Notas iniciais
Primeira postagem da semana saindo do forno! Espero que gostem.

Ansélia, capital de Edésia

Robin.

Era esse o nome da soldado mork com cabelos cor de ouro, que o arrastara até seus aposentos. O quarto continuava do mesmo jeito que deixara na noite do ataque. As roupas de cama amontoadas, de quando ele saíra às pressas até o quarto da irmã. Os materiais de desenho e pintura, jogados em cima da escrivaninha como havia deixado, bem como os quadros, escorados e pendurados na parede, espalhados por todo o canto do quarto. Tudo como estivera antes da noite do ataque.

Naquela ocasião, Vincent chegara a tempo de encontrar Olivia encolhida em um canto, visivelmente assustada. Quando se preparam para correr e ir atrás de Ethan, os soldados mork surgiram e os arrastaram. E depois ele foi espancado, e torturado, e sangrou em frente a irmã.

Até o momento em que não aguentou mais, e diante dos gritos de horror da jovem, eles foram arrastados para locais diferentes. Ele passara alguns dias no calabouço e ela... Nenhum sinal da princesa.

Vincent não vira nenhum dos irmãos, desde então. Ethan possivelmente tentara fugir e agora estava morto. E Olivia, não fazia sentido o que aquele príncipe mork dissera. Ela precisava dormir? Mas por qual motivo?

― Se eu fosse você, obedeceria e faria exatamente tudo o que ela mandar. ― Soava mais como um aviso, mas ele não fez questão de responder a mork, quando os criados entraram em seu quarto e ela foi para um canto, de braços cruzados e armada. Ninguém tentaria nenhuma besteira, não com a presença ameaçadora dela e com os guardas que estavam do outro lado.

Os criados adentraram o quarto rapidamente, duas mulheres que Vincent já conhecia. E elas levaram um susto quando viram o príncipe, provavelmente deveriam ter pensado que ele estava morto, quando na verdade fora prezo por vários dias.

Vincent Rosenrot não sabia o nome das criadas.

Normalmente ele não utilizava o serviço de criados para fazer seus banhos, ou se vestir. Mas não protestou quando as mulheres começaram a trabalhar com agilidade. Enquanto uma colocava a água para esquentar na lareira, e a outra fechava as janelas para que não entrasse vento, a mork permaneceu nas sombras do quarto, resguardando-o com aqueles olhos ambares e assustadores.

A mulher mais velha, que Vincent julgaria ter em torno de cinquenta e tantos anos, ajudou-o a se despir. Seu corpo doía, os dias preso não haviam sido o suficiente para curar os machucados. Estava cheio de hematomas e feridas pela extensão da pele branca e sem saúde. Ainda tinha um pouco da definição de anos de treinamento, mas estava magro, perdera um pouco de massa nos dias praticamente sem comer.

Não se importou por estar nu diante das duas criadas, e muito menos se importou com a presença da mork. Sua cabeça doía demais, sentia frio demais, e seu corpo estava machucado demais para tal coisa. Não havia dignidade para se preocupar no momento.

― Já pode entrar. ― A criada mais velha apontou para a banheira de ferro com a água morna, e Vincent não protestou quando afundou no calor.

E seu corpo, em resposta, estremeceu diante da sensação reconfortante da água morna e dos sais de banho cheirosos. Elas esfregaram suas costas, e todo o restante do corpo, mantendo a água quente. E em momento algum o príncipe reagiu, ainda estava exausto e dolorido por dentro. Mal conseguira se lamentar da morte dos pais, embora os dias trancado haviam sido suficientes para o torturante luto. E agora ainda havia a possibilidade de Ethan estar morto. E Olivia... Pelos Deuses, que a protegesse.

Após se vestir com a ajuda das duas mulheres, outra criada surgiu com comida e tônicos. A maldita rainha mork não iria deixar ele morrer tão cedo, provavelmente iria tortura-lo, e para isso, precisava estar vivo. Mas ele também não protestou quando comeu tudo que fora servido, e tomara todos os tônicos de gostos amargos que estavam dispostos.

O príncipe observou seu reflexo no espelho, os olhos azuis tinham um círculo de olheiras ao redor, mas ele estava limpo. O rosto pálido, os cabelos escuros como os de Ethan, eles eram muito, muito parecidos. E aquela lembrança o corroeu.

Quando Robin, a mork, constatou que o trabalho estava concluído, Vincent recebeu novamente as algemas, e desta vez correntes nos pés, para que ele não conseguisse correr, e muito menos tentar fugir. Só então ficou sozinho novamente, com a janela e a porta trancada. Pelo menos ainda tinha as mãos livres para mexer, poderia pintar. Embora não tivesse a mínima vontade de o fazer, mesmo que fosse algo que amasse.

Então, Vincent adormeceu.

E só foi acordado antes do pôr do sol, quando a rainha mork solicitou sua presença novamente.

Ele iria tornar pública a rendição do reino, e iria oficializar para todo o povo que Edésia, agora, pertencia aos mork.

Toda aquela tristeza, toda aquela angústia que sentia.

Poderia pintar, poderia transcrever em imagens o que sentia, mas...

Havia um vazio. Profundo e cheio de nada em seu peito.

Notas finais
Comentem!!!! Só pra constar, o Vincent é o meu xuxuzinho, se eu pudesse dar o mundo para ele eu daria, e é isto.