A Foragida

8 Ajuda Inesperada


Notas iniciais
A Foragida está de volta com outro capitulo.^^ Vamos lá?

Achar que pode fazer tudo sozinho é o primeiro passo para o fracasso.

(Autor Desconhecido)

* -*



POV/ BELLA


Central Park. O meu transmissor tinha a pequena bolinha vermelha piscando furiosamente em cima desse ponto. E era exatamente ali onde estávamos. Eu já tinha vindo aqui algumas vezes, mas a grandiosidade desse lugar, junto com algo quase mágico, sempre me fazia ficar embasbacada.


Tínhamos voltado para as nossas casas, eu só para pegar o meu casaco e comer uma barra de cereais, Edward eu não faço idéia do que foi fazer, mas logo já estava no batente da minha porta da frente, sua cara não era muito boa, mas, convenhamos, eu tinha coisas maiores para me preocupar.


Olhei o vamp que agora estava encostado numa árvore com a mão sobre a barriga, se ele não fosse um vampiro, eu juro que acharia que ele iria vomitar. É, acho que a experiência de aparatar não foi algo que ele tenha gostado. Isso, aparatar. Foi assim que nós chegamos aqui tão rapidamente.


Pelo o que Edward falou, ele já sabia manusear um arco, mas eu espero, sinceramente, que não precisemos usar. Qual é, eles podiam ser demônios, mas, ainda sim, estavam no corpo de pessoas normais, no corpo de seres que poderiam ter uma casa, uma família, um bichinho de estimação, qualquer coisa que precisasse deles vivos. E não éramos nós que deveríamos acabar com os seus futuros.


Respirei fundo aquele ar poluído. Algo na minha mente estralou. Ali tinha criaturas mágicas e não, eu não estou falando de demônios. Era algo doce, mas ao mesmo tempo amargo. Fiz uma busca pela a minha cabeça. Eu sentia que a resposta estava perto. Só mais um pouco...


Fadas.


Ali tinha fadas, muitas delas. E isso não é algo bom, não essas criaturas de Nova York. Vou te dar uma pequena síntese de uma das minhas primeiras aulas: Os seres humanos não são iguais, uns são brancos, outros são negros, mulatos, amarelos e assim vai. O mesmo acontece com as criaturas mágicas. Elas não são iguais, têm alguma característica forte que a define em um grupo, mas sempre estão em outro sub.


Entendeu? Usando eu como exemplo: Sou humana, mas sou caucasiana¹ e algo mais que eu não sei definir. Agora Edward: Ele é um vampiro, mas também é “vegetariano”, pode sair à luz do sol sem se queimar e outras características que em algumas espécies não estão presentes, concluindo, ele está em algum sub-grupo.


Com as fadas é o mesmo. Dizer que todas elas são criaturas fofas, que soltam pozinhos e ajudam a natureza é por que você viajou na onda do senhor Disney e nunca veio a Nova York. Essas criaturas que moram aqui – isso, criaturas, e não criaturinhas, pois umas podem chegar a minha altura e ser, às vezes, até mais alta – são, na minha opinião, as mais perigosas.


Filhos de anjos com demônios, elas possuem a beleza dos seres divinos e a maldade das infernais. Elas te atraem e te entregam o que você mais deseja, mas de uma maneira que você irá querer nunca ter pensado naquilo. São espertas e nunca podem mentir, mas isso não quer dizer que elas digam a verdade. Criaturas que eu odeio a parte, tudo estava silencioso demais.


Aqui era um lugar perigo, mas hoje não tinha nenhum ser humano por toda a sua extensão, nem o barulho de insetos, nem ventos, nada. O lugar parecia... morto. Literalmente.


– Eu achei que era impossível, mas eu estou com frio – Edward tinha melhorado seu mal estar, no entanto, agora estava com os braços bem cruzados na frente do corpo e eu via um pequeno tremor passando pala a sua extensão.

– Eles estão se alimentando do seu espírito – Fechei o zíper do meu casaco até o meu pescoço.

– Eu não tenho um espírito. – Ele falou sem me olhar.

– Quem disse isso? – Franzi as sobrancelhas.

– Eu sou um monstro, Bella. – Edward se virou, seu rosto demonstrava confusão. Era como se ele não entendesse como eu não sabia daquele fato – É claro que eu não tenho um! – Pisquei os olhos. O cara esta falando sério?

– Mas é claro que você tem! – Me revoltei.

– Não, eu não tenho. – Estava exasperado – O que vamos fazer agora? – O vamp desviou os olhos e tentou mudar de assunto.

– Você sente dor, tem de se alimentar, consegue andar e pensar, estou certa? – Eu não desistiria tão fácil.

– Sim, e daí? – Se recostou na árvore e cruzou novamente os braços. O vamp parecia um daqueles bad-boys do passado não compreendendo o porquê de eu não entender que ele não queria fumar.

– Então você tem uma alma. Pois, se você não tivesse, seria apenas uma casca inanimada – Expliquei e esperei a sua reação.

– Entenda de uma vez – Ele saltou para longe do tronco da árvore e, em milésimos de segundos, estava na minha frente – EU. SOU. UM. MONSTRO. M-O-N-S-T-R-O – O vamp falou através dos seus dentes forçadamente fechados. Não me deixei abalar com ele praticamente gritando na minha cara e apenas continuei a encará-lo.

– E por que você acha que é um monstro? – Atrás da sua fachada, Edward era mais complicado do que esperava.

– Eu nunca vou morrer. Eu já matei pessoas. Eu sou uma aberração da natureza – O vamp abriu os braços e bateu no seu peito, enfatizando as suas palavras.

– Então somos dois monstros. – Conclui.

– Não, você não é um monstro. – Parecia assustado – Você salva as pessoas, e não as mata – Mas será que eu já salvei mais pessoas do que matei? Essa era a questão.

– Você está certo, eu não sou um monstro, mas você também não é. – Levantei o meu braço direito e, lentamente, levei a minha mão até o seu coração – Um monstro não luta cada dia contra a sua natureza pela a sua consciência – Sorri para ele.

“Espírito, desperte a alma dentro dele, por favor” – Então, debaixo a sua blusa cinza, o seu peito subiu e eu senti uma batida do seu coração.


Edward pulou quase uns 100 metros para longe de mim.


– O que você fez?! – Seus olhos estavam quase saindo do seu rosto. Ele agarrava o seu peito, quase cravando as suas unhas.

– Se acalma, valeu? – Fiz um gesto apaziguador com as mãos – E eu não fiz nada. Isso foi o seu espírito mostrando que está ai dentro – Bem, tecnicamente, eu fiz quase nada.

– Eu... eu não sou um monstro? – Edward perguntou olhando no fundo dos meus olhos.

– Você nunca foi e, mesmo não te conhecendo muito, eu tenho certeza que nunca será – Fui sincera. O vamp caminhou na minha direção e, me surpreendendo, me abraçou.

– Obrigado – Sussurrou. Devolvi o seu abraço.

– É isso que os amigos fazem, não é? – Eu disse, depois de nos separamos, sorrindo.


Pela a primeira vez naquela noite Edward sorriu também.


– Eu vou pegar o seu arco que eu deixei encostado na árvore – Apontou para um lugar atrás de mim. Me limitei a assentir com a cabeça. Era hora de começar a formar um plano.


Não sei como, e nem quero saber, mas, antes da informação chegar ao meu cérebro, eu tinha tirado a minha espada e a erguido horizontalmente em cima da minha cabeça, pois, de um lugar que eu ainda não consegui processar, outra espada vinha diretamente para mim.


O quê...?



POV/ NARRADOR


Bella parou um ataque que vinha direto para os seus flancos e, quase instantaneamente, já estava defendendo de outro que tinha como objetivo atingir a sua coxa esquerda. Ela não podia vê-lo direito, mas eu posso afirmar que ele é um garoto lindo. Com uns 18 anos, mas com uma expressão que com certeza você venderia bebida alcoólica para ele², abençoado com cabelos loiros e lisos e um sorriso magnífico que a foragida nunca iria ver. Ele era o tipo de garoto que ninguém se surpreendia ao ver na capa de alguma revista adolescente.


Mas Swan não estava ligando para a sua beleza. Ela só queria saber quem ele era, ou melhor, a foragida queria saber o quê ele era. O garoto era muito bom com a espada, não tão bom quanto ela, mas uns dos melhores que Bella já enfrentou. Sua arma foi uma das primeiras coisas que chamou a sua atenção, ela não era de ferro, ou qualquer material encontrado facilmente. Simplesmente emanava poder.


Mas não era só a espada. Não, o jovem não era um demônio, mas tão pouco era só um humano. Um lacaio das criaturas infernais? Bella não fazia idéia. A única coisa que ela tinha certeza era que ele não era um inimigo que poderia ser ignorado. Ele era forte. Ele era rápido. Ele era ágil.


Ele era Jace Wayland³.


Um caçador das Sombras, isso, um Caçador das Sombras e não um Caçador. Lembra daquele papo da Foragida sobre os grupos e sub-grupos? Esse é outro exemplo. Você pode se tornar um Caçador, mas nunca um Caçador das Sombras, pois, para ser um você precisa nascer para isso, literalmente.


Eles são Nephilins, uma mistura de humanos e anjos. Têm toda uma sociedade, com um conselho e tudo mais, são uma raça muito forte e também lutam para manter o equilíbrio do mundo para todos, principalmente para os mundanos4.


Jace estava tão surpreso quanto a foragida, a garota era duas cabeças mais baixa que ele, mais magra e de aparência quase frágil. Se ele passasse por ela pela rua era muito provável que pensasse na possibilidade de carregar as suas sacolas. Isso era o que ele pensava até encontrar os seus olhos enquanto ela saltava para trás deixando o seu novo ataque sem rumo. Agora ele sabia que se se oferecesse para carregar as suas sacolas provavelmente levaria um soco.


O Caçador das Sombras estava sozinho no instituto, algo que era muito raro, mas que se tornou possível depois que os senhores Lightwood tiveram que ir novamente a Clave, que Alex tenha saído com o seu mais novo namorado Magnus e que Isabelle teve de sair para fazer compras com a mais nova caçadora da cidade, a namora dele, Clarie.


No começo, achou que algo de errado tinha acontecido com o seu medidor de força demoníaca, por que, de um segundo para o outro, os medidores simplesmente saltaram, de uma forma que o fez sentir um leve tremor, que logo foi seguido pela a descrença. Mas não, não havia nada de errado, e como só tinha ele de plantão, teve de sair atrás para ver o que estava acontecendo.


Jace já tinha abandonado o seu aparelho medidor, o Central Park tinha tantas energias do mundo inferior que era impossível concluir alguma coisa com ele por ali, quando ouviu o barulho de conversas perto de onde estava. Nenhum humano se atreveria entrar ali, os seus instintos nunca deixariam, o que o fez supor que não eram mundanos.


Ele não iria fazer nada, era só um teste. Apenas outros Caçadores e Seres Inferiores – não, isso não quer dizer seres mais fracos, e sim seres vindos das trevas – poderia vê-lo com as suas tatuagens de caça, então o Caçador das Sombras viu as duas figuras, ergueu a sua Lâmina Serafim e fingiu um ataque para cima do homem, mas ele acabou saindo do seu caminho e o alvo acabou sendo a garota.


Seria nada de mais – mundanos não o teriam visto e continuariam o que estavam fazendo – se não considerarmos o fato de ela ter tirado uma espada e defendido tão rápido que seus olhos treinados quase não conseguiram acompanhar. Agora os dois estavam nesse bolo de ataques e defesas, Jace nunca admitiria, mas não estava tão confiante quanto queria, enquanto Bella tinha na sua cabeça aquela mesma voz que pensou ter morrido, mas ela estava ali e gritava: “Não o machuque! Só defenda!”.


Mas é claro que a Foragida contestava esse comando, mas a voz não dava respostas, ela simplesmente mandava.


Os ouvidos da Arma X – 4.863 eram muito mais sensíveis que os do Caçador, por esse fato ela foi capaz de escutar o barulho de humanos vindo até os dois antes dele, e, como Bella não era idiota, usou isso ao seu favor. Jace sentiu a mudança vinda dela no momento em que sua espada simplesmente cortou o ar em vez de entrar em contato com a sua arma. Antes mesmo de ele processar toda a informação, ela já vinha com tudo para cima do garoto.


Vou ser sincera, o caçador tentou se defender como pôde, é até louvável o fato de ele conseguir ver o ataque da foragida, mas foi só isso. O que aconteceu a seguir foi quase uma covardia: Bella fingiu que o atacaria pelo o lado esquerdo do seu corpo e, depois que Jace começou a levar a sua espada para lá, ela mudou a sua trajetória e acertou o calcanhar do seu pé de apoio.


E foi assim que, em dois movimentos, a foragida o mandou para o chão.


O caçador estava atordoado, mas tentou levantar a sua cabeça, quando deu de cara com a espada da sua inimiga apontada para a sua garganta. Então o sentimento de ultraje e ira se apoderou dentro do seu ser. Ele foi derrotado por uma garota, por uma garota menor que ele! Não, algo estava errado. Isso é impossível – Jace pensava enquanto tentava pensar em um plano para sair dali.


– Renda-se e eu talvez não te mate – Aquelas foram às primeiras palavras que ele escutou vindo de Bella, mas o caçador instantaneamente desejou contar a língua da foragida para nunca mais ter de escutar aquela voz que o fazia se sentir tão humilhado.

– O quê você é?! – Sem se conter, ele perguntou em um tom de raiva. E Bella, sentindo a ira do garoto, sorriu.

– Sabe, eu escuto essa pergunta com mais frequência do que o normal – Ela aguçou os ouvidos e sentiu que os intrusos estavam chegando perto – Quando eu souber a resposta eu te respondo. Mas agora eu tenho algumas outras coisinhas para resolver.

– Devagar aí! – A foragida gritou quando 4 jovens saíram da escuridão e entraram no espaço iluminado pela a luz da lua.


Os analisou com a sua mente super-desenvolvida. Franziu a sobrancelha quando notou que entre as duas garotas – uma alta de cabelos negros e com uma beleza que a fez ficar por um segundo para baixo, e outra uns centímetros menor que Bella, de cabelos ruivos e com algo metálico nas mãos – e do um garoto – provavelmente irmão da mais bonita, pois tinha o mesmo ar chocado e os cabelos negros – que tinha um vampiro no meio deles.


A foragida saiu daquela confusão mental de informações quando o garoto embaixo de si se mexeu.


– Saiam daqui! – Jace urrou, desejando, como nunca antes, matar a garota que conseguiu o mandar para o chão.

– Quieto – Bella nunca foi muito piedosa, mas o caçador estava com sorte, pois se fosse alguns anos antes, ela teria cortado um dos seus braços só por fazer ela mudar a atenção para ele.

– Solte-o! – A ruiva tomou um passo a frente, contudo, logo foi detida por um longo braço branco. O vampiro, de uma espécie diferente de Edward, era, aparentemente, o mais calmo dali.

– Oh, sim, e, talvez depois, eu deixarei você pentear o meu cabelo – O sarcasmo de Bella fez a garota piscar os olhos, surpresa.

– Digam logo onde os seus patrões estão e eu até poderei deixar vocês irem. – A arma X – 4.863 não conseguiu controlar o seu sorriso seguinte – Se bem que eu duvido que eles vão deixar vocês vivos, mas ao menos eu terei a minha consciência limpa.

– Do que você está falando?! – A expressão de confusão do garoto alto e branquelo de cabelos negros a fez sentir ainda mais raiva.

– Como se a Branca de Neve não soubesse – Bella rebateu, mas logo começou ficar tão confusa quanto eles.

– Espera, você não trabalham para os demônios? – A foragida se achou ridícula por fazer aquela pergunta, mas era um dos meios de fazê-los pensar naquele assunto para que pudesse entrar nas suas mentes e ver se estavam contando a verdade ou se era apenas outro blefe.


O quê ela viu na mente da irmã do Branca de Neve a fez querer se contar com a sua própria espada. Tudo aquele tempo jogado fora por um bando de crianças que queriam ser heróis!


– Céus, o que vocês são?! – Sem perder tempo, ela tirou a espada da garganta de Jace e virou as costas para ele.

– Tá bom, agora eu me perdi – O vampiro se pronunciou.


Bella notou, pelo o canto de olho, que os dois irmãos estavam se preparando para atacar junto com o garoto que estava as suas costas.


– Pelo amor de algo, vocês não vão conseguir encostar em mim, então parem de me fazer perder tempo. – A foragida não estava para brincadeiras. Jace, mancando um pouco, foi para o lado dos seus amigos, enquanto passava ao lado da garota que o tinha derrubado, ele teve que reunir toda a sua energia para não pular no pescoço dela e estrangulá-la.

– Vocês estão malucos? Eu percebi que vocês sabem da atividade demoníaca que está ocorrendo, e que não são simples humanos cegos, mas então porque fizeram a besteira de virem até aqui? – Ela sentiu-se como uma mãe – E você, seu idiota, se eu não tivesse te parado, há essa hora você já estaria morto. – Mirou a sua repreensão a Jace.

– Quem você acha que é para falar assim com a gente? – A Caçadora das Sombras dos cabelos negros e compridos se rebelou.

– Eu sou a pessoa que poderia matá-los com um estralar de dedos – A Arma X – 4.863 rosnou aquelas palavras. – Agora vão para as sua casas e finjam que nada aconteceu. – Embainhou a sua espada e estava prestes a se mandar dali, até que as próximas palavras a atingiram como um tapa:

– É o nosso trabalho – Jace prendeu a sua atenção, ele agora estava com a garota ruiva agachada ao seu lado, ela fazia alguma coisa no seu tornozelo, mas o que era não teve a mínima importância para Bella depois que ele completou a sua frase – Somos Caçadores. – A cabeça de Bella começou a doer de raiva. Como que poderiam envolver crianças naquele tipo de coisas?!

– Não, eu sou uma Caçadora. Vocês são só crianças com armas – Eles tinham que sair dali, era nisso que a foragida pensava.

– Eu sou mais velho do que você – O garoto moreno, cujo nome é Alex, não gostou nem um pouco do comentário – E somos sim Caçadores das Sombras – As três últimas palavras dele trouxe uma enxurrada de informações que se instalaram na mente de Bella.


Informações que mostraram que havia mais um tipo de humanos que davam a vida por outros que, muitas vezes, nunca iriam saber.


– Céus, por isso só acontece comigo? – Bella resmungou olhando para a lua que estava bonita demais para o que estava prestes a acontecer. – Tudo bem, vocês são caçadores, mas e daí? Esses demônios são muitos perigosos sozinhos, imagina então um exercito deles! É melhor vocês irem para as suas casas – A foragida os perfurou com o olhar.

– Se são tão perigosos, por que você vai enfrentá-los sozinha? Nós crescemos fazendo isso, essa vai ser só mais uma missão – A Arma X refletiu as palavras da ruiva. Enfrentá-los sozinhos... Isso a fez franzir a testa. Ela estava esquecendo-se de algo crucial, mas não conseguiu lembrar, pois a sua atenção foi logo mudada pela a segunda onda de tentativa.

– Nós já enfrentamos vários tipos de demônios – Jace declarou. O sorriso de deboche da foragida o fez fechar a cara.

– Não como esses. – Ela balançou a cabeça. Essa espécie era como a Classe A dos demônios.

– O que eles têm para serem tão perigosos? – A garota morena se revoltou.

– Você já matou um humano? – Bella se assustou com o jeito que essas palavras saíram da sua boca. Foi como se ela admitisse em voz alta que era uma assassina.

– Nunca! – A Caçadora exclamou ofendida.

– Pois é isso que a vai fazer ser morta em dois segundos quando tiver chegado lá. Esses demônios entram no corpo de humanos e subjugam a sua alma, comandando o seu corpo. – A Arma X – 4.863 comprimiu os lábios – Você mata um demônio e, em contra partida, mata um humano. Vocês estão prontos para isso? – Ela os examinou com olhos quase felinos, todos eles a olhavam da mesma forma de quando viam uma besta assassina: um misto de medo e revolta.

– Foi o que eu pensei – Conclui quando as expressões deles não se alteraram.

– Tem de haver outro jeito! – Jace se lançou a frente, não deixando, novamente, Bella ir embora – Nós não deixaremos você matar aqueles seres humanos – Hesitante, ele levantou a sua lamina Serafim, movimento esse que logo foi seguido pelo o outro garoto, a ruiva pegou uma espécie de estaca e a morena um chicote dourado. A foragida olhou para o vampiro esperando ver a sua arma, mas o olhar dele de “Fudeu Tudo” a fez desconsiderá-lo como um adversário.

– Será a morte de Centenas no lugar de Milhões. O que você prefere? – Suas palavras foram ácidas – E, céus, abaixe isso! Eu não quero machucá-los ainda mais. – Bella notou que por alguns segundos eles se abalaram com as suas palavras, mas logo tinham a postura de “Você Não Sai Daqui Sem Uma Luta”.


A Arma X – 4.863 estava se preparando para ir desarmá-los quando algo aparecendo por cima do ombro do garoto moreno a fez parar.


– Isso é um arco? – Tinha algo cutucando a sua mente, mas ela não conseguia se lembrar.

– É – O caçador franziu a testa e tirou a sua arma de suas costas.


No momento em que o seu olhar bateu no arco ela ofegou e suas pernas perderam a força, fazendo-a bambear.


– Edward – Ela soltou num sopro sofrido.

– Edward?! – Bella chamou girando em torno de si própria.


Mas ali não havia nem a sombra do vampiro de cabelos cor de cobre.


– EDWARD! – A foragida berrou para as sombras. O desespero se abateu dentro dela quando não houve nem um murmúrio do vento como resposta.

– Quem é Edward? – Perguntou a morena, mas Bella, no estado em que estava, nunca se lembraria de quem aquela pergunta saiu.

– Meu amigo – Nem virou o rosto para os caçadores. Foi um erro tê-lo trazido até ali, um erro que nunca deveria ter sido cometido. – A foragida pensava enquanto passava as suas mãos pelos os cabelos castanhos presos.

– Céus – Murmurou sentindo alguns de seus neurônios se suicidando dentro da sua cabeça para não serem ainda mais usados. – Estão vendo aqueles prédios abandonados ali? – Bella apontou para um lugar distante deles. – Aquele lugar é chamado de ponto negro do Central Park, muitos estabelecimentos tentaram serem abertos ali, mas o recorde de duração foi de um mês. Ninguém sabe o porquê que isso acontece, e eu estou sem tempo para explicar – A Arma X não sabia se era um grande erro fazer aquilo, mas a guinada dada na situação não deixava muitas alternativas.

– Enfim... – Ela precisou dar uma respirada a mais – Os demônios estão lá. – O dia estava nascendo e a foragida tinha que escolher entre o mundo e Edward.


Há uma coisa que vocês devem saber sobre essa garota: Bella nunca deixaria um parceiro para trás.


– Eu vou encontrar Edward, depois encontro vocês lá – Girou a sua espada, testando os seus reflexos, e procurou, dando uma rápida olhada em volta, o seu arco.

– Ah – A foragida se virou para eles antes de seguir o seu caminho – É uma armadilha, eles não hesitarão em atacar para matá-los, mas, pelo amor a algo, não morram. Beleza? – Sua voz era sincera e preocupada.


Soltou um suspiro e assentiu a cabeça para eles quando os viu lhe darem uma última olhada antes de sair correndo para o caminho que ela havia apontado. Bella fechou os olhos por alguns segundos e respirou profundamente. O cheiro doce e amargo, junto de um aroma cítrico, preencheu os pulmões dela.


Fadas. Fadas e Edward. Juntos.


O sentimento de apreensão tomou conta de seu coração. Quando se há fadas na jogada nada de bom acontece. Nunca. Pegou o seu arco e o colocou nas suas costas, então correu de uma forma que deixou um belo rastro de poeira atrás de si.


Bella se desviava de árvores, e passava por campos enormes, que provavelmente estariam cheios de humanos na parte ensolarada do dia. Ela parou dando uma derrapada, tendo até que agitar os braços para não cair. Pois, na sua frente, um rio seguia o seu caminho.

– Você deve estar brincando com a minha cara. – A foragida resmungou olhando para o céu. Mas, quando viu a posição da lua, logo tratou de amarrar bem o cadarço do seu tênis e calar as suas reclamações.


Mergulhou sentindo um leve choque térmico, mas rapidamente seguiu em frente. Bella nadava de um jeito estranho, usando somente as pernas para dar impulsão para o seu corpo, afinal, ela tinha uma de suas mãos ocupada em segurar o seu arco enquanto a outra se encarregava em levar a espada. Sem falar da careta em seu rosto. Um tubarão não se arriscaria em atacá-la, não enquanto ela estive com aquele humor.


Deixou boa parte do seu oxigênio escapar pela a sua boca no momento em que viu uma pequena gruta mais a frente. Bella não precisava de ar em baixo d’água, mas velhos hábitos são difíceis de serem largados. Fumantes que o diga. Forçou um pouco mais as suas pernas, até que conseguiu apoiar os seus pés em um solo arenoso.


A Foragida estava dentro da gruta. Mas não foi só ela que notou isso.


Vindo de um lugar praticamente inexistente, uma fada macho5 pulou em cima dela, mandado-a novamente para baixo. Bella levou exatos 1.5 segundos para se dar conta do que estava acontecendo e 0.6 segundos para furar o coração da criatura, manchando toda água de um dourado venenoso.


Ela nem pensou duas vezes em tratar de sair dali e pisar em terra firme, subiu em um pequeno barranco; logo se deparou com um longo corredor mal iluminado. Tirou a sua espada pondo um lindo sorriso em seu rosto. Bella não estava nem ai para disfarces ou em tentar se invisível. Atrapalhou o seu caminho, morria.


Agora era a vez das fadas aprenderem que ninguém mexe com os amigos da foragida. Ninguém.


O sentimento de ansiedade, misturados com um pingo de raiva, contagiavam Bella tanto quanto os caçadores. Enquanto ela tirava fora um braço de uma fada imensa e então dava um lindo corte em seu rosto, desfigurando toda e qualquer semelhança com um anjo que um dia aquela criatura tivera, eles corriam chegando cada vez mais perto para a missão mais perigosa das suas vidas.


Jace não era o líder do grupo, mas qualquer outra pessoa de fora que os visse junto diriam que sim. Seu rosto não tinha uma das suas melhores expressões, o que os fez correrem em um silêncio absoluto. Nenhum deles se atrevia a perguntar como ele foi parar no chão com uma espada apontada para a sua garganta, aquele não era o momento, e talvez esse nunca chegasse. Não quando o assunto era sobre Jace Wayland.


– Mas qual desses prédios é? – Eles agora estavam no meio de uma rua deserta, vários prédios abandonados se estendiam a frente. Clarie foi a primeira a pronunciar a dúvida que assolava a cabeça de todos ali.

– Esse – O vampiro apontou para uma velha casa noturna com um imenso letreiro pendurado escrito “Stars”. Em outrora tempo aquele lugar bombava. Durou exatas 3 semanas, quando, de uma noite para outra, ninguém mais apareceu.

– Como você sabe? – Perguntou Alex, mais conhecido por Branca de Neve

– A rastros de sangue nessa direção. E eu realmente não sei como vocês não conseguem sentir esse cheiro podre – Simon, o vamp, se pronunciou enrugando o nariz.

– Vamos lá, então – Pegando o seu chicote, a morena, Isabelle, tomou a frente.

– Espere – Jace segurou o cotovelo da garota – Lembra que a garota disse que eles tinham feito uma armadilha? – Ele olhou em volta, esperando, a qualquer instante, alguma coisa pular das sombras para cima deles.

– Não temos escolhas – Clarie, a ruiva, pegou a sua estaca de prata.

– Aqui – O primeiro caçador a conhecer a foragida jogou uma lamina serafim ao vampiro e logo pegou outra para ele. – Então vamos – Lançou um ultimo olhar para a sua namora e sentiu o seu coração parar uma única batida. A amaldiçoou por ser tão cabeça dura e querer entrar naquele mundo.


Então voltou o seu olhar para a sua frente e correu contra as grandes portas daquele lugar, chutando-as.


A foragida fazia a mesma coisa naquele exato instante, mas ao invés de chutar uma porta, ela chutava a cara de uma fada que acabou voando e caindo aos pés de uma espécie de trono feito por raízes de plantas e muitas, muitas flores. Bella se sentia como um animal. Mal o seu pensamento começa a formar, e ela já levava a ponta da sua espada paralelamente ao seu corpo, logo abaixo das axilas, e a afundava em algum ponto atrás do seu corpo.


Acabava de fazer um corte profundo na coxa de um dos seus adversários, quando uma voz se fez ouvida no recinto:


– Parem! – Bella ouvia o som de seu próprio rugido, mas não parava de rodar ao redor de si mesma procurando o seu próximo alvo.


Ninguém, além dela, se mexeu.


– Acalme-se criança mortal – Uma voz melodiosa soou a alguns metros da foragida, mas palavras não eram o suficiente para acalmar a fera dela, nem fazer com que abaixasse a sua espada.

– Vocês pegaram o meu amigo, eu o quero de volta – Agora a Arma X via quem estava falando e tinha a espada apontada para ela, mesmo estando vários metros longe uma da outra.


A rainha lançou um olhar para os seus súditos, fazendo-os se afastarem para as laterais, deixando somente as duas no saguão do “palácio”. Para um lugar no subsolo, o local era bem grande e, de alguma forma, bonito. Mas com certeza não era um lugar que turistas sentissem que gostariam de visitar.


– Nós não podemos “pegar” ninguém, é contra as leis. O seu amigo, se realmente estiver aqui, veio por que quis. – Bella avaliou aquela fada que seria eternamente jovem, com as suas mãos firmemente entrelaçadas na sua frente e possuidora de um sorriso que qualquer comissária de bordo desejaria depois de 3 horas de vôo com pessoas mal-educadas.


Ela estava com medo.


– Foda-se você e sua leis! – A foragida devolveu o sorriso – Eu não pedi explicações nenhuma. – O sorriso se fechou tão rápido quanto veio. – Te dou 2 segundos para dizer onde o meu amigo está antes de eu matar todos daqui e destruir cada canto até achá-lo. – Ela nunca se sentiu tão orgulhosa de morar com dois homens durante anos e aprender com eles todo um... vocabulário.

– Ele está ali – A rainha ficou, por alguns segundos, chocada pelas as palavras. Não deveria ser comum pessoas se dirigindo assim a ela. Então apontou para um ponto atrás de seu trono.


Pela a segunda vez na noite, Bella sentiu as suas pernas falharem.


Ela não conseguia vê-lo por inteiro, mas a sua mão caída no chão, sem qualquer tipo de movimentação, a fez pensar o pior. Correu, guardando a sua espada na bainha, até ele e, a alguns degraus do seu amigo, perdeu as forças e caiu. Arrastou-se com pôde. A foragida não sabia se era o chão ou se era ela, mas tudo a sua volta começou a tremer no instante em que o viu encostado numa parede de terra, imóvel.


– Edward – Bella sussurrou pegando nos dois lados do rosto dele. – Edward... acorda... por favor – Ela dava leves tapinhas no seu rosto.

– Fun...cinou? – Um abrir de olhos pela a metade e uma simples palavras dividida em duas. Foi tudo o que a Arma X conseguiu antes dele apagar novamente.


Bella tirou o seu casaco e o acomodou nele.


– Sua... VADIA! – Um alto estalo, provocado pela as costas da mão da foragida acertando o rosto de uma certa rainha, fez um eco tão grande que ninguém ousou se mover. – O que você fez com ele? – Poucas vezes se foi capaz de ver a Arma X perder o controle, e quando isso acontecia, nada de bom vinha depois.

– Apenas demos o que ele queria – A raiva era mais do que presente na voz daquela fada, mas, por mais humilhada que ela estivesse, não foi corajosa o suficiente para revidar. Fato esse que seria lembrado por séculos, denunciando a sua vergonha para todos.

– Fale logo o que ele pediu, vaca miserável – Bella sentia as suas mãos tremerem de raiva.

– Ele pediu para ser mortal – Um ofego foi escutado da foragida, fazendo com que a expressão da rainha passasse para uma sarcástica – Agora o seu veneno está sendo retirado do seu corpo. – Concluiu melodiosamente.

– Mas isso ira matá-lo! – As mãos da foragida foram novamente parar entre os fios do seu cabelo.

– Só realizamos o seu pedido – A voz daquela fada ecoou por alguns instantes no ouvido de Bella, antes dela começar tremer tanto que, por alguns segundos não viu, ouviu, ou sentiu nada.


“Elas te atraem e te entregam o que você mais deseja, mas de uma maneira que irá querer nunca ter pensado naquilo.”


– Não. – A Ama X balançava a cabeça, negando para si própria – Eu não vou deixar isso acontecer. – “Eu não vou deixar mais um amigo partir por minha culpa”.


Correu novamente para Edward, o qual agora estava estirado no chão, sentou-se ao seu lado e apoio a sua cabeça no seu colo. Puxou a barra da sua calça e tirou uma pequena adaga de dentro da sua meia. Sem perder tempo, levou até o seu pulso e fez um corte na horizontal. Dar o seu sangue para outra pessoa era perigoso, mas nesse caso, a última opção.


Forçou o seu braço até a sua boca, por alguns segundos não houve nada, o seu sangue apenas escorria. Bella tinha a testa franzida, se esforçando para deixar o ferimento aberto, mantendo a sua auto-regeneração longe. Sem se deixar abater, ela forçou ainda mais o pulso para dentro da boca dele, impulsionando o sangue para dentro da boca de Edward.


A foragida perdeu toda a sua concentração quando os olhos do vampiro se abriram de uma vez, mostrando uma escuridão mais profunda que o mar numa noite de eclipse total. Mais perigosos do que qualquer outra coisa que ela tenha visto. Tentou tirar o seu braço, mas garras de aço seguravam o mesmo, tornando quase impossível.


– Edward, pare – Bella começou a empurra a cabeça do seu novo amigo, mas cada gole dado do seu sangue, ele se tornava mais forte, ao mesmo instante que a deixava mais fraca.

– Pare! – Berrou, e, unindo as suas forças restantes, o jogou o mais longe o possível.


Mal o seu braço havia começado a cicatrizar e Edward já tinha saltado para cima dela. Usando uma das suas táticas de lutas, A Arma X apoio um dos seus joelhos na barriga do vampiro descontrolado e segurou firmemente os seus ombros, numa tentativa de afastá-lo, então, fazendo um grande esforço, girou ficando por cima.


– Se controle – Bella segurava nos dois lados da cabeça de Edward, enquanto sentava em cima do seu peito e prendinha os seus braços com os joelhos.


Imagine você ser um alcoólatra, por anos e anos sem nunca tocar numa gota de álcool, passando a viver somente com refrigerantes e água, e então, aquele vinho que você passou o resto da sua vida evitando, descesse pela a sua garganta. Sua bebida favorita na sua frente, suas barreiras caídas. Controle é uma palavra que simplesmente parou de existir.


O monstro de Edward tinha cumpriu a sua promessa: ele retornou.


Bella, naquele momento, estava certa de duas coisas: a) Ela tinha salvado Edward. b) E cavado a sua própria cova. O mundo estava por um fio no lado de fora daquele lugar subterrâneo, e ela iria morre ali, no covil de seus inimigos, soltando mais um monstro no mundo.


Não, monstro não – Se arrependeu no mesmo instante em pensar aquilo do seu amigo, mas ele tentar alcançar a sua garganta com os dentes não estava ajudando muito.


– Não seja aquilo que você lutou por anos contra – Bella mal ouviu a sua voz, pois os rosnados de Edward poderiam ser ouvidos até da superfície.

– Lute, Edward, lute! – O olhou dentro das suas íris, as quais tinham uma fina linha vermelha em volta do preto. Como se eles não fosse assustadores o suficiente sendo somente pretos.

– Lute! – Berrou, perdendo o controle.


No começo, Edward via na sua frente apenas um recipiente cheio de seu liquido favorito. Agora ele encarava um par de olhos castanhos como chocolates. Por alguns segundos os imaginou depois de drenar todo o sangue daquele pequeno corpo. A sensação de satisfação foi a maior que jamais obteve, mas então, logo depois disso, imaginou aqueles olhos sem o brilho que tanto o intrigou.


O atordoamento de sentir o seu coração dando uma pontada o fez parar de lutar.


Mas o seu monstro nunca desistia fácil. Logo ele estava tomando conta de uma parte do seu corpo, mas a sua imaginação era tão forte quanto aquele lado vergonhoso que Edward escondia por anos. Após ver os olhos sem vida, tentou idealizar um mundo sem aquela voz sarcástica com uma resposta para tudo.


Tentou imaginar um mundo se a pessoa que mais acreditou nele.


Foi o suficiente para fazer o seu monstro calar a boca. Agora era só o Edward em um mundo paralelo, sem nenhuma voz dizendo o que deveria fazer, ou afirmando o que sobre o que ele era. A decisão sobre o seu futuro estava novamente em suas mãos. Ceder ao monstro ou lutar contra ele?


Lutar.


A resposta veio tão rápido que chegou a sentir um calafrio. Edward se decidiu lutar por que ele queria ser quem ele era e ser um monstro era ser outra coisa. Sentir aquela estranha paz se instalando dentro de si o fez realmente pensar que tinha parado no céu.


– Estamos orgulhosos de você – Uma mulher linda — com longos cabelos castanhos, presos em um coque, e olhos verdes como esmeraldas, abraçada junto de um homem alto, de cabelos cor de cobre e o rosto cheio de rugas provocadas pelos os seus constantes sorrisos — falou com os olhos cheios de lágrimas.


Edward instantaneamente quis avançar para abraçar a sua mãe. Mas a sua imagem e a do seu pai se dissiparam como se fossem fumaças. Aquilo era uma lembrança de quando Edward era apenas uma criança e havia salvado uma garotinha que tinha caído dentro de um lago. Pensara que todas as suas recordações humanas tinham sumido, mas aquela retornou. Retornou por que Edward tinha certeza que essas seriam as palavras que a sua mãe diria depois de ter tomado essa atitude.


Sentindo que era impossível o ar entrar em seus pulmões, Edward abriu os olhos. E novamente aquelas orbes castanhas estavam lá. Tentou se mover mais isso também se tornou algo que não conseguia fazer. Franziu a testa quando realmente se deu conta do que estava acontecendo.


– Bella, sai de cima de mim – Reclamou com a sua última sobra de ar.


A foragida nem se mexeu.


Ela estava tão concentrada em não o deixar atacá-la, ou soltá-lo para o mundo humano, que as palavras saídas da boca do seu novo amigo pareceram apenas uma armação da sua cabeça. Então notou que ele não mais se mexia e que os seus olhos tinham voltado para o dourado.


– Você não vai mais me atacar? – Perguntou como se ele tentar matá-la fosse algo natural.


Edward, sem nenhum ar para mandar para as suas cordas vocais, se limitou em puxar o canto da boca e mandar um olhar cético enquanto negava com a cabeça.


– Você conseguiu! – Antes de se dar conta que aquele grito saiu de Bella, Edward já estava de pé, sendo balançado pelo o abraço mais que eufórico que a foragida lhe dava. – Eu estou tão orgulhosa! – Ao ouvir essas palavras vindas da sua nova amiga, o vampiro fechou os olhos por alguns instantes sentindo uma quase esquecida sensação de estar em casa.


Foi quando ela se afastou dele que o vampiro notou que algo estava errado. Suas pernas não lhe obedeciam e os seus olhos agora pesavam mais que o seu corpo inteiro. Ele sabia que teria dado de cara no chão, se não fosse Bella segurando-lhe antes de atingi-lo.


– Tudo bem – Ouviu aquela voz calma e bondosa perto do seu ouvido. – Você usou energia demais. Meu sangue, meus problemas. Agora você irá dormir e quando acordar ira ver que tudo está bem – A foragida o aninhou em seu colo e ficou de pé.


Os sentimentos que passaram por Bella ao ver todas aquelas fadas presenciando aquele momento tão íntimo com seu amigo são quase impossíveis de traduzir. Bem, a não ser o da raiva por quase matarem Edward. Desceu os exatos três degraus e olhou fada por fada que estava presente.


– Tentem alguma coisa, e eu os matarei sem precisar usar as mãos – Estreitou as mãos em volta do seu amigo sentindo-se como se fosse uma mãe protegendo um filho.

– Pelos os seus atos inescrupulosos, aquele que tentar sair, ou entrar nesse reino será morto. – Tentou sentir um pingo de pena deles, mas não conseguiu.

– O mundo perecerá sem nós. – Agora sim a rainha parecia uma verdadeira rainha, com o seu queixo erguido e sua voz arrogante.

– Não, o mundo evoluirá sem vocês. – Bella nunca esteve tão certa de suas palavras como quando pronunciou essas – Todo o ser tem uma capacidade infinita de adaptação. O mundo seguirá em frente e vocês também deverão tentar seguir. Estou dando-lhes uma chance, eu poderia agora mesma matar todos daqui, mas apenas vou prendê-los. – Foi a sua vez de erguer o queixo e andar com passos altivos pelo o corredor de fadas.


A foragida escutava várias vozes atrás de si, mas ignorou-as. Sabia que ninguém a atacaria, então continuou a andar pelo o enorme corredor. Hesitou por um instante em frente de toda aquela água, aquilo a enfraqueceria, mas era preciso.


– Água, por favor, abra caminho para mim – Se sentido o próprio Moisés, Bella viu toda a aquela imensidão líquida abrir um caminho para ela. Virou-se para trás – Terra, não deixe mais ninguém sair ou entrar nesse reino, por favor. – Concluiu, sem remorso algum, e tratou de seguir o caminho aberto a sua frente.


Chegou até um pequeno porto, onde vários botes estavam enfileirados. Pisou na terra cheia de folhagens e se virou.


– Obrigada, água. – Então o corredor feito de água sumiu, como se nunca tivesse existido.

– Você precisa ficar em um lugar seguro – Murmurou olhando para o vampiro que estava “hibernando”


Olhou a sua volta, sem saber o que exatamente o procurava. Até que viu um pequeno barracão, provavelmente feito para guardar materiais para a prática de canoagem. Descobriu estar certa quando arrombou o cadeado e deu de cara com vários coletes salva-vidas e remos.


Jogou alguns coletes no chão, tentando fazer uma espécie de cama, e, com cuidado, deitou Edward em cima deles. Pegou um remo feito de madeira, pelo o jeito o único não sendo de outro material sintético, e o apoiou no chão, usando uma das suas flechas como lápis, escreveu a seguinte frase:


“Volto logo. Não saia daqui.”


Fez uma careta ao ver como ficara a sua letra, mas apenas deixou o remo ao lado do seu amigo e saiu dali, fechando a porta de um jeito que fosse quase impossível abrir. Agora era à hora de salvar o mundo. Correu para a parte mais negra do Central Park e não hesitou em atravessar a rua e entrar naquele prédio abandonado.


Céus – Foi à primeira coisa que ela pensou ao ver aquele mundo de demônios.


Era praticamente impossível todos caberem ali, mas aquela não era hora de testar teoremas de físicas. Tirou a sua espada para se juntar a luta, contudo, deixou o seu lado animal de lado por um instante e se pôs a pensar. Bella estava fraca demais para enfrentar todos dos demônios ali, um por um. Ela precisava de algo mais rápido e forte.


Olhou para o teto e percebeu que era um prédio de dois andares. Estava prestes a correr para achar uma escada de acesso, quando notou algo mais. Eram caixas de som. O lugar era uma boate, ela percebeu sorrindo. Abriu uma porta lateral, ainda despercebida por todos que estava ali, mas encontrou apenas entulhos e muita poeira.


Partiu para próxima, e lá estava ela, uma escada em forma de caracol com um grande poste de metal no meio dela, servindo como apoio. Começou a subir por ela, amaldiçoando o cara que tinha inventado aquilo, até chegar a outro corredor, o qual deveria ter uma aparência linda antes de ser abandonado. Uma porta cada lado tinha uma plaquinha escrita VIP, e o resto era só paredes.


Não era aquilo que Bella estava procurando. Quis xingar o mundo todo ao ver que a sala que procurava estava do outro lado da boate. Ela tinha subido a escada errada, mas não tinha tempo de descer, passar por toda aquela guerra, e subir novamente. A foragida tinha que encontrar outro jeito.


Arriscou dar uma olhada para baixo, se apoiando na grade de proteção de aço, mas se arrependeu, pois isso serviu apenas para ver o garoto vampiro levar um belo de um soco no nariz. Se inclinou para trás, segurando a grade e desviando os olhos. Voltou a olhar para as suas mãos.


Foi aí que a idéia de gênio, ou de idiota, assolou a sua cabeça.


Deu um impulso e, de uma maneira que nem ela mesma entendeu, já estava em pé em cima da grade, abrindo os seus braços para não cair e estragar todo o plano, ao poucos, começou a andar se sentindo uma verdadeira artista de circo, o caminho era grande e a grade estava posta na forma de circulo. Tudo para facilitar a vida da foragida.


Nenhum dos caçadores percebeu Bella andando em cima das suas cabeças, bem, acho que com toda a surra que estavam levando, era difícil notar qualquer coisa. Jace constantemente se metia na frente de Clarie, levando todo o ataque que era destinado a ela. Em qualquer outro momento ela se irritaria, mas não nesse momento, não nessa luta.


Isabelle acabava de enrolar o seu chicote no pescoço de um demônio quando um som estridente tomou conta de todo o local. Foi impossível não parar e procurar a fonte, ou como no caso de Simon, tampar os ouvidos. Enquanto todos procuravam de onde vinha aquele barulho gritante, Bella tentava arrumar aquele mundo de fios na sua frente. Não fazia muito tempo que encontrara o lugar que procurava: a sala de áudio.


Tudo ali era ligado a um gerador portátil, uma boa estratégia para quando a energia acabasse e o local estivesse no meio do seu horário de funcionamento. A Arma X pela a primeira vez naquela noite percebeu que o azar finalmente havia dado uma trégua. Quais eram as chances de encontrar aquele gerador ali, praticamente sem ter sido utilizado? Quase nulas.


Apoiou-se, por alguns segundos, no painel de som. Era a segunda tontura por fraqueza naquela noite. A foragida estava usando muita energia, e ela estava mais do que ciente disso. Balançou a cabeça e voltou ao trabalho. Bella pensou que provavelmente choraria de alegria quando viu as luzes, indicando que havia conseguido ligar aquela parafernália tecnológica, acenderem, bom, isso se ela chorasse.


O barulho irritante já tinha parado, mas agora outro, produzido pelo o contato da Arma X com um milagroso microfone, soou ainda mais forte. Ela estava pronta para levá-lo a boca quando o som de alguém, ou alguma coisa, tentaram arrombar a porta do local onde estava. Correu para ela, mas foi impedida pelo o curto fio do microfone.


– Ar, por favor, faça pressão contra a porta, não deixando que eles entrem – Pediu, sentindo a terceira tontura daquela noite.


Respirou fundo e resolveu não perder mais tempo.


– Espírito, de forças as outras almas daqui e ajude-as a expulsar as forças malignas que possuíram os seus corpos. – Mal acabou de falar e deixou o microfone cair. Sabia que todos que escutaram a sua voz iriam obedecê-la, mas isso não impediria de ser mais uma vez drenada.


Se encolheu quando um misto de gritos masculinos e femininos foram ouvido e então um silêncio profundo se instalou no recinto inteiro. Murmurou um agradecimento ao elemento ar antes de cair no empoeirado chão, sentiu os seus sentidos quererem partir, contudo, se recusou a deixá-los irem.


Ela tentou se levantar, mais do que muitas pessoas tentariam, mas foi em vão. Então apenas ficou deitada, se esforçando ao máximo para deixar os seus olhos abertos. Escutou quando a porta foi rudemente aberta, mas não teve forças ver quem havia entrado. Agradeceu a qualquer entidade divina de plantão quando se sentiu sendo erguida e percebeu que era um aliado e não um inimigo que estava presente.


– Está tudo bem – Ouviu alguém dizer, achou primeiro que era Jace, mas depois de tudo o que havia feito para ele, se recusou a acreditar.


Sentiu uma queimação em cima do seu pulso direito, quis puxá-lo, mas garras de ferro não a deixaram. E então, quando o fogo acabou, sentiu que o seu sangue havia voltado a circular. Tentou sentar e conseguiu de primeira. Puxou o seu braço e se surpreendeu quando ele veio facilmente. Olhou o seu pulso direito e estranhou ao ver uma tatuagem nele.


– O que é isso? – Perguntou para si própria.

– Significa cura. Ela vai te dar energia por algum tempo – Levantou a cabeça em um átimo ao ouvir outra voz responder a pergunta feita para si própria.


Piscou os olhos quando viu que primeiramente estava certa e que era Jace quem havia entrado.


– Obrigado – O olhou profundamente – E, cara, desculpe pelo o jeito que eu te tratei – Odiou ao se dar conta que estava corando, mas não desviou o olhar.

– Eu teria feito a mesma coisa – Concluiu que o assunto estava encerado no instante que o caçador estendeu a mão para ela.


A foragida a aceitou de bom agrado.


– O que está acontecendo? – Bella murmurou finalmente escutando o barulho de voz no andar de baixo.

– Os outros estão encaminhando os humanos para fora – Os dois desceram a escada normal, pelo o jeito as frescuras ficavam apenas para os VIPs. E logo deram de cara com um mundo de pessoas confusas e amedrontadas sendo guiadas pela a única porta que ficava do outro lado do recinto.

– Qual é a historia que vocês estão passando para eles? – A Arma X perguntou colocando a mão na cabeça que começava a doer.

– O Magnus, um bruxo, colocou uma espécie de portal na porta, assim, todo mundano que passar por ela vai se esquecer do que aconteceu e voltará para o lugar de onde veio – Jace observou a garota no seu lado esperando algum comentário, afinal, não era qualquer um que ficava quieto ao escutar a menção da palavra bruxo e portal do esquecimento em uma frase e ficava quieto.


O que ele não sabia é que estava falando com Isabella Swan. A garota que não se assustava com mais nada.


– Esperto – Foi tudo o que a foragida falou.


Caminharam até onde os outros caçadores estavam, eles tinham mais hematomas do que era visível, mas ninguém quis comentar sobre o que havia acontecido ali dentro. O mundo estava salvo. Pronto, agora todos poderiam ir comer uns donuts. Menos Bella, é claro.


O dia estava amanhecendo e ela ainda precisava ter aquela conversinha com o líder do grupo e deixar Edward em um lugar mais seguro do que uma casinha de equipamentos. Olhou aquele amontoado de pessoas se embolando na saída do prédio, o egoísmo estava mais do que presente. Ninguém queria ser o último.


– Precisamos sair logo daqui – A foragida comentou ficando cada vez mais impaciente.

– Ah, oi – Acenou com a cabeça para um jovem com calças mais do que justa vermelhas, uma blusa de mangas longas cheia de lantejoulas pratas, tudo finalizado com um berrante cachecol também vermelho. Precisou piscar os olhos até se acostumar com a mistura de cores.

– Oi! – Acenou – Então é você que deu uma surra no caçador ali? – Apontou para Jace – Querida, virei a sua fã! – Mal terminou de falar e já recebera uma cotovelada do Branca de Neve.

– Temos que esperar que todos eles saiam antes. – Clarie, a ruiva, tratou logo de mudar de assunto – As saídas de emergência estão todas bloqueadas por um monte de caixas. – Lançou um olhar de impotência.


Bella suspirou e pegou a sua varinha.


– O que é isso? Um graveto? – O vampiro tinha uma sobrancelha arqueada.

– Não. Isso é uma varinha. – A foragida estreitou o olhar para ele.

– E a diferença é... – Balançou as mãos, indicando para a Arma X terminar a frase.

– Gravetos não podem te estuporar. – Sorriu para ele. O olhar de “Não entendi” foi coletivo.

– Venham, encostem-se à minha mão – Esticou a esquerda, enquanto preparava mentalmente o feitiço de aparatação.

– Vamos logo! – Se irritou quando ninguém se mexeu.

– Cara, eu ia até argumentar, mas depois do que você fez com o Jace, acho melhor só obedecer – O vampiro deu de ombros e levou a sua mão até os dedos da foragida.

– Podem tocar nos meus ombros também – Comentou quando um por um levaram a mão até ela.

– Aviso numero 1: Não se soltem por nada nesse mundo. Aviso número 2: É natural a sensação de enjoou. Aviso número 3: Partes do corpo perdidos serão repostos. – Bella não esperou a reação deles quanto as suas palavras, e rapidamente lançou o feitiço aparatar.


Apareceram na frente do pequeno barracão onde Edward estava. Mal pisaram no solo e todos já tinham se separado, vômito não foi o que faltou. A Arma X suspirou e os observou, tentando ver se alguma havia se destrunchado. Ficou aliviada quando viu que tudo estava normal, fora, é claro, a enxurrada de alimentos ainda não processados.


– O quê você é? – Bella bufou ao escutar novamente aquela pergunta, agora vinda da garota dos cabelos pretos e compridos.

– O Fashionista ali sabe – Apontou para Magnus, o bruxo, o qual se recuperou mais rápido que os demais.

– Ela é uma bruxa. – Ele afirmou lançando a foragida um olhar de respeito.

– Expulsa com todas as honras da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts – Fez uma pequena mensura.

– Hogwarts realmente existe? – Magnus tinha os olhos brilhantes.

– Com cada escada e torre. – Bella sorriu nostálgica por um instante. O seu sorriso parou no momento em que escutou um gemido.

– Edward! – Exclamou indo para a porta do depósito e a abrindo com um pequeno baque seco.


Se ajoelhou perto do vampiro ainda adormecido e retirou cuidadosamente o remo de perto dele.


– Ei, acorde dorminhoco – O balançou carinhosamente.

– Eu sonhei – Foi a primeira coisa que Edward disse depois de esfregar os olhos secos e se sentar.

– Depois eu vou querer saber sobre o que era – A foragida afagou o braço do seu amigo – Mas agora precisamos ir – Ajudou a levantar.


Caminharam os poucos passos para fora do depósito.


– Há alguma entrada para o Olímpio ai dentro? – O Fashionista perguntou erguendo as sobrancelhas. Apenas ele notou o olhar feio do seu namorado Alex.

– A entrada se localiza no prédio Empare State – Bella o respondeu distraidamente. – Oh – Soltou quando entendeu a pergunta. Olhou para Edward, e constatou de uma forma surpresa que ele realmente era bonito.


Mas todos os vampiros eram. Bem, menos o outro ali presente.


– Por favor, fiquem um pouco com ele, levem-no a um lugar seguro. Eu só preciso resolver mais um problema – Passou Edward para Jace, o seu amigo vampiro ainda estava muito mal. Não demoraria muito a cair novamente no sono.

– Nós vamos para o instituto, então. – Simon, o outro vampiro, afirmou enquanto passava um dos braços de Edward ao redor do seu pescoço, o deixando ente ele e Jace.

– Até logo – Foi a última coisa que ouviram da foragida antes dela sumir em pleno ar.


Brooklin.


Foi nesse lugar que uma figura pequena e magra apareceu do nada. Bella movia-se pelas as estreitas vielas sentindo que a escuridão dominava o mundo e que o calor nunca existira. Como dizem: É quando está mais perto de amanhecer que o dia fica mais escuro. Sendo umas 4:30 da manhã, com poucos trechos iluminados pelos os postes de energia que aguentaram firmemente aos atos de vandalismo, que a foragida percebeu o quanto aquela afirmação estava certa.


Snomed – Esse era o nome do pequeno prédio onde a Arma X estava parada. Bufou ao notar o nada sutil nome. Demons6. Tirou a sua espada e caminhou para a porta da frente. Chegara a hora de conversar com o chefe. Abriu a porta sem tentar em ser discreta, ela sabia que eles observavam os seus passos desde o momento em que havia aparatado ali.


Bella se sentia uma idiota por não ter notado antes todas as pistas deixadas para ela. Por que aquele demônio arrogante parou aqui, e não foi direto para junto dos outro? Era simples: ele sabia do rastreador e queria que ela viesse até ao encontro dele. Mas o que ainda assolava a cabeça da foragida era tentar saber o porquê de ainda querer ela ali. Todo o seu exercito estava destruído, não tinha mais como ameaçá-la. Então por que não fugir e salvar a sua pele?


Parou de pensar em tantas questões quando um demônio apareceu na sua frente.


– Por aqui – Indicou com um braço a porta que ela deveria entrar.

– Obrigada – Bella agradeceu antes de enfiar a sua espada naquela criatura. Olhou-o voltar para a casa do seu pai infernal com um sorriso maníaco no rosto. Depois se abaixou e colocou a mão em cima do ferimento infringido naquele ser humano inocente e com alguns comandos via pensamentos, o curou.


Ele ficaria inconsciente por algum tempo, mas só o suficiente para a foragida acabar os seus negócios e sair dali. Abriu sem cerimônia a porta indicada pelo o morto demônio e entrou sem se importar em falar algo. Foi impossível não arquear as sobrancelhas quando viu a pessoa sentada na cadeira.


– Você de novo – Comentou para o demônio garoto de recados.

– Eu realmente gostaria de dizer que era um prazer revê-la, mas suponho que isso não seja possível – O demônio deu sorriso que arrepiaria até o mais durão dos homens.

– Onde está o seu chefe? – A Arma X se impacientou.

– Você esta falando com ele – Abriu os braços, num gesto demonstrativo e arrogante.

– Conta outra. – Bella riu se apoiando em uma cadeira na sua frente – Você está mais para secretaria do que para chefe – Concluiu maldosamente.

– Eu não riria se fosse você – Ele ainda tinha uma postura aparentemente tranquila – Não quando eu tenho o controle para acabar com boa parte do mundo – Cruzou os braços atrás da cabeça, avaliando a reação da foragida.

– Não sei se você já sabe, mas o seu exercito de merda já era, foi fácil assim acabar com ele – Fez um pequeno estalo com os seus dedos, dando mais ênfase nas suas palavras. Agora foi a vez de Bella o avaliar.

– Concordo que eu estava errado, você é um pouco do que falavam. Mas, só para garantir se alguma coisa assim acontecesse, eu já tinha preparado um plano B – Bella estreitou os olhos para ele. Pedia mentalmente que não fosse algo muito grande. Não sabia até quando aquela “tatuagem” aguentaria.

– O que você quer? – A Arma X soltou a sua confusão interna. – Não, a questão certa é: Por qual motivo eu não te mato agora mesmo? – Jogou a cadeira que antes se apoiava para o lado e se inclinou para cima da mesa.

– Porque, se eu morrer, o seu amigo vampiro morre junto – O demônio observou, com prazer, a foragida dar um passo para trás, atordoada.

– Como? – A cabeça de Bella era uma confusão. Edward estava seguro, não estava?

– Eu fiz um pequeno acordo com as fadas. Nesse momento, ele deve estar quase morto por uma toxina desenvolvida por mim mesmo. E a qual só eu tenho a cura – Ergueu um pequeno frasco com um liquido verde escuro.


Bella riu tanto que a sua barriga começou até a dar alguns espasmos de dor.


– Do que você esta rindo? – Perguntou pela a primeira vez perdendo a sua pose de tranquilidade.

– Cara, você tá morto – Bella falou quando conseguiu se acalmar.

– Mas... – Agora era ele o confuso. O demônio realmente não estava entendendo. Ela devia estar comendo na sua mão, certo? Errado.

– O vampiro já esta mais do que salvo e as suas queridinhas fadas já estão pagando pelo o que fizeram – A Arma X moveu-se como se fosse o próprio ar e, antes do demônio se dar conta que ela não estava mais na sua frente, a foragida já estava ao seu lado – Lembra da minha promessa? – Sussurrou no ouvido dele.


Antes de haver qualquer reação por parte do demônio, Bella já fizera um pequeno corte no seu braço.


– Sua morte vai ser lenta e dolorida – Caminhou lentamente para a cadeira caída, deixou-a novamente em pé. – O material da minha espada é um veneno mortal para vocês. Assim, você sentirá cada pedaço do seu ser se queimar, desde o seu dedo mindinho ao último fio do seu cabelo. – A foragida explicou com prazer e então se sentou cruzando as suas pernas.


– E quando você menos esperar – Citou uma parte da sua promessa enquanto o via cair no chão gritando de dor – Já estará nos portões da casa do seu pai – Bella levantou-se novamente e andou até o seu inimigo, ficou parada ao seu lado, então pisou no seu pescoço, o forçando a encará-la. – Isso é para você aprender que ninguém mexe comigo, ou com os amigos de Isabella Swan – Encarou aqueles olhos pretos como a existência de qualquer demônio, até eles desaparecerem por completo.


Quando notou que o demônio realmente tinha partido e que estava sozinha na sala, a Arma X se deu ao luxo de se apoiar na mesa esperando toda a aquela tontura passar. Respirou fundo, fechando os olhos fortemente, e se encaminhou para a saída sem olhar para trás.


O que foi um erro.


Bella estava fraca, mas os seus instintos ainda estavam funcionando, e foram esses mesmos que a salvaram novamente. Abaixou-se no exato momento em que uma faca de caçadores comuns, desses humanos que caçam ursos e alces, passou no local onde estaria o seu pescoço. Ainda agachada, girou esticando uma das suas pernas, passando assim uma rasteira no seu agressor. Mal o corpo tinha atingindo o chão, e a foragida já tinha sua espada em mãos, em uma posição fatal.


– Você deveria ter morrido na primeira vez – Pronunciou em meio ao seu rosnado.


Sem dar chances dessa vez, abaixou a sua espada no coração da criatura sem um pingo de piedade. Retirou a sua arma vendo-a surgir cheia de sangue. Limpou-a em sua calça e a embainhou. Curou o garoto humano que fora possuído e saiu daquele prédio sabendo que todos os outros demônios presentes já teriam se mandado dali a muito tempo.


A foragida parou no meio da rua, sem se importar se algum veiculo ou um ser humano passasse por ali, e olhou o seu rastreador. O ponto vermelho já a muito vinha sumido, e agora piscava um ponto azul. Edward estava ali. Por um segundo se sentiu mal por colocar um rastreador no seu amigo, mas logo apagou aquele sentimento pensando que era por algo bom.


Aparatou aparecendo em um grande prédio, parecendo uma igreja, subiu os poucos degraus e parou em frente da imponente porta. Deu apenas uma batida na mesma, e estreitou os olhos quando ela abriu-se sem impor impedimento algum. Entrou e, por questão de centímetros, não pisou em um gorducho gato.


– Oi, amiguinho – Se abaixou e fez um leve cafuné na cabeça do bichano.


Ajeitou a postura e olhou em volta. Para onde ir? Mal as dúvidas tinham começado quando sentiu algo puxando a sua calça jeans. Mirou o seu olhar para baixo e suspirou no momento que notou que era o pequeno animalzinho.


– Desculpa gatinho, mas eu não posso brincar com você – Ouviu um Munf de resposta e um virar de rabo. O observou caminhar com a testa franzida, até o mesmo parar e – Bella começou a se preocupar com a sua mente – lançar um olhar irritado.

– Você quer que eu te siga? – Perguntou se sentindo em um filme B, onde os animais sabem jogar futebol ou curar pessoas.


Sem saber direito o que estava fazendo, a foragida começou a segui-lo. Caminhou um poucos metros até parar na frente de um elevador, com o gato olhando-a de forma intensa.


– Eu entendi – Resmungou apertando o botão ao lado das portas. Esperou, batendo o pé no chão, até a chegada do mesmo.


Entrou, dando um espaço para o animalzinho, e ergueu as sobrancelhas quando viu que só havia dois andares. Apertou o botão para ir ao andar de cima. Povo preguiçoso. Subir escadas não mataria ninguém. Lançou um olhar para o gato roliço e pensou se o resto do pessoal da casa também seria sedentário. Provavelmente não, mas aquilo não tinha importância alguma no momento. Saiu das portas do elevador, quando o mesmo parou, e deu de cara com o Branca de Neve.


– A porta estava aberta – Bella falou ligeiro, erguendo as barreiras da sua defesa.

– Tudo bem – Alex mostrou uma expressão confusa por alguns instantes – O seu amigo está por aqui – Logo pareceu se esquecer do que tanto o confundia e indicou o lado direito do corredor onde estavam parados.


A foragida sentia a ansiedade dançar um samba na sua barriga, mas se manteve forte e conteve a sua expressão. Chegaram a frente de uma modesta porta, igual a todas as outras que se seguiam pelo o imenso corredor, e entraram na mesma. A Arma X não conseguiu mais manter a sua expressão fria e correu para o lado do seu amigo.


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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

– Está tudo bem agora – Murmurou depois de um tempo o olhando dormir profundamente. – Não vou deixar nada mais te tocar – Puxou a única cadeira no quarto e sentou-se ao lado de Edward.


Em algum momento ouviu o leve barulho da porta do quarto ser fechada, mas não se importou em levantar o olhar. O cansaço travava uma luta feroz dentro do seu ser, mas não se deixou ser vencida. Devia aquilo a Edward. Seu merecido sono viria depois.


– Sonhador, acorde – Bella piscou os olhos, tentando saber de onde raios saíra aquele apelido, mas sorriu vendo que se encaixava com ele. Um vampiro que sonhava em ser algo melhor.

– Temos que voltar para casa, Edward – O chacoalhou tentando ser gentil.


A Arma X deu um grande sorriso, um dos seus melhores, quando começou a ver um par de olhos dourados.


– Bella – Ele sentou-se olhando-a – Onde estamos? – Perguntou alongando os braços.

– Ainda em Nova York – O respondeu tentando esconder a inveja que invadia o seu corpo ao notar o quão bem disposto o seu Sonhador estava. – Eu te acordei para irmos – Levantou-se e quase atingiu o chão devido à fraqueza que passou pelo o seu corpo.


Edward estava de volta e a sua super velocidade foi mais do que bem vinda quando notou que a foragida finalmente cedia para a gravidade.


– Você está bem? – Perguntou enquanto sentava a Arma X na cama onde estava há minutos antes.

– Estou, isso logo passa – Bella assentiu com a cabeça, mas logo se arrependeu, pois a tontura que se passou novamente pelo o seu corpo foi quase capaz de tombá-la.

– Eu já volto – Enquanto tinha a cabeça apoiada nos seus joelhos, a foragida escutou o murmúrio do seu amigo antes de sentir uma lufada de vento bagunçar as suas madeixas.

– Aqui – Mais rápido do que uma piscada, Edward já estava de volta com um copo com água em mãos.

– Obrigada – A Arma X falou depois de virar todo o liquido de uma vez, sentiu o gosto do açúcar misturado na água. Não foi muito, mas já começara a se sentir melhor.

– Você não acha melhor ficar aqui por enquanto? – O Sonhador se sentou ao lado dela.

– Não. Eu quero ir para casa. Depois de tudo o que aconteceu aqui, eu nunca conseguiria descansar – Bella murmurou e então se esforçou ao máximo, até ficar de pé.

– Se você quer assim... – O vampiro suspirou e a ajudou a equilibrar-se.


Bella tirou a sua varinha e apontou para o abajur. Pronunciou o feitiço de transfiguração nele e, instantaneamente, um lápis e uma folha de papel apareceram. Caminhou-se até eles e escreveu, tentando deixar a sua letra a mais legível o possível:


Me desculpem pelo o modo como vos tratei e obrigado por cuidarem do meu amigo e me ajudarem. Vocês são verdadeiros heróis. Adeus.

P.S.: Desculpem pelo o abajur.

Bella Swan

A foragida deixou o pequeno bilhete em cima da cama e segurou a mão do seu amigo, aparatando logo em seguida. Enquanto se sentia ser puxada pelo umbigo, Bella quase perdeu a noção de onde estava ou para onde deveria ir. Apenas não se deixou se levar por esse forte imã pela a fria e forte mão do seu Sonhador apertando a sua, mostrando que ele estaria ali, não importasse para onde fossem. Usou todo o seu esforço e em seguida apareceram no quintal da sua casa.


A primeira coisa que Bella fez foi procurar o seu amigo, e não conseguiu conter um sorriso ao perceber que dessa vez ele não vomitara. Seu sorriso se apagou quando as sua forças novamente a abandonaram. Não soube por quanto tempo ficou apagada, mas algo cutucava a sua mente tão insistentemente que conseguiu ajuntar forças para abrir os olhos por mais uma vez.


Demorou para entender o que estava acontecendo, e quando descobriu o que era quase teve vontade de votar para a santa ignorância. Edward a carregava no colo, subindo as escadas da casa da sua amiga, agora apagada pelo o cansaço. Ele sabia muito bem o quão forte poderia ser a persuasão do sono, tento que seu tempo de resistência fora mínimo.


A foragida sabia que se não estivesse tão cansada, teria corado. O Sonhador agora a colocava na cama, tirando apenas os seus sapatos e puxando o seu edredom para cobri-la.


– Você ainda não disse sobre o que sonhou – Comentou enquanto se virava a abraçava o travesseiro.

– Outra hora eu te conto – Bella não sabia se eram essas palavras que foram ditas, mas tinha certeza que fora algo parecido.

– Me diz agora – Tentou fazer um biquinho, contudo, o que conseguiu foi apenas um bocejo.

– Eu sonhei com você. – Edward disse, se lembrando de como ela se vestia, agia e falava: como a maior heroína do mundo. Como a sua heroína.


A Arma X tinha certeza que o seu amigo dissera mais alguma coisa, mas dessa vez o sono a pegara de vez.



Notas:


1 — O popular “branco”.

2- Nos EUA, a maioridade só é atingida aos 21.

3 — Personagem de Cassandra Claire, do livro “Os Instrumentos Mortais”. Se você puder, leia. É muito bom, tão bom que até na capa há uma recomendação da nossa Tia Steph.

4 – Eles têm a irritante e, até mesmo cômica, mania de chamar os humanos de mundanos.

5 – Não faço idéia de como se chamam essas “Fadas Machos”. Me desculpem.

6 – Demons, se você não descobriu, significa demônios. ^^