Notas iniciais
É o seguinte: o prólogo é uma narração que ocorre durante o fim de A Ascenção dos Nove, e os capítulos seguintes contam a sua história até chegar ao momento do prólogo. Daí em diante, é como se os dois rios paralelos se juntassem em um único, como diz o mestre George R.R. Martin. Espero que gostem. Boa leitura!

Meus sonhos sempre começam embaçados. Primeiro vejo as cores desfocadas e disformes, até que algo aparece a minha frente com palavras ressoando soturnas na minha mente. No momento, estou deitada em uma cela mogadoriana em algum lugar da Jamaica, e me sinto muito bem, obrigada. Me divertindo pacas.

Na visão, estou presa em algum lugar alto, observando inerte a movimentação lá embaixo. Há uma garota loira dançando graciosamente através de soldados mogadorianos, destemida e forte. Ela mata um após o outro sem um único arranhão. Então vê um grande mogadoriano, e eu sei que é Setrákus Ra.

Ele sorri para ela com olhos mortíferos, e a cicatriz roxa que tem no pescoço brilha. Ele é nojento. E o pior é que sinto arder a minha própria cicatriz no pulso, a queimação que já conheço tão bem.

Ela corre na direção dele e pula, mas o monstro a segura facilmente no ar, como se fosse uma boneca de pano. A loira se mexe e balança, lutando para se soltar, mas não consegue sair do aperto de ferro. O monstro sorri ainda mais escancaradamente e me faz sentir náuseas, até que o sonho se derrete como água e eu vejo o seu rosto bem próximo do meu.

Poderia jurar que ele estava bem ali, a alguns centímetros de mim, com seu sorriso maligno e os olhos negros e vazios. Sinto seu hálito horrendo e mal-cheiroso, vejo as minúsculas cicatrizes que cobrem toda a sua pele.

— Cinco, ah, minha querida Cinco. – ele fala com a voz rasgada e assustadora de filme de terror. Bufo na sua cara. – É a minha favorita de todos os Nove.

— Você será a próxima. Apenas deixe-me acabar com todos esses daqui antes. Acabando aqui, parto diretamente para a Jamaica.

— Chegando aqui, eu é que parto a tua cara.

— Você é a próxima. – seu rosto se esvai em nada, e há apenas a escuridão, escuridão e escuridão.

Acordo na minha cela, mas ergo as mãos e o fogo se acende como se estivesse sempre ali. É o meu fogo, e de mais ninguém, único e poderoso. Ele se contorce no ar em matizes de amarelo, laranja, preto e vermelho. Toco a parede da cela, e ela começa a se esvanecer em pó.

Chegou a hora. Eu vou encontrar meus irmãos lorienos.

Notas finais
E então, o que acharam? Comentários, please!
O próximo vem sábado que vem. Me inspirem com opiniões e reviews, viu? KK.