A Force Called Love
13 Férias
Notas iniciais
Sorry, mas os shippers de Nass (aderi ao nome do shipp) terão raivinha de mim nesse cap rçrç socorro
Bom, espero que gostem, comentem, e não me matem hehe
Beijocas
POV’S JESS
Coloquei os óculos escuros. Cruzei os braços. Por que aquela praia? Por que não alguma do outro lado do país? Por que não alguma em Maceió, ou Recife? POR QUE AQUELA PORRA DE PRAIA? A praia onde eu descobri que gostava do Nate. A praia onde viramos amigos. A praia onde eu comecei a achar que tudo era possível de novo pro meu coração. O tecido da blusa que eu usava era finíssimo, era apenas para cobrir o biquíni mesmo, enquanto eu não entrava na água. Olhei pro meu pulso enquanto sentava na cadeira de praia. Ainda não havia tido coragem de tirar a pulseira, muito menos o colar que comprara com ele. Eles me davam alguma vida. Eles não me lembravam do Nate em sim, mas sim do sentimento. E eu precisava disso. Abri meu livro na página marcada. Estava lendo “O Diário de Bridget Jones”. Porém, logo algo me chamou a atenção. Perto da água, havia um garoto. Um garoto muito bonito, tenho que concordar. Ele estava de calção. Um calção azul marinho. Seus cabelos estavam molhados, eram pretos. Su pele era branca e seus olhos eram tão verdes quanto algas. Ele me lembrou o Percy. Na verdade, sua descrição batia perfeitamente com a do Percy no livro, menos pelo corpo. O corpo era de um deus grego. Musculoso, mas sem exageros. Parecia esculpido em mármore. Ele estava com várias crianças. Meninos de menos de 10 anos. Todos estavam com pranchas deitadas na areia, e remavam mesmo não estando no mar. O garoto, em pé ao lado deles, incentivava-os com um sorriso perfeito no rosto. Me levantei, disse à mamàe que não demorava e fui para perto deles. Agora eu ouvia suas frazes inspiradoras para os menininhos.
- Isso aí, reme assim. Seus braços ficarão bem mais musculosos. – Sorri, parando a alguns metros e pondo as mãos na cintura. Ele me olhou e balançou os cabelos molhados para longe dos olhos, ainda com o sorriso no rosto.
- Desculpe, moça, é aula infantil. – Eu ri.
- Não seja exibido, eu não vim aprender a surfar. – Ele inclinou a cabeça de lado e me olhou bem.
- Que pena. – Mantinha um sorriso torto. – Você daria uma ótima surfista, pelo seu físico.
- O que quer dizer? – Ele mordeu os lábios.
- Nada. Bom, meu nome é Augusto, e o seu? – Esticou a mão na minha direção. A apertei.
- Jessica, prazer.
- O prazer é inteiramente meu, Jessica.
- Me chame de Jess.
- Me chame de Guto. – Sorri. – Mora aqui?
- Não, moro em Canela. Estou aqui de visita. Sabe, três semanas. Férias. Lá onde eu moro está, tipo, congelando. – Ele fez um biquinho.
- Bom, então tenho três semanas.
- Para quê?
- Para fazer com que você queira ser minha amiga. – Assenti.
- Faz sentido. Quando acaba sua aula?
- Daqui a... dez minutos. – Eu sorri.
- Quer me ensinar?
- Aulas particulares?
- Não estava pensando em pagar. – Ele ergueu uma sobrancelha.
- Aulas particulares e grátis? – Revirei os olhos.
- Um favor de três semanas para uma possível amiga? Isso vai contar pontos para a sua aproximação. – Ele colocou de novo o sorriso torto no rosto. Isso o deixava com uma cara maliciosa.
Então eu aceito.
Legal. Dez minutos?
- Nove. – Eu ri.
- Estou ali com minha mãe. Me chame. – Ele deu uma piscadela e voltou aos seus aluninhos. Eu voltei para a minha cadeira e ao meu livro. Mamãe perguntou o que fui fazer e eu contei a novidade à ela.
- Juízo hein minha filha. – Eu só sorri e voltei a ler. Fiquei tão absorvida pelo livro que perdi a noção do tempo. Quando fui ver, havia uma sombra na minha frente.
- Vamos lá? – Ergui o olhar para Guto.
- Vamos. – Fui atrás dele. – Vai me emprestar uma prancha, certo?
- Vou sim. – Diz, sinalizando a prancha azul e branca na areia.
- Ótimo. Pode começar.
- Espera. Acho que seria melhor tirar a blusa. Sabe, por fins acadêmicos. – Olhei irônica para ele.
- Fins acadêmicos?
- É. Não quero te comprar outra blusa depois que a água do mar acabar com essa aí. – Revirei os olhos.
- Whatever.
- Boa pronúncia. – Ri pra ele e tirei a blusa. Meu biquíni era da cor do meu esmalte, preto. Bem simples. Guto me olhou por um tempão. – Uau.
- Que foi?
- Você representa bem nosso país. – Fiquei envergonhada. Eu tinha peitão e pernão, mas nunca me importei muito com isso. Exceto quando o assunto era biquíni + garotos. Eles sempre davam um jeito de me lembrar que minhas milhares de dietas, academia e abdominais fizeram o efeito desejado, e que eu tinha músculos invejáveis. Modéstia à parte.
- Obrigada, podemos começar? – Ele sacodiu a cabeça, como se tentasse despertar e sorriu. Ele era uma pessoa bem sorridente.
- Claro. – Ele passou os trinta minutos seguintes me fazendo aprender toda a teoria do surf. Como remar, como ficar em pé, como prender o fio direito na sua perna para não morrer.
- Ok, eu já memorizei tudo como se a Umbridge me tivesse feito escrever com a pena dela. E a água?
- Calma, mocinha. Preciso de um pretexto pra te ver de novo amanhã. – Eu cruzo os braços, sorrindo.
- Bobinho. Eu viria te ver mesmo se não tivesse pretexto. – Ele beija minha testa.
- JESS! VAMOS, QUERIDA? – Grita minha mãe. Abraço Guto e pego minha camiseta.
- Obrigada por tudo. Até amanhã.
- Até.
***
- Então, onde está seu pai? – Estávamos sentados em uma rocha no topo de um morro que dava para a praia. O lugar era simplesmente perfeito, e eu levara minha câmera. Lugar perfeito.
- Ele ficou em casa. É arquiteto e estava fazendo uma importante planta. – Respondi enquanto enquadrava uma imagem na câmera antes de tirar a foto.
- E sua mãe? Faz o quê? – Tirei a foto e olhei para ele.
- Ela também é arquiteta. Eles se conheceram na faculdade. Romântico, não?
- Bastante. – Olhávamos os surfistas lá em baixo.
- Algum dia saberei surfar assim, professor?
- Claro que sim, gafanhota. – Rimos.
- Ok, e você? Qual sua história? – Ele balançou os cabelos negros, agora secos.
Bom, quando eu tinha 13 anos meus pais se divorciaram porque meu pai traiu minha mãe. Eu fiquei com uma puta vontade de matá-lo, mas ele fugiu para a Nova Zelândia. A partir desse dia, tivemos que nos virar, eu, minha mãe e meu irmão mais novo, Gabriel. Trabalhamos duro até que minha mãe superou o trauma e simplesmente se levantou para ir trabalhar. Ela melhorou muito com a gente depois que o papai foi embora. Ele não era um bom pai, batia na gente e nela também. Então, em um belo dia de ondas perfeitas, minha mãe se atrasou no serviço e disse que podíamos ficar na praia. Bom, eu falei para Gabe não pegar aquela onda. Nunca achamos seu corpo. Depois disso, minha mãe só passou a cuidar mais de mim.
- Paraí, seu irmão morreu afogado e você consegue dar aulas de surf?
- Eu não quero que outras pessoas morram como ele. – Fazia sentido. Me aproximei dele e bati meu ombro no seu.
- Sinto muito, garotão.
- Não tem que sentir. Você não me fez nada. Na verdade, parece que me fará bem. – Sorri e pus o cabelo atrás da orelha. Ele ergueu meu queixo pra ele.
- Obrigado.
- Pelo quê?
- Por ter vindo passar férias aqui. – Sorri com a ironia disso.
- Imagina. Eu que agradeço.
- Pelo quê?
- Por querer ser meu amigo. – Ele riu e passou o braço pelos meus ombros. Deitei a cabeça no seu ombro e deixei o silêncio reinar. Talvez essas férias não fossem ser tão ruins assim.
Notas finais
Vão me abandonar?
Lembrem-se que eu amo vocês ♥
Beijos
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