A Freira e o Prostituto
19 Capítulo 2 - Coisas de família (2ª Temporada)
Notas iniciais
–Ainda não acredito que está aqui – Edward dizia beijando todo o meu rosto.
–Eu também não – Sorri, sua barba rala me fazia cócegas.
–Senti saudade de fazer confusão em aeroportos com você... – Ele disse acariciando meu rosto.
–Senti saudade de implicar com você...
–Senti saudade de olhar as estrelas do telhado contigo...
–E eu – Meus olhos se encheram de lágrimas – Senti saudade de tudo em você... Do seu cheiro, da sua voz...
–Eu te amo Bella... De um jeito que jamais imaginei amar alguém na vida.
Edward inclinou-se para me beijar novamente. Seus lábios tão macios quanto algodão me faziam tremer.
–Com licença – Alguém pigarreou e nós nos afastamos.
A garota oriental que havia entrado com Edward no inicio da festa olhava para nos olhava com surpresa e curiosidade.
–Mitsuki – Edward disse e sorriu de canto, céus que homem lindo era aquele? – Esta é Isabella.
–O-Oi – Respondi desajeitada estendendo a mão. Ela me ignorou voltando a encarar Edward.
–O que está fazendo aqui fora? Todos estão à sua procura. O primeiro ministro precisa conversar com você a respeito da reforma nos impostos e...
–Mitsuki – Ele disse impaciente alisando os cabelos – Preciso de alguns minutos a sós com Isabella, pode conseguir isso para mim?
–É claro alteza – Ela olhou-me com desdém.
–Ótimo – Ele assentiu e então puxou-me pela cintura voltando a me beijar.
–Ele está aqui – Alguém gritou e Edward cessou nosso beijo depressa.
–Príncipe Edward... Principe Edward...
De repente uma multidão de repórteres entrou no jardim disparando vários flashes em nossa direção.
–Fique atrás de mim – Ele disse escondendo-me com seu corpo.
–Quem é ela alteza? – Um repórter perguntou – Sua nova namorada?
–A Princesa Esme já sabe sobre seu novo romance? – Outro disparou.
–Venha – Edward segurou minha mão para tentarmos sair do jardim.
Havia tantos repórteres que eu mal podia contar. Os seguranças de Edward nos mantinha afastados deles, mas ainda sim era inevitável sentir incomodo com todos aqueles flashes. Fomos em direção a algum lugar no jardim, passamos por uma porta, entramos no palácio, descemos alguns degraus, passamos por outra porta e entramos numa garagem. Edward abriu a porta de um dos carros pretos reluzentes e pediu que eu entrasse. Assim que assumiu seu banco motorista disparou para longe daquela confusão.
–Droga – Ele murmurou socando o volante – Amanhã todas essas fotos estarão nos jornais. Minha mãe vai me matar!
–Eu... Eu não sei o que dizer... Eu não devia ter vindo... Me desculpe.
–Não – Ele segurou minha mão trêmula – Não se preocupe meu amor, vai ficar tudo bem. Você não tem culpa de nada.
–Mas, aquelas fotos podem te prejudicar não é?
–Vou dar um jeito nisso. Eu só não entendo como aqueles repórteres entraram lá... A festa era fechada para a imprensa! Alguém deve ter feito isso...
–Por que alguém faria algo assim?
–Há muitas pessoas querendo derrubar a casa Grimaldi e usurpar o trono. Qualquer escândalo pode ser fatal.
–O que faremos agora?
–Bom – Ele olhou-me de um jeito tão sexy que minhas pernas tremeram – Eu tenho muitas coisas em mente...
(...)
Acordei pela manhã com um cheiro gostoso de ovos e bacon. Para minha surpresa havia uma bandeja de café da manhã aos meus pés na cama. Espreguicei-me e bocejei antes de me sentar e correr meus olhos por todo o quarto do hotel.
–Bom dia amor – Edward disse sorrindo escorado no batente da porta do banheiro, estava bem arrumado.
–Bom dia – Sorri – Acabou de chegar?
–Sim e pedi seu café da manhã.
–Muito obrigada.
Infelizmente nossa noite havia sido muito corrida. Depois que saímos do palácio fomos para um hotel, mas Edward não pôde ficar comigo já que sua assessora havia lhe convocado para uma reunião urgente.
–Eu menti pra você – Ele disse sentando-se ao meu lado.
–Como assim?
–Eu não cheguei agora, na verdade cheguei ontem mesmo, mas você já estava dormindo. Fiquei observando seu sono... Acho que estava tendo bons sonhos.
–Não acredito que ficou me olhando! – Corei.
–Não foi a primeira vez – Ele sorriu colocando meu cabelo atrás da orelha.
–Agora é diferente...
–Você é linda amor... A mulher mais linda do mundo. Quero que venha comigo ao palácio.
–A... Ao palácio?
–Sim. Minha mãe está nos esperando.
–Hum – Mordi o lábio – Pode me dar uns minutos?
–Claro, quantos precisar. Estarei esperando lá embaixo.
Edward beijou-me com carinho antes de sair. O cheiro de seu perfume ficou impregnado em todo o quarto. Levantei-me depressa e corri para tomar um banho. Eu não fazia ideia do que vestir, como me apresentaria a mãe de Edward que era princesa regente Mônaco? Oh meu Deus eu estava mesmo ferrada. Acabei optando por um vestido de linho violeta, sapatos de salto agulha e deixei o cabelo solto. Não consegui tomar café, um bolo havia se formado em meu estômago impedindo-me até de respirar. Desci depressa e encontrei Edward sentado em um sofá na recepção.
–Está linda – Ele disse pegando minha mão.
–Estou com medo – Falei sentindo um frio na barriga.
–Não se preocupe. Vai ficar tudo bem.
(...)
O palácio de Mônaco era um sonho. A sensação que tive era de estar em um conto de fadas... Na verdade era quase isso. Não era fácil imaginar-me frente a frente com a minha sogra que era nada mais nada menos que a Princesa regente de Mônaco.
–Nervosa? – Edward perguntou sorrindo.
–Como nunca estive em toda minha vida...
–Não se preocupe vai dar tudo certo.
Assenti nervosa e respirei fundo. Atravessamos um imenso salão até chegarmos na biblioteca onde a Princesa nos esperava. Edward abriu a porta e estendeu a mão para que eu entrasse primeiro. Respirei fundo tentando controlar meu nervosismo e entrei no local correndo meus olhos pelo lugar. A Princesa estava de costas para nós observando alguma coisa pela janela.
–Mãe, estamos aqui – Edward disse abraçando minha cintura.
A Princesa virou-se lentamente, ela era muito mais elegante do que Alice e eu que havia pensado que seria impossível alguém ser tão refinado. Meu coração palpitou quando os olhos dela percorreram-me dos pés a cabeça.
–Bonne journée — Ela disse seriamente.
–C'est un plaisir de vous rencontrer – Arrisquei dizer que era um prazer conhecê-la em francês, mas devia ter algo errado já que Edward deu um risinho.
–Então você é Isabella – Ela disse caminhando até nós com os braços para trás, dei graças a Deus por ela falar meu idioma.
–Sim... Sim alteza.
–Edward deixe-nos a sós.
–Mas...
–A sós – Ela lançou-lhe um olhar autoritário.
Edward deu-me um beijo na testa e saiu da biblioteca. Eu não era uma pessoa medrosa, mas naquele momento senti-me tão amedrontada que minhas pernas custavam ficar quietas do tanto que tremiam. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela entregou-me um jornal. Não foi possivel esconder minha cara de espanto ao olhar a noticia de primeira página em que havia uma foto minha e de Edward no jardim do palácio, a descrição do texto acima da foto estava em francês, mas eu consegui entender. A Princesa pegou o jornal da minha mão e começou a ler...
–Escândalo no palácio real. Princípe Edward com nova namorada em festa beneficente. O favorito a suceder o trono Grimaldi envolvido em mais um caso amoroso deixou o palácio as pressas junto com a acompanhante noite passada, ignorando completamente suas primeiras responsabilidades politicas na corte.
Engoli em seco tentando manter a calma. A Princesa jogou o jornal em cima da mesa e suspirou pesadamente antes de voltar a falar comigo.
–Meu filho Albert, Principe de Mônaco sempre foi um exemplo de responsabilidade para com o país. É amado e respeitado pelo povo... O que aconteceu foi muito trágico. Agora toda a esperança de toda nossa geração está nas mãos de Edward, meu filho caçula e rebelde.
–Alteza...
–Não me interrompa – Ela olhou-me severa – Eu sempre soube que Edward não pertencia a este lugar. Assim que ele partiu me dei conta de que jamais poderia contar com ele, mas quando Alice o trouxe de volta e o vi tão disposto a assumir responsabilidades meu coração se encheu de alegria – Ela balançou a cabeça suspirando – É uma pena que tudo não passou de uma ilusão. A namoradinha americana mal apareceu e ele já se envolveu num escândalo.
–Eu sinto muito...
–É claro que sente – Ela riu desdenhosa – Você ouvia muitos contos de fadas na sua infância? Histórias sobre príncipes, princesas e castelos? Eu entendo que não é difícil sonhar com isso, Edward é muito bonito, rico e ainda por cima é um príncipe! Que mulher no mundo não desejaria ser sua esposa?
–A senhora está insinuando que sou uma interesseira?
–Eu só quero deixar claro que não vou permitir que todos os esforços da casa Grimaldi sejam jogados fora! Sugiro que vá para o aeroporto e pegue o primeiro avião de volta aos Estados Unidos. Esqueça o meu filho, deixe-o cumprir seu dever. Não tolerarei mais nenhum escândalo envolvendo minha família, esse romance acaba aqui.
Não consegui dizer-lhe nenhuma palavra. Eu estava sentindo-me julgada, humilhada e desprezada. Nunca havia imaginado que a mãe de Edward pensasse tão mal de mim. Sai da biblioteca muito decepcionada, ela havia pedido para falar com Edward. Ele passou por mim indo encontrar-se com ela. Escorei-me na parede tentando recuperar o fôlego e o resto de dignidade que ainda me sobrava.
–Isso não é justo mãe! – Ouvi Edward gritando. Aproximei-me mais da porta e percebi que ele tinha deixado entreaberta.
–O que não é justo é você jogar nosso nome na lama!
–Eu não tenho o direito de escolher com quem quero ficar?
–Eu o conheço Edward... Você é um aventureiro, por que arriscar o trono por causa de uma paixão que você sabe que uma hora vai passar?
–Eu a amo de verdade mãe... Dessa vez é diferente eu juro!
–Não jure nada! Essa é minha ordem. Eu nunca lhe impus minha vontade porque sabia que você era um rebelde e eu pelo menos tinha Albert para encobrir seus caprichos, mas agora ele está incapacitado e você é o único que pode substituí-lo! Aquela garota será mandada de volta para seu país e você continuará aqui com suas responsabilidades!
–Não – Ele gritou batendo o punho na mesa – Eu já disse que a amo e se para ficar com ela eu precisar rejeitar essa droga de coroa então eu rejeitarei!
–Você não faria isso...
–É claro que faria! Obrigue-me a me separar de Isabella e terá que se virar para manter a casa Grimaldi no controle de Mônaco. A senhora não pode governar, Albert está enfermo, ambos sabemos que Alice só tem passarinhos na cabeça e jamais teria condição de lidar com política... Quem nos resta então? Ah já sei, se a senhora não aceitar meu romance com Isabella acho bom Mirella está apta a assumir o trono aos onze anos de idade!
–Cale-se — A princesa respirava com dificuldade.
–Ou talvez devamos deixar o trono para algum dos meus primos idiotas e tapados...
–Você está sendo irracional Edward, mais uma vez está sendo irresponsável! Daqui a pouco haverá uma reunião com os ministros, eles estão querendo aumentar os impostos nos comércios, precisamos chegar a um consenso. Espero que você possa colaborar e esquecer essa ideia absurda de viver um casinho com aquela americana!
–Quer saber de uma coisa? Danem-se esses ministros, dane-se essa coroa, dane-se Mônaco... Dane-se Tudo!
Ouvi seus passos caminhando para fora da biblioteca e sai correndo de lá indo escorar-me numa parede no final do corredor. Ele veio até mim e segurou minha mão. Não me atrevi a dizer nada, ele parecia muito furioso para raciocinar qualquer coisa que eu lhe dissesse então eu apenas o segui calada. Fomos parar no jardim, Edward levou-me até um banco debaixo de um carvalho e nos sentamos. Ele enterrou o rosto nas mãos suspirando pesadamente. Afaguei seu ombro com carinho e aos pouco ele foi relaxando.
–No fundo ela só quer o melhor para você...
–Para mim? – Ele fitou-me com um sorriso cansado – Ela só pensa nessa maldita coroa!
–É normal, por acaso não é uma herança de família?
–Por isso eu não queria me envolver com essa merda toda! Por isso fugi e me escondi na faculdade. Mal voltei e ela já está querendo controlar a minha vida!
–Fugir não resolve nada, Edward.
–Eu não quero nada disso para mim. Não devia ter voltado com Alice.
–E aquilo tudo que me disse sobre a importância da família?
–As questões políticas nada tem haver com a família.
–Isso não é verdade. Seus antepassados tem preservado a coroa desde o século XIII, não é? Todos eles assumindo cargos importantes e se dedicando a governar o país da melhor forma possível. Por acaso não gostaria que seus filhos herdassem isso também? A melhor parte de ser o príncipe de Mônaco é poder transformá-lo num lugar melhor para os seus descendentes, preservando seus valores, seus costumes. Se deixar que o poder caia nas mãos erradas o que acontecerá com a sua família?
–Eu não tinha pensado nisso.
–Você me disse que comigo aprendeu a valorizá-la e está na hora de provar isso. Você pode escolher entre ir comigo agora para o aeroporto e pegar um avião de volta aos EUA, abandonar tudo e ir viver sua própria vida ou então pode ficar aqui, assumir suas responsabilidades e garantir que sua mãe, seus irmãos, seus filhos e netos preservem o legado deixado por Grimaldo Canella.
–Você sabe muito sobre a história da minha família – Ele sorriu.
–Andei fazendo umas pesquisas.
–Você tem razão – Ele segurou minha mão – Não devo abandoná-los nesse momento difícil não é?
–De jeito nenhum. Ouvi algumas coisas ruins a seu respeito, parece que você não era lá muito confiável, mas isso não importa. Digamos que o velho Edward ficou nos EUA e que agora a sua versão nova e melhorada está apta a ser o Príncipe Soberano.
–Não sei se consigo Bella...
–É claro que consegue. Não desista Edward e você também não deve falar daquele jeito com a sua mãe, não importa o quão nervoso esteja ela sempre continuará sendo a mulher que lhe trouxe à vida.
–Estava ouvindo atrás da porta, Swan?
–Bom — Dei de ombros – Você que a deixou aberta.
Ele gargalhou.
–Prometo que vou me retratar com ela.
–E quanto a reunião, você irá? – Ele suspirou voltando a carranca raivosa – Edward, você ouviu o que ela disse. Estão querendo aumentar os impostos nos comércios, tem noção do quanto isso pode prejudicar os trabalhadores? Precisa dar um jeito nisso.
–Você acha mesmo que eu deveria ir?
–Sim. Você precisa estar lá Sua Alteza Sereníssima.
–Ótimo – Ele se levantou e me puxou pela mão – Então você vai comigo.
–Mas, é uma reunião importante eu não posso participar, não faço parte de nenhum ramo político e...
–Bella – Ele me silenciou com o dedo e sorriu de um jeito encantadoramente sexy – Eu sou o Príncipe.
Notas finais
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