A Freira e o Prostituto
4 Capítulo 3- Desembarcando
Notas iniciais
Edward e Tanya entraram no táxi minutos depois que entrei. Então lembrei-me que não havia passado no caixa eletrônico. Pedi que me esperassem e sai novamente indo até uma agencia ali perto. A fila estava imensa o que me deixou um tanto desanimada.
-Vai demorar muito desse jeito – Levei um susto com a voz dele atrás de mim, que mania irritante de falar no meu ouvido.
-Preciso sacar o dinheiro, ou você aceita um cheque pré-datado senhor Cullen?
-Hmm – Ele alisou o maxilar – Você quem sabe amorzinho.
-Um caixa para tantas pessoas!
-Na verdade são dois.
-Aquele outro é preferencial para gestantes, deficientes e idosos.
-Exatamente – Ele sorriu de canto, que plano maquiavélico ele estava bolando? – Venha comigo.
Ele me puxou pela mão antes que eu pudesse dizer alguma coisa. Me arrastou pelo imenso salão em busca de algo indecifrável. Acabei me rendendo e o acompanhando. Paramos em frente a um dos banheiros femininos.
-O que pretende? – Perguntei cruzando os braços.
-Você já vai ver – Ele sorriu puxando uma mochila das costas, de onde ela havia saído?
Edward tirou um casaco de lã vermelho e enrolou no formato de uma bola, será que era o que eu estava imaginando? Oh Deus o que eu fiz pra merecer uma peste daquela na minha vida?
-Não vou fazer isso – Reclamei enquanto ele estendia para mim.
-Claro que vai caso contrário ficará com os pés inchados de tanto esperar naquela fila.
-Como vou deixar isso seguro na minha barriga?
-Coloque dentro da cinta uai.
-Cinta? – Ajeitei os óculos – Como sabe que estou de cinta?
-Bom – Ele deu um risinho e coçou a cabeça – Sou um profissional em despir mulheres, sei bem quando elas escondem algumas gordurinhas.
-Gor... Du... Rin... Has? – Respirei com dificuldade – Sabe, fico bem feliz de o tal Valentim tê-lo conhecido. Até mandarei um presente quando voltarmos.
-Não seja rancorosa, vamos lá coloque a barriga falsa.
Puxei o casaco com força da mão dele. Sujeito mais irritante fui para dentro do banheiro morrendo de raiva. Sorte que estava vazio. Aquele lugar estava tão sujo que me dava arrepios, sempre tive problemas com limpeza, uma mania incurável. Entrei num dos reservados chutando a porta com o pé e tirei o vestido ainda intrigada sobre como Edward descobrira que eu usava cinta. Suspirei e revirei os olhos, já não bastava agüentar a louca da Tanya ainda teria de suportar Edward, era demais pra mim. Coloquei a barriga falsa e me preparava para vestir o vestido quando a vi. Aquele ser que eu mais odiava na vida, tinha pavor e um medo descabido: Uma barata, grande, preta me encarando. Gritei tão alto que minha garganta doeu, logo Edward entrou no reservado afoito perguntando o que estava acontecendo. Eu não conseguia falar, apenas apontava o ser asqueroso. Ele entendeu e balançou a cabeça.
-Uma mulher desse tamanho com medo de uma baratinha dessas – Ele pegou meu tamanco e se preparou para matá-la.
-Não! – Gritei e ele me olhou espantado – Não a mate, apenas espante-a. Não é certo matar nenhum tipo de ser vivo.
-Jura? – Ele bufou e bateu na parede fazendo-a correr para o outro reservado, respirei aliviada.
Então vi os olhos pecaminosos dele pousados em mim. Logo lembrei de minhas vestimentas.
-Feche os olhos descarado! – Gritei estapeando-o.
-Relaxa não vi nada demais – Ele respondeu tapando os olhos e sorrindo. Terminei de me vestir e calcei o tamanco. Então a maldita barata apareceu de novo.
-Ai Edward... Edward, ai... Edward!
Ele revirou os olhos e a pisoteou. Olhei para ele com fúria e o estapeei bagunçando suas roupas e seus cabelos qual parte do “nenhum ser vivo merece morrer” ele não ouviu?, Me recompus e olhei para ela. A coitada ficou jazida sem vida no chão. Fiz um sinal da cruz e abri a porta do reservado. O banheiro que antes estava vazio naquele momento estava lotado. Várias mulheres se pintando em frente ao espelho. Todas, repito todas pararam e nos olharam de olhos espantados.
-Uau – Uma sussurrou – Com um desses eu também gritaria feito louca.
-Pouca vergonha – Uma senhora mais velha suspirou.
-Então o nome dele é Edward? – Outra perguntou mordendo a ponta do lápis de olho.
-Boa tarde senhoritas – Ele disse sorrindo e ajeitando a roupa – Já estamos de saída. Vamos amor?
Ele me puxou pela cintura e ajeitei meus óculos. Cafajeste estava adorando aquela situação, quanto a mim, só queria sumir ou ser um avestruz para enfiar minha cabeça na terra.
-Que gato – Ouvi outra suspirando.
-Não é a toa que ela tá grávida – Outra completou.
Saímos do banheiro e Edward teve de se apoiar na parede para não cair de tanto rir. Fiquei de braços cruzados encarando-o e batendo o pé, não via graça alguma naquilo. Eu até podia ter explicado que tudo foi um engano, mas do que adiantaria? Aquele desgraçado daria um jeito de me deixar constrangida do mesmo jeito. Esperei até que ele se acalmasse e parasse de rir.
-Ai – Ele suspirou – Pode pegar um copo com agua pra mim por favor? estou sem ar.
-Claro – Sorri e fui até um dos bebedouros. Enchi o copo plástico com bastante agua gelada e caminhei até ele.
-Obrigado – Ele disse estendendo a mão.
-Por nada. Tome.
Joguei a agua inteira na cara dele. Sei que estava agindo feito criança, mas foi merecido. Edward arregalou os olhos e trincou os dentes, a agua estava muito gelada.
-Ficou louca?
-É pra refrescar amorzinho – Falei sorrindo – Sabe como é né? A Califórnia é muito quente.
-Bem que Tanya me avisou pra ter cuidado com você... Ela disse que você não é muito normal.
-Ah – Dei de ombros – Não sou eu quem teve a brilhante ideia de me colocar uma barriga falsa.
-E você aceitou.
-Por que estou com pressa!
-Então vá logo para o caixa!
-Não grita comigo!
-Não estou gritando!
-Está sim!
-Não estou!
-Por que está tão irritado hein?
-Não sei – Ele gritou e riu nervoso jogando as mãos para cima, notei que um pequeno aglomerado de pessoas parou para nos observar – Talvez seja porque fiquei “noivo” de uma maluca e minha primeira transa foi com um homem chamado Valentim que violou meu imaculado orifício anal. Ou talvez porque essa mesma maluca acaba de me jogar agua gelada!
-E você fez questão de deixar aquelas mulheres pensar que estávamos fazendo sexo no banheiro!
Algumas pessoas riram e as mães taparam os ouvidos das crianças levando-as para longe. Até que um guarda apareceu e caminhou até onde estávamos colocando a mão na cintura.
-Algum problema? – Ele perguntou zangado.
-Ela é o problema.
-Ele que é louco.
-Podem, por favor, discutir a relação em um local não publico? Estão incomodando as outras pessoas.
-Claro, já estamos de saída. Desculpe-nos – Falei saindo.
-Nada disso – Edward me puxou de volta.
-O que está fazendo? – Sussurrei – Quer ir pra cadeia?
-Precisa se redimir ou pegarei o primeiro avião de volta para Nova Iorque.
-Como assim?
-Me peça em casamento.
-O que? – Sorri nervosa – Nem pensar.
-Então desisto do nosso trato.
-Não pode fazer isso.
-Posso sim e farei.
-Eu não vou... Eu não posso fazer isso.
-Claro que pode.
-Edward...
-Vamos Bella, você precisa de mim não é? Caso contrário seu plano de tirar seus pais da jogada irá por água a baixo. Depois das coisas que me fez passar isso é o mínimo que pode fazer.
-Tudo bem – Suspirei com raiva e falei entredentes – Quer casar comigo?
-Não ouvi – Ele colocou a mão no ouvido – Vocês ouviram o que ela disse gente?
-Nãooo – Eles gritaram em coro.
-Vamos Bella, você pode ser mais convincente.
-Vai me pagar por isso – Respondi sussurrando – Quer casar comigo?
-Ainda não entendi. Tem muito barulho aqui, por que não se ajoelha?
-Ajoelhar? Nem pensar!
-Então nada feito.
-Ta – Gritei me ajoelhando, maldito infeliz! – Quer casar comigo?
-Deixa eu pensar – Ele alisou o maxilar e encarou o teto – Aceito.
Todo mundo sorriu e bateu palmas. Edward fingiu uma falsa emoção me ajudando a levantar, que vontade de mata-lo!
-Podemos ir agora, já teve seu showzinho particular.
-Claro querida. Sem problemas.
-Vamos logo até aquele caixa essa barriga falsa está me incomodando.
-Sabia que é muito engraçado vê-la assim? Esse crucifixo no pescoço, essas roupas conservadoras, esse cabelo preso e sem graça, esses óculos feios e uma barriga de grávida? Todo mundo deve imaginar que você cometeu um pecado.
Ele gargalhou e o fuzilei com os olhos, mas não demonstrei o quanto aquilo me magoou. Ele não tinha o direito de falar aquelas coisas, deveria respeitar minha religião, meus costumes. Provavelmente ele percebera que meu humor estava abaixo de zero e ficou calado. Caminhamos em silencio até o caixa preferencial. Precisei reunir muita coragem para cometer um pecado daqueles. Enganar todas aquelas pessoas era maldade, mas eu realmente estava apressada. Peguei meu cartão da bolsa e saquei o dinheiro colocando-o em um envelope, passei tanto tempo juntando e agora ele estava prestes a ir para as mãos daquele idiota. Suspirei e entreguei tudo a ele, Edward me deu uma piscadela e colocou o envelope na mochila. Fomos para o táxi e Tanya estava escorada na porta conversando com o motorista.
-Pensei que teríamos que ir busca-los – Ela sorriu e então arregalou os olhos apontando para minha barriga – Bella, o que é isso? Um alien?
-Ei não chame meu filho de alien – Edward respondeu zombeteiro.
-Podem me explicar isso?
-É uma longa história – Suspirei cansada – Vamos indo. Não vejo a hora de acabar logo com isso.
-Nossas férias ainda nem começaram querida – Tanya disse entrando em seguida no banco da frente.
-Ela tem razão Bella desestressa.
Edward entrou no táxi e eu entreguei o endereço ao motorista. Seguimos viajem em silencio, não estava com a menor disposição de conversar. Estava triste, magoada e entediada.
-Me desculpe – Edward disse depois de muito tempo calado – Eu não devia ter zombado de... De você. Respeito suas escolhas religiosas e se vamos fazer isso que façamos em paz tudo bem pra você?
-Ok – Suspirei e apertei a mão dele.
-Esqueci de te entregar isso – Ele disse tirando uma caixinha preta do bolso.
-O que é?
-Abra.
Peguei a pequena caixa e abri... Aquele era sem duvidas o anel mais lindo que eu já havia visto. Dourado com um belo diamante azul, minha cor favorita. Fiquei horas admirando-o, estava sem palavras.
-É lindo – disse por fim.
-É seu por enquanto – Ele sorriu – Terá que me devolver assim que voltarmos.
-Por que está me dando ele?
-Não estou te dando estou emprestando eu aluguei em uma joalheria hoje cedo. Se vamos fingir estar noivos que seja em uma bela atuação com direito a figurino e tudo.
-De qualquer forma obrigada.
-Disponha.
Voltamos a ficar em silencio depois que Tanya fez um escândalo por causa do anel é claro. As vezes aquela situação era meio constrangedora Edward era bem fino e elegante, eu podia jurar que ele era um executivo importante, mas é claro que ele administrava outra coisa. Chegamos ao porto e pagamos o taxistas. Edward estreitou os olhos para o mar e me encarou.
-Pode me explicar?
-Meu pais moram em uma ilha – Respondi puxando minha mala.
-E quando iam me contar?
-Tem medo de agua senhor Cullen? – Perguntei cruzando os braços.
-Claro que não... Mas, é que barcos me dão enjoou.
-Oh coitadinho dele – Fiz uma falsa cara de pena –
– Vamos logo antes que esse sol acabe comigo. Onde está o barco do papai Tanya?
-Bom...
Ela sorriu sem graça e coçou a cabeça... Droga aquilo não era bom julgando pelos anos de convivência eu sabia exatamente o que ela havia aprontado.
-Pode ir falando Tanya.
-Eu queria que fosse uma surpresa então não avisei seus pais.
-Ótimo – Ri nervosa – Agora como vamos atravessar hein? A nado? Eu pedi pra você avisá-los ontem! É tão dificil assim me fazer um favor?
-Não grita comigo Bella eu esqueci do mar, tá legal?
-Sei. Eu vou te matar Tanya!
-Olha que isso é pecado hein!
-Meninas, acalmem-se. Eu estou aqui, ok? Vou dar um jeito.
-Que jeito? Alugar um barco?
Ele sorriu e piscou, saiu andando em direção as casinhas de aluguel. Tanya respirou aliviada como se ele realmente fosse conseguir alguma coisa àquela hora o porto estava vazio. Edward voltou algum tempo depois com as mãos no bolso feito um cachorrinho abandonado.
-E ai? – Tanya perguntou animada.
-Eles não tem nenhum barco disponível.
-Jura? – Perguntei sarcástica – Desde que chegamos vi milhares deles por aqui.
-Quer ficar quieta? Ou vou ter que jogá-la no mar pra servir de comida para os tubarões?
-Olha lá como fala comigo!
-Ah, não vou fazer isso com os pobrezinhos. É muito ruim maltratar os animais, não quero que tenham má indigestão!
-Seu... Seu... Grosso!
-E grande – Ele acrescentou sorrindo de canto, cafajeste! Fechei a cara e me virei de costas para ele.
-Olha lá pessoal – Tanya apontou um barco que estava chegando no porto.
-Não vou entrar naquela joça – Respondi de mau gosto – De jeito nenhum!
-Não é tão ruim assim – Edward disse analisando enquanto o pescador amarrava o barquinho no cais.
-Olha como está enferrujado e se afundarmos?
-Não seja fresca.
-Ela tem medo de agua Edward – Tanya falou e lancei um olhar acusador para ela.
-Vejam só, e ainda ficou me zoando.
-Eu não sei nadar – Respondi já sentindo minhas pernas bambas.
-Relaxa amor – Ele disse sorrindo – Eu te protejo.
-Prefiro servir de comida aos tubarões.
-Querem parar os dois? Quem em sã consciência vai acreditar que estão noivos? Vocês brigam feito duas crianças! E Bella você não está esquecendo de alguma coisa não?
Ela apontou para minha barriga grande. Eu havia me esquecido completamente dela. Corri para o banheiro do porto e tirei a jaqueta dele jogando-a dentro da minha bolsa. Pude até respirar melhor depois disso. Voltei para o cais e os vi conversando com o pescador, Edward entregando algumas notas a ele. Girei nos calcanhares e ia saindo de fininho quando ele correu até mim e me puxou.
-Vamos Bella.
-Não vou andar naquilo.
-Precisa ter fé.
-Você nem deve saber o que é fé!
-Tem razão, mas as pessoas sempre dizem isso quando querem convencer as outras de alguma coisa.
-Não adianta insistir.
-Se não for por bem vai por mal.
-Não se atreva!
Tarde demais, o infeliz me pegou jogando-me no ombro como se eu fosse um saco de arroz. Esmurrei suas costas dei chutes e gritei, mas nada o fez parar. Ele me colocou no barco pequeno sentada em uma madeira velha, logo em seguida eles entraram também. Fechei os olhos tentando não olhar o mar que estava tão próximo a nós.
-Tem medo de voar, de agua, de barata, mulherzinha mais fresca – Ouvi Edward resmungar, mas não tinha voz para respondê-lo.
-E nossas bagagens?
-Eu volto para busca-la senhorita – O homem disse – Se colocarmos todas aqui o barco pode virar.
-Deus me livre – Fiz um sinal da cruz rápido – Vamos moço. Anda logo com isso.
O barquinho fez seu trajeto calmamente, mantive os olhos fechados a todo instante. Até que ouvi Edward me mandando abri-los. Já estávamos no cais da ilha. O homem amarrou o barco e saímos. Só assim pude respirar aliviada.
-Eu vou lá buscar as coisas de vocês.
-Vou mandar um empregado vir aguardar. Preciso muito de um copo de agua.
-Como queira senhora.
-Obrigada – Edward disse ao homem.
-É isso ai – Tanya disse alegre – Chegamos. Mansão dos Swan ai vamos nós.
A casa dos meus pais era linda. Perfeita eu diria, senti uma forte nostalgia olhando para a imensa mansão branca feita de madeira, as árvores fartas e ao imaginar que logo atrás estavam os animais que eu tanto amava. Fazia dois anos que não vinha ver os meu pais, eles sempre iam a Nova Iorque. Reaparecer assim de surpresa os deixaria muito felizes.
-Você não me disse que era rica – Edward falou admirando a paisagem.
-Não sou rica – Respondi caminhando – Meus pais que são.
-Todo filho de rico diz isso.
Caminhamos até a casa e toquei a campainha. Logo minha mãe abriu a porta sorridente e esbugalhou os olhos ao nos ver.
-Surpresa – Tanya cantarolou.
-Oh meu Deus – Renné exclamou vindo até nós e nos abraçando – Como estão minhas meninas? Não acredito que vieram!
-Resolvemos de ultima hora mãe.
-E quem é esse jovem lindo?
-Esse é o Edward mãe.
-Encantado em conhece-la senhora – Ele disse beijando a mão dela.
-Oh, senhora não. Me chame apenas de Renné. Você é amigo das meninas?
-Na verdade...
-Eles são noivos – Tanya adiantou-se, acho que ela esperou o dia todo pra poder dizer aquilo.
-Ah – Renné gargalhou – Isso é uma piada não é?
-Não mãe – Ajeitei os óculos e pigarrei – É sério.
-Isabella Marie Swan, não brinque com uma coisa tão séria assim!
-Mãe eu não estou brincando, olhe – Suspirei e mostrei o anel.
-Oh meu Deus – Ela exclamou examinando minha mão em seguida encarou Edward – Você é um anjo.
-Bom... – Ele sorriu alisando os cabelos.
-Não é não mãe é só... O meu noivo.
-Acho que vou desmaiar – Ela colocou a mão no peito em seguida sorriu – Brincadeira.
-Mãe – Ralhei e revirei os olhos – Por favor né?
-Então você vai mesmo se casar Bella? Isso é um milagre!
-Estou cansada mãe, será que podemos entrar?
-Claro – Ela estendeu a mão para dentro da casa – Venham queridos.
Entramos e paramos no hall, a casa estava como sempre. Arrumada e bem organizada. As paredes brancas, cortinas azuis claras e mobília branca, vasos com rosas vermelhas e amarelas e alguns quadros de família.
-Onde está o papai?
-Na sala com alguns parentes nossos, estávamos nos reunindo pra tomar chá vocês chegaram bem na hora!
-Vamos lá então.
-Espere – Renné me apartou – Vou reuni-los para recebê-los estão todos espalhados, quero que faça uma surpresa. Todos vão adorar.
-Pra que isso mãe?
-Pra dar mais emoção Bella. Não seja tão carrancuda.
-Tudo bem – Sorri – Faça como quiser!
-Vem comigo Tanya?
-Claro, vamos lá.
As duas saíram abraçadas e fiquei sozinha com Edward. Ele estava pensativo e ainda muito encantado com a casa. Ele me encarou com aqueles olhos verdes esmeralda suspirei e ajeitei os meus óculos, estava um tanto desconcertada. Corri meus olhos tentando disfarçar...
-Oi Anne...
Falei acenando para minha priminha que estava se escondendo perto da escada. Anne tinha o lado esquerdo do rosto completamente queimado. Um acidente gravíssimo que quase lhe custara à vida. Tinha apenas sete anos e era muito tímida, sentia vergonha por sua deformação e quase não se socializava com as pessoas, exceto comigo, mas Edward também estava presente por isso ela não queria vir até mim.
-Bella você não me disse que era da realeza – Edward disse me cutucando.
-Como assim?
-Ah veja só – Ele me cutucou de novo e piscou – Tem uma princesinha escondida logo ali na escada. Se você não queria me contar esse segredo tudo bem, mas devo confessar que estou decepcionado.
-Nós não somos da realeza – Anne disse com sua vozinha de bebê, apertou o ursinho de pelúcia no peito e caminhou até onde estávamos timidamente.
-Ah não? – Ele coçou o maxilar – Eu podia jurar que você é uma princesa sabia?
-Sério? – Ela sorriu se aproximando, Edward abaixou-se para falar com ela.
-Claro que sim – Ele sorriu colocando o cabelinho loiro dela atrás da orelha – Veja só esses olhos azuis que parecem o céu e essa vozinha de anjo sem contar esse vestido lindo que está usando.
-Foi a vovó Renné que me deu.
-Então sua vovó tem muito bom gosto.
-Uhum – Ela assentiu e sorriu – Como se chama?
-Edward... Encantado em conhecê-la.
-Edward é o nome do filho mais novo da rainha Elizabeth II da Inglaterra.
-Olha como é inteligente. Isso mesmo mocinha.
-A minha professora que me ensinou. Ela vem aqui em casa todo dia... Eu não vou à escola, porque as outras crianças riem de mim ou sentem medo.
-Quer saber um segredo? – Ele sussurrou e ela assentiu – A escola não é tão legal assim, só tem um monte de meninos bobos e chatos. E também você é muito mais inteligente que algumas crianças que frequentam a escola regularmente. Ah e aqui você pode dar uma escapadinha da aula de vez em quando não é? – Ele piscou e ela sorriu.
-Você é muito legal assim como a titia Bella. Vocês são amigos?
-Bom – Edward me encarou confuso apenas assenti – Nós somos noivos.
-Noivos? A Rose sempre disse que você ia morrer solteirona titia.
-A Rose é uma cobrinha peçonhenta e maldosa, não dê ouvidos ao que ela fala.
-Exatamente – Edward falou – A tia Bella vai casar comigo então não é uma solteirona.
-Que bom tia, fico feliz. Edward é muito bonito.
-Obrigado – Ele sorriu e piscou para mim, tive de sorrir também – E esse seu ursinho tem algum nome?
-Não – Ela encarou o bichinho – Ainda não achei nenhum.
-Ele precisa de um nome. Quando eu tinha a sua idade ganhei um coelhinho e lhe dei o nome de Peter, era o nome do meu avô. Ele sempre ia comigo a todos os lugares.
-Bom... Então acho que vou chama-lo de... Edward – Ela sorriu fazendo barulhinho – Posso dar seu nome pra ele?
-Claro. Me sinto muito honrado.
-Você não fica com ciúmes não é tia Bella?
-Claro que não meu amor. Agora vai brincar um pouquinho que a tia tem que apresentar Edward para o resto da família, tá?
-Tudo bem – Ela abriu os bracinhos para dar um abraço nele.
Pensei que Edward hesitaria que só estava sendo educado. Mas, ele a abraçou sem nenhum pudor e ainda beijou todo o rostinho dela fazendo-a gargalhar. Então a soltou e Anne saiu correndo brincando com o coelhinho. Confesso que me surpreendi muito com aquilo.
-Obrigada – Falei enquanto ele se levantava.
-Pelo que?
-Por ter sido gentil com ela, sabe as pessoas geralmente sentem... Nojo em tocar nas cicatrizes das queimaduras da Anne e você... Você foi super gentil.
-Se sentem isso Bella nem devem ser consideradas pessoas. Ela é uma menina incrível e linda, só mesmo um idiota para ter repudio por causa de uma tragédia da qual ela não tem culpa.
-Isso foi realmente bem legal da sua parte.
-O que aconteceu com ela? E por que chama sua mãe de vó? Pensei que seus irmãos não tivessem filhos.
-Anne é minha prima. Chamar minha mão de vó foi um costume que ela adotou por que Jessica minha irmã mais velha cuida dela. A mãe dela era minha tia a irmã caçula de minha mãe. Há dois anos a casa dela pegou fogo e infelizmente ela morreu, somente Anne foi salva, mas teve o rostinho queimado.
-Pobrezinha.
-Vamos até a sala, minha mãe já deve ter reunido toda a família.
-Será que deu tempo?
-Não sei – dei de ombros- Vamos descobrir.
-Tudo bem.
-Ótimo.
Suspirei e caminhei na frente passando pelos corredores e indo até a imensa porta de vidro que nos levaria até a sala em que todos os membros de minha família estavam. Nunca pensei que passaria por aquilo, minhas mãos estavam tremendo e eu suava frio. Pensei em desistir, em sair correndo, mas Edward segurou minha mão e me lançou um olhar encorajador.
-Estou com medo Edward.
-Eu sei – Ele apertou minha mão – Precisa ser corajosa agora.
-Mas, isso tudo é tão difícil!
-Se fosse fácil não se chamaria vida e sim miojo. Então vamos entrar e acabar com isso de uma vez, ok?
Assenti e girei a maçaneta, entramos e de repente todos pararam de sorrir e conversar. Um imenso silencio se fez presente na sala. Senti um gelo na barriga. Eu nunca tive medo de nada e não seria aquela sala lotada de gente que me faria desmoronar, não mesmo. Ajeitei meus óculos e procurei minha voz perdida em algum lugar, notei que todos olhavam para minha mão entrelaçada na de Edward.
-Olá pessoal – Falei com a voz abafada – Esse é o Edward... Meu noivo.
Até que não foi tão ruim. Vi Rosalie, minha prima que eu tanto odiava abrir a boca num formato de O, o namorado dela fazendo a mesma coisa, meu pai de olhos arregalados, minha mãe chorando, Tanya fazendo “joinha” com o polegar, minhas tias cochichando umas com as outras, minha irmã Jessica com as mãos no coração, meu irmão Mike gargalhando e por fim minha avó de setenta anos desmaiando... Sorri desconsertada para Edward, acho que a noticia foi realmente uma surpresa.
Notas finais
E ai mereço recomendação? Hmmm *.* bjks até mais o/
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