto descompassado, mas mesmo assim perfeito. Ele puxou-me pela cintura colando meu corpo ao dele e intensificou o beijo. Agarrei os cabelos de sua nuca com um desejo avassalador.
–Prostituto idiota – Murmurei separando nossos lábios.
–Freira insuportável – Ele respondeu ofegante e voltou a beijar-me com desespero.
Nossos corpos se moviam no ritmo da musica enquanto nos beijávamos, senti sua boca descolando da minha e descendo por meu pescoço causando arrepios por onde passava. Uma onda de calor percorreu meu corpo quando senti a pressão de seus lábios habilidosos sugando a pele de meu pescoço...
(Flashback off)
Meu coração palpitava e eu respirava com dificuldade. Toquei o lugar que ele havia sugado e senti um calafrio percorrendo minha espinha, o que eu havia feito meu Deus?
Abri um pouco a porta e espiei o quarto. Edward permanecia sentado na cama comendo algumas uvas. Ele parecia um tanto satisfeito e eu imaginava o motivo. Apertei os olhos com força e voltei a olhar-me no espelho observando a marca do pecado estampada em meu pescoço. Após alguns minutos xingando-me internamente sai do banheiro e sentei-me na cama de frente para ele. Edward encarou-me confuso enquanto eu o fuzilava com os olhos.
–Algum problema? – Ele perguntou arqueando a sobrancelha.
–Não – Respondi tentando me controlar – Está tudo bem.
–Menos mal – Ele sorriu para mim e tirou uma mecha de cabelo do meu rosto colocando-a atrás da orelha. Pigarreei e cruzei os braços encarando o chão.
–Qual é Edward não mudou nada – Falei quase num sussurro.
–Mas depois de ontem eu pensei...
–Pensou errado – Levantei os olhos e o encarei – Por que me deixou fazer aquilo? Não pensou nos meus sentimentos?
–Agora a culpa é minha? – Ele riu sem humor – Foi você que chegou lá na pista de dança e me agarrou.
–Não sei o que me deu! Uma hora eu estava lá sentada na mesa e na outra eu já te beijava... Você devia ter notado que algo estava estranho.
–Eu notei Bella!
–E se aproveitou disso não foi? Deve ter sido um premio ter conseguido beijar uma beata como eu não é? Eu era a única cliente que ainda não tinha ido para a cama com você!
–A gente não transou se é o que está pensando!
–Eu sei que não – Falei desconcertada, mas recuperei a pose – Você é igual a todos os homens! Se me respeitasse teria me parado ao invés de ficar lá dando uns amassos comigo! Eu bebi sim e não sei direito o porquê, mas você não devia ter se aproveitado disso!
O barulho de alguém batendo na porta interrompeu nossa briga. Renné entrou no quarto com um sorriso estampado no rosto. Edward estava tenso e com o maxilar trincado, certamente ela percebera, mas preferiu não comentar.
–Querida eu queria falar com você.
–Não pode ser outra hora mãe? – Perguntei controlando meu tom de voz alterado.
–É sobre sua festa de noivado. Eu queria saber sua opinião sobre a decoração, os convites e os...
–Eu não quero festa nenhuma! – Falei, alias gritei – A senhora não entende? Não quero festa... Não quero noivado! Não quero nada!
Renné olhou-me espantada eu nunca havia gritado ou faltado com o respeito, mas ela chegou em um momento super delicado e ainda veio falar-me de noivado, foi impossível conter a raiva. Ela sorriu desconcertada e saiu do quarto sem dizer nenhuma palavra.
–Qual seu problema? – Edward gritou levantando-se da cama – Por que fez isso?
–Eu... Eu me descontrolei – Respondi percebendo a burrice que havia feito.
–Você a magoou.
–Nós não somos noivos como vamos ter uma festa?
–Ela não sabe disso sua idiota – Ele fitou-me com fúria – Sua mãe só está feliz porque a filha vai casar e queria te presentear com uma festa! Esse é o sonho de qualquer pessoa normal!
–Você não tem direito de se meter na minha vida e da minha família! Você é só um prostituto que contratei! Não crie laços com algo que não te pertence!
–Eu gosto da sua mãe, alias gosto da sua família! Eles são pessoas boas e não merecem tê-la nesta casa! Você é uma ingrata! Uma garotinha mimada!
–E você é um cafajeste aproveitador! Se aproveitou da minha embriaguez e ficou me dando uns amassos ao invés de se preocupar comigo! Nada além de sexo importa pra você não é? A sua vida é baseada nele!
–Cala a boca – Ele gritou fazendo-me calar – Tente se lembrar do que realmente aconteceu ontem antes de jogar toda a culpa em cima de mim! Você se acha a dona da razão, mas não é. Eu pensei que as pessoas se afastavam de você, que elas te julgavam e não te compreendiam, mas me enganei. É você Isabella... É você quem afasta as pessoas. Tente se lembrar do que aconteceu e verá que tenho razão!
Ele saiu do quarto com raiva batendo a porta. Deitei-me na cama e abracei o travesseiro sentindo um nó se formar em minha garganta. Fechei os olhos esforçando meu cérebro à trabalhar até que minha mente sucumbiu e me remeteu às lembranças da noite passada...
(Flashback on)
Estávamos dentro do carro em frente à minha casa. Minha cabeça latejava e eu queria vomitar. Mais cedo Edward havia parado de me beijar e me olhou confuso e arrependido na pista de dança então pegou-me no colo jogando-me em seus ombros e caminhou para fora da boate. Eu me debatia e esmurrava suas costas, mas ele nem se importava. Fomos até o estacionamento e ele abriu a porta do carro colocando-me no banco e apertou meu cinto já que eu não conseguiria fazer sozinha. Em seguida assumiu o banco motorista e saiu do estacionamento. Apaguei por algum tempo e quando acordei já estávamos de frente a casa.
–Por que me trouxe de volta? – Perguntei com a voz arrastada – Estava tão divertido...
–Você não está bem — Ele respondeu fitando a escuridão da noite.
–Por que não olha pra mim? – Perguntei puxando-o pela gola da camisa- Está bravo comigo? Edward está zangadinho?
–Pare com isso – Ele sorriu – Quero só ver se vai se lembrar disso amanhã.
–É claro que eu vou! Eu estou muito bem!
–É muito bem! Aposto que mal consegue ficar de pé.
–Consigo sim olha só – Tentei tirar o cinto, mas não consegui por causa da tontura então deixei pra lá e gargalhei.
–Viu? – Ele sorriu e então saiu do carro, deu a volta e abriu minha porta.
–Agorinha você estava ali – Apontei para o banco vazio – E agora está aqui – Gargalhei – Você é mágico?
–Sou – Ele abriu meu cinto e pegou-me no colo tirando-me do carro – E minha próxima magia será curá-la dessa bebedeira.
Enlacei minhas mãos em seu pescoço e deitei a cabeça em seu peito sentindo o cheiro bom de seu perfume. Edward caminhou comigo para a varanda da casa e colocou-me no chão.
–Onde estão suas chaves?
–Na bolsa – Falei apoiando-me na parede estava muito tonta.
Edward voltou para o carro e pegou minha bolsa revirando-a enquanto voltava para a varanda. Assim que encontrou o molho de chaves abriu a porta e corri cambaleando para dentro. Enquanto ele trancava de volta tentei subir as escadas inutilmente já que cai no chão derrubando um vaso de plantas que se quebrou em mil pedaços.
–Bella – Ele sussurrou repreendendo-me e me levantando – Vai acordar a casa inteira!
–Eu quebrei o vaso de plantas da mamãe – Gargalhei – Ela vai ficar uma fera comigo!
–Vamos pro quarto você precisa de um banho!
–Não quero tomar banho está fazendo frio! – Cruzei os braços fazendo bico e ele sorriu pegando-me no colo e então subiu as escadas.
–Quando a gente vai dançar de novo? – Perguntei enquanto ele me carregava pelo corredor?
–Não sei se terá próxima vez – Ele disse e eu gargalhei.
–Wanttt youuuu tooo makeee meee feelll likeee I'mmm theee onlyyy girlll innn theee worlddd! – Cantei alto com a voz embargada.
–Psiu! – Edward sussurrou fazendo-me calar – Vai acordar seus pais!
–Foi essa musica que a gente dançou não foi?
–Uhum – Ele respondeu e colocou-me no chão para abri a porta do quarto.
–Me faz sentir como se eu fosse a única garota no mundo Edward? – Perguntei fazendo uma pose sexy, ele sorriu balançando a cabeça.
–Você já é única no mundo Bella... Nunca conheci alguém tão versátil como você!
–Estou enjoada – Falei tapando a boca e ele abriu a porta rapidamente me ajudando a entrar. Levou-me até o banheiro onde abracei a privada e comecei a vomitar. Edward segurou meu cabelo tirando-o do rosto para que não sujasse enquanto eu me livrava da bebida em meu estômago.
–Foi só eu virar as costas e você encheu a cara – Ele falou sorrindo – Você é mesmo imprevisível.
Assim que terminei de vomitar ele me ajudou a levantar e me levou até o Box. Ligou a ducha e me empurrou para dentro.
–Aiii – Gritei – Está fria!
–É pra curar sua bebedeira!
–Vem tomar banho comigo – Puxei sua mão e ele se soltou gentilmente.
–Tome seu banho e fique quieta.
Edward saiu do banheiro deixando-me sozinha na água fria acabei escorregando para o chão de tão tonta que estava, mas ouvi ele conversando com alguém.
–Ela bebeu além da conta desculpe. Pode dar um banho nela?
–Ora, mas por quê? Vocês já não...
–Sim, mas... É que estou um pouco cansado e ela fica... Atacando-me se é que me entende.
–Claro pode deixar. Você pode ir preparar um café amargo para ela enquanto isso.
–Ok.
Edward apareceu no banheiro acompanhado de minha mãe que me olhou mais assustada do que se tivesse visto uma assombração.
–Oi mamãe – Falei gargalhando.
–Oi amor – Ela respondeu vindo até mim me levantando.
–Eu disse que ia acordar seus pais.
–Vou ter dar um banho. O Edward vai preparar um café amargo.
–Não quero café... E ele não quer me dar banho porque? Tem medo de mulher pelada – Gargalhei – O Edward tem medo de mulher pelada! Você não deveria, você não vê suas clientes?
–Ah – Edward coçou a cabeça – Ela está muito bêbada nem está falando coisas com coisas. Vou preparar o café.
Ele saiu deixando-me sozinha com Renné. Ela me deu banho e me ajudou a vestir um pijama. Algum tempo depois Edward voltou com uma caneca de café que recusei-me a tomar.
–Eu preciso voltar ao Pandemonio e buscar o pessoal eles devem estar chapados – Ele disse à Renné.
–Pode deixar que eu os busco. Charlie dorme que nem uma pedra e nem notará minha falta. Fique aqui com a Bella ela precisa de você.
–Tem certeza?
–Tenho. Cuide da sua noiva.
–Pode deixar comigo.
Renné saiu do quarto e Edward veio até mim me ajudando a deitar na cama. Cobriu-me com o cobertor e sentou-se ao meu lado. Permaneceu calado fitando o nada enquanto eu navegava na minha tontura.
–Morango – Sussurrei.
–O que? – Ele perguntou olhando-me.
–Sua boca tem gosto de morango. É minha fruta favorita sabia?
–Acho que está na hora de você dormir.
–Está tão sério – falei sorrindo.
–Boa noite Bella – Ele se levantou, mas segurei sua mão.
–Fique aqui. Não precisa dormir no chão.
–Não vou me aproveitar de você.
–Por favor – Sussurrei – Estou cansada de ficar sozinha.
–Tudo bem.
Ele suspirou e deitou-se ao meu lado de frente para mim. Nossos olhos se cruzaram e percebi que ele estava sério e pensativo de um jeito que eu jamais havia o visto.
–Você pode me beijar de novo? – Perguntei quase dormindo.
–Bella... Você não está bem.
–Só um beijo.
–Vai se arrepender disso amanhã.
–Não vou... Eu prometo.
–Está confusa...
–Por favor.
Meus olhos já estavam semi fechados e eu praticamente imersa no sono, mas ainda sim pude sentir seus lábios tocando os meus de maneira suave e delicada então a escuridão me envolveu e adormeci em seguida.
(Flashback off)
Meus olhos estavam cheios de lágrimas. Toquei meus lábios com os dedos trêmulos onde ele havia beijado. Eu não lembrava da sensação, mas sabia que tinha sido bom. Era errado, muito errado então porque eu sentia aquilo? Meu peito doía e senti o ar faltando em meus pulmões. Ele tinha razão, eu havia provocado-o e não o contrario. Ele havia cuidado de mim e não se aproveitado. Agora eu o havia magoado e minha mãe também. Fiquei alguns minutos chorando e travando uma luta interna dentro de mim até que tomei coragem e me preparei para reparar os meus erros. Tomei um banho e vesti uma roupa qualquer também coloquei um lenço para tapar a mancha roxa em meu pescoço. Desci as escadas e procurei Edward por toda a casa, mas não o encontrei. Então parei na janela da frente e observei a paisagem à minha frente.
–O que foi querida? – Renné perguntou abraçando meus ombros.
–Eu só cometo erros mãe – Falei ainda fitando a paisagem.
–Por que diz isso querida?
–A senhora não ia entender – Virei-me para ela e fitei seus olhos ternos – Desculpe por ter gritado. Eu quero a festa eu quero muito.
–Eu sei querida – Ela sorriu – Vamos fazer uma festa linda.
–Obrigada mãe.
–Está procurando o Edward? Ele está no lago.
–Vou lá encontrá-lo.
–Ok – Ela me deu um beijo na testa e voltou para a cozinha.
Sai de casa e fui até o lago nos fundos da casa. Atravessei a floresta e vi Edward sentado à beira do lago. Respirei fundo e fui até ele. Sentei-me a seu lado e fiquei observando as pedrinhas que ele jogava no rio.
–Pedi desculpas à minha mãe – Falei sem olhá-lo.
–Isso é bom.
–Desculpe você também – falei e suspirei – Você tinha razão eu afasto as pessoas.
–Eu só disse isso porque estava com raiva. Você não é uma pessoa ruim.
–O que está fazendo aqui sozinho?
–Pensando.
–Em que?
–Nada demais — Ele me olhou – E você o que veio fazer aqui?
–Me desculpar – Dei de ombros.
–Hmm – Ele sorriu – Vindo da senhorita durona isso é ótimo.
–Não sou tão durona assim não.
–É claro que é – Gargalhamos.
–Nunca mais vou beber – Suspirei –É horrível não saber das coisas.
–Você realmente ficou muito louca, mas nossa madrugada de sexta foi até divertida.
–Eu estou de ressaca e com as memórias afetadas e você não tem nada à me dizer?
–Hmm – Ele deu de ombros – T.G.I.F?
–O que? – Cutuquei suas costelas – Isso não ajuda!
–Já até sei a sua musica a partir de agora.
–Qual?
–Last Friday night yeah we danced on tabletops and we took too many shots!
–Não tem graça – Gargalhamos – Mas, até que você tem razão.
–Estou pensando numa coisa? – Ele disse se levantando e estendendo a mão para eu levantar-me também.
–O que? – Ele olhou para o lago e depois para mim – Não se atreva!
Gritei para ele, mas era tarde demais. Edward me pegou no colo e pulou comigo no lago. Assim que voltamos à margem estapeei seu ombro e fitei-o com raiva enquanto ele gargalhava, mas logo nossos olhares se cruzaram de um jeito estranho e permanecemos ali nos encarando num silencio constrangedor...
Notas finais
Ps: Pra quem não sabe T.G.I.F é uma expressão americana pra dizer "Graças a Deus é sexta-feira)
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