A Fortaleza das Feras - Livro 01 (Caos e Ruína)
7 Capítulo 6 - Sora
Notas iniciais
Ethan soltou um suspiro ao vislumbrar o pátio de treino.
Criados e guardas haviam o escoltado até um aposento na noite anterior, numa ala da fortaleza que julgou ser apenas para convidados, a qual estava vazia, para o seu pavor e alívio. Eles atenderam com velocidade, deixando-o em um aposento limpo e mais tarde trouxeram comida.
Só precisaria pagar o preço necessário quando chegasse em Edom, apenas isso.
O príncipe ajeitou-se em uma mureta, observando o pátio de treino abaixo e notando os dois guerreiros que se aproximavam. Ethan se sentia pequeno naquele lugar, era muito mais aberto do que o sufocante Castelo de Gelo, a sensação era diferente. As torres enormes, as pondes de pedra cinzenta, era intimidador.
No entanto, ele imediatamente reconheceu as figuras. Embora, os mesmos não pareciam perceber a sua presença.
Era metade da manhã, Sora e Bart iriam aproveitar as horas que tinham naquele dia para treinar, aparentemente. Ethan viu a guerreira observar a lâmina da espada, era leve, fina e sem adornos, uma espada de treino. Feita de metal, porém sem fio, não tinha finalidade de ferir alguém, apenas servia para ter a sensação de estar empunhando uma arma de batalha real. A jovem após constatar que fizera uma boa escolha, posicionou-se para atacar.
Bart do outro lado do pátio fez o mesmo, quando saltou na direção dela. Sora não se deteve quando desferiu o primeiro golpe, o loiro com a facilidade de um felino desviou, então golpeou de volta. A intenção não era ferir, apenas derrubar o oponente. Então com agilidade e ferocidade, os golpes se seguiram de maneira exata. Atacar, recuar, desviar, lançar, saltar, girar e golpear. Estavam tão concentrados, que Ethan ficou deslumbrando assistindo aquela dança mortal.
Ele já tivera momentos assim com seu irmão, era nostálgico ver os dois guerreiros treinarem.
Uma cena extraordinária, a maneira como os golpes eram sincronizados e bem feitos, com a brutalidade, e até mesmo a delicadeza. Ágeis e mortais, o príncipe constatou, aqueles guerreiros eram incompreensíveis. E a guerreira prateada, parecia ter ainda mais experiência que o jovem loiro. Talvez ele estivesse intrigado demais com aquela mulher, talvez lembrasse alguém que ele conhecera há muito tempo, ou simplesmente estivesse interessado em sua beleza.
Mas, de qualquer forma, não desviaria seu foco do que era importante.
O príncipe andou até a escadaria que levava ao pátio, sem tirar os olhos de cada movimento perfeitamente sincronizado e calculado dos dois guerreiros. Então caminhou, torcendo para que não notassem a sua presença, quando se sentou em um banco de pedra para observar. Poderia concluir que estava sem palavras.
Os dois guerreiros continuaram a luta, até o momento em que Bart notou a figura do príncipe os estudando de longe. O loiro parou por um instante, e Sora aproveitou o momento para derrubá-lo. Ela aproximou-se, ainda ignorando que Ethan estava ali, e falou:
― Nunca fique de costas para o seu oponente. ― Os olhos verdes e penetrantes, muito experientes para alguém que parecia tão jovem. A guerreira estendeu a mão: ― Levante-se.
― Não precisa ser tão dura ― Bart reclamou, quando ela pegou as espadas e levou até o painel de armas. ― Normalmente, eu sou melhor com o arco.
― Vocês lutam muitíssimo bem. ― Ethan respondeu, quando loiro se aproximou. O príncipe constara que entre os três guerreiros que haviam o encontrado, Bart era o mais amigável, Asher o mais desconfiado e bruto, e Sora... Bem, era só ela mesma.
― Eu sou melhor com as facas. ― A jovem lançou um sorriso bárbaro para os dois. Ethan quase estremeceu com toda aquela psicopatia evidente.
― Mas ainda assim, é muito boa com a espada. ― Respondeu tentando amansar a fera, embora estivesse sendo sincero. Sora não poderia discordar, ela realmente era boa com as lâminas, crescera treinando e aperfeiçoando as técnicas.
― Melhor que a maioria. De fato.
― Regra número um: nunca elogie a Sora. ― Bart revirou os olhos. ― Ela só não se gaba tanto quanto a Perci. Então a regra número dois é: nunca, em hipótese alguma, elogie a Perci.
Sora soltou um xingamento baixinho, quando Ethan questionou:
― Perci? ― Ergueu as sobrancelhas grossas e castanhas, ligeiramente confuso.
― É uma amiga, normalmente você pode encontrar ela bêbada em alguma taverna, quando está de folga. Ou se entupindo de doces... ― Ethan soltou um “Ah” como resposta, e então o loiro voltou a dizer: ― Você poderia almoçar com a gente.
O convite foi inesperado, e Ethan ficou calado por um momento antes de pensar em uma reposta. Chegara ali no dia anterior, e eles estavam o tratando daquela forma... Como se fosse um colega. Não necessariamente um amigo, pois não se conheciam, mas uma pessoa nova, que estava perdida.
De fato, ele estava perdido. De várias formas possíveis de se imaginar.
E aquilo tudo era muito novo.
Na Fortaleza, Ethan era tratado como qualquer um. Ninguém o abordava como príncipe, ou se dirigia a ele como alteza. E ele até que estava gostando daquilo. Era bom esquecer o título, o que tudo significava, e até mesmo se distrair um pouco do motivo de estar ali. Poder se distanciar do fardo que carregava, era reconfortante. Embora, já havia negociado com o general mais cedo. Partiria no dia seguinte ao festival de outono, o qual ele inclusive havia sido convidado. No seu reino, aquela data não era comemorada. Temesia, no entanto, como era independente e acolhia todos os tipos de culturas e pessoas, comemorava todas as noites de viradas de estação.
Seu estômago se revirou quando lembrou de Edésia.
― Não quero incomodar...
― Não tem problemas, pode vir.
― Bartolomeu, pare de atormentá-lo. ― Disparou a guerreira, com os braços cruzados.
― Mas vai ser bom, poderá conhecer os nossos amigos. ― Bart persistiu novamente.
― Se você insiste, tudo bem. Mas... Não tenho nenhum dinheiro no momento. ― De fato.
O guerreiro loiro deu uma gargalhada divertida, Sora revirou os olhos como se estivesse de saco cheio de toda a hospitalidade.
― Não tem problema, nós temos.
― Você tem, eu estou guardando o meu, sabe isso. ― A guerreira saiu marchando em frente.
Superior e arrogante, será que a posição ajudava com aquilo? Ele não sabia decifrar, ou talvez ela simplesmente não confiasse nele, tinha bons motivos. Bart como se lesse seus pensamentos, o encarou com os olhos azuis esverdeados. Era mais alto que Ethan, o que fez com que o príncipe se sentisse menor ainda em toda aquela situação.
― Ela é sempre assim? ― Questionou baixinho, como se Sora pudesse ouvir e mata-lo ali mesmo.
― Às vezes é pior, hoje está de bom humor, então fique grato por ela ter respondido. ― Bart deu de ombros, quando começaram a caminhar na mesma direção da guerreira prateada. ― E então, soube de algo sobre seus irmãos?
Ethan suspirou, nenhuma notícia.
Então balançou a cabeça negativamente.
― Nada.
― Sinto muito, deve estar preocupado com eles.
― Sou o mais velho entre nós. Tenho vinte e cinco anos, Vincent completou vinte e dois nesse verão, e Olivia tem dezesseis. Eu e Vincent nos damos bem, mas na infância brigávamos muito, e até adolescência. Mas a única coisa que sempre tivemos em comum, foi Olivia, ela que fez com que nos déssemos bem atualmente. Nossos pais eram boas pessoas. E eu sinto falta, é estranho, não tive como viver o luto nesses dias, e realmente não sei como eles estão. Sequer se estão vivos.
Como se compreendesse, Bart o encarou com empatia.
― Essa é a pior parte, não saber se estão vivos ou mortos, não ter uma resposta. ― Ethan assentiu, Bart continuou ― Sempre ouvi falar bem dos reis de Edésia, o povo gosta de vocês. ― Eles adentraram um corredor de pedra, dobraram uma esquina em direção a saída da fortaleza. ― Sinto muito por sua perda.
Ethan ficou em silêncio, mas assentiu em agradecimento, tentando desviar da cena do momento em que encontrara a cabeça dos reis. No resto do caminho Sora se juntou, com poucas palavras, enquanto eles discutiam sobre assuntos triviais. Como sobre o tempo, o clima do Norte que tem um verão bem mais parecido com o inverno do centro do Sul, onde Temesia estava localizada.
Durante o meio dia a cidade encontrava-se muito mais movimentada do que quando Ethan vira anteriormente. O início do outono tornava-se visível conforme seguiram pela larga avenida, onde as árvores que circundavam a rua estavam com as folhas alaranjadas e caindo, algumas eram só o esqueleto. E as decorações, Ethan percebeu, as pessoas começavam a organizar os preparativos para o festival. Lanternas presas em cordas estendiam-se pela rua, as cores de laranja, vermelho e amarelo decoravam as formas arredondadas e ovais. O príncipe imaginou, deveria ser uma bela visão quanto estivessem acesas durante a noite.
Eles chegaram no que parecia ser uma espécie de feira, uma larga construção abrigando lojas e barracas vendendo mercadorias, dentre elas principalmente comida. E havia bares, e restaurantes, e padarias, que seguiam conforme a calçada de pedra se estendia. Sora num momento sumiu entre a multidão, então Ethan continuou seguindo Bart, que dobrou para outro lado.
A pavimentação de pedra estava lotada de comerciantes, vendendo roupas e mais um monte de coisa que Ethan não prestou tanta atenção. Deveria ser outro seguimento do centro comercial de Temesia. Além de, é claro, ele percebeu que havia muitos ferreiros disponíveis na cidade, o que fazia sentido, julgando pelo fato de que aquela era uma cidade bélica. As melhores armas para os melhores guerreiros.
Quando percebeu já haviam atravessado a praça e adentravam uma espécie de taverna, com uma enorme placa escrito “Taverna do Gato Preto”. O local estava ligeiramente lotado de homens, a não ser, pela figura prateada ao fundo, acompanhada de outra mulher morena. Bart atravessou o bar e sentou-se na mesma mesa que elas. Estavam acompanhadas de Asher e mais outro homem, que o príncipe não reconheceu. Mas ao julgar pelo porte físico, a pele mais bronzeada e os cabelos negros um pouco compridos, e toda aquela roupa de couro de batalha. Deveria ser mais um guerreiro.
― Então esse aí é o tal príncipe? ― Articulou a mulher morena, os cabelos eram castanhos escuros, apenas alguns tons a mais que o rosto, e os olhos se destacavam em um tom de amêndoa. Ethan percebeu, imediatamente, que ela deveria vir possivelmente da região do Deserto Silencioso, ou da grande cidade Albor, no Sul.
― Ethan Rosenrot. ― Respondeu Bart calmamente quando se juntou ao grupo.
Sora bebia um copo de cerveja, quando apenas observou os demais colegas conversarem. Ponderava.
― Prazer, Perci Escanne, este é Kristin Chael ― Ela gesticulou com as mãos enluvadas para o outro guerreiro moreno, e então deu de ombros ― Acho que o resto você já conhece.
― E eu sou Lionel, e vou anotar o seu pedido. ― Um homem alto surgiu, que Ethan julgou ter quase dois metros de altura. De pele branca, olhos azuis e cabelos claros, barba longa. Era simpático.
E por um instante, Ethan ponderou. Então reconheceu o nome do atendente da taverna.
Não poderia ser quem ele estava pensando que era.
― Você é um dos guerreiros que capturou o dragão negro, que está selado no subterrâneo de Edésia. ― Ethan quase não conseguiu acreditar na lenda que estava a sua frente. O homem deu um sorriso largo.
― Eu e meu parceiro estamos aposentados, então abrimos a Taverna do Gato Preto, e não somos mais guerreiros. Nossa vida agora gira em torno de encontrar a cerveja de melhor sabor para os nossos clientes.
― Meu pai contava sobre vocês, sempre achei que haviam morrido. ― Respondeu o príncipe, Lionel deu uma gargalhada. Sora do outro lado da mesa bebia lentamente o líquido dourado e alcoólico. Ethan era muito, muito espertinho para reconhecer o homem daquela maneira.
― Nós apenas estamos aposentados. Mas o que você vai pedir?
― Não faço ideia...
― É por conta da casa, alteza. Vou trazer algo que vai alimentá-lo por uns dois dias, você está com uma aparência muito sofrida. ― Lionel era famoso por ser sincero, embora apenas Perci desse uma gargalhada com o que ele falara.
― Muito obrigado.
O homem sorriu e afastou-se, Ethan nunca imaginara que veria alguém como ele, uma lenda praticamente. Mesmo que por meio minuto. O que poderia encontrar em Temesia era realmente surpreendente.
― E então, como se sente sendo tão popular? ― Ironizou a mulher morena, ao tomar um gole de cerveja. Ethan pareceu confuso e Sora interveio, impedindo o príncipe de responder.
― Cale a boca, Perci. ― Retrucou a guerreira, ligeiramente irritada. Se Lionel era a simpatia e a sinceridade em pessoa, Perci era a personificação da ironia. Algo que as vezes criava comentários desnecessários
― Então, como foi a última missão? ― Questionou Kristin, o guerreiro moreno que estava ao lado de Perci. Parecia ser mais calmo que os demais, mais sociável, como Bart. Só que mais velho.
― Escravos, mortes e ouro, resumem tudo. Forte da Caveira é um lugar interessante, gostaria de voltar lá. E eu diria que o tal de Ropher fez exatamente aquilo que praticamente todas as pessoas têm vontade de fazer: matar o chefe. E depois tomar o lugar dele, acompanhado de uma bela traição. ― Asher respondeu, e então tomou um longo gole da cerveja.
― E você ficou de joelhos, literalmente, para o mercador. ― Sora completou em um tom sugestivo, e lançou um olhar malicioso ao guerreiro de cabelos pretos.
Perci deu uma gargalhada, Bart se engasgou.
― Foi bom para você? Asher? ― A morena zombou, enquanto apoiava o rosto sobre as mãos para encara-lo ainda mais perto.
― Ah, certamente ele deve ter lambido as bolas do Mercador. ― Completou a guerreira prateada. Kristin soltou um suspiro, como se tivesse automaticamente se arrependido de ter perguntado. Asher imediatamente mudou de cor, seu rosto parecia queimar conforme a vermelhidão de raiva subia, mas então, antes que retrucasse ou jogasse a cadeira em cima de Sora, a outra guerreira interferiu:
― E quando foi que encontraram você? ― Os olhos amendoados de Perci pareciam perigosos, conforme encarava o príncipe. Mesmo com toda aquela personalidade afiada, era como se ela conseguisse ler através dele.
Mas antes que Ethan dissesse qualquer coisa, Sora respondeu:
― Na Floresta Abissal, achamos que alguém estava espionando e então encontrei ele.
― Você socou a cara dele. ― Bart exclamou, Sora deu de ombros e voltou a beber.
― E a última missão de vocês, como foi? ― Perguntou Asher.
― Vermes do pântano, vômito verde e cheiro de enxofre. ― Respondeu plenamente Kristin, observando Perci com o canto dos olhos castanhos.
A guerreira estremeceu, fez uma cara de nojo e então torceu o rosto, de uma forma que a beleza se esvaiu completamente.
― Nunca mais vou para o Pântano dos Trolls. Aquelas criaturas de merda podem ter sido mortas durante a Queda, mas a porra dos bichinhos de estimação ainda se reproduzem.
― Ela tomou um banho de vômito de um dos vermes, durante a missão. Ficou com a pele manchada de verde por três dias. Estávamos entre quatro guerreiros, e ela foi a única que se sujou desse jeito. ― Apontou o guerreiro moreno, dando um sorrisinho dele, em contraste com colega, que parecia estar prestes a vomitar.
― O cheiro de enxofre não durou, mas a tinta verde sim. ― Outra expressão de ânsia. Ethan queria rir, ele poderia gargalhar, mas não o fez, continuou observando os guerreiros interagirem.
― Porra! Por que eu não vou para essas missões legais? ― Sora exclamou, reclamando. ― Achei que Alaros não aceitava mais os serviços da fortaleza.
― Não aceitam, mas se alguém com dinheiro contratar, sem que a Guarda Real Alariana fique sabendo, Arcádio nos manda. ― Asher deu de ombros, como sabia daquela informação, não importava. ― E você não vai, Sora, porque você tem uma posição muito alta para ir em uma missão como essa. ― Finalizou em tom afiado, como se houvesse algum indício de inveja. Ethan percebeu.
Se Sora tinha uma posição superior à deles... Então ela poderia ir em qualquer missão. Ou talvez, eles não arriscassem pessoas como ela em situações tão perigosas assim, não quando precisavam de braços e mentes que pudessem trabalhar em conflitos ainda piores. Matar um verme do pântano era brutal, mas, não era complexo. Não se a última missão de Bart, Asher e Sora envolvia escravos, que era um assunto muito mais delicado e político. Ethan balançou a cabeça, mas continuou observando os guerreiros.
Eles eram como amigos. Algo que um dia tivera em seu reino, mas... Não tinha certeza se ainda havia pessoas lá, esperando. Para almoçar, e beber, e xingar um ao outro, e depois rirem.
― É verdade que você foi seguido por morks? Aqueles filhos das fadas de merda. ― Perci questionou, uma pergunta perigosa e mudando totalmente de assunto.
O príncipe sentiu o olhar de Sora recair sobre ele, como se estivesse satisfeita por alguém ter tocado no assunto.
― Sim, mas... Eles pararam, há três dias.
― E quem garante que não estão aqui, em Temesia?
Ele ficou em silêncio, e, na ausência de uma resposta, Sora falou:
― Então, Ethan, o que você sabe sobre os mork?
O ar descontraído ficara ainda mais tenso, os demais guerreiros continuaram bebendo, mas ainda assim atentos ao que Ethan iria responder.
― Sei que eles são os filhos sombrios das fadas, que são governados por uma tirana e ela que tomou o meu reino. ― Havia um misto de raiva e tristeza, embora ele tentasse manter o tom de voz contido. Sora iria tocar na ferida, mas ela também precisava saber com detalhes o que acontecia.
Afinal, quem mais iria liderar a missão ridícula até Edom escoltando o principezinho?
― Ora, não complique as coisas. Sabe que preciso de detalhes para poder levá-lo até seu parente.
Sora soltou a informação simplesmente, e em seguida tomou um gole de cerveja. Antes de sair para treinar com Bart, Arcádio havia lhe convocado para avisar que lideraria a missão até Edom, e que deveria selecionar os guerreiros que iriam lhe acompanhar até a cidade ao norte. De início não gostara muito da ideia, queria ficar e deixar para lutar na guerra mais tarde, com o resto do exército de Temesia. Era esperado, poderia levar um ano, ou dois, ou bem mais que isso, mas o conflito iria se alastrar, da mesma forma que a notícia já se espalhara.
Ela lançou um breve olhar para os demais, e fixou os olhos castanhos escuros de Asher.
― Você o quê? ― Quase se engasgou, realmente parecia surpreso e um pouco irritado.
― Isso que você ouviu. E Arcádio prometeu uma quantia interessante de ouro para quem fosse comigo. ― Sora fixou os olhos esverdeados nos de Ethan, o príncipe sabia de cada detalhe do acordo, e agora ela também sabia.
― Mais do que recebemos na última missão? ― Bart questionou, e a guerreira apenas assentiu.
― Com isso daria para quitarmos parte de nossas dívidas... ― Falou Kristin, o guerreiro moreno.
― Vocês acreditam que tem como quitar as dívidas com a Fortaleza? ― Perci revirou os olhos. Era realista. ― Nós somos as prostitutas temesianas deles, no máximo vamos poder comprar algumas armas.
― Sem contar, que desertar da fortaleza é suicídio. ― Completou Asher.
― Ethan, se você falar qualquer coisa que está ouvindo aqui, você morre. ― Os olhos amendoados de Perci faiscaram. O príncipe engoliu em seco.
Não precisava da fúria de guerreiros infiéis sobre ele.
― Não acho que vamos conseguir quitar todas as dívidas, mas o continente está prestes a incidir em uma guerra. E eu não quero ficar aqui para ver isso. ― Kristin lançou um olhar inteligente para Sora, ela devolveu na mesma intensidade, entendendo o que ele estava prestes a dizer. ― Eu vou com você.
― Mais alguém? Estou disponível para negociar até o fim da tarde. ― Asher resmungou e cruzou os braços, Perci ficou em silêncio e Bart ponderou, no entanto. Ninguém mais admitiu que iria. Sora sabia que eles não recusariam a proposta, mas iriam contrariar no primeiro momento. ― Ethan, realmente eu espero que você não esteja errado, e que um exército de Temesia possa mesmo conter um ataque mork. E ao menos garantir a confiança para que outros apoiem você, mas principalmente, eu realmente espero que não esteja blefando quando falou que pode pagar muito bem esse exército e esse trabalho. Se você mentir, se nos levar para uma armadilha e custar a vida de muitas pessoas, eu pessoalmente não ligo se você é ou não herdeiro de Edésia. Porque o seu reino já caiu, espero que não deixe que outros caiam também.
Ethan absorveu cada palavra, em silêncio, e imaginou que ela estava certa.
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