A Foragida
11 Juntos
Notas iniciais
Eu vou ser sua garota
Venha, pegue em minha mão
Eu não vou deixar você ir
(Beyoncé — End Of Time)
* — *
POV/BELLA
Tentei me lembrar de quando foi a última vez em que eu me senti tão ridícula quanto me sentia naquele momento. Teve a vez em que, ao erguer a cabeça decapitada do troll líder do inimigo, eu escorreguei e cai de bunda na frente de dois exércitos inteiros. Pois é, tive que matar um por um dos funestos trolls para conquistar o meu devido respeito novamente. Vamos apenas dizer que não foi tão fácil. Enfim, por mais cabuloso que tenha sido a minha queda, o reflexo em minha frente provavelmente ganhava.
Eu estava enfiada em um vestido definido por Alice como “tubinho”. Tinha uma cor creme e sem graça, na minha cintura se encontrava um mini-cinto preto. Pelo o amor de algo, o que segura um mini-cinto daqueles?! Nos meus pés, em um reluzente preto, dois sapatos de saltos altíssimos e de solas vermelhas, estavam inseridos. No encaixe do meu cotovelo, estava estacada uma bolsa de couro vermelha, obrigando a minha mão a estar constantemente para cima. Meus cabelos estavam soltos, minhas mechas caiam em ondas perfeitas.
Ridícula, simplesmente ridícula.
– Terei mesmo que sair vestida dessa maneira? – Me virei e encarei a vampira que saltitava pelo o meu quarto.
– Terá sim! Santa Chanel, onde eu encontro um perfume nesse seu quarto? – Abriu a gaveta da cômoda ao lado da minha cama sem vergonha alguma.
– Eu não uso perfumes. – Voltei a me olhar no espelho e soltei um gemido. – Edward também estará vestindo roupas como essas? –
Edward. O meu sonhador. Agora, enquanto eu me arrumava, ele estava caçando. Sim, eu demoraria a entender aquele hábito, mas ainda sim eu me sentia orgulhosa dele. Pensei em como o vampiro havia se tratado como um verdadeiro cavalheiro hoje de manhã. Como prometido, ele fora a primeira coisa que os meus olhos viram, junto de sua visão, uma enorme bandeja contendo as tão sonhadas panquecas. Ri não acreditando naquilo. “Agora você vai comer, e eu vou ficar aqui do seu lado para garantir que nada atrapalhará dessa vez” – Foram as suas palavras. Sem me conter, sorri de forma boba para o meu reflexo.
– Eu sabia que você ia acabar gostando. – A vampira bateu palmas atrás de mim. Riu, enchendo o ar com um som infantil. Tirei a minha carranca do rosto e ri. Como um vampiro podia parecer tão humano?
– Obrigada, Alice. De verdade – Girei e segurei as suas pequenas mãos frias.
– Ai, ai. O que o mundo faria sem mim? – Balançou os seus curtos cabelos. Seu sorriso imenso se fechou de uma hora para outra – Você não tem mesmo um perfumezinho sequer? – Se soltou e rodopiou pelo o meu quarto. Como uma bailarina. – Quer saber? Eu irei buscar um lá em casa mesmo. – Meio tonta, a vi saltar pela a minha janela no meio de um giro.
– Vampiros doidos – Sussurrei para mim mesma.
– Obrigada! – O grito veio tanto do lado de fora da minha casa quanto da minha sala. Revirei os olhos contendo um sorriso. Edward havia chegado, finalmente! Sua irmã mais nova me dava arrepios.
Suspirei e dei outra olhada no espelho, constatei, mal humorada, que nada havia mudado. Fazer o que? Alisei o burlesco vestido e fui rumo à sala. Certo, devo confessar que estava realmente curiosa para ver o que Edward estava vestindo. Ele nunca irá saber, mas eu estava desejando que o vampiro estivesse tão ridículo quanto eu. Se bem que com o Edward, nem vestido de travesti ele ficaria feio. Esquisito sim, mas não feio. Vida cruel.
Se eu fosse uma humana que tivesse algum futuro pela frente, e nesse futuro estivessem inseridos netos, o momento que viria a seguir seria uma daquelas histórias perfeitas para serem contadas em jantares de família. Lá estava eu, olhando para o chão, tomando cuidado com todos aqueles degraus, minhas pernas traziam uma sensação ruim cada vez que se encostavam e o meu cabelo ia a todo o momento para frente do meu rosto, atrapalhando a minha visão.
Então eu ergo a cabeça e eis que o vejo: um vampiro, no alto de sua glória, parado no meio da minha casa. Vestia uma calça cáqui, uma camiseta de gola v preta e, para completar, estava jogado por cima um blaser azul marinho. Com certeza, o homem mais lindo que os meus olhos viram. Eu queria elogiá-lo, queria dar outro passo, queria fechar a minha boca ora essa! Mas tudo o que consegui balbuciar foi:
– Droga! – E então tropeçar naqueles saltos malditos. Me ergui tão rápido quanto cai, joguei aquela nuvem de cabelo para trás, liberando a minha visão. Horrorizada, abaixei o meu vestido que havia subindo até um pouco mais acima do meio das minhas coxas. – Está tudo bem – Sorri sem graça e terminei de descer a escada. Ajuntei a minha bolsa que havia parado no final dela. Tentei ignorar um buraco no último degrau, provavelmente feito pela a minha espada. Feitiços indetectáveis de expansão às vezes são úteis, mas em outras...
– Você se machucou? – Se aproximou, preocupado.
Só o meu ego. – Não, está tudo bem, obrigado – Amaldiçoei Alice por dentro.
– Você está muito bonita – Erguei a cabeça e lancei um dos meus olhares descrentes.
– Não tanto quanto você – Minha voz tinha um daqueles tons óbvios.
Sua boca se abriu, mas a voz que foi lançada ao ar era bem mais aguda e infantil.
– Achei! – E depois disso um grito. – O que foi que você fez?! – Em instantes ela estava ao meu lado, se esticava ao máximo, ficando até na ponta dos pés. Seus pequenos e ágeis dedos trabalhavam no meu cabelo.
– Alice, nós temos que ir – Edward achava graça nas caretas presentes no meu e no rosto da vampira.
– Ela não pode sair assim! – Lançou um olhar afiado ao irmão. – Talvez se for para ir a um show de horrores, mas não para a Hawkins. – Ai, essa doeu.
– Não ligue para o que a gnomo diz – Edward me encarou – Você esta linda e nós estamos atrasados.
– Ok – A vampira suspirou, remexeu nos seus bolsos e tirou de lá dois documentos – Não se esqueçam: vocês são bilionários. Narizes nas alturas, postura reta e olhar de “eu posso comprar o mundo”. – Enquanto eu pegava os meus documentos falsos, senti dois jatos molhados em mim. Tossi devido ao cheiro. Droga de super olfato!
– Chanel Nº5! Um clássico. Eu o levarei para o seu quarto e, como eu vou tirar a manhã de folga, irei também organizar todo o seu guarda-roupa! Que tipo de mulher não tem um vestido de noite?! Se a minha beleza mudasse, agora ela talvez estivesse cansada.
Abri a boca para protestar, mas o olhar de advertência de Edward me fez fechá-la.
– Nós realmente temos que ir. Tchau, Alice – O vampiro, sem mais enrolações, se dirigiu porta a fora comigo, ainda um pouco atônita, seguindo-o de perto.
...
POV/ NARRADOR
O Volvo prata de Edward seguia silencioso pela rodovia principal. Um clima até mesmo calmo pairava no ar. Palavras não necessitavam ser ditas para cada um compreender o que o outro precisava. E o que eles precisavam naquele momento era de silêncio. Pensamentos teriam de ser organizados, planos teriam de ser formados e o futuro, o tão temido futuro, teria de ser re-projetado.
O vampiro lançou um olhar para a sua passageira e desejou saber o que ela tanto pensava, a viu entortar a boca e percebeu que não era em flores que os seus pensamentos rondavam. Não gostava de vê-la daquela maneira, percebeu não tão surpreso. Afundou mais um pouco o pé no acelerador, pois quanto antes todo aquele pesadelo que a rondava acabasse, mais cedo eles teriam a chance de viver.
De começar a viver.
Quando a viagem até a Nova York¹ (único lugar onde havia uma sede da Hawkins) finalmente fora concluída, já era meio de tarde e o sol se encontrava forte e potente no céu, dividindo espaço com toda a poluição que só aquele país era capaz de produzir.
– Antes de entramos – Começou Bella em um tom hesitante – eu queria pedir desculpas por te meter em tudo isso. Não é justo com você – O encarou, sentindo vergonha de si própria.
– Você não acha que já conversamos demais sobre isso? – Edward tinha um sorriso doce, sincero – Quando você finalmente vai entender que estamos juntos nisso?
O olhando naquele momento, com a sua voz lhe dizendo que estavam juntos, Bella sentiu uma enorme urgência de tocá-lo, para provar se aquele homem era mesmo real. Se censurou por aquele pensamento e abaixou a cabeça. Sim, ela sabia que eles estavam juntos e era isso que lhe dava tanto medo.
Querendo quebrar um pouco da tensão do momento, mexeu em sua bolsa e tirou de lá a identidade falsa dada por Alice. Um trabalho muito bem feito, por sinal. Quando ela havia tirado tempo para fazer todo aquele trabalho? Perguntaria depois, pois aquilo não importava no momento. Assim, apenas olhou para o vampiro e colocou uma máscara de curiosidade em seu rosto.
– O senhor costuma vir muito aqui? Senhor... – Deu uma brecha para que ele.
– Meu nome é Anthony, Anthony Masen – Respondeu com um sorriso – E não, eu não costumo frequentar carros com mulheres desconhecidas tão bonitas.
– Devo ficar lisonjeada, presumo então – Bella tentou esconder o pequeno rubor que quis subir no seu rosto ao ouvi-lo chamá-la de “mulher bonita”
– Com toda a certeza, minha cara dama. – Seu tom galante, numa forma que só alguém vivido em tempos muito anteriores conseguiria ter, a fez querer suspirar. – Peço que me perdoe, mas não sei o seu nome –
– Me chamo Anne Elizabeth Davis – Estendeu a sua mão, a qual logo foi tomada por outra maior e mais gelada.
– Prazer em conhecê-la – No momento em que os lábios frios tocaram a superfície de sua pele, o rubor não pode mais ser contido. Enquanto recolhia a sua mão, Bella a sentiu formigar.
– O senhor faria a grande gentileza de acompanhar? Não conte a ninguém, mas estou com medo de ir até lá sozinha. – Se perguntassem para a foragida o que ela sentia no momento em que disse aquelas palavras, ela não saberia, pois era forte e estranho de mais para ela denominar.
– Eu nunca a deixaria sozinha – O tom do vampiro era tão intenso, que chegou a aquecer a Arma X, aquecendo principalmente o seu gelado coração. – Mas antes de irmos, a senhorita me daria à honra de aceitar isso? – Edward tateou os bolsos de sua calça, e tirou de um deles um caixinha de veludo azul-marinho.
Mesmo não sendo uma humana, Bella sabia o que aquilo significava. Prendeu a sua respiração e sentiu o seu sangue parar de ser bombeado. Levou uma mão à boca quando viu o seu Sonhador abrir a pequena caixinha. Era um anel rústico, antigo, mas com a sua suavidade e beleza. Como ela.
– Edward, eu... – Tentou respirar fundo, mas tudo o que conseguiu foi sentir o ar entrar entrecortado dentro de si – Eu não posso aceitar.
– Aqui não há nenhum Edward, minha doce senhorita. – E lá estava o sorriso doce que ela percebeu que tanto amava.
Então Bella finalmente entendeu.
– Oh – Deixou escapar – Então sim. Eu aceito – Mesmo sabendo que Anne E. Davis não existia, a foragida não conseguia deixar de sentir todo um ressentimento por ela
– E então, minha adorada noiva, está pronta para irmos? – A olhou dentro dos olhos.
– Estou – Foi olhando para aquelas orbes douradas determinadas que ela soube: sim, estava pronta.
...
– Eu posso ajudá-los? – A voz inquiridora da secretária esguia surgiu no momento em que um casal composto por um vampiro e uma foragida pisou na luxuosa recepção daquele grande prédio.
– Meu nome é Anthony Masen. Minha secretária marcou uma hora aqui – O sorriso encantador de Edward prendeu tanta a humana quanto Bella.
– Estávamos lhe esperando – A humana se levantou, sua pele negra entrava em contrate com a sua camisa branca de seda, vestia uma saia vermelha que ia desde a sua cintura até na altura dos seus joelhos, nos seus pés estavam um par de sapatos pretos tão alto quanto o que Bella calçava. Ninguém podia negar: ela era uma mulher de arrasar.
A Arma X não pôde conter a gratidão que sentiu dentro de si por Alice. Não se sentia mais tão ridícula.
– Antes de irmos, o senhor poderia assinar aqui? – A secretária colocou uma mecha de seu cabelo milimetricamente cacheado para trás da sua orelha, contornou o balcão e ficou atrás dele, de lá puxou um caderno do tipo agenda, sua capa, como a etiqueta, tinha a estampa de madeira com a palavra “Hawkins” desenhado em dourado.
A mulher abriu em uma determinada página, pegou uma caneta pesada e cara e os colocou em cima do balcão, dando a deixa para Edward assinar. Antes de soltar a cintura da foragida, o vampiro deu um leve aperto, uma troca de informações mental foi trocada naquele simples, e ao olhar humano, banal ato.
Bella entendeu o que o seu vampiro quis dizer, por isso tentou ignorar o máximo o possível o seu impulso de pular o balcão e arrancar o caderno das delicadas mãos de dedos longos da secretária que agora o guardava. O casal observou à humana contornar o móvel de marfim negro, parar na frente dos dois e lançar uma discreta olhada na direção das roupas de Bella. Pareceu satisfeita com o que viu. Então seu olhar se recaiu em Edward, o sorriso em seu rosto foi demasiado grande para a foragida, por isso, num ato de ciúmes mal escondido, pegou a mão fria do Seu vampiro e a prendeu junto da dela.
A mulher da cor de grãos de café torrados entendeu o recado, pois logo assumiu uma expressão mais vazia.
– Sigam-me, por favor. – Seu tom era educado e formal, virou-se e caminhou até uma porta grande e totalmente negra.
Bella, antes de segui-la, lançou uma olhada para onde a sua primeira e talvez única pista estaria, então decidiu assumir a sua personagem, nada poderia dar errado, afinal, se o seu inimigo soubesse que estive ali, tudo poderia ir por água abaixo, portanto, colocou um sorriso fútil no rosto, jogou os seus cabelos ondulados para trás e apertou a mão do seu noivo.
Anne E. Davis, a bilionária com a vida feita estava ali, e não Isabella Swan, uma foragida infortunada.
No momento em que a porta fora aberta, Bella e Edward não puderam conter um ofego de surpresa, espanto e admiração. A foragida tinha certeza que se houvesse realmente uma entrada para Nárnia, ela encontraria ali dentro, no meio de toda aquela confusão de cores, quadros de casais apaixonados e alegria, sim, alegria. Ao olhar todo aquele caleidoscópio, a Arma X se sentiu capaz de produzir um álbum inteiro de rock com toda a inspiração que sentiu dentro de si.
– Olá, meus queridos. Me digam a ocasião e eu os deixarei divinos. Mais do que já são, claro – Bella-Anne pisou uma, duas, três vezes antes de se dar conta de o que estava vendo em sua frente era um ser humano.
Um ser humano de verdade.
O homem parado em frente de si poderia ser definido como... bizarro. Sim, bizarro é uma boa palavra, concordou Bella consigo própria. O cabelo era pintado em um tom de verde fluorescente, havia apenas uma sobrancelha, de cor laranja, em cima de um olho roxo, o outro olho, rosa choque, só contava com a testa e os seus cílios. Vestia um terno azul-bebê de bom corte, seus sapatos estavam impecavelmente vermelhos, suas unhas da mão eram pintadas de violeta com uma tatuagem diferente em cima de cada junta dos dedos. Isso sem mencionar, é claro, a enorme jibóia amarela de dois metros descansando em seu pescoço.
Quando o réptil viu a foragida e o vampiro soltou um silvo medonho e então deslizou pelo o terno azul-bebê e fluiu em sua ginga animal até se esconder atrás dos guarda-chuvas em formas geométricas. A Arma X realmente tentou não demonstrar toda aquela confusão mental que tinha, pois realmente não gostava de cobras e sabia que ainda havia mil e uma coisas para se descobrir naquele lugar e homem. Contudo, ao escutar o pigarro envergonhado do seu noivo, rapidamente voltou para o presente.
– Haverá um jantar beneficente daqui a dois dias, em Paris. – A foragida deu um sorriso doce e amável. Sentiu o vampiro ao seu lado relaxar.
– Excelente! – O homem bizarro bateu palmas, numa atitude bem... Alice. Edward ergueu a sua sobrancelha. Será que ela havia pegado aquela mania com ele, ou ele havia pegado aquela mania com ela?
– Venha aqui, então, minha doçura. – O estilista pegou Bella pela a mão, ergueu o braço da foragida e a fez girar em torno de si. Avaliou o corpo da mesma antes de continuar a falar: – Qual estilo você mais gosta? O estilo clássico, dama da mais alta aristocracia, ou a vulgar sexy podre de rica? – A Arma X lançou um olhar de desespero para Edward.
– Dama. Anne sempre será uma grande dama. – A voz do vampiro chamou a atenção do homem bizarro.
– Onde conseguiu encontrar um homem desses, querida? – O estilista sussurrou para a foragida antes de se virar, sem esperar a resposta, e olhar Edward. – Mas é claro. – O sorriso cheio de dentes mostrado ao vampiro o fez querer dar um passo para trás.
– Então, que tal começarmos por você, queridinho? Vamos começar com as medidas. – Bella nunca na vida tinha visto um sorriso tão maléfico quanto àquele na boca do estilista bizarro. – Entre ali naquela sala que eu já irei lá com a minha fita métrica – Piscou para o vampiro e saiu buscar a tal “fita métrica” de duplo sentido.
O olhar desesperado agora vinha do vampiro e era dirigido para a foragida.
“Você precisa ir, Edward” – Bella começou uma conversa mental
“Mas Bella, ele me olhou como se fosse me comer!” – O vampiro estava exasperado. A Arma X se segurou para não rir, ato que logo foi captado por Edward.
“Por favor, Edward! Será preciso só essa deixa para eu conseguir o caderno e então darmos o fora daqui” – Sustentaram o olhar um do outro.
– Uhuul, queridinho, voltei! – O homem da sobrancelha laranja apareceu. – Você ainda está aqui? Ui, adoro homens que não obedecem ordens!
“Não! Não mesmo!” – A voz do vampiro voltou a soar na cabeça da Arma X.
“Por favor, Ed. Por favor” – O vampiro trancou os seus pensamentos para si, tentando não deixar que a foragida perceber o efeito que tinha sobre ele. Raios, por que o seu coração morto parecia disparado?
“Tudo bem, mas você irá sair para jantar comigo e EU pagarei a conta. Não haverá discussões e nada parecido” – Edward sabia, no momento em que ela havia usado aquela voz tão frágil, que ele faria qualquer coisa por ela, mas não era por isso que deveria sair perdendo, bom, perdendo completamente.
“Eu aceito” – O sorriso lançado para ele fez o seu coração dar novamente uma disparada impossível. Agora ele finalmente havia entendido o porquê de Romeu morrer por Julieta e Jack se afogar em um mar congelado por Rose.
– Vamos, fofura? – Perguntou o homem bizarro.
– Vamos. – Edward ergueu o seu queixo e seguiu o homem de terno azul-bebê.
“Obrigada, Edward” – O sussurro da foragida rebarbou pelo o cérebro do vampiro e ele soube que aquilo que ele estava fazendo ainda era pouco perto do que poderia fazer por ela.
POV/ BELLA
Ok. Se concentre. Respirei fundo e fechei os olhos. Minha mente se focou no homem multicolorido que havia estado em minha frente até segundos atrás. Abri os meus olhos, e automaticamente os fechei novamente, pois não estavam certas aquelas cores que eu estava vendo. Minha visão estava embaçada e dolorida. Com que raios aquele homem conseguia usar estar lentes de contato?! Cogitei tira-las, mas sabia que seria um furo no meu disfarce, então apenas contornei o sofá dourado em forma de estrela-cadente e rumei à porta com desenhos de pedras preciosas. Antes de girar a maçaneta, me virei e lancei um olhar para a porta com desenhos de princesas de contos de fadas, a qual separava Edward e o homem bizarro de mim. Escutei um rosnado e me encolhi. Certo, melhor eu ir logo.
Alinhei os meus ombros, ergui o nariz e saí para a recepção. Ok. Se antes eu me sentia ridícula usando aquela roupa que a Alice havia arrumado para mim, agora eu me sentia completamente uma boba da corte. Como se entrasse em uma festa usando uma fantasia de Charles Chaplin e então percebesse que apenas eu estava fantasiada. Mas agora você não é você. Tentei acalmar a minha mente, mas tudo o que eu consegui foi ficar confusa.
– Senhor Hawkins! O senhor precisa de ajuda? – A bela morena levantou-se em um susto do banquinho a qual estava tão elegantemente sentada.
– Eu preciso do caderno de registros. – Pensei em acrescentar um “queridinha” ou um “fofura!” mas a minha mente se recusou de pronunciar tais coisas.
– Desculpe-me senhor, mas acha que são outros impostores como aquele outro sujeito? – Tentei levantar a sobrancelha diante do tom da secretária, mas então lembrei que eu não tinha a dita sobrancelha que eu tentava arquear. Me senti ainda mais idiota.
– Não, não. Eu só queria relembrar do nome de outra senhorita que eu acho que irá para o mesmo evento que esse casal. Sabe, eu não quero nem chegar perto de fazer um ponto sequer igual nos vestidos delas. – Sorri tentando “creditar” a minha mentira.
– Está com bloqueio mental novamente, senhor? – Ela contornou o balcão, com o caderno já em mãos, e veio até a mim. O problema é que ela chegou muito perto – Eu poderia dar um jeitinho nisso, como da última vez – O seu sorriso cheio de malicia me fez querer vomitar. Mas a única coisa que gritava na minha cabeça no meio de toda aquela situação constrangedora era:
Então aquele safado não é gay?! Céus, então antes ele estava mesmo olhando para os meus seios!
– Sabe, eu poderia fazer aquela coisinha novamente – Seu dedo com uma unha milimetricamente pintada de vermelho alisou o meu peito, peito dele, sei lá. Ok. Certo. Isso já foi longe demais.
– Não é isso. – Dei um passo para trás. – E agora eu preciso voltar para lá antes que eles se aborreçam. E você sabe como essas pessoas milionárias são enjoadas, não é? – Dei uma risada forçada. Apertei o caderno no meu peito, girei e voltei pela porta negra que escondia um mundo mágico.
Balancei a minha cabeça e pisquei algumas vezes. Escutei um “prontinho, fofura!” vindo do outro lado daquele salão. Eu não tinha mais tempo para perder. Corri para a minha bolsa que havia ficado em cima do sofá dourado, enquanto corria, fui me livrando daquela aparência e voltando para a minha. Quase tropecei nos meus saltos, mas cheguei a tempo de jogar o caderno dentro da minha bolsa vermelha, fechar o zíper e sentar-me no sofá. Cruzando até mesmo as pernas, do jeito que manda o figurino.
– Não foi tão ruim, não é mesmo? – A voz espalhafatosa do “Senhor Hawkins” invadiu o lugar quando os dois homens saíram do pequeno cômodo onde estavam.
POV/ NARRADOR
O homem bizarro lançou uma risadinha por cima do ombro e continuou andando, e por estar de costas para o vampiro, não pôde ver o olhar mortal que esse mesmo lançava para ele. Se tivesse visto, talvez pensasse duas vezes antes de soltar outro comentário como aquele.
– Espero que não tenha se incomodado por esperar, queridinha – O sujeito de terno azul-bebê caminhou sorridente até a foragida – Sabe, o seu noivo me deu certo trabalhinho, mas tenho certeza que com a senhorita será bem mais rápido. – Deu o seu sorriso cheio de dentes para a Arma X. Bella-Anne sentiu que aquele sorriso era familiar, então se lembrou que o tinha visto no rosto da secretária segundos atrás. Sentiu o seu estômago embrulhar.
Percebeu que a sua expressão de desgosto mesclado com pânico era a mesma que havia no rosto de Edward minutos atrás. A foragida pensou seriamente em ir fazer uma visita a psicólogo quando saísse dali, o vampiro também precisaria, ela sabia.
– Me desculpe, meu querido – Levantou-se com todo a graça que sabia que não possuía, mas que teve de forjar – Mas acabaram de me ligar do escritório do meu noivo comunicando que os clientes da Coréia do Sul chegaram dois dias antes do esperado. Nós teremos de ir. – Sorriu com toda a sua classe, e lançou um olhar superior ao estilista.
– Meu amor, será que podemos voltar amanhã, ou você estará muito ocupado? – Olhou com ternura para Edward, não sabendo mais se era realmente a Anne ou ela que estava lançando aquele olhar.
– Pedirei a Alice para agendar outro horário. – Edward sorriu, e o seu sorriso era aliviado. Isso por fora, pois por dentro as palavras “meu amor” faziam um caminho de destruição dentro de si, mesmo sabendo que elas não eram tecnicamente verdadeiras. – Desculpe-nos por atrapalhar o seu tempo. – Usou o seu tom mais polido com o homem que lhe traria pesadelos por décadas, então caminhou até a foragida e segurou a pequena mão na sua. Dentro de si algo se assustava por perceber o quão natural fora aquele gesto.
– Não há problema algum, queridinhos! – Ambos foragida e vampiro perceberam que o sorriso do estilista agora era forçado. – Voltem quando puderem.
– Muito obrigada – A foragida pegou a sua bolsa que ainda permanecia em cima do sofá e tratou logo de seguir Edward para fora dali.
Enquanto passavam pela a recepção, Bella tentou não mandar um olhar acusador a secretária, mas foi quase impossível ao vê-la usando o seu tom de “sou a pessoa mais profissional do mundo” ao se despedir dos dois. Deu um leve sorriso, ergueu o seu queixo e saiu “divando” com Edward ao seu lado. Nunca mais voltaria ou chegaria perto daquele prédio.
O Crepúsculo começara a cair, dando leves tons alaranjados céu. Seria uma cor bonita, senão fosse toda aquela poluição e os enormes arranha-céus dividindo o papel de protagonista. Caminharam em silêncio e de mãos dadas pela a calçada movimentada até onde Edward havia estacionado o seu carro. Quando chegaram ao mesmo, o vampiro rapidamente abriu a porta para a foragida, mas essa, ao invés de entrar, ficou olhando para cima, mais precisamente para o pára-raio do imponente Empire State, mesmo ele estando a quilômetros de distância dos dois.
– Não gosto muito de Nova York – A Arma X comentou num tom de voz reservado e inquieto.
– Por quê? – A voz do vampiro tinha um tom curioso, mas os seus olhos observavam cada detalhe no rosto de Bella.
– Porque aqui há observadores de mais. – Edward a observou estreitar os olhos para o céu e então virar-se para ele com um sorriso doce – Vamos? – O vampiro tentava entender o que raios a fizera mudar tão rápido de expressão ou do que ela estava falando. Mas tudo o que fez foi retribuir o sorriso e então fechar a porta do seu Volvo. Segundos depois e já enfrentavam o caótico transito da Grande Maçã.
...
– Você conseguiu? – Edward perguntou depois de sentir que já era, de alguma forma, seguro para falar.
– Está aqui – A foragida mexeu em sua bolsa e puxou de lá a agenda exclusiva.
– Eles não sentiram falta? – Comentou o vampiro enquanto delineava com os olhos os contornos dourados da palavra Hawkins.
– Enquanto eu levava a agenda de volta para àquela sala maluca, eu joguei um feitiço de cópia em cima da original. O tempo que levamos para dispensar o estilista foi o suficiente para criar uma cópia perfeita, a qual agora está atrás do balcão da recepção. E, para não haver furo algum, quando saímos e nos despedimos da secretária, eu plantei uma leve semente de dúvida na cabeça dela quanto ao destino da agenda. Não tão forte a ponto de ser detectada por outro telepata, mas intensa o suficiente para confundir alguns pensamentos daquela mulher. – Bella explicava enquanto virava página por página, todas elas datadas de dias e assinaturas elegantes. Se coração se apertava cada vez que os seus olhos buscavam um novo nome, O nome.
– Não sei se fico assustado ou admirado. Mas até que formamos um bom time, não é mesmo? – O vampiro sorriu e buscou os olhos da foragida. Não gostava de vê-la tão apreensiva.
– O melhor – A Arma X concordou fechando de vez aquele caderno. O olharia quando chegasse a sua casa, pois não queria nem pensar no que aconteceria quando desse o próximo passo no seu plano. Tinha medo das conseqüências. Então apenas sorriu e voltou a olhar para o Seu Sonhador. – Por favor, me diga: o que aconteceu naquela saleta, enquanto estava apenas você e aquele homem bizarro?
– Não quero falar sobre isso. – O tom de Edward teria feito qualquer um parar no mesmo instante de falar, até mesmo de respirar. Mas não Bella, não a foragida mais procurada no mundo.
O som da gargalhada da mulher ao seu lado fez sair um leve rosnado da boca do vampiro. Ou pelo menos a Arma X achou que era um rosnado. Então se surpreendeu quando a risada musical e grave de Edward uniu-se a sua.
– Pelo o menos não fui eu que tive um ataquezinho de ciúme por causa de uma humana – As risadas pararam ao mesmo tempo. As palavras do vampiro tinham realmente surtido um efeito na foragida, a qual estreitou os olhos.
– Eu não estava com ciúmes! – Bella limpou a garganta quando percebeu que a sua voz saíra extremamente aguda. – Anne estava. – Concluiu erguendo o queixo. Ao ouvir a confirmação saindo da boca da foragida, Edward não pôde conter a explosão de felicidades que rebarbou pelo o seu peito.
– Mas pior do que ter um “ataquezinho de ciúme” é ser atacado por um homem que nem gay era. – Não sabe o que dizer a um homem? Ataque a sua masculinidade. A Arma X havia aprendido tal importante lição depois de vários anos morando com dois homens com o dobro do seu tamanho e peso, os quais achavam que eram mais fortes do que ela.
– Como assim, nem gay era?! – As sobrancelhas de Edward estavam unidas em um franzir confuso.
– Então quer dizer que você não deu uma espiada na mente do humano? – Bella tinha uma voz presunçosa, mas evitou olhar para o vampiro, fixando os olhos apenas no asfalto da rodovia à sua frente.
– Eu não tive estômago, admito. – A Arma X notou um leve sotaque britânico na frase do homem ao seu lado. Pegou-se olhando para o vampiro com um olhar bobo. Como alguém conseguia ficar a cada momento mais perfeito?
– O que foi? – Edward passou uma mão no seu rosto, imaginando que havia alguma sujeira ali. Bella pigarreou e não se permitiu pedir para que o vampiro falasse daquela maneira novamente. O sotaque americano estava de volta. Contente-se em gravar aquela frase na sua memória! Repreendeu-se.
– Nada, nada. – Deu um sorriso amarelo. – Mas voltando ao estilista bizarro... Se você tivesse olhado na mente dele teria visto que o homem estava mais preocupado em olhar para os meus seios do que para o seu peitoral, “fofura”. – Esperou a reação do seu Sonhador. Era a agora que eles sempre davam um ataque defendendo a sua masculinidade e arrumariam mil e uma desculpas e defeitos. Típicos.
O problema foi que a reação de Edward foi extrema demais, e por um motivo diferente.
– Ele O QUÊ?! – Bella apoiou a mão no painel do carro em instinto. A freada inesperada do vampiro a fez arregalar os olhos. Em sua mente ela tentava entender se realmente fora tão longe para causar uma reação desse tipo.
– O que você está fazendo? – A foragida apoiou-se no seu banco e olhou para trás, tentando ver para onde Edward tentava ir dando aquela marcha ré.
– Eu voltarei até aquele homem e ensinarei a ele que nunca se deve lançar um olhar sequer para a mulher alheia. Ainda mais para a Minha Garota! – O tom em forma de rosnado do vampiro fez a Arma X voltar e sentar-se atonicamente.
Não, o problema não havia sido o rosnado, um pouco talvez, mas o problema mesmo havia sido as palavras.
O coração da foragida falhou uma, duas até mesmo três batidas. Seus dedos formigavam e os seus pensamentos se confundiram. Ela era a garota de alguém? Melhor: ela era a garota do Edward? Piscou os olhos, mas não conseguiu os focar em nada. Então finalmente uma fagulha de consciência se ascendeu em sua mente e ela percebeu o que o vampiro estava prestes a fazer.
– Edward, pare! – Agarrou o braço do vampiro tentando o fazendo olhar para ela. – Não têm importância nenhuma. Vamos seguir em frente.
– Não. Ele precisa entender a não mexer com o que não é dele. – Aquele tom irado fazia os ossos de Bella tremerem.
– Edward, por favor, você está me assustando – A pequena mão da foragida deslizou pelo o definido braço do vampiro e posou por cima da grande mão do mesmo. – Por favor, pare. – Só depois de ouvir o tom de voz desesperado e choroso de Bella, foi que Edward finalmente começou a ter um pouco mais de clareza nos seus pensamentos.
– Eu estou com tanta... Raiva.– O vampiro murmurou com o maxilar ainda firmemente trancado. Sua mão girou e agarrou a da foragida que pousava ali sobre a sua.
– Pare em algum acostamento, por favor – A voz doce de Bella o fez ter cada vez mais nitidez no que se passava em sua cabeça.
O bonito Volvo prata voltou a seguir em frente, ouvindo antes, é claro, algumas buzinas dos pouquíssimos carros que por ali também transitavam e palavrões não tão bonitos. A foragida via que o seu Sonhador respirava com dificuldade. Ainda tentava entender o porquê de toda aquela reação. Não havia sido nada demais, certo? Mas então, a parte mais profunda e esquecida do seu ser se aqueceu e um pequeno sorriso quis se fixar em seus lábios.
Não queria admitir, pois tinha medo, mas, no final das contas e dramas, gostara da atitude de Edward. Imaginou novamente a morena secretária, mas agora não a ‘atacando’, mas sim o seu vampiro. Assustou-se quando sentiu que era capaz de matá-la também. O que era aquilo? Ciúmes? Possessão? Céus, ao menos continuava sendo ela mesmo?
Guardou as suas dúvidas para si própria e voltou sua concentração para o vampiro que agora parara o carro no canto da estrada. Por um segundo, enquanto o via passar as mãos pelo o cabelo e ouvia um leve rosnado ainda vibrando do peito do vamp, não soube o que fazer. Lembrou-se então que aquele apenas era o seu Sonhador, o cara que sabia mais coisas dela do que qualquer outro ser no mundo todo. Talvez soubesse mais coisas dela que nem mesmo ela soubesse.
– Ei, olha para mim – Pediu segurando delicadamente os dedos frios do seu amigo, deixando o rosto dele livre. – Edward – Chamou mais uma vez, e como o vampiro ainda continuava apenas respirando de forma ruidosa, resolveu quebrar outra de sua própria barreira e se aproximar mais. Tirou o seu cinto de segurança e se sentou virada para o vampiro.
Pegou o seu rosto em suas mãos, quase amaldiçoou os seus dedos por serem tão pequenos, então virou o bonito rosto para ela. Edward, de olhos fechados, lutava dentro de si. De um lado, se encontravam a raiva, o ódio e o tão temido e cruel ciúme, do outro, a vontade de ceder e mergulhar no mar castanho que sabia que estaria logo em sua frente. Perguntava-se se ele tinha o direito de sentir aquilo tudo por ela, e, se no final das contas, Bella ao menos se importaria com aquilo.
Tinha medo do que sentia, mas tinha mais medo ainda do que ela pensaria. Só de pensar nela se afastando dele novamente foi capaz de fazer o seu peito doer numa forma aguda e atroz. Porque os dois não poderiam apenas ser dois humanos comuns? Porque raios eles tinham que sustentam, cada um, uma grande parcela do seu mundo em suas costas? Mas ela era a Bella e ele o Edward.
E os dois sabiam o mundo poderia ser tudo para eles, menos bondoso.
– Por favor, olhe para mim – A foragida pediu uma vez mais, enquanto tirava os acobreados cabelos daquele pálido rosto, tudo para eles voltarem exatamente para o mesmo lugar.
– Por que eu tive de ser um vampiro, Bella? – Quando os olhos finalmente se fixaram um ao outro, foi que a Arma X admitiu para si o quanto sentia falta daquele tom de dourado.
– Porque se não fosse, eu nunca o teria conhecido. – Sorriram um para outro.
Lentamente o sorriso da foragida foi se apagando, levando junto o de Edward. Não queria admitir, mas gostava daquele homem. Gostava do ângulo do seu queixo e a forma que as suas sobrancelhas adornavam aqueles profundos olhos. Gostava da forma que ele sempre tentava protegê-la e do seu ciúme incrivelmente bobo. Mas sabia que gostar de alguém, no caso dela, sempre seria uma maldição.
Começou a puxar as suas mãos, um sorriso triste e conformado se formou em sua face. Percebendo o que ela estava tentando fazer, Edward segurou as pequenas e delicadas mãos, as mantendo em seu rosto. Não, não a deixaria partir novamente. Se precisasse, lutaria por ela. Com uma pessoa, ou com o mundo. Bella nunca em sua vida havia sentindo tanto medo quanto naquele momento, mas não deu para trás, porque sabia que finalmente começara a encontrar um pequeno pedaço da felicidade que há tanto tempo procurava.
Respirações ficaram descompassadas, borboletas começaram a bater assas em seus estômagos, cabeças lentamente começaram a se aproximar. Não sabiam mais o que sentiam, apenas constataram que aquilo tudo começara a se transbordar. Quando as pálpebras finalmente se fecharam, eles decidiram que sim, havia a merda de um mundo lá fora, mas que ele não importava naquele momento.
Por que, de uma vez por todas, eles tentariam compreender o que sentiam. Ali não havia mais um vampiro e uma foragida, ali havia um homem e uma mulher confusos, sozinhos e perdidos, mas com coragem o suficiente para tentar dar a mão para alguém e mostrar que juntos o caminho não seria tão longo e árduo para se seguir.
As respirações se misturam e, no meio daquelas batidas doidas e sem ritmo dos seus corações, uma estranha calmaria se instalou, porque, de alguma forma, eles já esperavam por aquilo e sabiam, a cima de qualquer duvida, que era certo. Que era misteriosamente e monstruosamente certo.
Mas aqueles lábios nunca se encostariam, não naquele momento.
Talvez fora o estridente barulho da buzina, ou talvez tenha sido o dos freios. Ou talvez tenha sido, é claro, a visão daquele enorme caminhão tombado transportando combustível deslizando pela rodovia, vindo de encontro ao belo Volvo prata, que tenha feito os dois se afastarem de uma vez.
Bella, com a sua mente inumana, olhou apenas um segundo para o seu vampiro. Soube que poderia aparatar dali, soube que poderia se salvar e soube, também, que teria de deixar Edward para trás. Fogo é mortal para vampiros. Então, se ele ficasse, provavelmente sobreviveria ao impacto, mas morreria pelas as chamas. Ela teria 100% de chances de se salvar, enquanto as chances dele eram ínfimas. E mesmo sendo naquele breve segundo, ela viu naquelas orbes douradas que ele havia chegado na mesma conclusão que ela.
Mas Isabella Swan nunca deixa um parceiro para trás.
O mundo, que parecia se mover em uma infernal câmera lenta, voltou ao seu tempo normal. A foragida agarrou a sua bolsa, socando de qualquer jeito a agenda ali dentro, então abriu a porta do carro e saltou fora. Milésimos depois ouviu a porta do motorista também batendo. Começou a contornar o carro, mas sabia que mesmo sendo talvez as duas criaturas mais rápidas do mundo, nunca conseguiriam se afastar o suficiente das chamas. A Arma-X, como seu controle do fogo, sairia ilesa. O vampiro não.
Então a decisão foi tomada.
1 batida do seu coração: A foragida começou a correr.
2 batidas do seu coração: Bella agarra o vampiro e os dois caem no chão.
3 batidas do seu coração: O caminhão finalmente atingira o seu objetivo.
Enquanto dava um abraço de urso em seu vampiro e rolavam pelo o asfalto, Bella pode ver claramente o carro prateado ser amassado e jogado longe, pode ver também a traseira do caminhão subir com o impacto e agora descer para amassar os dois. A foragida girou e ficou por cima do vampiro, esperando receber todo o impacto. Enquanto girava, encontrou por algum milagre os olhos dourados de Edward, ele havia entendido o que ela tentava fazer, então começou a lutar com ela. O desespero, angústia e proteção eram emanados dos dois.
Bella, mesmo sabendo que poderia ser esmagada caso o seu escudo não agüentasse o impacto, não se importou com aquilo, pois sentia o seu vampiro abaixo de si, deixando-a quente com a sua temperatura naturalmente fria, por mais absurdo que pareça. Então tudo o que conseguiu fazer foi fechar os seus olhos e finalmente se entregar para outra pessoa.
Ao sentir os lábios da mulher que tentava o proteger nos seus, Edward nunca conseguiria explicar o que sentiu. Estava com muito medo, não por ele, mas por ela. Contudo, percebeu que aquilo que emanava do seu peito era maior do que qualquer coisa que estivesse acontecendo no mundo. Assim, libertou os seus braços e enlaçou aquela pequena cintura, a mantendo colada em seu corpo.
Em algum momento, os dois escutaram o barulho de uma enorme explosão e sentiram o calor angustiante das chamas surgidas. Mas eles não se importavam, não quando o seu próprio mundo acabara de ser feito. Fora um beijo casto, doce, transbordado de sentimentos escondidos. Ao final, encostaram a testa um do outro e permanecem com os olhos fechados. Aproveitando o seu mundo, aproveitando a pessoas que gostavam demais.
– Nós precisamos sair daqui – A terna voz de Bella os tentou trazer de volta ao outro mundo. Ao mundo que agora era tomado por chamas – Antes que os bombeiros e a polícia cheguem.
– Eu sei – Fora tudo o que o vampiro disse, se recusando a se afastar da Sua Garota. Sim, sua, e apenas sua.
– O seu carro está em seu nome? – A foragida continuava a murmurar, de olhos fechados e sem mexer um músculo se quer. Percebia que o fogo ainda queimava ferozmente a volta dos dois, mas agora, com o seu coração mais leve, sentia-se capaz de protegê-los. Seja do fogo, ou do que for.
– Identidade falsa – Edward finalmente abrira os seus olhos e sorriu ao ver a forma serena que Bella se encontrava, ainda de olhos fechados dando uma leve risada. Talvez estivesse começando a se apaixonar. Constatou essa afirmação não assustado ou algo parecido, sentiu-se apenas mais feliz, porque, ao poucos, estava começando a descongelar o seu coração.
– Ainda precisamos sair daqui – A Arma-x voltou a falar, agora também abrindo os seus olhos.
– Só sairei por uma condição – Declarou o vampiro, estreitando um pouco mais os braços em volta da foragida. Um sorriso fixara em seu rosto. Naquele momento, Edward achou que aquele sorriso nunca mais se fecharia.
– E que condição seria essa? – Bella arqueou uma sobrancelha.
– Outro beijo.
...
O escudo protetor fazia um pequeno círculo em volta dos dois. A bolsa vermelha era firmemente agarrada por uma das mãos da foragida, enquanto a outra se encontrava entrelaçada nos dedos do vampiro. Na sua cabeça ela já sabia que o acidente não fora necessariamente “um acidente”. O caminhão fora jogado para matá-los e a foragida já possuía uma boa ideia de quem teria sido o causador.
Desceram o barranco de terra, rodeado de árvores em chamas², em um tropeço, Bella deixara cair um pé de seus sapatos, amaldiçoando, chutou o outro. Correram desesperados, suas cabeças enevoadas. A foragida era guiada pelo o vampiro, mais hábil naquele território pelos os seus anos de caça.
– Aqui está bom – Sussurrou a Arma X, os fazendo parar uns bons quilômetros longe do fogo que ainda queimava como uma alma que aclama vingança.
– O que fazemos agora? Voltamos para casa andando, ou pegamos um ônibus? – Divagou o vampiro, que, por um rápido instante, lembrou-se do motorista do caminhão, o qual agora provavelmente teria virado cinzas. Controlou um tremor.
– Eu não poderei ir embora ainda, Edward – Bella tentou encarar o vampiro, mas sempre que o olhava se lembrava de momentos atrás. Não conseguia se focar no presente daquela maneira.
– O que faremos, então? – Franziu o cenho o homem-vampiro.
– Eu irei atrás do desgraçado – A voz da Arma X saiu com firmeza enquanto ela enfiava todo o seu braço dentro da sua bolsa e tirava de lá agenda e a sua varinha.
– Como iremos? – Edward enfatizou o plural da frase, sem se deixar, nem por um instante, se intimidar pela a carranca que recebeu em troca.
– Eu farei um feitiço de rastreamento na assinatura dele. Um fio de cabelo seria bem melhor, mas quem não tem um dragão, caça com cão. – Suas palavras fluíam enquanto os dedos e os olhos de Bella se focavam na requintada agenda em sua frente.
– O ditado não seria... ah, esquece. Em que eu posso ajudar? – O vampiro caminhou até a foragida e se inclinou sobre o ombro da mesma, ajudando a procurar a dita assinatura.
– Aqui. – O vampiro moveu o seu braço e indicou com o seu longo e pálido dedo um nome escrito numa forma gloriosamente legível “James Chamford”. Bella já a havia encontrado, mas não consegui se mover, seja talvez pela a proximidade de Edward que a desconcentrava ou talvez pela a sensação ruim em seu estômago, uma frequente cortesia dos seus instintos.
– Obrigado – Murmurou enquanto rasgava a grossa folha, deixando apenas uma pequena tira com o maldito nome escrito. – Por favor, você poderia se afastar um pouquinho. Eu realmente preciso me concentrar – Lançou um sorriso por cima do ombro, sentindo borboletas em seu estomago ao vê-lo sendo retribuído.
O vampiro, uns 4 passos da foragida, a observava atentamente. Franziu o cenho quando a viu jogar a agenda longe. Tanta humilhação por um simples nome! Tentou não soltar uma praga. A foragida tirou a sua varinha do seu bolso traseiro, amassou o pedaço de papel e o jogou para cima. Uma atitude tão imprevisível que quase fez o vampiro arquear uma sobrancelha se perguntando secretamente se ela havia batido a cabeça quando eles rolaram no chão.
A Arma X observou quando a pequena bolinha começou a descer, com um comando da sua mente, a viu queimar instantaneamente. Prendeu a sua respiração e ergueu a varinha. Concentrou-se no ponto em si o qual ela imaginava que ficava o seu “reservatório de magia” e então comandou apontando para a pequena chama:
– Apareça! – E lá estava, nas poucas cinzas que caiam, uma pequena e confusa imagem.
O homem de cabelos compridos e presos num rabo de cavalo rente a nunca olhava para ela, como se estivesse a esperando realizar tal magia. Ao fundo, havia um leve vislumbre de uma floresta, então toda a imagem sumiu. A Arma X caminhou de costas, seus dedos libertaram a varinha que sem barulho caiu no chão, em seu rosto, uma expressão de horror. Ao esbarrar em Edward, virou-se assustada.
– Bella, o que houve? Me diga! – O vampiro segurou os ombros daquela jovem guerreira e deu uma leve sacudida na mesma, na esperança de trazê-la de volta à realidade.
– Ele está aqui. Eu... eu não sei se poderei nos proteger. – A voz da foragida era apenas um baixo sussurro. Olhava fixamente para o peito de Edward, perdida em estatísticas e desespero que a sua mente lhe bombardeava – Eu o subestimei.
Sua frase foi majestosamente completa por uma risada musical, grave, animalesca.
– Como é bom encará-la novamente, cara Arma X – 4.863 – Estando de costas, a foragida não fora capaz de ver o seu pesadelo caminhar a passos graciosos até estar a apenas alguns metros do jovem casal. Mas Edward sim. E, pela a primeira vez depois de um ter tido uma boa conversa com o seu mostro interior, o sentiu despertar com tanta fúria que o cegou.
Ia avançar quando sentiu os dedos de Bella agarrar-lhe a camiseta, o obrigando a olhar para baixo. Observou aquela expressão de horror sumir da sua cara enquanto uma tranquila e serena era posta no lugar. Outra pessoa teria se assustado pela aquela repentina mudança, mas não Edward, que, mesmo a conhecendo há pouco tempo, já conseguia ver todo aquele acúmulo de medo atrás de seus olhos. Os pequenos dedos lentamente foram se soltando e quando ficaram livres, ela suavemente virou-se para o mais novo intruso.
– Igualmente, senhor Chamford. – Um tímido sorriso fluiu em seu rosto emoldurado pelas as não mais perfeitas mechas castanhas. – Devo-lhe confessar que estava bastante ansiosa por esse encontro.
– Oh, porque tanta cerimônia? Me chame de Arma A – 5.624, estimada Arma X – 4.863. – O sorriso selvagem do homem fez as entranhas da foragida se remoerem. Mas tudo o que fez foi estreitar os olhos e erguer o queixo ao falar.
– Me nome é Isabella. Isabella Marie Swan. A Arma X – 4.863 é apenas uma pequena parte de mim. Tentaram me transformar nela, mas nunca, em nenhum momento, eu deixei de ser a humana Isabella. – Apertou os seus punhos, sentindo o seu pior lado se despertar. Ela não sabia, mas aquele era um efeito que aquele homem geralmente tinha.
– Oh, vejo que você adotou bem a humanidade. Até parece um ser humano de verdade – O tom de sarcasmo mesclado com desprezo fez as juntas de Bella ficarem cada vez mais brancas. – Mas a partir do momento em que você virou a porra de uma arma, deixou de ter alguma coisa boa dentro de você. Você pode até fingir, Arma X – 4.863, mas eu sei que lá no fundo você tem tanta ânsia de matar como eu. Sei que quando você encontra um inimigo, você o mata o quão cruelmente pode, tudo para acalmar esse seu espírito assassino que tem. Sabe por que eu sei disso? Eu porque eu também sou a porra dessa arma, tudo pela a sua culpa. Tudo pela culpa da vadia da sua mãe que fugiu com o fudido do seu pai. – Ao concluir a sua frase, o homem esperou exatos 0,5 milésimos de segundo antes de ser atacado por um furação moreno de 1 metro e 74.
Na mente da foragida uma confusão de instalara. Mas o pensamento mais forte era: “Ok. Chama-me do que quiser. Insulte-me com todas as suas forças, mas nunca, nunca mesmo, fale alguma coisa sobre a minha família.”. E, bem, ninguém nunca saberá exatamente o que é um inferno na Terra até presenciar uma foragida com raiva.
O vampiro, mesmo com a sua visão inumanamente aguçada, não conseguiu ver claramente a dança furiosa de corpos que havia na sua frente, contudo, não hesitou um segundo sequer antes de liberar toda aquela fúria animalesca que trancava a sete chaves dentro de si, e entrar furiosamente no meio dos dois.
Depois de 2 socos bem acertados, 1 chute e exatos 3 segundos de luta, o que se via naquela parte da floresta era uma jovem mulher jogada no chão, depois de levar um chute tão forte na lateral da sua cabeça que a fizera perder os sentidos por alguns instantes, e um poucos metros dela, se encontra um vampiro de cabelos acobreados, erguido pelo o seu pescoço, imprensado numa árvore por um homem de sorriso e olhos selvagens.
Bella lentamente abriu os olhos. O mundo girava. Sua cabeça doía e seus olhos estavam embaçados. Quando finalmente os conseguiu focar, mirou-os para o seu vampiro de cabelos acobreados. Demorou alguns instantes até comandar novamente o seu cérebro e então perceber a situação que os dois homens se encontravam.
– Que bom que acordaste, Arma X – 4,863, eu realmente não queria que perdesse o espetáculo – Sustentando o vampiro por apenas um braço, virou-se e olhou divertidamente para a foragida. Sentiu prazer ao vê-la ainda jogada no chão. Abaixo dele, lugar onde ela sempre deveria ter estado.
– Faz um bom tempo que eu queria fazer isso – Virou-se e deu aquele sorriso animalesco para o vampiro.
Os bombeiros, policiais e civis que estavam a uns vários quilômetros longe daquele local escutaram o som de um urro de completo horror e dor, vindo do mais profundo âmago que qualquer ser teria. Todos eles sentiram que uma parte de si, a parte que ainda jurava que o mal poderia ser vencido no mundo, morreu naquele instante.
A foragida tinha lágrimas nos olhos, seu grito aos poucos morrera em sua garganta. Nunca, em toda a sua vida, havia sentido o que sentiu naquele momento. Ao ver os braços do seu vampiro serem arrancados com um único golpe, de escutá-lo berrando a sua dor para os 4 ventos e ainda sim não ter feito nada, foi o suficiente para despertar aquela parte dentro de si a qual controlava desde o incidente da Secrets. Desde o incidente em que matara todos lá.
Desde o incidente em que libertara a parte mais assassina e cruel que ela tão fortemente guardava dentro de si.
Levantou-se e correu, não, ela não se levantou e correu como um ser humano. Ela levantou-se e correu como a Arma X – 4.863. Suas mãos tocavam no chão enquanto ela corria, pegando uma velocidade alucinante, quando alcançou o seu alvo, pulou nas suas costas, arrancando uma orelha do inimigo no processo, torceu a sua cabeça, pronta para quebrar aquele pescoço, mas antes de conseguir encaixar a sua mão naquele queixo maldito, sentiu o seu braço ser segurando e então seu próprio corpo voando pelo os ares.
Antes de colidir em algo, James já estava em cima si, agarrando o seu pescoço e a prendendo no chão. Contudo, ela não seria tão facilmente derrotada. Riu, cuspindo o sangue que ainda tinha na sua boca, afundou as suas unhas na carne dos braços da Arma A, se contorceu, erguendo o seu tronco, então desferiu um belo chute na lateral do homem. Quis gargalhar ao escutar aquelas o som das costelas de quebrando.
Ficou de pé ao se ver livre das garras daquele monstro. O avaliou por apenas alguns segundos. Percebeu que as costelas acertadas e o buraco onde deveria estar a sua orelha já estavam se regenerando, assim, pela a primeira vez depois de muito tempo, chutou os seus instintos e seguiu as probabilidades e estatísticas que o seu cérebro lhe fornecia.
Jogou-se em cima de James, e como numa dança exaustivamente ensaiada, desfechou dois socos visando sempre o lado esquerdo do rosto do seu inimigo, o exato lado em que a sua audição estava prejudicada. O via se desviar, temeroso da dor que havia sentido momentos atrás. Bella não era paciente, mas a Arma X sim. Assim, esperou o momento exato, jogando e desviando de golpes, até que vislumbrou o momento certo.
Fez uma finta para a direita, e ao vê-lo virar minimamente o seu corpo naquela direção, já armando a sua defesa e se preparando para o seu contragolpe, deu uma volta em torno de si, jogou a sua perna e então viu mais sangue explodir ao acertar com o calcanhar do seu pé no buraco auditivo da Arma A.
Sem ainda apoiar o seu pé no chão, o trouxe para trás e chutou o corpo que caia lateralmente, o mandando vários metros longe dali. Caminhou lentamente até o corpo caído, gargalhando ainda com os dentes cheios de sangue, ao ver a árvore em que James colidira se rachar e cair para trás. E não conseguiu, nem que quisesse, conter a felicidade que rebarbou dentro de si ao ver o seu inimigo sofregamente levantar-se.
Como um gato que brincava com um rato moribundo, ela se sentiu satisfeita ao ver que ainda não quebrara completamente o seu brinquedinho. Ele estava de cabeça baixa, talvez controlando a sua dor. Quando estava a uns 5 passos de James, o viu erguer o dedo. Bella parou a sua caminhada a e sorriu, esperando o a Ama A proferir alguma blasfêmia ou ameaça para ela. Bem típico.
Contudo, não pode conter um ofego quando o viu riscar o ar com o seu indicador, dar um passo à frente e então desaparecer.
Arregalou os olhos, quando uma rápida visualização do futuro correu pelo a sua cabeça. Se jogou no chão, tentando se desviar daquelas garras que surgiram do ar atrás de si. Ela tinha como destino o rosto da foragida, mas atingiram apenas o cabelo da mesma. James, já fora do portal que havia aberto, girou o pulso e segurou aquelas mechas castanhas. Desceu o pé no meio das costas da foragida, enquanto torcia a sua cabeça para trás, pronto para quebrar a coluna daquela mulher, do jeito mais doloroso o possível.
Bella sentiu boa quantidade de ar sumir do seu pulmão. Rosnou, pronta agarrar aquele pé nas suas costas, mas antes que pudesse erguer o seu braço, sentiu aquele peso sumir de cima de si e um ofego descrente. Girou e com um pulo ficou de pé. Mesmo tendo toda a adrenalina da Arma X dentro de si, impulsionando-a ao ataque, não conseguiu se mexer.
Teve de piscar algumas vezes. A Arma X fazia os seus dedos tremerem, os deixando em forma de garras e então voltando ao normal sem parar nem por um instante, contudo, Bella nem percebia aqueles movimentos, pois a sua mente ainda tentava entender com que raios eram possível aquilo que via em sua frente.
– Céus, Edward – Murmurou.
O braço direito do seu vampiro estava novamente no seu devido lugar, contudo, o seu esquerdo, ao invés de também estar no corpo de Edward, agora estava atravessado no peito de James. Notou, se perdendo por alguns segundos naquele peitoral de mármore, que ele em algum momento também havia tirado a sua camiseta. Mudou o seu foco para a Arma A ao ouvir o seu sufoco de dor. Sentiu aquele calor sombrio se ascender dentro de si. Um rosnado escapou da sua garganta, vinda das profundezas do seu ser. Começou a avançar, deixando a Arma X tomar o controle, entretanto, sentiu a humana Bella se despertar de uma vez quando presenciou o próximo movimento de Edward.
O vampiro de cabelos acobreados, em um único puxão, tirou o seu braço de dentro do corpo de James. Um movimento estranho, pois teve de usar um dos seus pés como apoio, entretanto, o que realmente fez a foragida estacar no seu lugar foi vê-lo cuspir na parte separada e então unir – sim, unir – novamente ao seu corpo, no lugar certo.
E então arrancar a cabeça de James usando as suas mãos e dentes.
Os dois olharam a cabeça decapitada rolar entre as folhas e raízes, sem proferirem palavras alguma. Bella sentiu lágrimas em seus olhos. Céus, o que o obrigara a fazer? E quando o castanho encontrou o dourado, uma onda de sentimentos foi dividida. E antes que pudessem perceber, já estavam nos braços um do outro.
– Me desculpe, Edward – Sussurrou a foragida e, depois de muitos e muitos anos, chorou tudo o guardara dentro de si, pois sabia que era apenas com o seu vampiro que aquele sinal de fraqueza seria entendido. O abraçou com mais força, sentindo que nunca, em hipótese alguma, gostaria de se afastar daquele homem-vampiro.
– Shii, está tudo bem, minha pequena, tudo bem – Edward sentia o gosto do sangue de James em sua boca e por todo o seu braço, mas não se importou, não quando sentia a sua parcela de felicidade em seus braços.
Momentos depois, enquanto caminhavam de mãos dadas pela a floresta, deixando para trás um corpo consumido pelas as chamas, um pequeno sorriso aliviado era visto no rosto de cada um. Finalmente, eles haviam se livrado daquela ameaça, e agora poderia ser o quão felizes quisessem. Porque naquele momento eles estavam irremediavelmente e irrevogavelmente juntos.
– Sabe, já é noite. Você tem algum compromisso, senhorita? – A voz do vampiro era leve, divertida.
– Eu tenho um jantar marcado, mas ainda não foi decidido o dia – Bella entrou no jogo do seu vampiro, esquecendo momentaneamente o que acabara de acontecer.
– Pois então saiba que ele foi marcado para hoje – Edward puxou a foragida para si, a fazendo erguer uma sobrancelha enquanto sorria ao olhar o rosto daquele homem.
– Então acho melhor eu conjurar uma camiseta para o senhor vestir – A Arma X se aconchegou no abraço frio que recebia
– Por quê? Você não gosta do meu peitoral, fofura? – Bella não pode conter a risada ao ouvir o seu vampiro imitar a voz do que parecia tão distante estilista.
– Eu gosto. O problema seria outras garotas gostarem. – O vampiro queria rir das palavras da foragida, mas no fundo as entendia. Tinha medo do que poderia fazer a um homem que olhasse a sua garota. E mais medo ainda que ela não estivesse lá para impedi-lo de fazer qualquer bobagem.
– Então eu prometo que apenas você me verá assim – Jurou enquanto a apertava ainda mais em si e depositava um cálido beijo nos ondulados cabelos castanhos
– Só eu? –
– Só você. –
...
A milhares de quilômetros dali, um homem, grande para os padrões humanos, lia atentamente o papel que tinha em mãos. Sua expressão era gelada como seu coração. Há muito tempo ele havia batido de forma alegre por uma certa mulher, mas tudo o que ela fizera fora o trair quebrando aquele órgão em mil pedaços. Demorou anos para reconstruí-lo, mas agora ele estava inteiro novamente e, principalmente, envolto pela a mais grossa possível camada de gelo.
– Aguardaremos mais algum tempo, então enviaremos tropas para finalizar essa situação. Eu quero àquelas novas pesquisas e testes até amanhã na minha mesa. Está dispensado. – Concluiu o homem, com a sua voz ressoando por todo aquele cômodo de forma assustadora, e jogando o detalhado relatório em cima da sua grande mesa de mogno. Girou a sua cadeira, pouco se importando com o seu subordinado. Sabia que ele se lembraria de tudo o que disse, de qualquer maneira.
Escutou um “Sim, senhor!” e a sua porta ser fechada. Apoiou os seus cotovelos nos braços da sua cadeira e entrelaçou os dedos de suas mãos. Ficou então a analisar os vários cientistas trabalhando no andar abaixo do seu. Seu escritório possuía uma parede feita totalmente de um vidro fumê, o que o permitia observar todos aqueles cientistas trabalhando exaustivamente abaixo de si. Sentia ainda mais poderoso ao pensar que todas aquelas pessoas trabalhavam para ele. As pessoas mais inteligentes e talentosas do mundo ao seu poder. Se sorrisse, teria sorrido.
Do lado de fora do imponente escritório, um jovem homem em seus 23 anos secava discretamente o suor em sua testa. Havia conseguido aquela vaga na tão poderosa base militar a uns seis anos, graças a sua memória fotográfica e alguns acessos a lugares que deveriam ser secretos. Desde então começara a conviver com aquele homem. Sempre que era chamado para subir até o segundo andar, sentia um frio na sua barriga.
Mas não tinha dúvidas, ele respeitava e admirava aquele senhor. Sempre se lembrava do seu pai quando o olhava, só na idade, é claro, pois de nada se pareciam na aparência e feitos. Seu pai era apenas um simples comerciante com um filho problemático, enquanto a história de como o Senhor Branford sobrevivera a um atentado há muitos anos atrás era uma lenda entre todos os que trabalhavam ali. E sua forma de administrar todo aquele lugar? Uma coisa de mestre.
Contudo, o jovem homem sabia que mesmo se trabalhasse mil anos na Secrets, ainda sentiria um arrepio toda vez que visse aquela sinistra cicatriz no rosto daquele senhor de meia idade de dois metros de altura.
¹ Eu não faço idéia da estimativa de tempo que leva de Forks até Nova York de carro. Não ter internet também ajuda bastante. Mas mesmo que eu esteja super, ultra, mega equivocada na passagem de tempo, me perdoem. Por favor. =)
²EM CHAMAS. Como a Katniss deveria ser. Ela é a Garota em Chamas e não a Garota que Pega Fogo. Pelo amor de Deus. O que o pessoal da dublagem estava pensando?! Desculpem o desabafo.
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