A Freira e o Prostituto
20 Capítulo 3 -Uma agradavel surpresa ( 2ª Temporada)
Notas iniciais
Ferrada. Essa era a palavra que me definia naquele momento. Edward só podia estar louco para ter me arrastado até a reunião do parlamento. As noticiais nos jornais não foram nada amigáveis e sem dúvidas eu seria massacrada por todos os políticos que deviam estar me julgando como a causadora do fim da dinastia Grimaldi. Se eu soubesse que ele era tão cabeça dura não tinha feito aquele discurso.
Edward não era nem um pouco discreto e já entrou na sala de reunião empurrando a enorme porta que fez um barulho ensurdecedor. Continuava me arrastando e xinguei-me por dentro por não ter forças para impedi-lo de fazer aquilo. Assim que entramos na imensa sala deparei-me com uma mesa gigantesca de madeira escura, ao redor dela dez homens vestidos com finos ternos olharam-nos com surpresa e repreensão. Senti cada olhar daquele queimar minha pele como se cada um deles fosse uma cópia de Ciclope dos X-man.
–Ora, ora – Um dos homens falou pondo-se de pé, falava um inglês fluente – Uma entrada triunfal. Típico do caçula Grimaldi. Você nos deixou esperando por muito tempo garoto.
–Em primeiro lugar – Edward respondeu com um tom de voz tão ameaçador que até eu me encolhi – Não sou um garoto e, por favor, mais respeito quando se referir a mim. Caso não saiba sou o príncipe, herdeiro do trono e abençoado pelos céus. Por acaso terei de lhe relembrar como deve se referir a um membro da nobreza?
Ele lançou um olhar sugestivo para um homem que estava parado junto à porta e pigarreou. O homem assentiu desconcertado antes de anunciar:
–Sua Alteza real o Príncipe Edward, segundo na dinastia Grimaldi e herdeiro do trono de Mônaco.
–Aprendeu? – Edward perguntou com escárnio ao homem que o havia ofendido. Ele voltou a sentar-se e os outros disfarçaram o riso.
– Alteza — Outro homem falou e me surpreendi por todos eles estarem falando em inglês e não francês, talvez porque houvesse outros membros que não falasse o idioma oficial – Estamos um pouco apressados, poderíamos dar inicio a reunião?
–Com licença – O mesmo homem de antes falou – O que esta senhorita está fazendo aqui?
–É minha acompanhante.
–Isto não é um baile alteza.
–Edward – Sussurrei – Acho melhor eu ir embora.
–Não.
–Como podem ver senhores – O homem continuou o discurso – O príncipe não tem nenhum respeito pelo parlamento. Age como se fosse o único que manda e desmanda como bem entende. Como poderemos confiar a ele nossos problemas econômicos? Albert jamais poderá ser substituído por um rapaz insensato e irresponsável como ele. Todos conhecemos bem o que esse jovem fez antes de ir embora para a América...
Um burburinho de vozes se espalhou pela sala, mas foram silenciados quando a princesa Esme entrou no salão. Todos a saudaram com uma reverencia e ela assumiu seu lugar em uma das cadeiras maiores. Olhou para mim e Edward com irritação balançando a cabeça de maneira desaprovadora.
–Desculpem o meu atraso. Podemos começar assim que Edward sair por aquela porta junto com sua... Com essa senhorita.
–Mãe...
–Minhas ordens foram claras, ou ela, ou nós.
Edward olhou-me com agonia. Segurei sua mão e fiz a única coisa sensata a se fazer naquele momento.
–Cumpra seu dever Edward. Mostre a eles que você não é um incompetente e que pode ser o príncipe soberano...
–Mas, e você...?
–Apenas faça o que deve ser feito.
–Prometa que não vai embora.
–Edward...
–Prometa Isabella, eu só preciso de um tempo.
–Tudo bem, eu prometo.
–Ótimo – Ele se virou para os ministros – Peço-lhes perdão por toda essa confusão, mas quero deixar claro que estou disposto a lutar pelo futuro do nosso país. Sei que não será fácil apagar a péssima imagem que todos vocês têm de mim, mas eu não sou mais aquele homem – Edward olhou-me e sorriu – Se me derem uma oportunidade vou provar que sou tão digno de governar esse país quanto meu irmão foi.
Mais um burburinho de vozes tomou conta da sala, mas finalmente aceitaram que ele participasse da reunião. Edward tomou seu lugar e começou a falar diplomaticamente. Sai da sala antes que a princesa me expulsasse a ponta pés.
Mônaco não era tão grande assim e minhas saídas com Alice tinham me dado uma base dos principais pontos turísticos. Eu pretendia ir embora, mas não antes de despedir-me de Edward. Esse não era o meu desejo e tampouco seria o dele, mas havia outras prioridades em sua vida no momento e eu não podia impedi-lo de cumprir suas obrigações. Era doloroso, era arrasador, mas também era necessário. Meu lugar não era na realeza ao lado de um príncipe, eu jamais estaria à altura daquele homem.
A reunião sem dúvidas demoraria muito a terminar e eu precisava matar o tempo. Peguei um táxi e pedi que me levasse ao centro da cidade. Andei pelos parques, tomei um café em um dos barzinhos ali perto e continuei caminhando sem saber ao certo onde deveria ir até me deparar com uma galeria de arte, ou um projeto de galeria.
O lugar era magnífico o teto decorado com lindos afrescos de todos os tipos. As obras ali expostas não eram originais , mas era tudo tão perfeito e organizado que esse detalhe passava desapercebido. Caminhei por todo o salão – que estava praticamente vazio – até me deparar com uma réplica do quadro de Monalisa. Fiquei admirando-a por bastante tempo. Nos últimos dias estive tão surtada com a ideia de rever Edward e toda aquela confusão de emoções no nosso encontro que nem tive tempo de analisar nossa situação atual. Como eu podia ser tão pretensiosa a ponto de achar que poderíamos ficar juntos? Céus, Edward era um príncipe e eu? O que eu era? Como apareceria ao seu lado nos eventos importantes se nem de longe me comparava àquelas jovens européias belas e elegantes? Sem contar que a mãe dele me odiava. Só quando senti meu rosto molhado foi que percebi que estava chorando.
–Bonjour.
Virei-me para olhar quem havia me cumprimentado e deparei-me com um jovem alto de cabelos negros bem cortados e um sorriso encantador.
– Bonjour – Respondi limpando as lágrimas e tentando sorrir.
–Você não é daqui – Ele disse se aproximando, seu inglês era fluente.
–Como sabe?
–Seu sotaque.
–Você também não parece ser daqui, fala meu idioma tão bem.
–Francês não é nosso único idioma, quase todos aqui falam inglês.
–Ah – Aquilo deixou-me aliviada, mas por que? Eu não ia embora logo?
–Gosta? – Ele perguntou apontando o quadro.
–Sim. Arte é uma das minhas paixões.
–E o que a Monalisa diz para você?
–Quer que eu interprete o quadro?
–Vejamos como se sai – Ele cruzou os braços e tombou a cabeça de lado esperando minha resposta.
–É um quadro enigmático. O principal ponto é o seu sorriso que é indecifrável, não sabemos se é de alegria ou tristeza. Parece que sua expressão muda constantemente, basta piscar os olhos.
–Estou impressionado – Ele sorriu e bateu palmas silenciosas.
–Você também gosta de arte?
–Bastante. Quer dar uma volta pela galeria?
–Tudo bem.
Caminhamos juntos por horas admirando cada peça artística daquele lugar. Não falávamos muito, mas ambos estávamos encantados com tudo. A magia daquele lugar era tão forte que até meus problemas foram momentaneamente esquecidos.
–Quero que veja um quadro – Ele segurou minha mão e me levou até o outro lado da galeria. Mostrou-me uma obra que até então eu não conhecia – O que acha?
Olhei para ele intrigada, queria mesmo que eu interpretasse uma obra que nunca tinha visto na vida? Por sua expressão percebi que ele não aceitaria um não como resposta.
–Bom – Observei o quadro tentando extrair sua essência – Pelas cores e as formas em desordem percebo que o artista é confuso.
–Confuso? – Ele arqueou a sobrancelha e deu um risinho – Como assim?
–Bom, parece que ele é indeciso e não tem certeza do que quer. Mas, se analisarmos bem as formas e a principal delas que está no centro, posso dizer que na verdade isso se refere ao amor... Na minha opinião o quadro representa a confusão sentimental do amor.
–Ótima análise. Percebe essas formas separadas no centro? Eu acho que ambas estão separadas por todas essas adversidades e precisam se encontrar para se encaixarem.
–Algo como almas gêmeas?
–Se você for uma romântica ao extremo, sim – Sorrimos.
–Duas metades, separadas por uma terrível confusão de acontecimentos, mas que se completam independente de qualquer coisa.
–Você acredita nessas coisas?
–Não sei... Acho que não.
–Bella? – Ouvir aquela voz fazia meu coração disparar.
Edward veio até nós e abraçou-me pela cintura de forma possessiva enquanto encarava o homem.
–Parece que você já encontrou a sua – O homem disse sorrindo – Foi um prazer conhecê-la... Bella.
Ele foi embora e só então me dei conta que não havia perguntado seu nome.
–O que faz aqui? – Edward perguntou-me.
–Matando o tempo.
–Vamos para casa. Precisamos conversar.
Ótimo, aquilo facilitava as coisas. Agora, só me faltava coragem para lhe dizer que estava indo embora para sempre.
Ao chegarmos ao palácio Edward precisou resolver um assunto importante, deixando-me sozinha novamente. Fui levada até jardim por uma das empregadas e para minha surpresa a Princesa Esme estava lá, sentada em uma mesa redonda forrada por sedas e repleta de louças de porcelana. Ali no jardim, rodeada de tanta beleza e riqueza ela parecia uma rainha do mundo das fadas.
–Por favor, sente-se – Ela apontou a cadeira à sua frente.
Engoli em seco e sentei-me, será que ela ia me ofender mais uma vez?
–Sabe Isabella – Ela começou a falar, mas sua voz não estava alterada como da primeira vez, ao contrário estava muito calma – Quando vi sua foto nos jornais ao lado do meu filho naquela situação embaraçosa pensei que seria o fim da nossa casa na monarquia de Mônaco. Edward sozinho já era um problema, acompanhado então seria desastroso. Confesso que realmente cheguei a pensar que você era uma interesseira que só queria diversão ao lado de um príncipe de verdade. Eu não gosto de mudanças...
Abaixei meu olhar, não tinha coragem de encará-la.
–Mas, quando a mudança é para melhor eu realmente fico satisfeita – De repente ergui a cabeça e percebi que ela já não me olhava com raiva ou desprezo, a Princesa sorriu para mim de forma acolhedora e carinhosa – Lhe devo um pedido de desculpas. Você não está atrás do meu filho por interesse, percebi isso hoje na reunião. Isabella, você transformou meu garoto rebelde e irresponsável num homem de verdade e lhe sou muito grata por isso. Edward não só conseguiu uma redução nos impostos como também muitos outros benefícios para o país, coisa que nem mesmo Albert havia conseguido. Sei que a tratei muito mal e de todo o coração espero que perdoe-me.
–Alteza... Eu... Eu não sei o que dizer.
–Querida – Ela segurou minha mão – Meu filho está apaixonado por você. Quando ele me disse que por você rejeitaria a coroa entrei em desespero, mas agora percebo que você não é a ruína da casa Grimaldi, mas sim a salvação. Se fui dura no nosso primeiro encontro foi por medo de você ser apenas mais uma das milhares de aproveitadoras que entraram na vida do meu filho. Realmente sinto muito por todas as palavras cruéis que eu lhe disse.
–Está tudo bem. Não se preocupe.
–Venha comigo – Ela se levantou e segurou minha mão levando-me para dentro do palácio.
Eu a segui em silencio enquanto passávamos por vários salões e atravessávamos portas. Acabamos parando no subsolo. Ela abriu uma porta e me deu passagem para que eu entrasse primeiro. Fiquei encantada ao fitar a imensa sala repleta de jóias de todos os tipos. Os diamantes eram tão brilhantes que até refletiam as luzes que caiam sobre eles.
–A vida de uma princesa também tem seus encantos não acha? – Ela disse sorrindo e afagando meu ombro.
–É maravilhoso.
–Este é o meu lugar secreto. Meu cantinho especial e quero compartilhar com você para demonstrar o quanto estou arrependida e envergonhada por minha atitude.
–Alteza...
–Vamos Isabella, quero que escolha uma jóia de sua preferência.
–Por quê? – A olhei intrigada.
–Ora essa – Ela sorriu – Hoje a noite iremos ao teatro assistir um espetáculo da companhia de Balé, eles apresentarão o lago dos cisnes. Você gosta?
–Eu adoro.
–Excelente. Escolha a jóia que desejar usar esta noite, como futura Princesa de Mônaco espero que tenha bom gosto.
Esme sorriu calorosamente. Algumas horas atrás eu me sentia humilhada e rejeitada por ela, mas naquele momento senti-me completamente acolhida e bem vinda em sua casa... Mas, espera ai o que ela quis dizer com “Futura Princesa de Mônaco”?
Notas finais
Então pessoal o que acharam? Viram, a Esme não é uma cobra, pelo contrário ela é um amor de pessoa só tava com medo da Bella ser uma aproveitadora. E quem será aquele misterioso rapaz do museu, e por que Edward ficou tão enciumado? Hmmm vocês saberão em breve. Sei que estão loucas para termos logo cenas quentes entre os dois né? Mas, acalmem-se logo logo elas irão começar kkkkkkk Bjs até o próximo o/
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