Notas iniciais
Esse cap é muito, muito, muito choroso.

Não me matem POR FAVOR

Ah, não sei se vai fazer diferença, mas eu estava ouvindo "Story of My Life" da 1D quando escrevi, então... se quiserem chorar mais, ouçam ^^



Amo vocês, lembrem u_u'

POV’S JESS

- Nathaniel, não tente bancar o esperto comigo. – Falo, cruzando os braços. Ele mexe no cabelo daquele jeito irritantemente perfeito.

- Não estou. Só tô dizendo que você se sentiu tocada por aquele beijo. – Revirei os olhos.

- Cara, com um beijo daqueles, quem não se sentiria tocado? – Os olhos dele brilharam e eu percebi o que tinha falado. – A questão é que eu tenho namorado. – Falei, rápido, pra disfarçar meu rosto corado. – Não posso e nem vou fazer isso com Guto. Ele não merece. – Nate se aproximou.

- Está negando que ainda me ama?

- Se afasta Nathaniel. – Lhe aviso, acusadora. Ele recua meio passo.

- Admite. Tu me ama. – Observei bem seu rosto.

- Eu não traí o Guto. Você me agarrou. – Ele suspirou, cruzando os braços.

- Se ele descobrir, farei questão de contar que você nem se mexeu durante o beijo. – Prometeu. – Mas eu preciso saber. – Minha vez de suspirar.

- Ok, Nathaniel. Eu posso sentir... uma forte atração por você. Mas não creio que ainda seja amor. Um coração não merece se machucar tantas vezes. – Ele se aproximou um pouco, me fazendo recuar e bater de costas em uma árvore.

- Posso te beijar de novo? – Ergui uma sobrancelha.

- E trair sua namorada grávida pela segunda vez? – Ele socou o tronco onde eu estava, em um ponto ao lado da minha cabeça, me assustando um pouco.

- Aquele bebê não é meu! Eu vou te provar isso. – Ergui um pouco o rosto, mostrando mais confiança do que realmente sentia.

- Então ok. Faça isso. Arrume provas. Depois fale comigo. – Ele sorriu de lado.

- Pode crer que virei. – E saiu andando para o prédio da escola.

~*~

- Já o viu? – Pergunto, pela quinta vez. Mike revira os olhos.

- Não, Jessica, para com essa paranóia. Ele está chegando. – Fiquei na ponta dos pés para enxergar algo sobre a multidão de pessoas no aeroporto. Ser baixinha às vezes é uma desgraça.

- Ah, meu, eu...

- Olha lá! – Me interrompeu. – Seu príncipe chegou. – Me ergui de novo e pude ver de relance seus cabelos negros e seus olhos verdes.

Corri em meio à multidão como uma louca. Só queria estar perto dele de novo, aplacar aquela saudade e aquela confusão dentro de mim.

Pulei em seus braços e ele deixou as malas no chão mesmo. Me abraçou forte, mas quando me olhou nos olhos, percebi que algo estava errado.

- O que houve, meu amor? – Ele me olhou. Parecia realmente mal. Abatido. Supus que não tivesse dormido o fim de semana inteiro pelas olheiras.

- Minha mãe. Ela... piorou.

~*~

POV’S GUTO

Quão difícil pode ser achar uma medulacompatível para um possuidor de câncer terminal?

Acho que é quase impossível.

Quando os médicos me disseram que o tumor já havia se espalhado por todo o corpo, que sem dúvidas, ela não tinha nem dois meses de vida, eu me senti inútil.

Havia feito de tudo para salvá-la e não fora suficiente. Minha mãe morreria em 60 dias, no máximo, e eu não podia fazer nada para mudar isso.

Me sentei em uma das cadeiras do corredor do hospital e chorei. Chorei como uma criança de cinco anos quando é contrariado. Chorei como quando ralava meu joelho e ganhava hematomas surfando. Chorei como quando meu irmão morreu. Chorei porque depois dessa não teria mais ninguém para cuidar de mim. Eu seria eu. E só.

Jess ficou comigo a noite toda. Me abraçava, acalentava, me acalmava.

Cantou para mim. Sua voz é como a melodia dos anjos mais divinos. Foi essa voz que me fez dormir, após quase 48 horas acordado.

Eu não teria palavras para agradecer o bem que ela me fazia, mas eu não precisava dizer nada. Ela entendia.

Meus olhares, meus abraços, meus movimentos. Era como uma linguagem canina. Linguagem corporal. Sem usar nenhuma palavra, a gente se entendia. E isso me deixava completamente à vontade perto dela.

Acordei com ela ao meu lado. Cinco da manhã. Ela dormia profundamente, depois de ter cantado “The Only Exception” para mim até que eu dormisse.

Ela ficava tão em paz quando dormia que eu não queria parar de observá-la.

Acariciei de leve sua bochecha. Ela se moveu milimetricamente e parou de novo.

O telefone tocou. Já fazia um mês e meio que minha mãe estava no hospital. Cada telefonema era uma facada no meu coração.

- A-alô? – Falei, falhando a voz.

- Augusto? – Meu estômago gelou com a voz do médico.

- Doutor? – Ele suspirou.

- Essa é a última semana dela, Guto. Sinto muito.

POV’S JESS

Acordei com um barulho de algo caindo e corri para a sala.

O telefone estava no chão, quebrado, e Guto olhava-o sem muito foco.

- Guto? O que...? – Quando ele me olhou, percebi as lágrimas que corriam por seu rosto.

- Ela não passa de sábado, Jess. – Corri até ele e o abracei forte.

Ele pôs o rosto em meu ombro e chorou muito. Chorou tudo o que tinha para chorar naquela noite. Chorou por si e por todos os familiares mortos que com certeza chorariam a morte de sua mãe. Chorou até por mim, que queria desabar, mas precisava me manter forte por ele.

Anne era uma pessoa tão boa. Me acolheu como filha. Cuidou de mim como se eu fosse do seu sangue. Ela não merecia isso. Guto não merecia isso. Julie não merecia isso.

Mordi o lábio com os soluços que lhe sacodiam todo o corpo. Era horrível vê-lo assim e saber que eu só podia apoiar, não podia extinguir sua dor. Ela só ficava maior.

Fomos até o hospital depois que ele se acalmou.

Anne estava diferente por causa do câncer, mas só na aparência. Ela continuava sendo a melhor mulher do mundo. Doce, sorridente, amorosa, porém, agora estava cansada e pálida. Isso não era reversível.

Julie chegou alguns minutos depois de nós, com o cabelo meio bagunçado e pantufas de gatinho. Ficamos com Anne a noite inteira, pelo simples prazer de tê-la respirando, nem que fosse por aparelhos.

A semana passou voando. Nós basicamente moramos no hospital até sábado. Brincávamos, sorríamos, tentávamos de todos os jeitos não demonstrar a tristeza.

Mike foi também, para apoiar Julie e ver Anne, que, segundo ele, era muito gente fina.

Ela estava totalmente conformada com a morte. Éramos nós os indgnados.

E então, pela manhã de sábado, ela se foi.

POV’S GUTO

Eu estava em um campo florido que ia além do que meus olhos enxergavam. As flores eram flores do campo lilás, a cor favorita da minha mãe.

O vento fraco balançava meus cabelos e trazia consigo um cheiro doce e relaxante. O perfume dela.

Olhei para trás. Ela estava ali, em pé, sorrindo para mim.

Era ótimo vê-la assim. Sadia, feliz, como era antes.

Sorri de leve. Ela abriu os braços e eu corri até ela, abraçando-a.

Eu sabia que não podia ser real, mas eu desejava que fosse.

- Meu amor – Começou, beijando minha testa. – Você sabe que eu tenho que ir, certo?

- M-mas... – Gaguejei, olhando seus olhos verdes como os meus. – Eu não quero ficar sozinho. – Ela riu, a risada gostosa e livre de sempre.

- Você não está sozinho, Guto. Olhe para os amigos que você tem. Embora sua vida não vá ser como você acha, você nunca estará sozinho, meu bebê. – Normalmente eu reclamaria pelo apelido, mas agora eu só queria que ela vivesse tempo suficiente para me chamar daquilo de novo.

- Eu não quero te perder, mãe. – Ela bagunçou meu cabelo, me olhando ternamente.

- Você nunca vai me perder, Guto. Eu vou ser mais um dos anjos que cuidam de você.

- Eu te amo. – Sussurrei, abraçando-a.

- Eu também te amo, Guto.

~*~

Acordei com os bips parando na máquina de frequência cardíaca. A olhei e sorri de leve, sentindo lágrimas silenciosas descerem por meu rosto.

- Adeus, mamãe.

Notas finais
Choraram?
Querem me matar?

Desculpa, isso teve que acontecer pra história dar certo T-T

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