A Força da União - Parte 2
18 Tudo ou Nada
Notas iniciais
Sarah colocou delicadamente aquele saquinho de gelo no hematoma.
– Que horrível! Quando você fez isso?
– Agora pouco, não faz muito tempo.
– E como?
– Eu... Eu... – ela pensou em dizer a verdade, mas resolveu não contar – Eu caí e bati a cabeça, foi isso.
____________________
Sarah chamou Ariel e pediu algo para colocar no ferimento de Angelina e estancar o sangramento.
– Oh, Angie! – ela deu pequenos passos para trás – O que houve com você?
– Calma, eu estou bem.
– Empresta. – Sarah disse baixinho ao pegar as faixas.
Ela contornou delicadamente na cabeça da Angelina, a mesma tentou não expressar dor.
– Você caiu feio, em?!
Ela olhou Ariel e nem precisou responder que sim, pois mostrava isso no olhar.
Ela e as duas no banheiro foram para a sala onde a baderna estava acontecendo. Todos estavam dançando quando Ariel acendeu a luz e desligou a música. Um alongado murmúrio vindo de todas as convidadas expressou o desapontamento.
– É passado de uma hora, não querem colocar o pijama?
– Pode ser. – responderam algumas.
– É. – outras.
– Angelina! – espantou-se Mira – Você...
– Eu estou bem! – ela adiantou-se – Eu só caí e bati a cabeça, nada demais.
Petra a olhou sínica, mas ninguém percebeu. As meninas foram trocar de roupa, Petra cutucou Angelina e sussurrou ao passar:
– Isso mesmo!
Como já estavam de pijama, as meninas resolveram organizar os colchões na sala e ficarem conversando e comendo besteiras.
– E então – começou Amélia com um salgadinho na mão –, de quem vocês gostam?
Elas se entreolharam e ninguém responder, então Amélia continuou.
– Ninguém vai contar nada, será segredo. O que se faz na festa do pijama, fica na festa do pijama.
– Tudo bem – Mira foi a primeira a falar – Eu acho que eu gosto um pouco do Harry, mas não sei bem.
– Você não sabe se gosta de alguém?!
– É porque nós somos só amigos, eu gosto da nossa relação dessa forma e...
– Mesmo?! – Petra interrompeu – Mas ele quase nem olha para você, nem sorri, ou sei lá. Ele já te elogiou?! Eu pergunto porque nunca vi nada da parte dele. Aquele garoto parece um robô.
– Ele tem sentimentos – Mira o defendeu –, eu sei! Eu vi e vejo todos os dias, ele só não demonstra para qualquer um. Se o observar mais, verá.
– Você gosta de quem, Petra?
– De um garoto muito fofo que é meu vizinho. Ele é inteligente, carinhoso, gentil e muito lindo! – ela falava olhando para Angelina.
– E você Ariel, gosta de alguém? – perguntou Amélia.
– Acho que não.
– E o Greg? – Rebecca a olhava com um olhar maldoso – Vocês já posaram um na casa do outro, passam o dia todo juntos, contam segredos...
– Nada a ver. Eu considero o Greg um irmão, ele é meu melhor amigo, só isso.
– Sarah, você está tão quietinha. – Mira comentou – De quem você gosta?
Ela corou instantaneamente.
– Eu... – a menina suava frio – Eu...
– Querem olhar um filme de terror? – Angelina pulou dos cobertores.
Todas concordaram animadas, e ela olhou de soslaio para Sarah antes de buscar na bolsa o que tinha alugado horas antes.
O filme começou a passar. Rebecca tinha um pouco de medo, mas mantinha uma postura corajosa, diferente de Ariel, que se escondia por entre os braços de Amélia. Mira tapou-se deixando apenas os olhos à mostra, pois não via um filme de terror a tempos. Petra parecia confortável, não havia medo em seu olhar. Sarah não prestava atenção e conferia o filme de vez em quando, um pouco diferente de Angelina, que não mantinha os pensamentos naquele lugar.
Chegou à noite, e após horas de conversa, comilança, risadinhas e alguns minutos no celular, elas foram tomadas pela exaustão e tiveram de dormir. Angelina acordou-se com a luz da janela, não eram seis horas da manhã e os raios solares estavam fracos, nem ela mesma soube por que perdera o sono. Ela levantou-se e teve aquela tontura passageira, em seguida foi ao banheiro. Sentiu uma dor desconfortável no ferimento em sua testa, então tirou as ataduras para vê-lo.
– Droga! – resmungou baixinho.
Ela sentia seu rosto inchar, mas apenas sua testa estava um tanto inchada.
– Insônia?! – Petra entrou sem aviso, realmente surgiu de supetão.
Angelina assustou-se e sentiu um frio na espinha ao ver a loira entrando e fechando a porta.
– Isso está horrível. – falou ela olhando com uma careta para o hematoma da outra.
– Vai ficar melhor. – murmurou Angelina olhando-se no espelho e refazendo as ataduras que contornavam sua cabeça.
Petra assentiu com calma enquanto contornava o banheiro com os olhos.
– Então – ela voltou a fitar Angelina –, parece que você entendeu o recado.
– Tudo bem – ela acabou e virou-se –, eu gosto de ficar bonita, mas um hematoma em tanto tempo não fará mal.
– Não entendo o que quer dizer.
– Eu não quero discutir, você não é uma ameaça.
– Tem certeza?! – ela arqueou uma sobrancelha – Sua testa parece discordar.
– Eu não me importo com isso, acho que mereci. Eu não fui uma amiga tão boa para Sarah, se tivesse sido ela iria acreditar em mim logo de cara, mas isso não aconteceu. Eu sou a que menos importa, só não quero que fira meus amigos.
– E você ainda diz que não é uma amiga tão boa. – ela aproximou-se – Você é bem confiante. É masoquista?
– Não, apenas dói mais ver Sarah e os outros sofrerem.
Petra segurou os braços de Angelina firmemente.
– Não me desafie!
– Não estou. – Angelina mantinha sua expressão instável – Só não tenho medo de você.
– Não tem?! – gritou ela esquecendo que era madruga e todos estavam dormindo – Já está na hora de ter! – o ódio transbordava pelos seus olhos.
Ela deu um tapa no rosto de Angelina e começou a empurra-la contra a parede, mas Angelina a empurrou de volta.
– É isso mesmo que quer fazer? Podíamos ter sido amigas.
– Não podíamos não! – ela partiu para cima de Angelina e a puxou pelos cabelos, jogando-a no chão – Eu vou te bater tanto que Nicholas não te reconhecerá!
Petra perdeu o controle e começou a dar tapas e socos aleatórios na garota no chão.
– Ah!! Meus Deus!
Mira e Ariel correram até Angelina enquanto Rebecca e Amélia seguraram os braços de Petra.
– O que está acontecendo?
Sarah ficou parada olhando Angelina no chão sendo acudida por Ariel e Mira.
– Você está louca? – gritaram à Petra.
– Eu só... – ela tentou livrar-se das mãos que a seguravam, mas não conseguiu.
– Você passou dos limites! – falou Rebecca rispidamente – Você não está penando com clareza.
Fale com o autor