A Force Called Love
10 Ursinho Ruivo
Notas iniciais
Sorry pela demora, monamies (:
É que eu estou com bronquite e faringite e não conseguia nem levantar meu traseiro gordo da cama para pegar o netbook.
Mas agora eu volteeeei, e esse cap ficou legal hehehehe
Bom. Beijo pra quem ler.
- Tiveram notícias do Rafa? – Pergunta Jess. Avril mexeu nervosamente no cabelo de pontas azuis.
- Ele foi expulso. – Quase cuspi a coca que bebia no momento. A boca da Jess escancarou.
- O QUÊ? – Falamos juntos.
- Isso. Depois que ele foi pro hospital, fizeram análise de sangue, porque ele estava mal demais para ser só pela briga. Deveria ter só vodka no resultado do exame, mas tinha pontos altos de maconha. Ele fumou na escola. Pouco antes de brigar com Mike. Teve overdose, mas saiu vivo. Está se recuperando.
- C-como sabe disso?
- Fui visitá-lo. Ele... – Ela mexeu a franja pro lado. – Só falava na Jess, mesmo inconsiente. – Ouvi Jess ofegar do meu lado e olhar pra mim. A olhei também. Seus olhos exalavam dor e tristeza. Ela, acima de tudo, era amiga do Rafa. Não queria nada daquilo pra ele. Nem eu. Apesar de o cara ser um canalha e querer conquistar minha mina, ninguém merece ir pelo caminho das drogas. Nem ele. Ficamos em silêncio por um tempo, mas logo Avril quebrou o gelo.
- E aí, vão na roda da fogueira hoje?
- Claro. – Diz Jess, ainda meio chocada. A roda da fogueira era tipo... uma tradição entre nosso grupo de retardados. Sempre, no último dia do sexto mês do ano, a gente ia pra clareira, que ficava perto da saída da cidade, e fazíamos ali uma fogueira. Ficávamos das seis da tarde às oito da manhã lá, contando histórias, piadas, tocando violão e cantando, rindo, comendo, etc. Sim, eu ia pra lá com a Jess mesmo quando éramos inimigos. Primeiro, porque ela pegava carona comigo. Segundo, temos amigos em comum que fazem parte desse grupo. Porém, parece que dessa vez, o Rafa não iria. Eu não sabia se ficava feliz ou chateado por esse fato. Então resolvi pensar na noite anterior e a animação me voltou em dobro. Jess agora falava com Avril. Os cabelos negros descendo sobre um dos ombros, o sorriso no rosto, os olhos cravados nos da amiga. Era incrível como ela conseguia me prender.
- Nate? – Chamou ela pelo que não parecia ser a primeira vez. Saí do transe.
- Oi.
- Tá combinado que hoje você vai lá em casa jogar videogame às três e depois me levar pra clareira, né?
- Sim, desculpa, eu não tinha ouvido.
- Percebi. – Diz, sorrindo levemente e segurando o olhar no meu. Derreti por dentro, como um marshmellow no fogo. Que efeito essa mulher tinha em mim!
- Tá, e as comidas pra mais tarde? – Pergunta Avril, mexendo no celular. – O Mike tá perguntando por mensagem aqui quem vai levar o quê.
- Eu posso levar nutella, marshmellow, e refri. – Diz Jess.
- Eu levo chocolate. – Digo. Ela murmura um “uhum” e digita pro Mike. Eu sorrio pra Jess e ela morde o lábio. Rio e passo o braço por seus ombros. Felicidade me definia naquele momento.
***
- Mata aquele tio. – Diz Jess, massacrando geral.
- Que tio?
- Aquele ali, Nate. NATHANIEL ELE VAI... – Ele nos matou. – Nos matar. – Diz, largando o controle.
- Ah, eu só tô cansado. – Digo.
- Sei. Aham. – Ela estala as juntas dos dedos. Jess era melhor que eu no COD. Isso me dava depressão interna.
- Isso é sorte Jessica.
- Tá bom, Nathaniel. Quer chocolate quente? – Pergunta, se levantando pra ir fazer.
- Quero.
- Vem comigo? – Fiz biquinho.
- Preguiiiiiiça.
- Nananinanão. Veeeeem. – Ela pegou minha mão e tentou me levantar. – Nateeee! – Fui bonzinho e levantei. Fui atrás dela. Enquanto ela cozinhava, eu observava pela centésima vez a casa. Era bem bonita. E grande. Certamente, era uma das maiores casas em que eu já havia entrado.
- Com chantilly? – Pergunta ela.
- Sim, por favor. – Ela trouxe dois chocolates quentes.
- Valeu. – Sentamos na sala e bebemos um pouco. Quebrei o silêncio.
- Jess, sobre a festa junina...
- Shh. Tudo bem. Deixa as coisas acontecerem. Tá tudo melhor agora, né? – Sorri, mais calmo.
- Claro, obrigado. – Ela sorriu e bebeu mais da sua caneca verde.
***
POV’S JESS
Ele dirigia para a fogueira. O porta malas de seu carro estava lotado de coisas. Meu violão, comida, cobertores, tapetes para cobrir o chão e moletons dele, um pra ele e um pra mim. Meu celular bipou.
[chegando, bebê?]
Eu ri, o que chamou a atenção do Nate.
- Que foi?
- Mike. – Sinalizei o celular. Ele só confirmou com a cabeça, pois sabia que o Mike é...bem, o Mike. Respondi que estávamos quase lá e continuamos. Era bem afastado. Como fazia um ano que eu não ia lá, achei que era mais perto. Fiquei alternando o olhar entre a paisagem lá fora, que mudara de urbana pra mata há uns dois quilômetros, e minhas unhas, pintadas de azul. Chegamos (finalmente) lá. Os meninos ainda não haviam feito a fogueira, mas a BMW do JG estava com o porta malas aberto, deixando visível seu estoque de lenha. Desci do carro.
- Oi gente! – O Mike veio até mim e me ergueu em um abraço de urso.
- Hey Jess. – Diz, rindo. Me colocou no chão e cumprimentou Nate. Fui até os outros meninos, sentados com garrafas na mão.
- Guris. – Falei, parando na frente deles.
- Guria. – Disseram. Abracei JG. Pedro me agarrou pela cintura e me ergueu também.
- Trouxemos comida. – Falei, sentando ao seu lado e colocando a cabeça no seu ombro.
- Hmmm esperava que dissesse isso. – Diz, mexendo no iPhone e passando o outro braço por meus ombros.
- Tira foto. – Murmurei.
- Por que?
- Por que sim, tira antes que escuresça. – Ele tirou. – Obrigada amor.
- De nada. – Ri ele.
- Aqui Jess. – Nate veio e deixou na minha frente a sacola de comida. – Vai tirando a comida daí e das sacolas dos meninos. – Sinalizou as outras sacolas. – E vocês, machos, venham tirar a lenha do carro com a gente. – Com um resmungo, eles foram, e eu comecei meu trabalho delicioso de menininha. JG tinha levado jujuba e minhocas ácidas, tudo em sete pacotes normais de cada e três pacotes super-família de cada. Onde ele achara aquilo, aliás? Pedro levara chocolate. De barras a tortuguitas. MUITO MUITO MUITO CHOCOLATE. Aí tinha o mundo de comida que eu e o Nate tínhamos levado, afinal minha mãe estava em POA e fomos na casa do Nate roubar comida antes de ir. Tia Gê só dissera: “Vão no mercado amanhã” e saíra para alguma festa. Eu adorava a tia Gê. Ela era demais. E o filho dela, eu vinha percebendo, também era. Quando percebi, eles já haviam feito o fogo, e o Nate já estava me entregando o moletom cinza que pegara pra mim. Sentou do meu lado.
- Tá frio, veste logo. – Passei-o por minha cabeça, provavelmente embolando meu cabelo, mas ok. Os meninos tocaram algumas coisas e a gente comeu um pouco. Quando passava das oito, precisamos de lençóis. O frio estava de matar. Disseram que teria GEADA NEGRA essa noite. Pelo amor de Jacó, o que é isso? Minha mãe disse que é quando o gelo se forma dentro da planta, congelando a seiva, e matando a planta de dentro pra fora. É biologicamente possível que a geada faça isso pelo nosso sangue?
- Tá bom, vamos contar histórias de terror? – Fala JG. Quase berrei “NÃO”. Não que eu seja cagada, mas... não, eu sou cagada sim, mas prefiro achar que não.
- Hmm... será? – Murmurei. Eles me olharam.
- Tá com medo, Jess? – Diz Mike, divertido.
- Tu né, ruivo! – Digo, sentindo o rosto corar. Ele deu de ombros.
- Ok então. Eu começo.
- Puta que pariu. – Murmura Pedro.
- Preparem-se para não dormir. – Diz Mike, com um sorriso maldoso. – Vamos lá.
***
Sim, eu estava com medo. E sim, eles queriam me colocar mais medo ainda.
Mike tinha contado a história do Slender, e eu estava me cagando. Não ajudava em nada o fato de meus amigos serem uns idiotas metidos a corajosos e quererem entrar no mato ao redor da clareira para “explorar”. Entre aspas porque eles queriam é me assustar.
- Vamos lá, Jess, não há o que temer. – Disse Nate, passando o braço por meus ombros. Eu estava com uma lanterna e Mike com outra. Os outros três teriam que ficar perto da gente se não quisessem se perder, e isso me acalmava, de certa forma.
Por que estamos fazendo isso mesmo? – Pergunto, aquecida por Nate.
- Diversão. – Diz Mike, sorrindo. Entramos no emaranhado de árvores. Era incrivelmente fácil confundir árvores com muitos cipós com o Slender, o que me fazia enfiar o rosto no casaco de Nate.
- Ei, pequena. – Sussurrou ele no meu ouvido. – Olha por onde anda, pra iluminar. Eu vou te proteger. – Corei mais que o Mike perto das paqueras dele. E olha que ele era ruivo. Me ajeitei e assenti com a cabeça. Continuamos andando.
- Cadê o JG? – Pergunta Mike de repente. Paramos.
- E-ele não pode ter voltado? – Falei.
- Tá zoando? Ele é gordo, duvido muito que iria querer voltar tantos metros por conta própria e sem uma lanterna. – Olhei pra ele com uma cara meio apavorada.
- Está insinuando que alguém...algo pegou ele?
- Não, isso é suposição de criança. Vamos continuar, a gente acha ele. – Me agarrei no Nate.
- Ei, calma. – Ri ele. – Não vou deixar nada acontecer com você, ok? – Ele falou isso de um jeito tão sincero que tive que acreditar. Ficamos mais pra trás, e eu senti uma mão nas minhas costas.
- Nate, esse não é você, é? – Perguntei.
- Oi? – Ele se virou e eu fui puxada pelo tecido do moletom. Sorte que Nate estava colado em mim, aí ele foi junto. Antes que eu pudesse gritar, uma mão tapou minha boca atrás de uma árvore, e a lanterna iluminou um par de olhos bem azuis.
- JG! – Falei, abraçando o gordo. – O que tá fazendo aqui?
- E por que puxou a Jess? – Pergunta Nate, do meu lado.
- Eu quero fazer uma brincadeirinha com nossos amigos. Vamos assustá-los?
- Claro, o que temos que fazer?
- Pendurar uma porrada de cipós na gente, folhas, galhos, etc, e pular no caminho deles.
- Vai ser muito legal. – Murmurei.
- Eu vou catar as coisas. – Diz JG e se afasta.
***
POV’S MIKE
- Puta merda, cadê a Jessica e o Nathaniel agora? – O Pedro franziu a testa. Eu não estava gostando nada dessa brincadeira.
- Eles estavam bem atrás de mim.
- Eu sei, eu lembro. JESS!? NATE!? JG?!
- JEEEEEESS!! NAAAAATE! JGGGGG! – Gritávamos sem obter resposta da parte daquelas batatas gordas com roupa de frio.
- Será que devemos voltar? – Pergunta Pedro.
- Não sei.. – Enquanto estávamos naquele dilema, ouvi um galho se quebrando.
- J-Jess? – Murmura Pedro.
- HUAAAAAAAAAAAAAAAAA! – Três criaturas pularam do mato na nossa frente.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!! – Gritamos e voltamos correndo. Fizemos todo o percusso em cinco minutos. O QUE DIABOS ERA AQUILO?? Chegamos na fogueira e respiramos. Logo, três pessoas risonhas cheias de galhos e cipós pelo corpo saíram da mata também. E eu avancei na mais alta delas.
- NATHANIEL EU VOU TE MATAR! – Ele ria tanto que só conseguiu me tirar de cima dele com a ajuda da Jess e do JG.
- Quem é a medrosa aqui, Mike? – Pergunta Jess, vitoriosa.
- Eu odeio vocês. – Sentei e peguei o saco de marshmellows. – Eu odeio odeio odeio odeio vocês. – Jess se sentou do meu lado.
- Eu também te amo, ursinho ruivo. – E roubou uma bolinha branca e macia do saco.
Notas finais
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Não?
Ok.
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