A Freira e o Prostituto

11 Capítulo 10 - Noivado


Notas iniciais
Oi gente, capitulo novinho pra vcs. Obrigada por todos os comentarios vcs são umas fofas...
Preparadas para suspirar? Bjss é boa leitura o/

–Você é um idiota Edward Cullen – Gritei enquanto caminhava raivosa pela mata, completamente encharcada.

–Qual é Bella foi só um mergulho! Por acaso você é um gato pra não gostar de água? – Ele disse gargalhando vindo atrás de mim.

–Estúpido – Murmurei entre dentes.

–Antipática – Ele murmurou de volta.

Virei-me para ele furiosa e franzi a testa num claro sinal de raiva.

–O que foi? – Ele perguntou cruzando os braços em desafio – Não tenho medo de cara feia!

–Não deve ter mesmo já que se olha no espelho todos os dias!

–Ta insinuando que sou feio? – Ele chegou para mais perto de mim tombando a cabeça.

–Não só de cara, mas também de corpo – Falei e sorri desdenhosa.

–E você se acha muito bonita não é?

–Rhum – Dei de ombros.

–Foi só uma brincadeira não sei por que ficou tão nervosa.

–Porque ainda está de manhã e a água do lago é de congelar a espinha!

–Como eu podia imaginar que era tão fria? Não tenho uma bola de cristal! Quer saber eu não vou discutir com uma histérica!

–Quem você chamou de histérica Cullen?

–Você mesma – Ele se abaixou e soprou em meu rosto – Swan!

–Ora eu vou te mostrar quem é histérica! – Empurrei-o para trás, Edward desequilibrou-se numa pedra e caiu de costas no chão.

–Ai! –Ele gritou sentando-se e segurou o pé – Acho que torci o tornozelo! Você ficou maluca?

–Não tenho culpa se você é um fracote que cai no chão sendo empurrado por uma garota que tem menos da metade do seu tamanho!

–Eu me desequilibrei nessas pedras! Ai está doendo!

–É sério mesmo? – Perguntei preocupada.

–Sim – Ele respondeu fazendo uma careta de dor.

–Droga – Abaixei-me verifiquei seu tornozelo – Desculpa eu não queria te machucar, onde exatamente está doendo?

–Hmm – Ele murmurou e depois explodiu numa gargalhada.

–Do que está rindo? – Perguntei já colocando-me de pé.

–Dá sua cara de desespero! – Ele se levantou.

–Você estava fingindo?

–Uhum – Foi só o que ele conseguiu dizer em meio as risadas.

–Imbecil!

–Qual é Bella! Foi engraçado, por que não sorri?

–Eu te odeio sabia? – Bufei de raiva caminhando de volta para casa.

–Dizem que o ódio é o caminho mais rápido para o amor – Ele gritou atrás de mim.

Voltei para casa fervendo por dentro. Eu não estava com raiva de Edward por ter me jogado no lago, mas por me fazer sentir aquelas coisas toda vez que nossos olhos se encontravam. Por que ele despertava essas coisas estranhas em mim? Ele não tinha esse direito e por isso eu fiquei tão nervosa. Entrei na varanda com cuidado para não molhar o chão e assim que coloquei a mão na maçaneta da porta Edward se encostou na parede ao meu lado.

–Sabia que é feio deixar as pessoas falando sozinhas?

–Quer saber uma coisa que é feia? – Perguntei sorrindo de canto – A sua cara!

–Está mentindo. Você me acha lindo... Sexy... Todo mundo acha.

–Não sou todo mundo Cullen.

–Vai mesmo ficar em chamando pelo sobrenome?

–Soa menos intimo.

–Então tem medo de ter intimidade comigo?

–Olha – Respirei fundo – Não fique colocando palavras na minha boca.

–Relaxa Bella – Ele sorriu – Não precisa ficar escondendo que eu mexo com você!

Soltei a maçaneta e o encurralei na parede, tive de ficar na ponta dos pés para ficar à uma altura considerável de seu rosto, não com muito sucesso é claro.

–Escuta aqui seu idiota não dou à mínima se você é o maior garanhão do país, do mundo, do sistema solar ou de todas as galáxias! Não me importo com nada que diga respeito a você! Então não fique pensando que eu sou como as outras que babam a cada vez que te vêem ok? Por isso pare de me provocar!

–Sabia que você fica linda nervosa? – Ele estreitou os olhos – Pode dizer “Provocar” e novo? Saindo da sua boca essa palavra ficou provocante...

–Está testando minha paciência seu cretino?

–Hei já estão brigando? – Tanya sussurrou saindo de dentro da casa – Querem que todos descubram tudo?

–Nós estávamos conversando.

–Bella estava flertando comigo.

–Eu não estava flertando com ele!

–Parem de brigar! – Tanya nos encarou com raiva – Parecem duas crianças ora essa! Por acaso vocês estavam tomando banho de roupa?

–Edward me jogou no lago.

–Na verdade pulamos juntos – Ele disse dando uma risadinha.

–Vocês dois...

–O que? – Perguntei num tom de ameaça.

–Nada – Ela sorriu – Vamos entrar que Renné precisa falar com vocês urgente.

–Aconteceu alguma coisa?

Perguntei mas ela já tinha entrado. Rolei os olhos e entrei sendo seguida por Edward. Fomos até a cozinha onde todos estavam sentados na mesa com uma completa cara de ressaca.

–Bom dia – Falei e recebi somente alguns acenos e cumprimentos sussurrados.

–Oi querida por onde andaram? – Renné perguntou analisando minhas roupas molhadas e as de Edward.

–Parece que foram dar um mergulho no lago – Tanya disse sorrindo – É uma ótima forma de curar a bebedeira!

–Nós caímos no lago apenas, Tanya – Falei com raiva, amiga da onça que ela era!

–De qualquer modo eu só queria lhes comunicar que está tudo pronto para a festa de noivado de vocês no domingo.

–O que? – Perguntei perplexa- Domingo? A senhora disse que seria na semana que vem!

–Por que esperar mais? – Ela balançou a cabeça – Você não terá que se preocupar com nada querida. Pablito é mestre em organizar festas de ultima hora.

–Mas mãe...

–Está decidido Bella – Ela disse e sorriu – Nem acredito que minha filhinha vai casar!

–Hei Bells por que está usando lenço no pescoço? – Jessica perguntou desconfiada como sempre.

–Uma dica de moda do Pablito – Foi a melhor desculpa que pensei.

–Engraçado – Jessica se levantou e veio até mim – Pablito sempre diz que garotas baixas não combinam com lenços... Acho que você está escondendo alguma coisa...

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ela puxou a ponta do lenço desfazendo o nó e revelando meu pescoço marcado. Tentei esconder com a mão, mas a infeliz fez questão de tirá-la.

–Oh meu Deus! – Ela arregalou os olhos – Você deu um chupão nela Edward? – Todos me olharam espantados.

–Bom... – Ele começou a falar mas o olhei com raiva mandando-o ficar quieto.

–Jessica! – Minha mãe falou repreendendo-a – Não deixe sua irmã constrangida. Mas, diga Bells isso ai é mesmo um chupão?

–Mãe! – Falei perplexa – Que pergunta impertinente!

–Desculpe querida.

–A festa é no domingo não é? – Falei nervosa – Então tudo bem. Vou deixar nas mãos de vocês... – Virei-me para sair.

–Espere filha – Renné disse fazendo-me virar – Esqueci de contar uma outra coisa.

–O que é?

–Rosalie e Emmett também irão noivar no domingo, pensei que pudéssemos fazer uma festa conjunta.

–Está de brincadeira?

–Filha... Pensei que as brigas e implicâncias tinham ficado na infância.

–Tudo bem mãe – Falei balançando a cabeça – Faça como quiser.

–Obrigada filha – Ela sorriu largamente – Vou contar para ela mais tarde.

–Posso ir agora?

–Sim querida. Acho melhor vocês dois irem se trocar antes que peguem um resfriado.

Sai da cozinha e fui direto para o quarto. Edward veio logo em seguida.

–Não acredito que terei que dividir minha festa de noivado com a Rosalie! – Falei sentando-me com raiva na cama.

–Bella, não estamos noivos de verdade.

–Mesmo assim – Suspirei – Estou cansada de dividir tudo com ela!

–Pense pelo lado positivo.

–Que lado?

–Você pode ofuscá-la durante a festa. Seja mais simpática, converse mais com os convidados e não deixe espaço pra ela interagir... Aja como se a festa fosse somente sua.

–Será que vai dar certo?

–Vamos torcer que sim.

–Você vai ter que me comprar um diamante.

–O que?

–É tradição na minha família. O noivo tem que comprar uma jóia em diamante para a noiva e entregar no dia da festa.

–Pensei que só o anel bastasse.

–Não basta. Terá que me comprar algo, mas assim que tudo acabar eu devolvo e pego seu dinheiro de volta.

–Ta bem.

Edward tirou a camisa e jogou no chão. Olhei para ele incrédula, como ele se atrevia a se despir assim na minha frente?

–O que foi? – Ele perguntou se fazendo de inocente.

–Por que não vai fazer isso em outro lugar?

–Fazer o que?

–Ora- Suspirei – Tirar a roupa!

–Está incomodada?

–Estou.

–Então olha pro outro lado.

–Não vou olhar pro outro lado! O quarto é meu!

–Então continue olhando meus músculos definidos – Ele deu uma risadinha.

–Faz isso só pra me atormentar não é?

–Nem tudo gira em torno de você senhorita egocêntrica!

–Quer saber? – Me levantei – Vou deixá-lo falando com as paredes, quem sabe elas te dão atenção.

–Garanto que são melhores companheiras do que você!

–Estúpido.

–Chata.

–Pode me dar essa toalha ai? – Apontei para a mesinha ele a pegou e jogou em mim.

–Ai está.

–Pode me fazer um outro favor?

–Acha que está em condições de me pedir algo?

–Por favor.

–Ta... – Ele revirou os olhos — O que foi?

–Pode chamar o Pablito para mim?

–Ok.

–Obrigada.

Fui para o banheiro e tranquei-me lá. Edward tirava-me do sério, mas as vezes até que era divertido. Lembrei-me então da nossa troca de olhares no lago e senti um aperto no peito... Droga o que estava acontecendo? Suspirei cansada e fui tomar meu banho. Assim que terminei voltei para o quarto e encontrei Pablito sentado na minha cama esfregando as têmporas.

–De ressaca? – Perguntei sorrindo indo até a cômoda e pegando uma peça de roupa.

–Demais! Ai mona estou destruída!

–Imagino! Você bebeu demais!

–Eu juro que jamais farei isso! Estou um horror!

–Onde está o Edward?

–Tomando banho no meu quarto – Ele sorriu malicioso – Que corpinho aquele! Eu podia lavar minhas roupas naquele tanquinho!

–Pablito – Sorri – Você não muda mesmo não é?

–Claro que não! Se você é cega o suficiente pra não enxergar o pecado de homem que tem perto de você eu não sou!

–Tudo bem – Balancei a cabeça – Não te chamei aqui pra falar do corpo dele.

–E o que posso fazer por você meu amor?

–Minha mãe decidiu fazer a festa de noivado no Domingo. Acha que conseguirá organizar?

–Claro que sim mona! Sou profissional.

–Ótimo.

–Espere ai – Ele franziu a testa – Você não vai tentar cancelar a festa?

–Não. Minha mãe está muito empenhada e eu não quero estragar sua felicidade.

–Sei – Ele ficou pensativo e então foi tomado por uma empolgação surpreendente – Tenho muitas coisas pra resolver, vai ser mega divertido!

–É – suspirei – Imagino.

–Tenho alguns assuntos inacabados para resolver e acho que a hora é esta.

–Que assuntos? – Franzi a testa enquanto ele caminhava até mim fitando-me como uma fera feroz.

–Lembra do casulo? Está na hora de sair dele...


******


Eu nunca havia imaginado que eu não participaria dos preparativos para a minha festa de noivado, alias eu nunca havia imaginado que teria uma. Durante toda sexta e sábado a família inteira se empenhou nos preparativos e ainda contrataram dois serviços de bufês, mas fui privada de tudo não pude sequer escolher as flores. Pablito comprou minha roupa e meus sapatos e também estava todo empolgado com a história do “casulo”, sinceramente aquele vocabulário estranho me tirava do sério. Tive que passar o dia inteiro do sábado sendo preparada por Pablito e uma equipe de salão de beleza, eles mexeram nas minhas sobrancelhas, cortaram meu cabelo, depilaram minhas pernas e fizeram minhas unhas.

Já era noite, faltava alguns minutos para o inicio da festa e eu ainda estava no quarto. Já havia me vestido e calçado, Pablito fizera uma maquiagem e me levava para frente do espelho.

–Preciso dos meus óculos – Falei vendo tudo embaçado.

–Óculos? – Ele gargalhou – Aquilo nunca mais!

–E como vou enxergar?

–Sua visão está nesta caixinha – Ele me entregou – Lentes de contato amor.

–Eu nunca usei isso, não vai me dar alergia?

–Claro que não Bella! Não comprei num camelô ou no brechó não ouviu!

–Tudo bem – Sorri – Não precisa ficar bravo.

–Vamos coloque e veja como o patinho feio se transformou num lindo cisne.

Revireis os olhos e sorri Pablito nunca mudaria mesmo. Coloquei as lentes de contato que se adaptaram bem aos meus olhos, ardeu no começo, mas logo ficou tudo bem. Pisquei algumas vezes e então olhei-me no espelho.

–E-Esta sou eu? – Perguntei incrédula fitando minha imagem refletida no espelho.

–Sim – Ele bateu palminhas – Essa era a verdadeira Bella escondia em você e eu a trouxa à vida!

–Estou tão... tão diferente...

E realmente estava. Pablito cortou meu cabelo até a altura do queixo e havia feito mexas claras deixando-me quase loira. Meu vestido era uma mistura de verde e preto, uma maquiagem forte deixava meu rosto bem marcado. Também tive de calçar um scarpin preto.


(imaginei a Bella assim: http://www.google.com.br/imgres?q=kristen+stewart+vogue&um=1&hl=pt-BR&safe=off&biw=1024&bih=567&tbm=isch&tbnid=ElDNshTmSY-DiM:&imgrefurl=http://www.vogue.com/magazine/article/kristen-stewart-coming-on-strong/&docid=EzioABkpKeWK9M&imgurl=http://media.vogue.com/files/filecheck/2011/01/14/img-kristen-stewart-coming-on-strong_18430233034.jpg_article_singleimage.jpg&w=351&h=475&ei=S23zTvmIE4aNgwftpZCUAg&zoom=1&iact=rc&dur=109&sig=110318355876486429823&page=1&tbnh=188&tbnw=139&start=0&ndsp=11&ved=1t:429,r:0,s:0&tx=83&ty=91)


–Você está linda mona – Ele me disse carinhosamente.

–É – Falei incrédula – Estou...

–Agora vamos descer, pois estão todos nos esperando.

–Descer? – Olhei para ele em pânico e depois para o espelho – Pablito estou... Estou nervosa!

–Eu sei querida! Todos vão cair de costas quando a vir! Principalmente a cobra da Rosalie!

–Tem certeza que devo ir?

–Claro – Ele revirou os olhos e puxou-me pela mão – Não tive todo esse trabalho a toa!


A cada novo degrau que descíamos meu coração parecia acelerar uma batida. Deus, como eu estava nervosa... Parecia que eu realmente ia noivar. Só de pensar que todos iriam olhar-me com surpresa e confusão naquela noite me deixava apavorada. Eu nunca gostei de chamar atenção por isso sempre me vesti da maneira mais casual, mas agora estava ali totalmente transformada e sem dúvidas todos os olhares da festa pairariam em mim.

–Pronta? – Pablito perguntou segurando firme minha mão assim que chegamos à porta que dava para o jardim.

–Sim – Falei e suspirei.

Ele abriu a porta e passamos juntos por ela. O jardim estava lindo, magnífico. Eles tiveram apenas dois dias para planejar tudo e mesmo assim estava perfeito. Várias luminárias amarelas estavam penduradas nas árvores dando ao lugar um ar suave. A grama bem aparada parecia um lindo tapete verde-escuro. Os convidados já estavam sentados à mesa enfeitadas com pequenos abajures e velas. Um cheiro gostoso vinha das diversas tulipas brancas espalhadas pelo lugar, eram minhas flores favoritas. Minha maior surpresa foi ver minha cunhada Breeane tocando my immortal no piano debaixo de um carvalho iluminado com luzes vermelhas. Como eles conseguiram organizar uma festa tão linda em tão pouco tempo? Meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente, mas não me permiti chorar.


(A decoração é mais ou menos assim: http://www.google.com.br/imgres?q=casamento+jardim+noite&um=1&hl=pt-BR&safe=off&biw=1024&bih=567&tbm=isch&tbnid=LnlVdx57RxQjYM:&imgrefurl=http://www.noivaseetc.com/casamento/casamentos-reais/no-jardim-a-noite/&docid=Xc4x5vn-0spGHM&imgurl=http://www.noivaseetc.com/wp-content/uploads/2010/11/00010.jpg&w=900&h=598&ei=F2_zTv2NJsvnggeDsYCAAg&zoom=1&iact=hc&vpx=661&vpy=141&dur=31&hovh=183&hovw=276&tx=167&ty=106&sig=110318355876486429823&page=1&tbnh=111&tbnw=148&start=0&ndsp=18&ved=1t:429,r:4,s:0)


–Está tudo tão lindo Pablito – Falei emocionada e ele acariciou minha mão.

–Sim querida. Nós caprichamos.

Adentramos ainda mais na festa, como esperado todos me olharam com espanto. Havia tanta gente que eu mal podia contar, diversos vizinhos, parentes e amigos. Minha mãe foi a primeira a me ver, primeiro arregalou os olhos, mas depois sorriu e me fez um sinal positivo. Meu pai teve a mesma reação, mas ao contrário de Renné não fez menção em chorar. Jessica me abraçou e ficou repetindo mil vezes o quanto eu estava bonita, vovó também fez o mesmo. Tanya e Mike precisaram de alguns minutos para acreditar que realmente era eu. Rosalie, bom Rosalie olhou-me com uma cara de espanto que chegou a dar medo, mas logo me olhou com desdém e me esnobou. Emmett quase engasgou com a o champanhe que estava tomando e levou um tapa de Rosalie. Sorri para Pablito e então meus olhos encontraram os de Edward. Ele estava perfeitamente lindo com um terno preto. Sua reação foi a mais engraçada de todas. Ele olhou-me dos pés à cabeça e depois piscou várias vezes como se estivesse tentando se dar conta de que eu era mesmo real. Pablito e eu fomos até ele sorrindo.

–Veja só como minha lagartinha virou uma borboleta.

–É você mesmo? – Ele perguntou incrédulo – A Bella esquisitinha?

–Esquisitinha o escambal ouviu? – Respondi com raiva.

–Desculpe – Ele sorriu e balançou a cabeça – É que não estou acostumado a te ver assim...

–Assim como?

–Linda – Sussurrou fazendo-me corar.

–Bom – Pablito soltou minha mão – Vou deixá-los a sós.

–Estou realmente surpreso.

–Eu também. E não estou gostando nada dessas pessoas me olhando como se eu fosse um fantasma.

–Não estão acostumadas – Ele riu – E onde foram parar seus óculos?

–Pablito os quebrou e me deu lentes.

–Viu só – Ele cutucou meu ombro- Eu disse que ficava melhor sem eles.

–Você adora ter razão não é?

–Uhum – Sorrimos.

Até que a festa não estava sendo tão ruim quanto imaginei. Os convidados se espantaram ao ver-me tão mudada, mas ao mesmo tempo mostravam-se felizes por mim desejando-me votos de felicidade. Uma culpa enorme me invadiu ao lembrar que estava enganando a todos eles. Finalmente a hora do noivado havia começado. Rosalie e Emmett foram os primeiros a trocarem os votos. Ele lhe deu uma pulseira de diamantes muito linda. Rosalie olhou-me com superioridade como se eu jamais fosse superá-la em nada. Então chegou minha vez e de Edward. Como sempre ele fez algumas gracinhas deixando-me constrangida e arrancando algumas risadas dos convidados. Mas, então a hora de falar sério chegou. De repente Breeane começou a tocar minha musica favorita: You Raise me up.



–Bom – Edward começou a falar olhando-me nos olhos – Sei que é tradição na sua família que o noivo presenteei a noiva com um diamante, mas eu meio que quebrei essa regra e lhe comprei algo diferente.

Ele abriu uma caixinha e tirou um colar veio até mim afastando meus cabelos e o colocou no meu pescoço.

–Como vocês podem ver é um rubi. O motivo de eu ter escolhido essa pedra é ela é uma das mais caras, bonitas e raras do mundo. Na verdade o rubi é considerado soberano, incontestável, ele é o rei das jóias. De acordo com um centro de pesquisas de jóias o rubi mais caro do mundo foi leiloado em 1988 e arrematado por uma quantia de três milhões seiscentos e trinta mil dólares. Como todos bem sabem quanto mais rara for determinadas coisas mais caras serão e menos pessoas as possuirão. Por isso resolvi presentear minha noiva com essa pedra. Isabella é tão rara quanto um rubi. Ela é diferente em diversos aspectos. Suas qualidades são raras, sua beleza inigualável e seu valor inestimável. Nunca em toda vida conheci uma pessoa tão especial. É certo que não é perfeita, pelo contrário as vezes é difícil agüentar essa mulher – Todos gargalharam até eu – Mas, não podemos negar o quanto Bella é preciosa para nós, principalmente para mim. Por isso quis quebrar as regras da sua família e lhe dar um presente diferente porque você é diferente e isso é a que torna tão única e especial.

Edward terminou seu discurso e me abraçou. Eu estava tomada pela emoção... Será que ele havia decorado tudo aquilo por mim? Em toda a vida nunca havia ouvido nada parecido. Tivemos que dar um rápido selinho para não dar muito na cara e então ele colocou o anel no meu dedo selando assim nosso “noivado”.

Nem preciso dizer que Rosalie ficou roxa de tanta inveja. A coloração de seu rosto se assemelhava ao rubi em meu pescoço e confesso que isso me agradou por demais. O decorrer da festa foi muito divertido. Os convidados foram para a pista de dança e se divertiram com os diversos estilos musicais que o DJ tocava.

–Quer dançar? – Edward perguntou para mim.

–Da ultima vez que dançamos juntos amanheci com um chupão no pescoço.

–Não tenho culpa se a pressão dos meus lábios são tão fortes.

–Engraçadinho.

–Tem certeza que não quer dançar?

–Não – Sorri – Pelo menos não agora.

–Ah meu Deus – Ouvimos uma voz atrás de nós e nos viramos – É você mesmo?

Uma ruiva histérica vestida como uma vadia perguntou para Edward eu tinha certeza que já a havia visto em algum lugar, mas onde?

–Desculpe – Ele falou desconsertado – De onde a conheço?

–Nós dançamos juntos por uns dez segundos lá no Pandêmonio.

–Ah – Ele sorriu – A garota da boate. Lembrei.

–O que faz aqui? — Ela perguntou, não era a gente quem devia fazer essa pergunta?

–Bom... É minha festa de noivado.

–Noivado? – ela perguntou com uma cara de decepção.

–Não viu quando troquei aliança?

–Cheguei agora pouco. Meu pai é vizinho, moramos ali do outro lado e a parece que a filha da Renné vai casar.

–Sou eu – Falei levantando a mão sem animo.

–Ah é – Ela me abraçou falsamente – Parabéns!

–Obrigada.

–Vocês iam dançar?

–Não. Minha noiva não está afim.

–Não seja por isso – Ela o segurou pela mão – Eu danço com você.

Ela o arrastou para a pista de dança. Edward me olhou confuso e assustado eu apenas dei de ombros. Suspirei com raiva e fui para dentro de casa. Aquela festa estava me matando... A mentira, a raiva das mulheres oferecidas tudo... Fui então para a biblioteca do meu avô. Era o meu lugar favorito da casa. Entrei e fechei a porta. O cheiro milhares de livros que ele colecionava encheu meu nariz, inspirei profundamente. Então vi a escada colocada na abertura do teto que usávamos para subir no telhado. Fui até lá e subi. Equilibrei-me na calha e então deitei-me lá para olhar as estrelas. Eu podia ouvir a música tocando lá nos fundos, as risadas dos convidados e sentir o cheiro do jantar sendo servido. Alguns minutos se passaram e então ouvi um barulho e olhei para o lado.

–O que faz em cima do telhado? Ficou louca? – Edward perguntou vindo até mim se equilibrando nas calhas.

–Como soube que eu estava aqui?

–Um passarinho me contou.

–Ah – sorri – Então não sei quem é mais louco... Eu que me deito no telhado ou você que fala com passarinhos.

–Engraçadinha – Ele riu e se sentou ao meu lado, ficamos em silencio por alguns minutos.

–Onde está a ruiva oferecida?

–Dei um jeito de despistá-la. Por que saiu da festa?

–Queria pensar um pouco.

–Estou todos se divertindo muito lá na pista de dança. Eu não sabia que sua avó e sua mão sabiam requebrar tanto.

–Elas estão dançando?

–E muito – Ele riu – Sua família é muito divertida.

–Tá brincando? Eles são loucos, as vezes acho que estou presa na série Raising Hope!

–Não exagera!

–É sério – Sorrimos.

–Por que decidiu vir pra cá exatamente?

–Meu avô e eu vínhamos aqui todas as noites... Nos deitávamos e observávamos as estrelas – Falei admirando o céu.

–Vocês eram muito próximos não é?

–Muito – Suspirei – Ele me ensinou muita coisa sobre os corpos celeste, acho que por isso me apaixonei pelo espaço... Você sabia que quando as estrelas estão morrendo elas vão diminuindo o tamanho e perdendo a cor?

–Eu não sabia... Interessante.

–Neste estágio elas são chamadas de “anãs brancas” até perderem completamente a cor e o tamanho passando a ser chamadas de “anãs negras.

–Isso é tão melancólico...

–Pra você ver que não somos os únicos finitos no universo. Até as lindas estrelas brilhantes no céu um dia se vão...

Respirei fundo pensando em meu avô falecido, um enorme sentimento de nostalgia me envolveu naquele momento.

–Mas, pensa bem – Edward falou quebrando o silencio – Elas têm muito mais vantagens sobre nós, vivem bilhões de anos! Isso é uma injustiça não acha?

–É... Tem razão.

Acabei sorrindo, era incrível como Edward sabia transformar a tristeza em boas doses de humor.

–Mas, diz ai Bella, por que elas diminuem o tamanho e a cor? Existe uma explicação científica?

–As estrelas possuem um abastecimento energético para se manterem brilhantes, com o passar dos anos -Bilhões de anos — elas vão perdendo esse combustível até que ele se esgote totalmente. A partir de então há a combustão de todo o hidrogênio, em seguida do hélio e é ai que ela começa a desaparecer até se tornar uma estrela extinta.

–Muito legal. Você é professora certo? Dá aulas de química?

–Também. Amo lecionar, mas não atuo em uma matéria específica. Dou aulas para crianças carentes na paroquial.

–Elas são sortudas por terem uma professora tão inteligente.

Edward olhou-me de um jeito estranho... Tentei desviar meus olhos dos dele, mas não consegui, era como se uma força magnética me prendesse a eles.

–Então – Ele pigarreou voltando os olhos para o céu – Me fala mais sobre as estrelas.

–Hmm deixe-me ver...

–Acho que eu sei de uma coisa – Ele falou e olhei-o com desafio.

–Diga-me então.

–Você já ouviu falar nas estrelas binárias? – Eu já ouvira falar, mas não afirmei, pois queria saber o que ele explicaria, portanto permaneci calada – São estrelas duplas muito próximas que se isolam das outras estrelas. Possuem equilíbrio dinâmico e enorme atração gravitacional que as fazem interagir constantemente entre si.

–Exatamente – Respondi surpresa por ele saber descrevê-las perfeitamente.

–Sabia que existem pessoas como essas estrelas? São destinadas a ficarem juntas, possuem uma força invisível que as unem de tal forma que são incapazes de agir por conta própria. Por mais que queiram, nunca poderão se afastar uma da outra.

Olhei para ele incrédula, mas Edward fitava o céu alheio ao meu olhar confuso. Suas palavras soaram tão doces e meigas que realmente me senti emocionada. Eu nunca havia parado para analisar as estrelas do ponto de vista filosófico e ele fizera isso perfeitamente sem nenhum esforço. Será que por trás daquela aparência despojada e sem preocupações de Edward existia alguém vulnerável? Era engraçado pensar nisso. Instintivamente toquei o colar de rubi em meu pescoço sentindo uma coisa estranha em meu peito.

–Algo errado? – Ele perguntou e gesticulou para minha mão que segurava a pedra com delicadeza, retirei-a imediatamente e encarei o chão desconcertada.

–Eu... Eu só queria que soubesse que vou devolver o colar.

–Por que? – Ele franziu a testa – Foi um presente.

–Presente de noivado e nós não estamos noivos... Pelo menos não de verdade.

–E daí? – Ele deu de ombros – É um presente da mesma forma. Considere então um presente de aniversário, eu sei que fará dezenove anos dois dias antes do ano novo.

–Como descobriu? – Perguntei confusa e ele sorriu matreiro – Já sei... O passarinho?

–Exatamente.

–Esse passarinho é muito fofoqueiro, sabe muito da minha vida.

–Mais do que você imagina. Ele me contou que suas flores favoritas eram as tulipas e que sua musica preferida era you raise me up.

–Obrigada Edward. O colar é lindo, a festa ficou maravilhosa e eu realmente amei.

–Não precisa agradecer. Tudo que eu disse essa noite foi verdade, você é como um rubi, raro e precioso.

Abaixei a cabeça desconcertada, de repente qualquer elogio que Edward me fazia me deixava nervosa e tímida.

–Já ia esquecendo – Ele falou revirando os bolsos.

–O que?

–Tenho outro presente para você.

–Oh Edward – Ralhei – Você me deu um colar de duzentos mil, não precisa de mais nada! Enlouqueceu?

–Relaxa – Ele gargalhou – Esse aqui não me custou muita coisa não. Na verdade só precisei de um telefonema e um serviço de fax.

–Você é um teimoso!

–Aqui achei – Ele disse pegando um papel dobrado e me entregando – Espero que goste. Desculpe por ter amassado um pouquinho.

–O que é?

–Abra e descubra.

–Ok.

Abri o papel e estaquei quando li a primeira descrição que dizia “Registro nacional de estrelas”.

–E-Edward... Você deu meu nome para uma estrela? – Olhei para ele surpresa – Por acaso está tentando imitar uma cena romântica do filme “Um amor para recordar”?

–Ora essa – Ele revirou os olhos – Não seja tão prepotente! Termine de ler antes de dar palpites!

–Ta bom – Falei dando de ombros, mas franzi a testa quando acabei de ler que a estrela se chamava “Edward”, olhei para ele um tanto espantada – Você deu seu nome para uma estrela? E me deu o documento de presente?

–Uhum – Ele sorriu de canto.

–Inacreditável – Olhei o encarei surpresa e ele explodiu numa gargalhada – O que é tão engraçado Cullen?

–Sua cara de espanto... Swan! – Ele balançou a cabeça e ficou sério novamente – Olha Bella, apesar de você merecer eu não dei o seu nome para a estrela, porque você já tem seu próprio brilho e não existe ninguém no mundo que se iguale a você! Mas, ainda sim é humana e às vezes poderá se perder... Então quando estiver triste ou simplesmente não souber o que fazer é só olhar para o céu e terá certeza que eu estarei lá por você. Serei sua estrela particular, então nunca se esqueça que nesse imenso mar corpos celestes que banham o espaço existe uma pequena estrela chamada Edward que nunca deixará de brilhar pra você.

De repente eu já não sabia mais o que fazer... Nunca em toda a vida alguém me dissera uma coisa tão linda. Meu peito subia e descia rapidamente por causa da respiração acelerada, toda a máscara de dureza desmoronou num segundo fazendo com que algumas lágrimas que inutilmente tentei reprimir rolassem pelo meu rosto.

–Você me fez chorar Cullen! – Falei suspirando de cabeça baixa.

–Desculpe por isso – Ele sorriu e segurou meu queixo gentilmente fazendo-me levantar a cabeça para encará-lo, limpou as lágrimas de meu rosto e me olhou com ternura – Você é uma pessoa incrível... Mesmo que me tire do sério algumas vezes sinto um carinho imenso por você.

–Eu não sei o que dizer...

–Não precisa. Apenas o fato de saber que gostou dos meus presentes me deixa contente.

–Estou me sentindo péssima por não ter lhe comprado nada.

–Há coisas que o dinheiro não pode comprar Bella. Você me proporcionou dias maravilhosos na companhia da sua família que é incrível e também me fez morrer de raiva, dar risada e compartilhar segredos com você. Minha vida sempre foi muito corrida e nunca havia parado para curtir certos momentos como esse. Estar aqui com você a alguns metros do chão correndo o risco de cair e quebrar alguns ossos – Ele sorriu fazendo-me rir também – E olhar esse céu lindo enquanto falamos sobre as estrelas. Nenhum dinheiro no mundo poderia comprar esses pequenos detalhes, por isso serei eternamente grato.

–Será que poderemos ser amigos quando tudo isso acabar? O contrato e tudo mais?

–Não sei. Sinceramente.

–Por que não?

–Porque – Ele suspirou e acariciou meu rosto – Não sei se eu conseguiria ser apenas seu amigo Bella.

–Edward...

–Desculpe – Ele retirou a mão rapidamente – Vamos fingir que isso não aconteceu ok?

Ele inclinou a cabeça para o alto e encarou o céu. Fiquei observando-o por alguns instantes contemplando seu rosto sereno e maravilhado, era como se ele estivesse admirando o céu pela primeira vez na vida. Aproximei-me dele e deitei a cabeça em seu ombro e ele tombou a dele de lado até tocar a minha. Edward ficou em silencio pensativo, questionei-me sobre quais seriam seus motivos, mas mantive minhas dúvidas ocultas. Os únicos sons ouvidos eram os das nossas respirações e o da musica lá no jardim. O vento gélido da noite batia em nossos corpos enquanto admirávamos juntos as estrelas tendo a lua branca no céu como nossa testemunha.


“Há momentos na vida, em que se deveria calar e deixar que o silêncio falasse ao coração, pois há emoções que as palavras não sabem traduzir”


Notas finais
Gostaram? aiii deixem seus comentarios hein?
Quem leu sussurro percebeu que eu peguei emprestado uma cena de Nora e Pach (Minha favorita hehe)
Bjs pessoal, feliz natal e um próspero ano novo. Até o proximo capitulo o/