A Foz das Carpas
1 Oasis oculto
Notas iniciais
Agachou-se, respirou fundo e, com o máximo de força que suas pernas podiam exercer, lançou-se ao ar visando uma grande rocha pontuda que estava a um cavalo de distância a sua frente e também a um cavalo de altura acima donde estava.
Não foi uma boa ideia.
O ar faltou-lhe quando sentiu a parte pontiaguda do rochedo acertar-lhe na boca do estômago. Por pouco não pôs para fora o pouco que havia comido naquele dia. Teve aind que se segurar agarrando-se a pedra como pôde, a ponta de seus dedos esbranquiçando-se conforme apertava a superfície escorregadia e rochosa.
Acabou por dependurar-se na ponta daquele pico, abaixo de seus pés a encosta da montanha mostrava-se de prontidão para uma queda áspera. Não perdurou neste estado, porém. Debatendo suas finas canelas contra o ar, conseguiu, com a força de seus braços juvenis, erguer-se e se colocar sobre a pedra que lhe golpeara.
Uma bela conquista que não veio sem custos. Viu como as unhas de suas mãos lascaram no seu agarre e agora pingavam sangue. Não se importou, claro.
Apenas cuspiu sobre suas feridas como uma forma rudimentar de tratá-las e avançou em sua aventura.
Inclinou-se sobre a parede montanhosa e subiu, pulando de pedra em pedra com uma agilidade quase infantil, galgando rapidamente seu caminho até um pequeno oasis: por entre as rochas um punhado de terra um pouco maior casa pequena escondia-se, e de sua terra brotara uma macieira cujo tronco crescera retorcido e torto pelo vento, mas seus galhos assanhavam-se para longe de forma espalhafatosa, derramando por sobre a rocha seus frutos maduros apenas para que eles se esmaguem na queda.
Tomou do chão uma das maçãs que caíram no pé de sua arvore e a limpou no kimono que vestia. Mastigou enquanto observava a vista privilegiada da Capital das Flores. Dali dava para ver a cidade inteira e de quebra dava para enxergar boa parte do castelo, que ficava apenas um pouco mais acima da altura de seus olhos.
Wano era lindo nessa época do ano.
O sol ainda estava nascente por aquelas horas e dava para ver como os primeiros raios do dia cruzavam o céu, dando-lhe um aspecto róseo-arroxeado, colorindo de laranja somente o topo do Fuji e a folhagem mais superficial da grande cerejeira que sustentava o castelo.
Respirou fundo e deixou o alvorecer para outro hora. Haveria sempre um outro dia para admirar o nascer do sol.
Atirou colina abaixo os restos da maçã que comia, levantou-se e olhou ao redor. Fechou seus olhos e respirando profundamente o ar matinal, podendo sentir os mais diversos aromas daquela encosta.
Conseguia sentir o aroma de terra úmida subindo de seus pés, o cheiro forte de maçãs podres e folhas em decomposição abaixo da curta relva que rodeava a macieira. Um forte odor de condimentos e ervas fervidas avançava do oeste conforme a cidade aos poucos despertava.
Do leste o aroma arbóreo reinava juntamente com a terra. Do norte uma leve brisa pulverizava um perfume de cerejeira e água, mas não era o que buscava.
Sua resposta estava no sul.
Tímido, encoberto por uma poeira que irritava-lhe o faro, um rastro de maresia e limo denunciava um poço oculto pelos pedregulhos, escondendo-se longe da vista de todos.
Mal tinha aberto os olhos quando disparou.
Pulava por entre as pedras com determinação, um olhar afiado cortando toda a paisagem a procura de uma abertura, por menor que fosse.
Quase caíra ao frenar-se de supetão ao encontra-la muito acima de onde estava. Se tratava de uma brecha minúscula de onde uma pedra claramente havia caído.
Não havia, no entanto, um caminho de pedras que lhe permitisse ir de onde estava até a pequena fenda. Tudo que havia entre lá e aqui era um pedaço de terra seca e escorregadia.
Refletiu por alguns segundos sobre o que fazer, tentando encontrar uma maneira de fazer seu caminho morro acima de forma segura. Poderia dar a volta por toda a montanha até o cume e descer para dentro do buraco, mas isso levaria muito tempo.
Haviam lhe dito para levar equipamento de escalada, mas ignorara esse detalhe antes de sair de casa. Escalar com suas mãos e pernas não era uma opção viável. Não quando sua mão já estava ferida e a terra deslizava com o simples toque da planta de seu pé.
Suspirou e largou sua parva resistência.
Agachou-se.
Pôde ouvir suas unhas arranhando a superfície pedregosa, sentindo como a batata espremia-se e contrai-se de forma quase dolorosa. Seus calcanhares ergueram-se do chão, empurrando suas coxas e levantando seus quadris enquanto usava suas mãos para apoiar-se no chão.
Respirou fundo.
Num segundo estava o equivalente à três andares acima no ar, o vento uivando por suas orelhas e beijando sua alva tez.
E logo recordou-se porque não gostava de usar tanto de sua força nas pernas para saltos.
Havia passado da entrada por alguns meros dedos. Ainda assim, foi o suficiente para se desequilibrar.
Quando o chão chamou-lhe de volta pelo peso, tentou equilibrar-se na borda da brecha pelas pontas de seus dedos e falhou miseravelmente.
Derrapou então num grito surdo e sem som. Lama subindo da pedra úmida, cercando seu corpo e invadindo-lhe a narina. A sua frente tudo que parecia haver era a escuridão infinita e uma queda sem fim. Podia ouvir seu kimono rasgando-se e suas costas começando a raspar contra a terra.
Virou e desviou de um obstáculo que quase atropelara. E depois de outro. E de outro. E outro mais.
Sentiu um frio assolar-lhe a barriga quando o chão acabou e despencou pelo que pareceram ser horas antes de acabar afundando no que parecia ser uma lagoa interna numa espécie de caverna subterrânea.
Tudo foi do completo breu para um clarão.
A água era límpida e peixes fugiam.
Um misto de água doce e salgada invadiu-lhe a boca e de repente já não tinha forças.
A última coisa que via era o teto rochoso da caverna enquanto sua mente lentamente apagava-se.
Esse era o fim...
—KOIKO!!!
Notas finais
Agora, mudando drasticamente de assunto, para aqueles que me acompanham de outras estórias, saibam que eu pretendia ser bem mais ativo neste ano. Na realidade, eu planejei postar um total de dezessete fanfics esse ano, entre fanfics novas, fanfics antigas que serão reescritas e repostadas, Inktober, NFS(que ainda vai sair, só que no mês que vem, por mais que isso signifique dois meses de atraso) entre outras coisas, mas ouso dizer que este ano foi ruim para todos e eu não sou exceção: no meio do ano, pouco depois do meu aniversário eu perdi a minha mãe, vítima de um câncer, e alguns meses depois eu perdi também a minha avó por parte de pai, vítima de um infarto, então, como podem imaginar, minha vida ainda está em pedaços demais para que minhas mãos feridas possam remontar. Ainda assim, estou firme na luta como todos e eu não pretendo jogar a toalha. As fics que eram planejadas para sair este ano ficaram para o ano que vem. No entanto, eu estou tentando tornar isso aqui(essas letrinhas que eu escrevo num computador que uns loco na net chama de fanfic) em algo que dê algum retorno. Eu entendo todas as implicações jurídicas que isto pode ter e tenho noção de que não cabe a mim lucrar com nada que não seja originalmente meu, mas apesar disso, eu tive a cara de pau de criar uma campanha no apoia.se e logo mais, depois que eu me organizar certinho, eu começarei a divulga-la aqui(nas notas finais). Não que eu esteja cobrando para escrever, as minhas estórias continuarão sendo gratuitas, é só uma forma de quem puder e quiser contribuir com um autor aleatório dizer "ou, tu é pica, broder". Enfim, meu tempo está acabando e eu tenho muita coisa pra fazer hoje(pelo menos o mengão ganhou, poha), despeço-me de vossas pessoas enquanto enlouqueço sobre meu teclado. Até semana que vem!
(Previsão para o próximo capítulo: 14/10)
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