A Freira e o Prostituto
3 Capítulo 2 - Embarcando
Notas iniciais
Bjs gente, boa leitura o/
Meus lindos e belos sonhos foram interrompidos quando Tanya entrou no quarto gritando fazendo-me dar um pulo e abrir os olhos depressa dando de cara com a claridade que quase me cegou.
–Acorda Bella, vamos nos atrasar!
–Tanya você é maluca? Como me acorda assim? Por que abriu a janela quase me cegou!
–Desculpe querida – Ela sentou-se aos meus pés – Mas, daqui a pouco o senhor gostoso chega e ainda não estamos prontas. Alias você, já que fiz minhas malas ontem à tarde.
–Ontem à tarde? – Estreitei os olhos – Como sabia que realmente iriamos?
–Me diz quando não te convenço de algo hein? – Ela sorriu – Vai levanta daí eu te ajudo a arrumar sua mala.
–Pode me dar alguns minutos de privacidade? Preciso me trocar e fazer minha higiene matinal.
–Claro. Fique a vontade.
Ela se levantou e foi até meu guarda roupa arregaçando as portas, que mulher mais inconveniente. Revirei os olhos e suspirei me irritar com Tanya já havia virado rotina. Levantei-me e bocejei, puxei meus óculos do criado mudo e pude enxergar com maior facilidade. Tanya já estava pronta, o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo, uma calça jeans super apertada e uma blusa regata vermelha, nem preciso dizer o quanto era minúscula né?
–Hmm – Ela resmungou encarando o guarda roupa – Suas roupas são tão cafonas. Como consegue usar isso?
–Do mesmo jeito que consegue usar suas roupas vulgares – Rebati caminhando até ela e batendo as portas – Quer fazer o favor de me deixar sozinha pelo menos um minuto?
–Poxa Bella. Às vezes você é mais azeda que limão, mas tudo bem. Já estou saindo arrume suas malas sozinha.
Ela me deu língua e saiu batendo a porta, quanta infantilidade! Arrastei-me literalmente para o banheiro e tomei uma boa chuveirada. Escolhi um vestido menos quente, nós iriamos para a Califórnia e eu não queria suar feito louca naquele sol insuportável. Fiz um coque no cabelo e troquei meus óculos com a armação preta por uma vermelha e estava pronta. Sai do quarto e fui para a cozinha, Tanya estava escorada na bancada brincando com a colher na xícara.
–Desculpe – Fale indo para a geladeira – Eu não queria ser grossa, mas às vezes você me irrita.
–Eu só queria ajudar – Ela resmungou dando de ombros.
–Já pedi desculpas, pare de criancice e desemburra essa cara.
–Não – Ela disse fazendo biquinho tive de sorri
–Tanya Louise Denali se não desemburrar essa cara agora desistirei da viagem.
–Tudo bem Isabella Marie Swan, mas se me desacatar novamente vou esconder sua bíblia.
–Nem se atreva a fazer isso!
–Só estou brincando – Ela gargalhou.
–Vai me ajudar a fazer as malas?
–Claro que sim. Se eu não fizer isso você levará todos aqueles seus santos, crucifixo e bíblias!
–É a minha religião Tanya, deveria respeitar.
–Eu respeito, mas não estamos indo para um retiro de Igreja e sim para a casa dos seus pais que abominam a ideia de você se tornar freira. Sem contar o fato que irá apresentar seu noivo gostosão.
–Ele não é meu noivo.
–Claro que é – Ela sorriu travessa – Nunca imaginei que você ficaria noiva.
–Tanya não me faça ter uma crise de enxaqueca logo de manhã pelo amor de Deus!
–Deixa de ser estressada Bella, tem que aprender a relaxar, umas boas aulas de ioga funcionariam.
–Podemos ir arrumar as minhas malas?
–Não vai comer nada?
–Perdi a fome. Como alguma coisa no aeroporto.
–Ok... – Ela mordeu o lábio.
–Que foi?
–Nada.
–Te conheço, diz logo o que aprontou?
–Bom – Ela sorriu de canto – Eu disse ao Edward que você daria metade do pagamento antes do final do contrato.
–Ficou louca? Dar cinquenta mil para ele antes de chegarmos na casa dos meus pais? E se ele botar tudo a perder?
–Ai Bella deixa de ser desconfiada. Logo você que é toda cheia de bons modos e pensamentos, não devia julgar os outros assim.
–Tudo bem – Suspirei – Com uma amiga que nem você quem precisa de inimigos né? Passarei em um caixa eletrônico quando chegarmos ao aeroporto.
–Estou tão animada – Ela sorriu me puxando pela mão – Vamos arrumar suas coisas.
Tanya escolheu uma mala gigantesca, não entendi pra que tanta coisa para apenas três semanas, mas ela sempre fora muito exagerada. Terminamos de arrumar tudo e ela ficou me encarando de braços cruzados.
–Que foi?
–Estamos indo para a casa de campo do seu pai. Sabia que na Califórnia tem praia? Como você irá à praia sem nenhum biquíni?
–Deus me livre usar uma coisa dessas.
–Bella, eu daria qualquer coisa pra tirar essas ideias absurdas da sua cabeça.
–Se nem Renné e Charlie conseguiram Tanya, não é você que será exceção.
Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi interrompida quando a campainha tocou. A diaba sorriu maquiavélica e correu para atender, como alguém podia se alegrar tanto com a desgraça alheia? Suspirei e puxei minha mala trancando o quarto. Provavelmente o ser insuportável estava lá na sala esperando para me perturbar novamente.
Edward estava com uma calça jeans clara, tênis branco, uma regata azul e óculos escuros. Tanya estava babando em cima dele, as vezes esse encantamento que as pessoas sentem em relação à beleza física me espanta. Ele esboçou um sorrisinho cínico em minha direção em seguida puxou um pouco os óculos e piscou, que descarado! Fechei a cara na mesma hora.
–Estamos prontas Edward, podemos ir? – Tanya disse desviando a atenção dele.
–Claro – Ele caminhou até mim e pegou minha mala indo para a porta.
–Ainda bem que temos o telefone dele – Tanya sussurrou me puxando pela mão – Depois que essa farsa acabar não deixarei espaço pra outras clientes.
–Boa sorte – Foi só o que consegui dizer, essa “farsa” nem tinha começado direito e eu já estava de saco cheio.
Fomos para o aeroporto de taxi. Edward e Tanya conversavam e gargalhavam o tempo inteiro, pareciam muito alheios ao que iriamos fazer com meus pais, será que remorso não fazia parte do vocabulário de minha melhor amiga? É claro que não. Sei que as vezes pareço chata e insuportável como ela mesma diz, mas a verdade é que não sou como as pessoas normais. Não tenho vontade de beber, me drogar, fumar ou até mesmo me deitar com um homem. Tudo que eu queria era viver em paz ajudando o próximo e me dedicando as minhas orações. Fiquei tanto tempo pensando nisso que nem percebi que o táxi já havia parado. Tanya e Edward olharam para mim.
–Que foi? – Perguntei ajeitando os óculos.
–Tem que pagar o motorista – Edward disse.
–O que? – Eles realmente queriam que eu bancasse a viagem inteira?
–Relaxa – Ele disse gargalhando – Estamos brincando já paguei o taxista você estava no mundo da lua e nem percebeu.
–Sendo assim vamos saindo – Abri a porta e me coloquei para fora.
–Vou pegar as malas – Ele disse indo para a traseira do carro.
–Edward é tão engraçado né? – Tanya disse me cutucando.
–Muito – Respondi sarcástica – Morro de rir com ele.
–Quero só ver a reação dos seus pais e dos seus irmãos. Eles vão ficar de boca aberta quando descobrirem que a nossa freirinha vai casar.
–Não vou casar.
–Bella, se nem você se convence da mentira como quer convencê-los? Entra na brincadeira, relaxa.
–Pra você é fácil falar.
–Escuta – Ela me segurou pelos ombros – Você precisa encenar, quebrar o gelo com Edward, seus pais nunca vão acreditar em você se não parecer realista. Portanto iremos começar de agora.
–O que quer dizer?
–Que quando pisarmos os pés dentro do aeroporto vocês se tornarão oficialmente noivos.
–Tanya...
–Nada de Tanya queridinha.
Suspirei desanimada, aquela era uma batalha totalmente perdida. Edward arrumou um carrinho para transportar nossas malas e entramos no aeroporto. Tanya andava à nossa frente e chamava a atenção por onde passava, os homens faltavam pouco comê-la com os olhos e quanto mais eles faziam isso, mais ela rebolava. Balancei a cabeça em negativa e Edward deu uma risadinha.
–Não tem vontade de chamar atenção assim?
–Claro que não – Ajeitei os óculos – Isso é um dos sete pecados capitais, luxúria.
–Trouxe biquíni?’-Ele mudou totalmente de assunto.
–O que você acha?
–Bom, estamos indo para a Califórnia e provavelmente seus pais devem morar perto da praia.
–Eles moram, mas não significa que irei.
–Você é tão azeda – Ele revirou os olhos – Deveria se soltar mais, rebolar um pouquinho. Aposto que debaixo desse vestido comprido existe um belo bumbum empinado.
O desgraçado gargalhou e avançou na frente. Fiquei estática, como ele podia ser tão cretino assim? Um ódio efervescente subiu por minha cabeça, senti meus neurônios pegando fogo. Que falta de respeito não é a toa que ele era um... Um garoto de programa. Chegamos ao check in, Tanya estava debruçada na bancada, aproximei-me dela.
–Algum problema? – Perguntei.
–Parece que sim.
–Infelizmente nossos voos estão lotados – A balconista falou – Vocês deveriam ter reservado as passagens. Sinto muito.
–E quando vocês teriam vagas?
–No final da semana que vem.
–Tudo isso? – Tanya colocou a mão na testa – Droga!
–Com licença — Edward disse com uma voz aveludada se aproximando do balcão – Você realmente não tem três vagas?
–Bom... É... Sinto muito senhor, não temos.
A mulher gaguejou e arregalou os olhos olhando para ele. Pude sentir o quanto ela o estava desejando naquele momento, será que eu era a única que não via graça naquele idiota? Edward continuou insistindo até tocou a mão da moça fazendo-a tremer. Realmente era um profissional do sexualismo, pois a mulher estava a ponto de leva-lo para um dos banheiros ali próximos. A moça pegou o telefone e fez algumas ligações até que conseguiu três vagas num voo de luxo, mas era muito caro. Edward então ofereceu-se para pagar, claro que não questionei, afinal ele estaria hospedado na mansão dos meus pais desfrutando de muito luxo, aquilo era o mínimo que poderia fazer. Pegamos as passagens da primeira classe e nos encaminhamos para o embarque.
–Você é um máximo Edward – Tanya exclamou sorrindo – Voo de luxo? Primeira classe, parece até um sonho.
Ela saiu andando na frente, Tanya era assim mesmo nunca andava no mesmo ritmo que as pessoas ao redor, era algum tipo de tique nervoso sei lá.
–Não ficou com ciúmes ficou? – Senti o hálito de menta dele em meu rosto, quando o infeliz sussurrou em meu ouvido.
–Claro que não – Ajeitei os óculos.
–Faz parte do meu trabalho ser persuasivo, as vezes as clientes me pagam mais do que deveriam por meu excelente desempenho.
–Não quero saber detalhes de seu trabalho promiscuo senhor Cullen.
–Acho que você está com ciúmes – Ele sorriu e sussurrou novamente – Relaxa, só tenho olhos pra você amorzinho.
O infeliz passou a mão em minha bunda! Não acreditei naquilo, que desrespeito! Eu o odiava sem dúvidas, alias odiava não porque o ódio é pecado, mas definitivamente não gostava dele. Chegamos ao embarque e Tanya me encarou confusa.
–Bella, por que está tão vermelha assim? – Ela perguntou e Edward gargalhou, desgraçado!
–Nada – Respondi séria.
–Estão portando algum tipo de arma ou drogas? – O homem vestido de terno preto perguntou.
–Tenho cara de quem usa drogas? – Perguntei amarga.
–Já vi muitas mulheres disfarçadas assim. Ter um crucifixo no pescoço não justifica nada.
Que atrevido! Queria esbofeteá-lo, Edward gargalhou ainda mais alto com a insinuação do homem, mas ele iria ter o que merecia, ah se ia!
–Não estou levando nada e realmente sou uma serva do senhor – Fiz uma carinha angelical – Mas, meu noivo ali é um traficante e está escondendo cocaína no reto.
Edward tirou o sorriso da cara e arregalou os olhos, Tanya abriu a boca num formato de O e o homem de preto acenou para um outro homem ali perto que rapidamente caminhou até onde estávamos e puxou Edward pelo braço. Ele me olhou desesperado pedindo ajuda, realmente estava apavorado. Dei um risinho e acenei dando tchau. Eu disse que ele ia pagar não disse?
Tanya e eu embarcamos e ela sentou na poltrona em frente a minha. Realmente era um voo de luxo, era tão confortável e macio que parecia que eu havia sentando em um sorvete.
–Você ficou louca? – Tanya perguntou virando-se para mim e arregalando os olhos – Como pôde fazer aquilo com ele?
–Desde ontem que o senhor Cullen está me provocando – Dei de ombros – Ele mereceu.
Gargalhei alto arrancando uma risada preocupada dela. Era a primeira vez que me divertia assim, pedi perdão adeus por mentir e provocar a desgraça alheia e alguns minutos depois Edward voltou andando torto. Seus olhos estavam queimando de raiva e fúria, ele carregava um travesseiro furado, ajeitou-o ao meu lado e sentou fazendo uma careta de dor tapei a boca para exprimir um sorriso.
–Você... Está... Ferrada... Swan – Ele dizia em pausas fazendo caretas.
–Doeu? – Arquei a sobrancelha – Qual era o nome do homem que tirou sua virgindade? Alias você era virgem daí?
Ele não respondeu apenas rosnou com ódio. Gargalhei e me afundei na poltrona. Fechei os olhos e esperei até o avião decolar, apertei as mãos em punhos fortes. Eu odiava voar, odiava mais que tudo. Sentia muito medo e sempre passava mal, apertei ainda mais os olhos desejando que chegássemos logo.
–Já estamos no ar há vinte minutos- Ele disse monótamente, abri um dos olhos examinando a janela e então abri o outro relaxando.
–Meu estomago virou água – Resmunguei mais para mim mesma – Você está bebendo?
Perguntei inalando o cheiro de álcool que vinha do copo na mão dele. Aquilo fez meu estomago embrulhar ainda mais.
–Eles não tem analgésico aqui – Ele respondeu me encarando e trincando os dentes – Uísque é a melhor opção no momento. Além do mais do que isso te importa?
–Nada.
Me levantei e corri para o banheiro, fechei a porta e me abaixei na privada vomitando até ficar tonta. Levantei e lavei o rosto e a boca, estava um horror. Queria que o voo acabasse logo, não suportava aquele lugar. Voltei para a poltrona e me sentei fazendo questão de esbarrar em Edward arrancando um gemido quando se mexeu. Sentei e sorri fracamente, estava um caco. Ficamos em silencio por longos minutos, mantive minha janela fechada para evitar ainda mais pânico enquanto Edward bebericava seu uísque.
–O nome dele era Valentim – Ele disse.
–O nome de quem?
–Do homem que tirou minha virgindade.
–Ah.
Nos encaramos e gargalhamos. O sorriso dele era bonito devo confessar, apesar de que também havia gostado daquela cara emburrada. Edward parecia menos irritado e mais descontraído talvez o álcool estivesse ajudando.
–Desculpe por isso – Falei encarando as mãos.
–Tudo bem – Ele suspirou – Mas, terá volta.
–Pensei que cancelaria o acordo depois do que fiz.
–Eu ia mesmo, mas dai a raiva passou e resolvi continuar com isso. E também a vingança é um prato que se come frio.
Pensei que ele estivesse brincando, mas ele não sorriu. Pelo contrario fez uma expressão assustadora e em seguida bebeu o uísque, aquilo me lembrou muito aqueles mafiosos russos. Me encolhi no banco e suspirei.
–Deseja alguma coisa senhor? – A aeromoça perguntou mais simpática do que deveria.
–Tem agua com gás?
–Claro – Ela abaixou-se e pegou a agua no carrinho entregando a ele – Aqui está lindinho.
–Obrigado – Ele sorriu torto e ela suspirou, dava pra ver a baba imaginária escorrendo do canto da boca dela.
–É só isso – Falei e ela me olhou com desdém.
Edward estreitou os olhos e me encarou confuso, eu não estava com ciúmes dele obviamente, mas não gostava de mulheres que cobiçavam o homem alheio, isso era um absurdo.
–A sua amiga também vai querer alguma coisa? – Ela perguntou para ele.
–Não sei – Ele segurou minha mão assustando-me – Quer alguma coisa amor?
Fiquei tão espantada quanto a aeromoça, ela simplesmente desmoronou. Ficou me encarando e balançando a cabeça, será que não tinha percebido que Edward acabara de dar o fora nela?
–Não quero nada – Falei retirando minha mão.
–Minha noiva e eu estamos satisfeitos, obrigado – Ele disse por fim e ela assentiu empurrando o carrinho e seguindo em frente.
–Mulherzinha oferecida – Resmunguei para mim mesma.
–Algum problema amor? – Ele perguntou zombeteiro, que vontade de jogá-lo lá de cima.
–Não entendo como existem mulheres que se oferecem assim de bandeja para um homem.
–Ficamos noivos ontem e você já está tendo crises de ciúmes? – Ele sorriu e apertou minha bochecha – Adoro mulher ciumenta.
Abusado! Dei um tapa na mão dele e me endireitei na poltrona, ela abriu a garrafinha fazendo barulho bebeu tudo de uma só vez. Peguei minha bolsa e vasculhei até encontrar um caderninho e uma caneta, precisava fazer aquilo antes de chegarmos.
–Pode me responder umas perguntas senhor Cullen?
–Quantas quiser querida.
–Aff – Bufei – Você sabe ser irritante. Fiz esse questionário ontem a noite, preciso saber algumas coisas sobre você antes de desembarcamos.
–Pois, pergunte.
–Seu nome completo, por favor.
–Edward Charlie Cullen.
–Nacionalidade?
–Britânico, nasci em Londres.
–Idade?
–Vinte e quatro.
–No anúncio dizia que você tinha vinte e seis.
–Sabe como é – Ele sorriu e deu de ombros – As mulheres preferem homens mais maduros.
–Além de tudo é mentiroso – Revirei os olhos — Hobby?
–Natação e futebol americano.
–Música favorita?
–Rolling in the deep – O encarei e ele deu de ombros – Acho maneira.
–Prato preferido?
–Tacos.
–Ótimo. Terminei.
–Mas já? Não quer saber em que sou formado?
–Sei muito bem no que é formado senhor Cullen e não tenho o menor interesse nisso, mas para todo caso diremos aos meus pais que você estuda direito. Meu pai sempre admirou os advogados.
–Se você deseja assim – Ele fez um sinal de continência – Mas, e quantos filhos pretendemos ter?
Suspirei e guardei o caderninho na bolsa em seguida me encolhi na poltrona e fechei os olhos para fingir que estava dormindo assim não teria de aguentar as gracinhas dele. Como o voo não tinha escalas e nem houve atraso chegamos à Califórnia em duas horas.
Desembarcamos no aeroporto central e logo que saímos para o ponto de táxi o sol quente e caloroso nos envolveu. A maioria dos turistas usavam roupas curtas e floridas, típicos daquele lugar. Edward ajeitou as malas no táxi enquanto Tanya terminava de soltar o pescoço de um gringo que conheceu no voo, balancei a cabeça e sorri, ela realmente não perdia tempo.
–Boa tarde – Um jovem loiro e alto disse parando ao meu lado.
–Boa tarde – Respondi num tom monótono.
–Escuta, meus amigos e eu estávamos olhando pra você aqui parada e resolvemos fazer uma coisa.
–O que?
Perguntei cruzando os braços e então o descarado me agarrou tentando me beijar a força, empurrei-o, dei chutes, fiz de tudo, mas não surtiu efeitos. Então mordi com força a boca dele fazendo-o desgrudar de mim.
–Você é louca – Ele disse tocando o lábio.
–Você que é louco o que pensa que está fazendo?
–Algum problema? – Edward perguntou parando ao meu lado.
–Nada cara- O garoto disse sorrindo – É que meus amigos e eu apostamos como eu beijaria a freirinha e eu ganhei.
–Ah vocês apostaram foi? – Edward perguntou caminhando para a frente dele, era muito maior e assustador que o garoto – Que tal apostarmos que você beija meu punho hein?
–Des... Desculpe... Eu... Eu...
–Vá embora daqui – Edward o pegou pelo colarinho da blusa e o jogou para longe fazendo- o cair de cara no chão.
O garoto se levantou e correu para junto dos outros amigos que gargalhavam, bando de idiotas!
–Você está bem? – Edward perguntou.
–Estou, não precisava me defender sei fazer isso muito bem sozinha.
Dei as costas para ele e fui para o táxi, se ele pensava que me agradaria batendo em um moleque estava muito enganado, eu nunca precisei e nunca precisaria de um homem pra me defender. Caminhei em passos firmes, mas ainda o ouvi gritando...
–Ingrata!
Sorri e entrei no táxi, pensando bem acho que aquelas férias seriam bem divertidas.
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