A Fragilidade de um Sorriso
1 A Fragilidade de um Sorriso
Notas iniciais
Corrias as unhas manicuradas, com o rosa claro, pelo pequeno carrossel que carregava seu pequeno anel de brilhantes. Teu corpo inteiro (e não a boca tua) sorriam com a fragilidade da peça que protegia com tanto afinco pelos corredores da casa antiga de teus primos menos nobres do que o sangue teu.
E eu, do alto dos meus dezesseis anos recém-completos, observava os teus pequenos oito anos incompletos, a sorrir para mim da maneira mais tênue que conseguia, com os olhos. Não os loucos e insanos olhos, mas os doces de uma menina sem máculas, uma rosa frágil, que deveria ser minha e não do homem que transformou-a em demônio. O nosso mestre.
Naqueles tempos remotos, Bellatrix – que agora parecem vividos em outras vidas -, tu sabia ser frágil, sabia ser menina. Mas não sabia sorrir com os lábios, isso nunca soube, e morava ali o teu pingo de maldade, tão intenso que acometia teu ser a noite e que quase a fazia quebrar o pequeno guarda-joias de carrossel. Mas cometia o ato, pois era leal a ele, como é leal ao homem que deu-te um propósito de vida: servir.
Até hoje, procuro a fragilidade da menina de oito anos, com as unhas pintadas de rosa bebê e que vivia a pentear os longos cabelos da irmã mais nova que tornou-se somente uma esposa digna e bela, com o nariz empinado e as anquilhas a valorizar as poucas curvas. Ela é tão diferente de tu e tuas roupas escuras. Tão diferente da tua maneira de serpente, que vive a ver nos meus olhos uma frágil alma quase quebrada, destroçada e sempre suja. Quase um homem imperfeito sem a mulher que talvez nunca o amou.
(um pequeno segredo que sei que contarás, Bellatrix, no fundo, eu sou a fragilidade do sorriso que nunca curvou-se em seus lábios a prensar os pequenos cavalos de um carrossel entre as mãos).
Fale com o autor