A Francesa
1 Prólogo
Amálie abriu seus olhos com dificuldade ao ouvir a voz alterada de sua mãe. As palavras balbuciadas por Charlote faziam com que sua cabeça doesse cada vez mais... Chegava quase ser impossível entender o que sua mãe dizia, mas ao sentir o cheiro familiar de éter, as lembranças da noite passada foram ficando mais nítidas e foi então que Amálie soube que seu plano de misturar vodca com alguns remédios dera certo.
Ela estava com toda certeza em um hospital e a voz chorosa de sua mãe só confirmava isso.
— Oh, Dieu! Estou realmente preocupada, James... — Disse Charlote com o celular encostado em seu ouvido.
Amálie sentia muito por sua mãe sofrer por cada tentativa sua de chamar atenção, mas esses únicos momentos tinham um ponto importante... Esse era o único caso que seus pais se falavam e cada vez mais isso ficava mais difícil. Amálie tinha que se esforçar cada vez mais! Festas, roubos e bebidas não estavam funcionando mais e foi então que ela apelou pela mistura de remédios com vodca.
Foi uma manobra arriscada e ela tinha consciência disso, mas o importante era que havia funcionado e lá estavam seus pais conversando mais uma vez.
— Não estou feliz com isso, James! Mas se essa é a única opção que temos, nós faremos — A voz de Charlote estava sufocando suas lágrimas e antes que ela se descontrolar-se emocionalmente se despediu do ex-marido. — Tout va bien, falarei com ela assim que acordar...
— Falar o que mère? — Amálie perguntou assim que sua mãe desligou a ligação.
Como já era de se esperar, Charlote largou o celular em cima da mesa e andou rapidamente em direção a sua filha.
— Amálie! — Foi à única coisa que sua mãe conseguiu dizer antes de abraça-la e cair no choro.
— Mère, s'il vous plaît! Você está me apertando... Eu estou bem! — Disse Amálie quase sem ar pelo abraço apertado da mãe.
— Bem? — Charlote grunhiu enquanto se afastava. — Amálie, você passou quinze horas desacordada. Isto é estar bem? Seu pai não está nem um pouco feliz com isso...
— Não me importo com que ele pensa... — Retrucou sorridente.
— Acho bom começar a se importar! — Charlote cuspiu de volta. — Nesse exato momento ele está comprando uma passagem só de ida para o Arizona.
— O que está querendo dizer, Mére?
— Estou querendo dizer, mon cher, é que você vai para o Arizona morar com seu pai.
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