A Fortaleza

1 Capítulo 1: Explorando Laura


"Quando se olha muito para o abismo, ele olha de volta para você."

Eu sabia o que me aguardava. A fortaleza. Era minha segunda fraude, mas eles não entendiam o quanto aquele remédio era importante para o pequeno Tommy. Eu tentava falar, explicar a eles que não havia roubado a toa, que realmente fazia isso pela família que eu tomava conta. Isso não havia adiantado de nada. E no fim, eu estava a caminho de minha sentença, e Tommy, este eu não veria mais. Eu tentava não pensar muito nisso, mesmo naquele carro, eu tentava pensar em como eu era feliz antes da grande tormenta. Esta, fora o evento mais mortal que nosso mundo já havia visto. Uma sequência de catástrofes naturais, que dizimou ao menos, metade da população mundial, a maioria dos continentes se tornaram irreconhecíveis, as grandes ilhas haviam sumido, e o cheiro do mundo era de carne podre. Éramos zumbis na verdade, deveríamos ter morrido, mas nos recusamos a isso, e agora só existia o resto para nós. Não havia mais filmes, músicas, televisão, energia elétrica. Isso estava tentando ser remontado aos poucos, mas, de fato, não haviam mais pessoas acostumadas a trabalho braçal que pudessem desempenhar o que os antigos fizeram. Tudo era a base das máquinas, e isso acostumou muito mal as pessoas. Não existia mais o rico nem o pobre, a lei era julgada pelos sete, estes, as únicas autoridades passadas que haviam sobrevivido a tormenta, e que ainda governavam a nação. Conclui que isso de uma única forma ajudou ao mundo, deixamos de ser preguiçosos, acomodados, nos unimos em uma só nação, que falava uma única língua, e que pensavam num todo, não em si próprio. Porém, as regras eram duras, e eu estava para pagar por elas. Olhava para fora do automóvel, este alimentado por uma energia que os sete haviam recentemente descoberto, e que servia de locomoção para grandes viagens. Havia mais três pessoas comigo, dois homens e uma outra menina, esta, devia ter no máximo onze anos, mas neste novo mundo, a ordem valia para qualquer idade, pois, para o comando, nós devíamos saber desde nenéns o que era certo e o que era errado. Os outros dois homens, um mulato como eu, e outro que os antigos diziam, ariano, conversavam despreocupados entre si. Notei a angústia e o medo no rosto da pequena, esta, que lembrava bastante uma criança do falecido povo oriental, caía em um pranto silencioso. Me aproximei dela, que de súbito recuou numa postura defensiva. Isso alertou os homens, que pararam a conversa e me olhavam. Tentei lhe acalmar com um sorriso sincero, de minhas reais intenções. — Peço que não tenha medo de mim. Noto, que assim como eu, uma criança como você não deve ter feito nada realmente grave para estar aqui, estou certa? A pequena se esforçava para falar, podia sentir sua garganta arranhar. Parecia estar nesse estado há horas. Sua voz delicada dava o ar da graça em suas palavras infantis. — É que... Eu briguei com uma menina no ensino das palavras, e ela se machucou de verdade. Mas, ela me bateu primeiro, me disse o quanto minha raça era inútil, e eu não sabia o que responder, e... Ela caía aos prantos novamente, e eu rapidamente a abracei. Não sei o porque, se era saudades de Tommy e de sua irmã Jorie, ou se ela me lembrava minha falecida irmã Lila. — Eu sei pequena, eu sei. Era a única coisa que podia expressar. Os homens ainda nos observavam, e trocavam olhares e sussurros. — Como você se chama? Lhe perguntei, enquanto ainda a abraçava forte, lhe acalmando e me acalmando, pois, assim como ela, sentia uma enorme dor e injustiça no peito. Afinal, ela era uma criança, e eu já sabia muito bem me virar. — Me chamo Mia. Soltava-lhe aos poucos, enquanto lhe segurava o rosto com delicadeza. — E eu sou Laura. Nós estamos indo para um mundo desconhecido Mia, mas eu prometo que ficarei junto com você, então, por favor, não chore mais. Não se for pelo medo lá de fora, porque eu também o tenho, mas, com você, estou me mantendo firme. Eu sorri novamente, e ela me retribuiu o sorriso, e nós nos abraçamos, enquanto nos tornávamos calmas novamente, e caíamos numa espécie de sono. O rapaz negro nos copiava, e dormia com vontade, já o ariano, parecia ter se interessado nesta jornada, e pelo seu olhar, parecia querer segui-la conosco.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.