A Foragida

4 Os Novos Vizinhos


Notas iniciais
"Os novos vizinhos" Acho que todos sabem quem são, não é mesmo? kkk Vamos lá!

Regra nº 1 de uma guerra:

Nunca subestime o seu inimigo.

(Filme — Todas Contra John)

* — *



POV/ BELLA

18 de Janeiro de 2010. Peguei o meu carro de onde eu havia deixado (num matagal um pouco atrás do aeroporto, protegido por magia, é claro. Mas não conte a ninguém), e então eu pensei: qual o melhor lugar para uma pessoa como eu viver, digo, se esconder? A resposta era clara: um fim de mundo. Tinha de ser um lugar um pouco esquecido, mas nem tanto. Após pesquisar muito, eu percebi que a minha melhor opção seria Forks. Sim, ela era um fim de mundo, mas em compensação era rodeada de cidades um pouco mais desenvolvidas, como Port Angels e Seattle, o que a fazia diferente das outras que eram um fim de mundo, rodeadas por mais fins de mundos. Situação critica, não?


Morar com Mary me deu um pouco de ajuda: eu precisava comprar uma casa, arranjar documentos falsos para os meus supostos pais e depois me matricular em uma escola, pois eu poderia ser imortal, mas ainda tinha cara de adolescente de colegial.


Quanto mais me aproxima de Forks, mais chuva e frio eu enfrentava, e quando cheguei nela, adivinha? Mais chuva. No meu rádio os acordes de Highway To Hell ressonavam em alto e bom som. Abri um sorriso e tentei não ver a ironia daquilo. Subitamente suspirei quando percebi que teria de ligar os pára-brisas do carro.


– É, agora você vai ter que se acostumar com isso, dona Bella – Tive que falar em voz alta.


Fui pelas solitárias ruas de Forks, as poucas pessoas que andavam nelas olhavam com curiosidade para o meu carro, tentando ver quem estava dirigindo-o. Dei uma olhada em volta, mas só achei carros antigos ou com péssimo estado. Bufei com aquilo, para quem não queria chamar a atenção eu praticamente coloquei luzes de néon na minha cabeça e sai gritando, pelada, pela rua.


Afastei aqueles pensamentos e continuei o meu trajeto pela rua principal. Foi então que, em um momento de distração, avistei uma singela estrada de terra, minha curiosidade foi a mil, parei e tentei imaginar o que teria no seu final. Rapidamente dei de ombros e mudei o meu trajeto para dentro dela. Afinal, o que teria a perder?


Bem no final dela, quando estava quase desistindo, eu vi um pequeno trecho onde a vegetação era diferente das demais, ela era bem mais nova, como se fosse uma antiga estrada. Fiquei alguns segundos parada na sua frente, decidindo se prosseguia ou não.


Novamente a curiosidade foi mais forte, então, com um simples pedido por pensamento, a vegetação ali, lentamente, se afastou dando espaço para eu prosseguir. Agradeci a Terra por ter me ajudado e, finalmente, segui com o meu carro.


Enquanto dirigia, ouvi um barulho inconfundível de um rio, o que me deixou surpresa, acelerei o carro ansiosa. Uns metros depois e eu me deparei com uma linda, enorme e abandonada casa. [N/A: os Cullen não tinham chegado... ainda ^^]. Foi então que eu decidi, olhando maravilhada para aquela casa e para toda vegetação ao redor, que ali seria o meu futuro lar. O meu futuro, solitário e amado lar.


Voltei para a cidade e procurei pelos os donos do terreno. Depois de conversar diretamente com o prefeito e com um advogado já aposentado, eu finalmente consegui comprar metade daquele terreno que já estava abandonado por anos. Sim, eu precisei lançar muitos sorrisos e esbanjar muito dinheiro para conseguir aquela façanha. Como eu já havia concluído: o dinheiro compra qualquer coisa no mundo humano. Depois disso eu corri atrás de uma construtora, pois não queira levantar suspeitas, afinal, o que iriam pensar se me vissem carregando materiais de construção e construindo uma enorme casa como se estivesse jogando Tetris? Bem, eu acho que eles estranhariam.


Quando finalmente achei uma, claro que em outra cidade, eu contratei imediatamente o serviço deles, pois queira o quanto antes a minha casinha. O mais incrível foi à agilidade daqueles humanos quando pronunciei esta frase: “Não me importa o preço, eu só quero o mais rápido possível”. Ri sem humor. Certa novamente.


Voltei para Forks e rondei mais um pouco pela cidade até achar um pequeno e modesto hotel – era mais uma casa de família que alugava quartos – me hospedei rapidamente, pois precisava de algum lugar para morar enquanto a minha casa era construída.


No começo da próxima semana eu irei fazer a minha matricula no colégio local e entrarei de cabeça nessa nova vida.



POV/ EDWARD

Eu, até hoje, acho que foi uma terrível idéia vir morar com os Denali.


Eles são até amigáveis, mas como tudo no mundo tem as suas exceções, ali também tinha e seus nomes eram: Rosalie e Tânia. Viver numa casa onde se encontram duas vampiras que se acham as rainhas da beleza é pior que qualquer tortura, ainda mais pra mim, que posso ler os seus mesquinhos pensamentos.


Tânia não larga do meu pé, ela me vê como um desafio, um joguinho de obsessão, e, para ela, o prêmio no final do “nível” era simplesmente adicionar mais um para a sua lista de homens e vampiros dos quais havia conquistado. E depois que o resto dos Denali foram viajar, tudo piorou. Por ela, eu não tenho raiva, medo ou atração, e sim pena, pena por ela achar que o mundo gira em torno do seu umbigo.


Eu, simplesmente, não preciso de ninguém. A minha existência foi imposta pra ser seguida assim: sozinho. Desde que eu era humano o meu sonho era ir para a guerra por sentir que não precisava me prender a ninguém, e não é agora, quando sou esse mostro, que irei me apaixonar por alguém. Eu amo a minha família, eles também me amam, porém cada um tem a sua metade, eu respeito isso, mas não quero para mim. Exagerado? Não. Apenas realista.


Hoje era mais um típico dia tedioso, as mulheres da casa estavam nos seus quartos se arrumando para mais um dia de compras. Eu não sei para que tantas roupas, elas nunca vão engordar, emagrecer, ficar velhas ou algo do tipo. Agora eu torno a perguntar: para que tantas compras? A resposta era pequena, igual à pessoa que obrigava todos nós a gastar com isso: Alice. Essa anãzinha era compulsiva por compras, desde que chegou para ficar na nossa família, ela nunca mais nos deixou, se quer, repetir uma simples muda de roupa.


Enquanto estava no silêncio do meu quarto, apenas quebrado pelas rápidas e precisas passadas de folhas do novo livro de medicina que eu estava lendo, um pensamento me chamou a atenção, era Rosalie cometendo o deslize de pensar no combinado que fez junto a Tânia, o qual elas tentariam me levar junto, apenas para se mostrar aos humanos. Patético, simplesmente... patético.


Fechei rapidamente o livro e guardei-o na enorme estante que havia no meu quarto. Eu não estava a fim de ter mais uma das dispensáveis discussões que diariamente tinha com elas, então fui procurar algo para fazer, mas algo para fazer bem longe delas. Estava pensando num plano, quando passei na frente do escritório do meu pai, foi como se uma lâmpada dos desenhos idiotas do Emmett acendesse em cima da minha cabeça.


Dei umas batidinhas rápidas na porta e após alguns milésimos de segundos eu escutei um rápido e baixo ‘pode entrar’, girei a maçaneta lentamente e coloquei somente a cabeça para dentro do grande escritório.


– Eu estou indo caçar pai, quer ir comigo? – Escutei um gritinho histérico vindo do outro quarto, o qual foi rapidamente abafado. Sorri com aquilo, 1 x 0 para mim.


– Desculpa, filho, mas é... – Sua frase morreu ao olhar para o meu rosto

“Meu Deus, Edward, que cara é essa?” – Perguntou após uns segundos me analisando.

“Preciso conversar com você” – Falei somente mexendo os lábios.


Ele confirmou com a cabeça e guardou rapidamente os vários papéis que estava olhando, foi vendo aquilo que eu realmente fui reparar no seu escritório, ele estava à maior bagunça, tinha documentos para todo o lado. Um sentimento me invadiu, o sentimento de culpa.


– Se você tiver muito culpado não precisa... – Tentei reparar o meu egoísmo

– Não, filho, eu só estava pesquisando sobre um novo tipo de sintomas de um paciente que o novo doutor do hospital me passou. Caçar vai me ajudar a pensar um pouco – Me interrompeu sorrindo.


Retribui o seu sorriso, eu não conseguia me lembrar de como era o meu pai, mas intimamente rezava para que ele fosse parecido com Carlisle.


Depois dele rapidamente se despedir de Esme, a qual era a “torturada” da vez, me acompanhou para dentro da floresta. Seguimos o caminho em silêncio, cada um perdido no seu próprio mundinho. Somente após de termos quase atravessado o Canadá, foi que paramos um pouco de correr.


– Acho que exageramos um pouco – Ele deu uma olhada em volta

– É – Concordei sentindo o nervosismo, a hora estava chegando.


Depois de alguns segundos suportando o penetrante olhar de Carlisle tentando saber o que estava passando em minha cabeça, eu resolvi acabar logo com aquilo.


– Pai, eu queria te pedir um favor – Comecei passando as mãos nos meus cabelos eternamente bagunçados.

– Sim filho, é só dizer – Deu um sorriso confuso.

– Desculpe-me, mas eu não aguento mais morar aqui. Tânia está toda hora dando uma de suas investidas irritantes com a ajuda de Rosalie, e eu não sei por quanto tempo eu ainda vou suportar sem fazer nenhuma besteira! – Falei tudo de uma vez, com uma careta na face.


Ele ficou pensando por um momento, mais precisamente nas consequências que isso resultaria. Carlisle, sempre o pai zeloso.


– Se tudo já chegou a esse ponto, eu vejo que esta mesmo na hora de mudarmos de cidade. – Mostrou um pequeno sorriso para mim.

– Eu nem sei como te agradecer. Você não sabe o quanto eu estava por uma fina linha de estourar. – Fiz aquele gesto universal da mão no topo da minha testa.

– Sendo sincero, eu não sei como você conseguiu aguentar tanto tempo. – Ele riu.

– Foi muito engraçado, Dr Cullen. Já pode até virar um palhaço – Dei um leve soco no seu ombro.

– Não, palhaços são sem graça. Mas então, que tal irmos logo caçar, pois temos que anunciar a grande noticia, não é mesmo? – Bagunçou os meus cabelos me fazendo sorrir.


Nossa caça foi rápida e modesta, eu somente vim para fugir de Tânia, e ele apenas para me acompanhar. Limpamos-nos como podíamos em um pequeno riacho que tinha dentro da mata e logo voltamos, correndo, para casa.


Ao chegarmos lá encontramos uma anã de cabelo espetado saltitando ao lado de Jasper.


– Vamos nos mudar...Vamos nos mudar – Ela cantarolava animadamente

– Oi para você também, baixinha – Sorri. Tudo parecia até mais bonito agora.

– Deixa de ser chato Edward, eu só estou muito feliz por que vamos nos mudar – Ela fez uma cara feia quando eu disse baixinha, mas logo abriu um sorriso radiante.

– Hum, e desde quando você não está feliz, Alice? – Ergui as sobrancelhas sarcasticamente.


Ela mostrou a língua pra mim, numa típica atitude de criança, então se virou para meu pai.


– Oi, paizinho! – Piscou os seus cílios milimetricamente maquiados

– Olá, Alice. – Carlisle foi cauteloso. Eu também seria, quando o assunto é a Alice.

– Vamos para onde? – Ela perguntou fingindo uma expressão curiosa. Rolei os olhos sem deixar ela perceber.

– Não sei ainda, mas não se faça de desentedia, nós já sabemos que você sabe o lugar no qual nós iremos – Carlisle continuou calmo, como sempre.

– Mas é claro que sei, eu só queria fazer um suspense – Ela balançou os seus dedos dramaticamente.

– E então, pigmeu, qual é o lugar que iremos morar agora? – Perguntei depois de parar de acompanhar o balançar daqueles pequenos e ágeis dedos, era estranhamente hipnotizante.

– Só vou falar quando estiver todo mundo junto, ainda mais agora que você me chamou de pigmeu é que eu não vou falar mesmo – Alice deu um sorriso de deboche enquanto jogava seus longos cabelos imaginários pra trás.


Eu tentei ler a sua mente, mas ela estava traduzindo uma musica da Lady Gaga para o russo. Bizarro.


– Você me paga, anão de jardim – Foquei novamente os meus pensamentos e entrei na nossa casa.


Somente depois de alguns segundos, foi que eu percebi que não havia ninguém ali.


– Jasper, onde estão os outros? – Voltei para o batente da porta

– Ah, eles ainda não voltaram, somente a Esme e a Alice foram que vieram antes. Mas não me disseram o motivo. – Encolheu levemente os ombros


Fiquei pensado qual seria o motivo da pressa, mas logo dei de ombros. O que aquilo importava? Devia é estar agradecendo, afinal Rosalie e Tânia não estavam por perto. Bem mais tarde eles retornaram. Eu, até agora, tento entender o porquê de Tânia ter ficado ao invés de ir viajar com os outros da sua família, mas penso seriamente que era só para me incomodar.


Quando vi Emmett passar pela porta, eu percebi que poderia tirar, finalmente, uma com a cara dele. Afinal, ele havia destruído uma parede inteira do meu quarto jogando bola, e eu não tinha feito nada, por enquanto.


– E então, Emmett, comprou muitas lingeries? – Me sentei no braço do sofá.

– Ah sim, quer ver? – Ele respondeu com a maior inocência e começou a procurar dentro das sacolas, após alguns segundos de procura ele tirou de lá uma tanguinha dourada e começou a balançá-la. Eu o olhei bestificado até que não consegui mais segurar a minha risada.

– Emmett! – Rosalie estava furiosa – Você é louco? O que tem na cabeça pra mostrar isso? – Tomou a micro-peça da mão do ursão e a enfiou dentro de uma sacola qualquer

– O que foi?, até parece que você não gostou dela – Emmett deu uma piscadela.


Após Rose passar algum tempo o olhando feio, acabou por sorrindo. Contudo, o seu sorriso veio acompanhado de um olhar mortal ao ser dirigido a nós, o que fez, é claro, todos parassem de rir imediatamente.


– Estamos aqui para resolvermos, quer dizer, para sabermos, em que cidade iremos nos mudar – Começou Carlisle querendo acabar com toda a confusão que começava a surgir.

– O que? Nos mudar? Da onde você tirou essa idéia, Carlisle? – Rosalie ficou possessa.

– Não fale assim com o seu pai, Rose – Esme repreendeu a loira.

– Mas você ouviu o que ele acabou de falar? – E aquela discussão iria longe. Presumi enquanto encostava as costas no sofá.

– Deixe de drama Rose, pois, se você ainda não sabe, o mundo não gira somente em torno de você. Se a maioria da família concordar em nos mudarmos, nós vamos. E você ficará bem quietinha, pois eu posso ser baixinha, mas tenho toda a família ao meu favor, porque, por mais que eles não admitam, eles não aguentam mais o seu comportamento. Você já foi uma pessoa melhor. – Alice estava nas pontas dos pés, encarando a loira cara-a-cara.


Segundos foram passando e ninguém conseguia dizer nada. Eu estava sorrindo por dentro, mas também estava com medo da baixinha, eu nunca iria admitir, mas estava.


– Vocês ainda querem saber para onde nós iremos? – Alice tirou todos do seu transe. E então foi ao lado de Jasper e sorriu. O seu sorrido era encantador.


Rosalie, que ainda estava em choque, subiu correndo para o seu quarto. Ninguém tinha falado assim com ela, e a loira não admitia isso. Tânia, que também estava em silêncio, não por pena de Rosalie, mas sim pensando em um plano b, foi para o mesmo quarto da loira furação como disfarce para esconder os seus pensamentos.


– Então, Alice, para onde nós iremos? – Fiquei ansioso. Rosalie que se explodisse.


Percebi que o meu pai e a minha mãe não estavam ligando muito para a afronta de Alice, Rose merecia aquilo, e não era de hoje.


– Iremos para Forks – Ela simplificou [N/A: Que surpresa...eles vão para Forks¬¬]

– Oh, que maravilha – Esme estava feliz – Lá chove bastante, então poderemos ter uma vida quase normal. – “Além do mais, a casa de lá é linda!” – Completou por pensamentos.


Todos concordaram com a opinião da minha mãe. Pena que não sabíamos o que encontraríamos por lá, se não poderíamos ter ido antes, ou nunca ter se quer dito o nome daquela cidade.


Hoje é dia 20 de junho de 2010, umas 8:30 da noite, e estamos a caminho de Forks. Suspirei involuntariamente, aquela cidade era um tédio. Ao menos, não precisaria mais aguentar Tânia e as suas indiretas.


No meu carro estão Alice e Jasper, Carlisle e Esme estão em sua BMW e Emmett e Rosalie – que ainda não aceitou a decisão – estão no Jipe deles. Tivemos uma grande surpresa quando vimos que a estrada e a trilha para a nossa casa estava com várias marcas de pneus e em perfeitas condições, e não cheia de mato como esperávamos. Olhei na mente de todos e percebi que eles também estavam surpresos, porem, o mais estranho era que eu sentia um cheiro humano, o problema era que esse cheiro era mais marcante que de que qualquer outro.


Não vimos nada de diferente ao chegarmos a nossa casa. Tirando que o lugar estava muito bem tratado e das várias marcas de pneus por todo o lugar, tentei pensar no porque de alguém vir para cá, já que era um lugar bem distante do centro da cidade. Desci do carro, e dei uma rápida conferida em volta da casa. Nada, ninguém havia mexido nela. Inalei fundo o ar e o cheiro que havia sentido no começo da trilha me atingiu como um tapa, mas diferente dos outros cheiros humanos, esse não dava nenhuma ardência na garganta, era até confortável.


Tirei aqueles pensamentos da cabeça e comecei a ajudar a descarregar as nossas bagagens, afinal, quando descobrissem que os antigos moradores voltaram, fosse quem fosse iria parar de vir ali. Comecei a dar uma rápida conferida nos pensamentos do resto da família, quando uma voz soou de algum lugar perto da floresta.


– Parem agora e se virem lentamente. Qualquer movimento brusco eu atiro, e vocês não vão gostar nada disso. – Aquela voz era rígida e alta.


O que é isso? Uma tentativa de assalto? Aquilo só poderia ser brincadeira. Joguei o meu poder no local de onde o som vinha, mas encontrei nada. Só um louco mexeria com vampiros. Uma irritável curiosidade me atingiu, e então, como ela pediu, eu lentamente me virei na direção da floresta e ergui as mãos, afinal, ninguém havia sido imune ao meu poder. E não seria agora que eu encontraria alguém, um contato visual já seria o suficiente. Vamos ver até onde essa misteriosa voz pode ir.


Não vou negar, eu realmente me assustei ao ver uma jovem, com um enorme arco já armado, parada. Ela nos encarava de um jeito assustador, o ódio estava instalado na sua face. Será que deixaram a porta do manicômio aberta?


– Me chame de louca mais uma vez, e eu arranco a sua cabeça fora – Agora tinha uma flecha apontada para a minha testa. Mas o que...?

– Dê mais um passo, loirinho, e a sua cabeça rola junto com a dele – Ela virou a ponta para o Jasper. Como que ela viu ele se mexer se estava falando – a palavra ameaçando seria a mais adequada – a mim?


A garota do arco se mexeu numa velocidade que eu pensava que só vampiros possuíam, e então soltou a corda que impedia a sua flecha de ser livre, esta mesma voo e se fincou no solo a centímetros do pé de Emmett. Antes que eu ou algum outro membro da família pudéssemos fazer qualquer movimento, ela já tinha recarregado o seu arco.


– Eu estou falando serio, se mexam e eu acabo com as suas existências miseráveis – Emmett, que estava pronto para dar um passo, recuou. Com o que estamos lidando?

– Espero que tenham entendido que eu estou falando serio. Você, o líder – Ela mirou para Carlisle – O que vocês estão fazendo na solitária Forks?

– Nós vamos morar aqui. Agora, por favor, minha jovem, abaixe essa arma, você pode levar o que quiser – Carlisle às vezes é calmo até de mais.

– Você acha mesmo que eu vou abaixar a guarda com vampiros imundos como vocês por perto? Isso é um uma piada, não é? – Ela deu uma gargalhada sinistra, a qual tão inesperadamente começou, terminou.

– Eu não estou brincando: se vocês vieram aqui para fazerem um lanchinho, podem ter certeza que irão para o inferno com fome. Na minha cidade, ninguém toca nos humanos – Ela tinha um olhar de malu... Resolvi não pensar naquela palavra, só por segurança.

– Espere, não é nada disso que você esta pensando – Alice foi para frente, ela lançou um olhar para mim. “O que ela esta pensando? Me ajude!”

– Ele não pode te ajudar, na minha mente ninguém entra – A qualquer coisa deu um sorriso esguio para Alice. Como ela soube? O que ela é?! Eu comecei a ficar preocupado, e se ela não fosse apenas uma doi... como eu pensava?

– Criança, você precisa de ajuda. Essas coisas de vampiro não existem, são apenas mitos – Carlisle puxou Esme para trás dele, não foi uma boa idéia a minha mãe falar aquelas palavras. O olhar maligno que a jovem do arco lançou para ela comprova isso.

– Tudo bem, me diga onde você mora que nós ligaremos para os seus pais, fique tranquila, nós só pediremos para eles virem te buscar. Minha jovem, você precisa descansar, amanha você verá que tudo isso foi só uma coisa da sua cabeça – Meu pai ainda tinha alguma esperança de que aquilo se resolvesse pacificamente.

– Mas que porra! Eu estou a um ponto de matar vocês e mesmo assim não me levam a serio. Essa é a última chance: me digam um porque para eu não gastar as minhas flechas nas suas cabeças – Depois de ouvir o tom da sua ameaça, foi que eu comecei a pensar que talvez a garota realmente estivesse falando serio, então, antes que alguém saísse ferido, resolvi tomar as rédeas da situação.

– Nós somos uma espécie de vampiros vegetarianos, nos alimentamos de apenas animas – Aquela coisa me olhou de um jeito profundo, até que finalmente abaixou a sua arma.

– Me desculpem por isso, mas eu não poderia deixar ninguém dessa cidade se ferir, o meu... – Não sei o que me assustou mais, se foi o arco sendo abaixado e a expressão de ódio sumir do seu rosto ou se foi ela interrompendo com um grito a sua frase e então caindo no chão.

– O está acontecendo? – Esme olhava desesperada para a garota que se retorcia no solo imundo.


Carlisle se agachou do lado da garota e tentou fazer o seu trabalho de médico. Eu olhei chocado para a jovem quando vi, na parte da barriga dela que ficou a mostra, tudo se mexendo, parecia que os órgãos queriam trocar de lugar com os outros, as costelas dela se retorciam. Os berros agoniados deveriam ser ouvidos até em outro condado. Eu podia ver os músculos da sua perna se rasgando.


– Aqui, pai – Alice entregou uma maleta de primeiros socorros para o meu pai. – O ela tem? – A baixinha também estava chocada.

– Eu não sei, filha. Eu preciso que vocês se afastem – Carlisle tinha acabado de abrir a sua maleta, quando, de um segundo para outro, os gritos pararam. A garota arfava, mas parecia que tudo tinha se acalmado dentro dela. Como se tudo se... regenerasse.


Ela virou-se e ficou com a face virada para o solo. Primeiro, a garota do arco apoiou um joelho e depois o outro e então, meio desequilibrada, levantou-se. Sem falar nada, ela pegou o seu arco que estava no chão e olhou para dentro da floresta, eu não sei o que viu lá, mas a garota armou o seu arco e lançou uma flecha. Em seguida, antes que qualquer um de nós pudesse impedi-la, entrou floresta à dentro. A única coisa que eu pude fazer foi ver o seu rosto que demonstrava um ódio puro sumir na escuridão da mata.


Eu não sabia o que fazer ou falar. O que tinha acontecido aqui? Quem era aquela garota que sabia o que nós somos? O que aconteceu com ela naquela hora? Obra da minha cabeça não era. Algo de muito ruim estava fazendo tudo dentro do corpo dela se mover. O que era aquilo: um novo tipo de doença? E porque ela entrou dentro floresta? O que viu lá? Minha cabeça estava explodindo de tantas perguntas sem respostas.


– Pai, o que houve aqui? – Eu sabia pela a sua mente ele estava tão confuso quanto eu, mas ainda assim senti necessidade de perguntar.

– Eu não... – O berro mais aterrorizante, medonho e que demonstrava uma dor pura, interrompeu a tentativa de explicação de Carlisle. Aquele grito podia ter sido horrível, mas eu senti medo de verdade apenas quando ele terminou de uma vez, foi como se tivessem arrancado a alma dela e silenciado-la para todo o sempre.


Sem pensar muito eu corri floresta à dentro. Poucos segundos depois e o resto da família estava me acompanhando nas buscas.


– Separem-se – Meu pai ordenou. Numa sincronia perfeita cada um foi para um lado.


Corri, busquei e farejei cada centímetro da minha parte da mata, mas encontrei nada, olhei nas mentes dos outros e vi que nenhum deles havia feito mais progresso que eu. Estávamos prontos para nos reunirmos novamente quando um barulho de motor de moto tomou a floresta inteira, novamente em sincronia, todos nós fomos para a trilha que levava até a nossa casa. Ao chegarmos lá encontramos somente um rastro de poeira. Me lancei na estrada, porem não consegui, de jeito algum, encontrar o rastro de seja lá quem for que estava na moto, eu realmente esperava que fosse a garota, pois não conseguia imaginar o que havia acontecido com ela depois que entrou na floresta.


– Vamos, Edward, reunião de família – Jasper tocou o meu ombro, foi ai que eu percebi que ainda olhava para a estrada tentando imaginar o que havia acontecido com a garota do arco.

– Agora que o Edward se juntou a nós, temos que decidir o que faremos: continuamos aqui ou partimos? – A proposta de Carlisle me deixou em dúvida, e agora: ir embora e manter o segredo da nossa família seguro ou ficar e descobrir o que aconteceu com a garota?

– Começando por você Edward, qual é o seu voto? – Eu não sabia dar uma resposta para a simples pergunta do meu pai. Por várias e várias décadas eu apenas sobrevivia sem nenhum pingo de vontade de viver, mas agora, com aquela garota que teve a coragem de encarar 7 vampiros sozinha, eu sentia a necessidade de existir, nem que fosse por somente algumas semanas, tudo isso apenas para saber o que havia ocorrido com ela.

– Meu voto é para ficarmos – Misteriosa garota do arco: prepare-se para não ser tão misteriosa assim.

– Eu também quero ficar – Alice se pronunciou. Discretamente ela lançou um sorriso para mim “Pode contar com a minha ajuda”

– Eu fico na onde Alice estiver – Jasper abraçou a Oompa-Oompa vampira.

– Vocês estão loucos? Ela sabe do nosso segredo, nós temos que sair daqui agora, antes que se espalhe! – Rosalie explodiu.

– E nós vamos para onde? Para os Denali? Desculpa Rose, mas essa não colou, a garota não vai contar, ela sabe que ninguém vai acreditar – Nem fudendo eu vou voltar para Tânia.

– E como você tem tanta certeza disso? – Rosalie ficou cara a cara comigo

– Rose, você já se esqueceu do poder do Ed? Queridinha... ele lê mentes – Alice interviu.

– Já chega! Rose, qual é o seu voto? – Esme não estava muito bem, foi a primeira vez que eu ouvi-a erguer a voz.

– Irmos, é claro – Ela ergueu o queixo.

– Emmett? – Carlisle retomou o controle

– Irmos – Emmett demorou bastante para responder, na sua mente eu vi que ele queria ficar, mas decidiu não magoar Rosalie.

– Esme? – Meu pai virou-se para a minha mãe. Esme olhou em volta e para nós, então se decidiu.

– Ficarmos – Eu tentei, mas não consegui esconder o meu sorriso.

– Emmett e Rosalie, desculpem-nos, mas são 5 votos contra 2. Nós ficaremos. – Rose deu um rosnado e voou para pegar as suas malas, nos olhando com raiva, ela entrou, quebrando fechadura e tudo.


Emmett olhou cansado para nós, suspirou e então entrou dentro da nossa nova casa. Lá vai ele tentar acalmar a loira furacão.


– Que comitê de recepção animado! – Alice balançou os ombros como se estivesse dançando salsa. A olhei tentando me manter sério, mas tudo o que consegui foi acabar gargalhando.


– Alice, pare de fazer isso, você parece uma largatixa se retorcendo – Eu disse em meio aos risos. Esme tentou prender a risada, mas também não conseguiu, Carlisle foi o próximo, Jasper olhava para os lados sorrindo discretamente.

– Eu não pareço uma lagartixa! – Ela me olhou feio – Não é Jasper? – Ela se virou para o seu namorado – Vamos, diga: eu pareço uma lagartixa? –

– Só um pouquinho – Ele fez um sinal com o dedo indicador e dedão, demonstrando o seu ‘um pouquinho’. Cara, ele é louco?

– Você me paga, Jasper! – Ela fechou a cara, pegou as suas malas e correu para dentro de casa. Naquele momento eu fiquei com pena dele.

– Alice, eu estava brincando! – O vampiro de cachinhos correu atrás da sua namorada.

– E você, Esme, também não quer fazer uma ceninha? – Carlisle abraçou a minha mãe.

– Ah, não, eu prefiro deixar isso para as meninas – Minha mãe deu um selinho em Carlisle – Vamos entrar? Ainda temos que dar a grande noticia.

– Que notícia, mãe? – Eu fiquei curioso

– Vocês têm aula amanhã – Foi como se ela tivesse jogado um balde de água fria em mim.

– Então a tortura diária já começa amanhã? Que demais – Dei um soquinho para cima debochando. E para piorar, estamos no meio do ano. É para pular de felicidade, não?

– Edward, você sabe... – Lá vem o meu pai com lição de moral

– Sim, pai, eu sei – Peguei as minhas poucas malas e entrei em casa.


E como eu sabia.



POV/ BELLA

Forks está sendo mais legal do que eu imaginava, eu não fiz muitos amigos, mas a pessoas que eu mais gostava dali era Ângela. Ela está tendo problemas em algumas matérias, então eu estou passando grande parte do meu tempo lhe ensinado, voltando pra casa somente à noite.


As minhas semanas prosseguiram assim: escola, casa, casa da Ângela, e casa novamente. Finais de semana e feriados? Um bom livro e chá resolviam. Eu não podia me acostumar com essa vida humana, eu tinha que sempre estar preparada para pegar as minhas coisas e dar um jeito. E não era em uma festa ou me drogando que eu iria conseguir fazer isso.


O mais difícil que me aconteceu em Forks foi a minha matricula. Difícil não é bem a palavra certa, ela somente me deu um pouco de trabalho.



Flashback on

No inicio da semana seguinte eu fui fazer a minha matricula. Já tinha todos os meus documentos falsificados, aquilo seria moleza.


Amaldiçoe-me por chegar naquele horário. Era hora do intervalo e qualquer ser que estava no pátio me acompanhou com os olhos até eu estacionar, eles se perguntavam sobre quem seria o misterioso condutor do incrível carro que ali se movia. Muitos já tentavam arranjar alguma estratégia para chegar junto a mim, pois somente alguém muito rico para dirigir um carro top de linha como aquele. Revirei os olhos: patético. Dei uma última retocada na maquiagem ainda dentro do carro e, após ver tudo no lugar, desci, mas desci como se tivesse acabado de sair de uma limusine na frente do tapete vermelho do Oscar.

Depois dessa entrada triunfal ninguém deixou de me olhar, as mulheres com inveja e os homens com malícia. Ironicamente começou a tocar uma musica no celular de alguém, sorri ao ver a musica que era: Promíscuos girl. Já que estou na chuva, por que não brincar nela? Joguei meu cabelo pro lado sensualmente e continuei andando. Sem tirar, é claro, do meu rosto um pequeno e misterioso sorriso. O que fez alguns homens ali presentes pirarem, se é que me entendem.

Ao abrir a porta da secretaria, eu escutei vários suspiros, o que fez o meu sorriso se alargar. Após adentrar naquela minúscula saleta e fechar a porta, eu avistei uma velha senhora com o cabelo vermelho desbotado – precisando de uma nova pintura, urgentemente – com um sorriso gentil.

– Olá! Em que posso servi-la? – “ Meu deus, será que ela é uma modelo?”

– Oi, eu queria me matricular aqui. – Respondi tranquilamente

– Sim, claro... Posso ver os seus documentos? – Ela perguntou enquanto remexia em alguns papéis. “Cadê os papeis de matriculas?”

Peguei rapidamente os meus documentos falsos, que estavam na minha bolsa, e lhe dei.

– Er... Querida, onde estão os seus pais? – Ela estava constrangida. “Os pais dessa menina devem ser lindos!”

– Ah, eles estão viajando, então eu vim pra cá morar com os meus tios – Dei o meu melhor sorriso. Se ela soubesse...

– Sim, querida, mas eu preciso que eles venham aqui pessoalmente – Ela olhou pra cima, encontrando os meus olhos. “ Será que eles estão fazendo algum filme?”

Meu sorriso desapareceu, minha mente começou a formular a imagem de um homem semelhante a mim, ele assinando os papeis e conversando com ela. Então dirigi para a sua falha mente humana.

– Meu pai já veio e conversou com a senhora, se pensar um pouco, você se lembrará – Sorri angelicamente.

Seus olhos ficaram sem foco e, aos poucos, começou a surgir um sorriso em seus lábios.

– Claro que me lembro dele, querida, desculpe pela pergunta – Sua voz era demente

Quando a velha senhora terminou de dizer aquilo eu retirei o meu poder, deixando-o com um olhar confuso.

– O que eu estava fazendo mesmo? – “ Ai, minha cabeça!”

– A senhora estava me passando os horários das aulas – Fui carinhosa.

– Ah sim, só um minuto que eu já termino aqui – A velha senhora ruiva voltou a organizar os documentos.

3 minutos depois ela terminou e, finalmente, me entregou os horários.

– Você pode começar amanhã, querida – Por que os velhos tem essa irritante mania de chamar os mais jovens de “querido” ou de “filho”? Eu mal a conhecia!

– Obrigada, tchau – Dei o meu sorriso treinado

Ela murmurou um de nada, porem eu já estava fora da secretaria, graças a algum deus, havia ninguém no pátio, assim eu pude voltar tranquila pra casa. Antes de ir eu reparei que tinha muitos carros velhos no estacionamento. Soltei um sonoro suspiro e me programei de ir comprar algo mais... popular, por assim dizer.

Fim Flashback

– BELLA! – Ângela já estava se esgoelando.

– Ham...sim? – Eu estava meio ausente

– Isabella Marie Swan, nunca mais me de um susto com esse! – “Essa menina quer me matar antes dos 18? Eu ainda sou virgem!”


A olhei com as sobrancelhas franzidas, segurando o riso. Ela suspirou.


– Você estava em que mundo Bella? Faz 5 minutos que eu estou te chamando e você fica ai olhando para o nada – Eu estava no mundo dos foragidos, baby.

– Oh, desculpe Ang, eu só estava pensando – E começa o interrogatório.

– Meu Deus, você pensa! – Ela tampou a boca com as duas mãos e arregalou os olhos. Dois segundos depois e ela estava se matando de tanto rir. Não é por nada não, mas em que raios de lugar ela achou graça naquela velha e batida piada?

– Que engraçado, eu to morrendo de tanto dar risada – Estreitei os olhos.

– Foi mal, Bella. Eu não pude resistir – Sorriu se desculpando. Tentei ficar com a cara fechada, mas Ang é a minha melhor amiga, e eu não iria brigar por uma besteira como essa.

– Está desculpada – Empurrei a minha cadeira para trás, dando espaço para eu espichar as pernas.

– Que bom, pois se não eu teria que contar para a minha mãe o que eu descobri lá no colégio e, acredite, eu começo a me sentir uma retarda já segunda frase só pelo o jeito que ela me olha – Ângela estava realmente feliz.

– Fale logo: o que descobriu? – Eu tentei ficar animada, mas os humanos se preocupam e se impressionam com tão pouca coisa.

– Descobriram que o senhor Molina estava desviando dinheiro que deveria ir para a comida do nosso refeitório, como um professor consegue ter acesso a esse dinheiro? Eu não faço idéia. O fato é que já tem um mandato de prisão contra ele e que amanhã teremos um novo professo de biologia – Simulei que estava surpresa. Quem ela acha que o denunciou?

– Que horror, Ângela! – Já disse que eu poderia ser atriz?

– Sim, mas prepare-se que tem mais. Eu também descobri que entrarão mais 6 alunos – Espera um pouco, eu não sabia disso.

– Ângela, como foi que você soube de tudo isso? – Confesso, eu fiquei curiosa.

– Eu tenho as minhas fontes – Sorriu misteriosa, estufando o peito.

– Ang... – Meu tom demonstrava que eu não estava acreditando nela.

– Ah, tudo bem! Eu caí na frente da secretaria e escutei as secretárias conversando – Ela perdeu a pose. Foi a minha vez de rir dela.

– Bella, para! – Eu respirei fundo e me controlei.

– Tudo bem, chega de fofocas, vamos ao que interessa: que parte da 3° Lei de Newton você não entendeu? – Ei, eu estava ali principalmente para ajudá-la e não conversar. Sim, eu sou um desastre como adolescente humana.


Algumas horas depois e eu finalmente consegui fazer Ângela compreender o que eu falava, também, como se faz alguém entender algo se ela esta pensando em outra coisa? Eu acho que isso também vale para o amor. Eu sei, andar com os humanos está me afetando.


Despedi-me de Ângela e montei na minha moto. Sei que falei que iria comprar algo mais modesto, mas quanto botei os olhos nela, eu não resisti, foi como amor a primeira vista. É de dar dor no coração deixar guardado o meu Camaro na garagem, mas fazer o que, neh?


Eu estava a toda por hora nas pequenas e vazias ruas de Forks, andar de moto me remitia a voar de vassoura, dava para sentir o vento batendo, o solo sumindo debaixo de mim, tudo era mágico.


Eu havia dito que andar de moto sempre era mágico. Hoje não foi.


No momento em que eu virei na trilha que levava para a minha casa, um mal-estar me bateu. Alguma coisa estava errada, muito errada. Parei de uma vez a moto na borda da floresta. Eu tinha visitas. O cheiro repugnante de vampiros me abateu no instante que eu tirei o meu capacete. Como eu pude ter sido tão descuidada e não os ter visto chegar? Inferno! Era só o que faltava na minha vida! Estou deixando para trás todo tipo de criaturas sobrenaturais e acabo recebendo visita de algumas. O mundo está perdido mesmo. Deixei o meu capacete no guidão da moto e tirei a minha mochila, dentro dela eu pude ver, entre cadernos, estojos e porções, a minha espada e o meu arco. Qual dos dois eu levo?


Vampiros malditos! Enfiei com raiva a minha mão dentro da mochila e tirei de lá a primeira coisa que eu toquei. Ergui as sobrancelhas quando vi que era o meu cesto de carregar flechas. Arco, meus parabéns, você é o escolhido da noite. Tirei-o de dentro da mochila, fechei-a e a coloquei em cima do banco da minha moto, gastei mais alguns segundos jogando encantamentos em volta dela e, finalmente, entrei na floresta.


Armei o meu arco com uma flecha feita por mim mesma, ela é composta por cinzas de vampiros fundida em prata liquida e salpicada com algumas gotas do meu sangue. Nojento? Muito! Mas não há, no mundo, uma arma mais poderosa. Apontei a ponta da minha flecha para baixo e, como se eu fosse parte da própria floresta, eu comecei a me mover sem fazer um trisco de barulho, quanto mais eu me aproximava da minha casa, mais tensão eu sentia, aquela floresta estava vazia, nem os irritantes grilos estavam ali incomodando. Eu poderia estar feliz por ter me livrado deles, mas não estava. Os grilos faziam parte da floresta e eles não estando nela significa que algo de muito maligno está no local, tão maligno que todos os animais estavam fugindo.


Não demorou muito e eu logo vi a corja de vampiros, sim, eu tinha conhecido várias espécies de vampiros amigáveis e sensatos, mas, daquela raça a poucos metros de mim, nenhum foi capaz de demonstrar algum tipo de sentimento, eles eram feitos de um material quase indestrutível e era desse material que eu fazia as minhas pontas de flechas. Que ironia, eles irão morrer por eles mesmos.


Ainda na sombra, eu os avaliei, três deles tinham poderes: previsão do futuro, controle de emoções e leitura de pensamentos. Todos inúteis contra mim. Ergui o meu arco e estava pronta para lançar a minha flecha no vampiro que lia mentes, quanto eu hesitei. Eles se moviam com tanta calma e não feitos malucos sedentos, andavam em grupo demonstrando um vinculo que muitos humanos não conseguiriam, mas o que me deixou mais impressionada foram os seus olhos dourados e não vermelhos. Depois daquela avaliação uma coisa não saia da minha cabeça: será mesmo que eu tenho o direito de matá-los sem um julgamento?


Eu sair das sombras e me revelar foi a minha resposta para a tão impertinente pergunta.


– Parem agora e se virem lentamente. Qualquer movimento brusco eu atiro, e vocês não vão gostar nada disso. – Eu poderia ter dado a chance deles terem um julgamento, mas isso não me faria abaixar a guarda. Nunca.


Esperei, até mesmo pacientemente, eles se virarem. Cada um tinha um pensamento mais absurdo que o outro:


“O mais sensato a fazer é dar o que a jovem quer e deixá-la ir embora, assim ela não se machucará”

“Ainda bem que essa humana desgraçada apareceu, agora eu posso jogar na cara de todos um motivo para voltarmos aos Denali”

“Que blusa linda! De qual coleção será? Amanhã mesmo eu tenho que ir as compras!”

“Eu não sinto os sentimentos dela. É impossível ela não estar sentindo nada, será que eu estou perdendo os meus poderes? Não, eu estou sentindo os dos outros, é apenas como se ela não estivesse ali”

“Ela é tão jovem e já está metida nesse caminho tão ruim! Onde estão os pais dessa criança?”.

“Um contato visual será o suficiente para eu conseguir ler os seus pensamentos... Será que deixaram a porta do manicômio aberta?”

“cri...cri”


Afastei os pensamentos deles e me preocupei com os meus, eu estava pronta para abrir a boca, quando o vampiro presunçoso me chamou de louca outra vez. Eu não gostei nadinha daquilo.


– Me chame de louca mais uma vez, e eu arranco a sua cabeça fora – Aquela acusação era séria, eu arrancaria mesmo e pros quimba o julgamento.


Pelo o canto de olho eu percebi uma movimentação.


– De mais um passo, loirinho, e a sua cabeça rola junto com a dele – Ele estava pensando que eu era somente uma humana maluca com um arco. Eu estou começando a me arrepender.


O vampiro que parecia um armário também quis aproveitar a minha distração.


Para mostrar que eu não estava brincando, eu mirei a minha flecha no solo um pouco à frente do pé do vampiro, então eu soltei a corda. Antes mesmo que a minha flecha chegasse ao chão, eu já a havia reposto.


– Eu estou falando serio, se mexam e eu acabo com as suas existências miseráveis – Rosnei


Eu percebi que eles estavam começando a cogitar a possibilidade de eu não ser apenas uma simples ameaça. Ótimo, os vampirinhos estão entendendo.


– Espero que tenham entendido que eu estou falando serio. Você, o líder – Mirei para o vampiro mais velho e sensato dali. Caso ele não fosse o líder? Foda-se – O que vocês estão fazendo na solitária Forks? –

– Nós vamos morar aqui. Agora, por favor, minha jovem, abaixe essa arma, você pode levar o que quiser – Me segurei para não rir. Morar? Como se vampiros conseguissem viver como humanos. Espere, ele disse mesmo para eu abaixar o meu arco? Ele deve estar brincando.

– Você acha mesmo que eu vou abaixar a guarda com vampiros imundos como vocês por perto? Isso é um uma piada, não é? – Não aguentei e gargalhei, a minha gargalhada foi estranhamente cruel até mesmo para os meus ouvidos. Rapidamente a interrompi.

– Não estou de brincadeira, se vocês vieram aqui para fazerem um lanchinho, podem ter certeza que irão para o inferno com fome. Na minha cidade, ninguém toca nos humanos – Desculpe vamps, mas acabaram as suas chances. Ajeitei a minha mira.

– Espere, não é nada disso que você esta pensando – A vampira mais baixinha de todos ali se meteu na frente o meu alvo. Eu apenas não atirei de cara pela coragem da vampira.

“O que ela esta pensando? Me ajude!” – Tadinha, ela estava pedindo ajuda.

– Ele não pode te ajudar, na minha mente ninguém entra – Eu dei um sorriso que não parecia um sorriso.

– Criança, você precisa de ajuda. Essas coisas de vampiro não existem, são apenas mitos – Lancei um olhar maligno para aquela vampira mais velha; ela realmente me chamou de louca? O líder, muito esperto, vendo o meu olhar, a puxou para trás dele.

– Tudo bem, me diga onde você mora que nós ligaremos para os seus pais, fique tranquila, nós só pediremos para eles virem te buscar. Minha jovem, você precisa descansar, amanhã você verá que tudo isso foi só uma coisa da sua cabeça – Eu comecei a sentir muita raiva.

– Mas que porra! Eu estou a um ponto de matar vocês e mesmo assim não me levam a serio. Essa é a última chance: me digam um porque para mim não gastar as minhas flechas nas suas cabeças – Eu sentia uma veia saltando na minha têmpora.

– Nós somos uma espécie de vampiros vegetarianos, nos alimentamos de apenas animas – O vamp que lia mente se dirigiu a mim. Eu parei e vasculhei a sua mente. Na sua cabeça eu os vi por décadas vivendo com uma família, vi-os caçando animais e, contradizendo tudo o que eu acreditava, os vi convivendo amigavelmente com humanos.


Acabei abaixando o meu arco. Eu fui uma idiota tratando eles daquela maneira, os vamps, desde o começo, estavam falando a verdade. Quem diria, eles têm sentimentos.


– Me desculpem por isso, mas eu não poderia deixar ninguém dessa cidade se ferir, o meu... – Eu realmente tentei me desculpar, mas uma dor, que eu nunca senti na vida, me atingiu.


Sem me conter eu comecei a gritar, parecia que alguém havia posto a mão dentro do meu corpo e começado a tentar mudar os meus órgãos de lugar, os meus ossos pareciam que queriam abandonar o meu corpo, da minha cabeça brotava a mais aguda dor. A Maldição Crucio parecia apenas um beliscão perto de tudo aquilo. Cai no chão sem conseguir controlar os meus sentidos. Dor: tudo se resumia a isso. Ainda me contorcendo, eu comecei a senti gosto de sangue da minha garganta, os meus miolos, os meus órgãos e os meus ossos pareciam estar disputando quem sairia do meu corpo primeiro.


Céus, por que ninguém me mata?!


Num momento em que eu não lembro o certo, a dor acabou. Eu havia morrido? O som das minhas arfadas diziam que não. Virei de barriga para baixo e, de um jeito que eu não lembro, eu levantei, o ódio naquele momento me cegava e me dava forcas. A primeira e única coisa que eu vi foi o meu arco, rapidamente o peguei e armei-o, então olhei para dentro da floresta. Eu estava com tanta raiva que parecia que os meus poderes tinham ampliado e, sem vê-lo, eu senti a presença de alguém dentro da floresta.


Seu desgraçado, você me paga. Soltei a minha flecha, ordenando-a a acertá-lo, e comecei a segui-la. Eu queria matar o bastardo com as minhas próprias mãos.


Correndo desenfreadamente, eu, de um jeito que não consigo entender, a perdi de vista. Rosnando eu parei no meio da floresta, girei em torno de mim mesma tentando descobrir para onde a minha flecha tinha ido e se havia encontrado o desgraçado.


Estava pronta para seguir pelo o norte, quando a pior dor eu havia sentido na vida me soqueou. O que eu senti antes foi ruim, mas essa foi mil vezes pior.


Era uma dor que eu nunca tinha sentido antes: a dor que parecia vir de mim mesma e, ao mesmo tempo, de todas as partes, cada órgão do meu corpo, cada músculo, cada nervo, cada osso, soltando um tipo diferente de dor. Na minha cabeça eu escutava o grito mais apavorante que eu já tinha escutado, meu corpo girava e se contorcia no chão. Pare, por favor! – Eu solucei.


Não parou.


Senti algo se infiltrando dentro do meu peito e, por alguns segundos ou horas, eu perdi a consciência. Abri os meus olhos, virei a cabeça para o lado e cuspi uma enorme bola de sangue, aquela intensa e repentina dor havia sumido, mas outra tinha entrado em seu lugar e cada batida do meu coração ela aumentava. Levei a minha mão para o meu peito e encontrei uma espécie de estaca fincada. Quase desmaie de agonia. Fechei os meus olhos com força e agarrei seja-lá-o-que-for com as minhas duas mãos, tentei respirar profundamente, mas não consegui chegar nem perto, sem pensar muito, eu puxei de lá. Sufoquei um novo grito na minha garganta.


Numa tênue fina entre a morte e a vida, era ai que eu estava. Depois veio a dormência, e isso me preocupou. Muito. Eu me sentia sendo levada, meus olhos estavam terrivelmente cansados. Então é assim que eu irei morrer? Depois de tudo o que eu passei e enfrentei? Depois de todos os inimigos que eu derrotei e todos os amigos que eu conquistei?


Não, não era.


Com um gemido de agonia eu tentei levantar, é claro que eu não consegui. Eu sentia o buraco no meu peito cicatrizando, mas eu estava fraca demais para alguma coisa instantânea. Tentei novamente, só para cair de cara no chão. Eu estava prestes a fazer uma terceira tentativa, quando escutei passos vindos para a minha direção. Vampiros desgraçados! Segurei o meu arco com a mão esquerda e usei o meu ultimo resquício de força e finquei as minhas unhas da mão direita no chão, forcei os meus músculos e rastejei alguns centímetros, finquei novamente os meus dedos e me lancei para frente. Eu sentia os galhos se fincando nas minhas roupas e rasgando-as, os meus olhos pesavam, tudo estava contra mim. Ergui minimamente a cabeça e vi a minha tão abençoada moto, faltava pouco para eu chegar até ela, também faltava pouco para aqueles vampiros me alcançarem, vai saber o que eles fariam a mim? Eu sabia de mais, eu os tinha ameaçado... eu tinha feito inimigos.


Rastejei mais uns poucos metros e finalmente alcancei o meu meio de transporte. Ela, graças a algum deus, estava perto de mim. Vocês podem chamar isso de sorte, eu discordo, se eu realmente tivesse sorte, eu não estaria tendo que rastejar floresta à dentro. Soltei o meu arco no chão e me segurei na minha moto, com a ajuda dela, eu consegui ficar de pé. Eu me sentia anestesiada, as minhas pernas nem tinham forças para me suportar. Ainda se apoiando na moto, eu peguei o meu arco e, de um jeito que eu não lembro, o enfiei, junto do cesto, dentro da minha mochila, com as mãos tremendo, eu fechei o zíper.


Passei a mochila pelas minhas costas, coloquei o meu capacete no meu braço – eu não tinha tempo de o por na minha cabeça – e, com uma força que eu não lembrava que tinha, eu tombei a moto e passei a minha perna do outro lado, então, novamente fazendo uma força descomunal, eu a coloquei no lugar. Sem perder tempo, eu a liguei, o barulho do motor da moto me fez encolher, quase desmaiando, eu a manobrei e coloquei de volta na estrada.


Acelerando o máximo que podia, eu me mandei dali.



POV/ NARRADOR


Não muito longe dali, uma sombra raivosa se movia.


Ele estava muito furioso, a sua missão era de matá-la, mas não conseguiu, ele fora fraco e se odiava por isso. O homem olhou para o seu ombro e notou que a flecha que a garota havia soltado ainda estava ali fincada; que arma era aquela? Anos de testes e nada foi capaz de acertá-lo e agora uma simples flecha fora o suficiente para entrar na sua carne. Com ainda mais ódio, ele a tirou dali, sabendo que rapidamente o ferimento se fecharia, contudo, não fechou. Rosnando, ele rasgou um pedaço da sua camisa e amarrou no ombro para estancar o sangramento.


Eles a treinaram bem, mas ela é um modelo ultrapassado, eu sou a mais nova arma da Secrets e a minha primeira missão é muito fácil. Então porque eu falhei?! – Ele pensava.


O homem a seguiu por vários condados, mas ela sempre mudava de lugar e isso não o ajudava. Porem, a desgraçada cometeu o erro de se instalar em um único lugar. Um erro de principiante. Ela achou mesmo que eles nunca a encontrariam?


Não demorou muito e ele já tinha saído da floresta, na velocidade em que se movia, tudo era rápido. O sujeito chegou ao seu esconderijo e, antes de tudo, foi escrever o seu relatório para a Secrets. Mencionar que havia falhado não era uma opção, então rapidamente começou a bolar um plano. A seguiria e a entenderia, então a levaria de volta para a base, lugar de onde ela nunca devia ter saído. Depois disso era só eliminá-la.


Um pouco mais satisfeito, ele se arrumou para dormir. Amanha começaria o plano b.



POV/ BELLA

Depois de vários quilômetros eu parei. Encostei a moto e finalmente respirei decentemente, o que foi tudo aquilo? Um pouco mais aliviada, percebi que eu poderia mexer novamente as minhas pernas.


Céus, o que aconteceu comigo? Que poder era aquele? Por que os meus escudos falharam? Eram bastantes perguntas, mas as que me atormentavam mais eram: quem teria aquele poder? E por que estava me atacando?


Senti o cansaço me batendo. Eu tinha que voltar para casa. Sim, ela estava cheia de vampiros por perto, mas eu precisava dela, eu precisava ficar de olho neles e o principal: eu precisava urgentemente apagar as evidencias que deixei para trás.


Coloquei o meu capacete, manobrei a minha moto e voltei pelo o caminho de onde eu vim. Na onde eu estava? Não faço idéia. Em todo o caminho pensei em um plano. Eu, primeiramente, não os poderia pegar quando estivessem todos juntos. Eu não estava recuperada o suficiente para isso. Segundo, sei que é errado, mas eu terei de dar um jeito neles.


Que algum deus me ajude. – Pensei quando vi a trilha que levava para a minha casa. Parei a minha moto novamente na beira da floresta e comecei a seguir a pé. Não levei nenhuma arma, eu esperava não precisar delas. Não demorou muito e eu vi a casa dos vampiros. Sorrateiramente, eu me aproximei dela, pedi para o ar disfarçar o meu cheiro enquanto eu escalava até uma das janelas da casa.


Travei o maxilar e, tentando fazer nenhum barulho, abri a janela daquele quarto. Eu escutei movimentos vindos do closet, ótimo, tem alguém aqui. Entrei no local, deixando a minha entrada para a casa aberta, me abaixei do lado da cama e pedi para o elemento ar mandar uma rajada de vento.


Seja quem for que estava no quarto, veio fechar a janela. Quando passou por mim, eu vi que era a vampira baixinha de cabelos curtos. Ela ficou de costas para mim e, no momento em que colocou a mão no elaborado vidro, eu me levantei e fiquei atrás dela. A vampira percebeu o meu movimento e se virou. Mas era tarde de mais.


Coloquei uma mão na sua boca, enquanto a outra segurava a cabeça da vampira, forçando-a a olhar para mim. Ela até tentou se mexer, mas eu era bem mais forte. Ainda olhando profundamente nos olhos da garota, eu comecei a operação lavagem cerebral.


“Você e a sua família chegaram aqui, olharam a casa ao lado, comentaram sobre ela e discutiam se quem morava ali seria um problema, vocês decidiram que não. Então entraram em seu domicílio” – Eu mandei para a mente dela, sem ter nenhum espaço para erro, eu vi o que eles tinham feito quando entraram, quase ri quando vi que o líder havia anunciado que eles iriam para a escola amanhã. Isso só pode ser brincadeira. Respirei e terminei o meu trabalho com a pequena vampira. “Você escutou o seu pai falar que vocês terão aula amanhã, então você entrou no seu quarto e foi arrumar a sua roupa para ir ao colégio. Você nunca me viu” – Fechei os olhos dela e a virei para a janela, soltei a vampira e, antes que ela voltasse ao “normal”, eu saí do quarto.


Próximo.


Sim, foi uma audácia eu sair pela porta, mas eu estava com pressa. Como um vulto, eu abri e fechei a porta do quarto mais próximo. Quase cai quando vi um enorme vampiro nu deitado na cama. Céus, o que era aquilo?! Balancei a minha cabeça e voltei para a minha missão. Como uma sombra, eu fui para o lado em que ele estava na cama – sim, eu tentava não olhar para aquilo – e antes que ele notasse a minha presença, eu tampei a sua boca e virei o seu rosto para mim. Ele agarrou o meu braço e estava pronto para me lançar janela a baixo, quando os olhos dele me encontraram.


“Pare!” – Eu ordenei e, como um cachorrinho, ele obedeceu. “Você e a sua família chegaram aqui, olharam a casa ao lado, comentaram sobre ela e discutiam se quem morava ali seria um problema, vocês decidiram que não. Então entraram seu domicílio. Você escutou o seu pai falar que vocês terão aula amanhã” – Usei a mesma coisa que eu havia usado com a outra vampira, então vasculhei a mente dele. Eu quase vomitei com o que eu vi ali. “Então você subiu para o seu quarto junto com a sua vampira, ela foi tomar banho e você ficou nu na sua cama esperando ela” – Simplifiquei aquilo o máximo que eu podia. “Agora você virará para o outro lado da cama, fechará os olhos e só vai abri-los depois de 10 segundos. Você nunca me viu”.


Soltei a boca dele e, como eu ordenei, ele se virou e fechou os olhos. Antes mesmo de dar o 2, eu já estava dentro do banheiro.


– É você ursinho? – A vampira fez uma voz manhosa.


Com o coração saltando, eu entrei dentro do box onde ela estava e fechei a sua boca. Foi incrível o quão rápida eu fiquei molhada pela a água que descia. Aquele chuveiro era bom, eu precisava de um daqueles. Larguei de besteira e voltei ao meu trabalho. Girei para mim a vampira e também a olhei no fundo dos seus olhos.


“Você e a sua família chegaram aqui, olharam a casa ao lado, comentaram sobre ela e discutiam se quem morava ali seria um problema, vocês decidiram que não. Então entraram seu domicílio. Você escutou o seu pai falar que vocês terão aula amanhã” – Eu precisava ser rápida – “Você subiu junto do seu marido e foi para o banheiro. Volte ao seu banho. Você nunca me viu” – Deixei a vampira de costas para mim e sai do box.


“Fogo, seque a água que está em mim e a que eu pinguei no chão” – Pedi por pensamentos e rapidamente eu estava seca. “Obrigada, Fogo” – Sem perder mais tempo, sai do banheiro. Assim que notei que o vampiro musculoso já estava no 8, eu voei porta à fora.


Cá entre nós, eu realmente não esperava o que aconteceu a seguir. Fechei a porta sem barulho algum e me virei para o corredor, nesse exato momento o vampiro loiro com cara de dor acabava de pisar no ultimo degrau. E agora? Sem conseguir pensar direito, eu corri para cima dele. O vamp nem deve ter sentido eu chegar. Como todos os outros, eu o agarrei e tampei a sua boca, então, assim que os seus olhos frios encontraram os meus, eu mandei para a sua mente tudo o que eu havia mandado para os outros. “Agora, você continuará andando e entrará no seu quarto, lá você irá perguntar para a sua esposa qual roupa ela separou para você” – Era exatamente isso que ele planejava fazer, então eu apenas dei um lembrete. Eu sou boazinha, não? “Você nunca me viu” – Destampei a sua boca e encostei-me na parede. Ele passou por mim como se eu fosse apenas parte da decoração.


Olhei para o resto do corredor e vi duas portas. Entrei na que estava mais perto.


Eu pensei que tudo o meu plano iria para o buraco quando vi os dois vampiros que aparentavam ser os mais velhos ali no quarto. A mulher estava olhando um vaso de flor que tinha ali no quarto e o homem olhava para mim. Meus instintos me dominaram, corri para o vampiro numa velocidade que até mesmo eu seria incapaz de acompanhar com o olhar, e o agarrei, tampei a sua boca e o levei junto comigo até onde estava a vamp, a peguei com a minha mão livre e a joguei, junto do outro vamp, em cima da cama. Voei para cima deles, tampei-lhes a boca e comecei o meu trabalho.


“Silêncio” – Eu olhava de um para o outro. “Não se mexam” – Eles pareciam estátuas assustadas. Também mandei para eles o meu texto básico. “Você reuniu todos os da sua família na sala e os informou que os havia matriculado na escola local, explicou para eles que aquilo era preciso e, depois disso, você e a sua vampira subiram para o quarto de vocês” – Eu mandei para o vamp. “Você escutou tudo o que o seu marido tinha para dizer e então subiu para o quarto junto dele” – Olhei no fundo dos olhos da vamp. “Vocês se virarão e se beijarão” – Eu tinha que dar um motivo para o barulho deles caindo na cama. “Vocês nunca me viram” – Destampei a boca deles e me afastei.


Conforme eu planejei, os dois começaram a se beijar, me ignorando ali. Sem perder tempo, eu corri para o ultimo quarto.


Também entrei nesse quarto sem fazer barulho algum e me aproximei do vampiro de cabelos cor de cobre. Ele estava sentado em seu sofá, de costas para a porta, no seu colo estava apoiado um caderno, ele desenhava como se o futuro do mundo dependesse daquele desenho. Me aproximei sorrateiramente, não nego, eu estava curiosa para saber o que ele tanto rabiscava a folha. Arregalei os olhos quando vi o que era.


O vamp estava me desenhando. Se fosse uma foto, aquele desenho não seria tão real. Eu estava sendo desenhada com o meu arco, até a minha expressão de ódio estava ali sendo repassada. Era tão perigosamente perfeito, que chegava a dar calafrios.


Parei de olhar o desenho e continuei a minha missão. Peguei a cabeça do vampiro e a puxei para trás, ele caiu deitado no seu sofá de couro, antes mesmo dele senti o impacto, eu já havia encontrado os seus olhos. As orbes douradas estavam mais do que arregaladas. Como de praxe passei a historia padrão. “Então você subiu para o seu quarto e...” – Eu não podia falar que ele estava me desenhando. Pensa, Bella! Olhei em volta do quarto. Já sei. “Você foi colocar um cd e depois for ler um livro” – Eu escutei passos vindos do corredor. Era a vampira baixinha trazendo a roupa do vampiro que eu estava segurando. “Você nunca me viu” – O coloquei de pé, arranquei a folha do desenho, corri para a porta de vidro e a abri, a qual, por algum milagre, estava destrancada. Voei jardim a fora.


Primeira parte da missão: comprida.


Antes de entrar na floresta, eu ajuntei do chão a flecha que eu havia soltado como aviso, então comecei andar em rumo da minha moto. Começava agora a segunda parte. Quando cheguei à minha Ducati, olhei para as minhas roupas e para o meu estado, é, eu tinha que dar um jeito nele. Joguei um feitiço de reparação na minha blusa rasgada e tentei ajeitar os meus cabelos com as mãos, soltei um suspiro e subi no meu veiculo, joguei a flecha dentro da minha mochila, arrumei o meu capacete e liguei a moto. Era à hora de eu conhecer “os meus novos visinhos”.


Tentando parecer normal, eu entrei na pequena trilha que levava até a minha casa. Forcei um ofego de surpresa e parei a minha moto na frente da casa que estranhamente estava ocupada. Eu realmente preciso ir para Hollywood fazer um teste.


Desci da minha moto, arrumei novamente o meu cabelo, segurei o meu capacete em uma das mãos e andei os poucos metros até a porta da casa. Eu estava prestes a apertar o botão da campainha quando vi que tinha esquecido de tirar os meus escudos mágicos em volta da casa. Aquilo seria perigoso, mas necessário. Menos de um segundo depois e eu já os havia retirado. Sem mais delongas, eu apertei a campainha.


Mais devagar do que eu julgava possível para os vampiros, a vampira anã veio me atender. Forcei um sorriso de surpresa.


– Oi, eu moro aqui do lado. – Estendi a mão. Sim, eu a estava provocando.

– Olá! Meu nome é Alice. Entre, assim podemos conversar melhor – Eu tenho que admirar a sua esperteza. Sim, ela apertou a minha mão, pois esta mesma dela estava com luvas. A vampira me abriu passagem.


Bem vindo ao covil dos vampiros. Só faltava essa plaquinha na entrada do hall.


– Como é o seu nome? – Parei de observar a casa e prestei atenção na pergunta da pequena vampira.

– Isabella, mas eu prefiro Bella – Tentei ser breve. Céus, esse lugar me da uma espécie de arrepios. Mesmo morando todo esse tempo próxima a ela, eu nunca havia sentido vontade de explorá-la. E agora, dentro dela, eu tinha menos vontade ainda.

– Bella... um bonito nome. Venha, sente-se – Me levou até a sala, então me indicou um incrível sofá. Céus, aquilo deve ter custado caro.

– Você está morando aqui sozinha? – Perguntei educadamente. Um barulho de uma cama se quebrando no andar de cima respondeu a minha hipócrita pergunta.

– Ah, não, eu vim com a minha família – Ela estava bastante constrangida.

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– Vocês vieram de onde? – Mal eu terminei de falar e um alto gemido tomou a casa inteira. A vampira na minha frente parecia que queria se enterrar em um buraco. Eu escutei um barulho de risada vindo do quarto do vampiro que lia mentes. Não demonstrei que havia ouvido. Os ouvidos humanos não eram tão poderosos.

– Alaska – Que? Ah, a minha pergunta.

– Ah, legal. Me desculpe, mas agora eu tenho de ir – Aproveitei para dar uma de adolescente constrangida para sair dali.

– Hum, eu te levo até a porta – Ela se levantou.

– VAI, EMMETT! – Se vampiros pudessem corar, essa já estaria como um pimentão. O vampiro lá de cima gargalhava.

– Obrigada – A agradeci quando chegamos à porta.

– MAIS, MEU URSÃO, MAIS! – A vampira fechou os olhos com força.

– Desculpe por isso – Ela estava morrendo de vergonha

– Tudo bem. Tchau – Dei um sorriso supostamente constrangido e me virei para descer as escadas.

– Tchau, Bella – A garota sobrenatural fechou a porta.


Empurrei a minha moto nos poucos metros que dividiam as nossas casas, exausta, eu procurei o controle da porta da minha garagem, o achei no fundo do meu bolso traseiro. Não sei o que é mais estranho: presenciar sexo vampiro ou eu não ter perdido as minhas chaves. Apertei o botão e entrei quando a porta ainda estava na metade do seu caminho. Me sentindo ainda mais cansada, eu apoiei a minha moto no seu pezinho uns poucos centímetros do meu Camaro. Apertei, novamente, o botão. Abri a porta que separava a garagem do resto da casa, logo entrei e já a tranquei novamente.


Coloquei as chaves em cima do balcão, joguei a minha mochila e o meu capacete no chão e então, a beira de desmaiar, eu subi as escadas para o segundo andar. Por que uma casa tão grande para alguém que mora sozinha? Só o meu ego pode responder isso. Quase chorei quando vi a porta do meu quarto, no meio do caminho tirei os meus sapatos com chutes.


De um jeito que eu não lembro direito, eu alcancei a minha cama. Depois disso, como dizem os humanos, só Deus sabe.



POV/ EDWARD


– Aqui está a sua roupa – Alice entrou no meu quarto, claro que sem bater na porta. Olhei em volta, o que eu estava fazendo?

– E então, gostou dela? – A pequena vampira me mostrou uma calça preta, uma blusa de mangas curtas azul e uma jaqueta de couro.

– Vai fazer alguma diferença a minha opinião? – Franzi as sobrancelhas. Eu tinha certeza que ela me obrigaria a vestir aquelas roupas de qualquer maneira.

– É claro que não! – As estendeu em cima do meu sofá, me empurrando para o lado para sobrar mais espaço.

– Então por que pergunta? – Fiquei de pé antes que ela me jogasse no chão.

– Sei lá, Esme quer que eu seja um pouco mais educada – Balançou os ombros.

– Vou avisar a ela para cobrar mais de você – Antes que a baixinha pudesse retrucar, um barulho de moto soou lá fora.

– O que é isso? Quem vem a essa hora da noite para a mata? – Alice olhou pela a minha parede de vidro.

– Sei lá, deve ser alguém acampando – Eu terminei de falar e a moto parou.


Segundos depois escutamos a campainha.


– Eu não vou atender – Fui até a minha estante escolher um livro – Acho melhor você colocar luvas – Ri quando vi a baixinha se dar conta que teria de ser ela mesma. A Gnomo até tentou fazer um olhar pidão, mas eu abaixei os meus olhos e me concentrei no meu livro, ignorando-a.


Ela bufou e correu para o seu quarto. A escutei descendo as escadas na sua velocidade vampira e atendendo a porta. Depois disso abri o meu livro, não sei o porquê, mas me deu uma vontade repentina de ler. Fechei o meu livro quase automaticamente quando o cheiro de sangue humano entrou no meu sistema. Ergui a cabeça e comecei a prestar atenção no que acontecia na minha casa.


Ergui as sobrancelhas quando escutei a cama do quanto de Emmett e Rosalie quebrando. Eles, às-vezes-quase-sempre, passam do limite. As vozes femininas no andar de baixo pareciam baixas, constrangidas. Tampei a minha boca para não começar a rir só de ver todo o constrangimento dentro da cabeça da baixinha.


Eu ia olhar dentro da mente da humana quando um gemido de Rose tomou a casa inteira. Vi pela a mente da baixinha ela estrangulando o ursão e a loira furação. Não aguentei e comecei a rir. Entrei para a lista de estrangulamento assim que a anãzinha me ouviu.


– VAI, EMMETT! – Tombei para o lado de tanto que eu ria.

– MAIS, MEU URSÃO, MAIS! – Comecei a ter pequenas convulsões de riso quando ouvi Alice pedindo desculpas. Seja lá quem for, não volta mais.


Comecei a controlar a minha risada quando ouvi a porta sendo fechada. Em segundos, uma Alice furiosa estava no meu quarto.


– Por que você não foi lá me ajudar?! – Ela arrancou as suas luvas e jogou no meu rosto. Eu me desviei delas com precisão.

– Mas você estava dando conta do recado, pensei que não precisava de ajuda – Encarei os olhos dela e, milésimos de segundos depois, eu voltei a cair na gargalhada.


Para desespero de Jasper, também escutamos a dele.


– Seu vampiro filho da mãe! – Ela exclamou e voou para o encontro dele.

– Olha a boca! – Gritou a minha mãe, mas a baixinha não ligou, ela só queria descontar a sua raiva em alguém, e o escolhido foi Jasper.


Coloquei tocar uma CD qualquer, sentei novamente no chão, peguei o meu livro, abri na pagina que eu havia gravado e voltei a ler.


A noite seria longa, muito longa.