A Força do Vento
1 Prólogo
Faz frio em Porto Alegre. A névoa cobre a noite e não passa nada pela rua além de alguns moradores de rua sedentos e famintos. Carentes de fome e de gente.
Um motel pequeno, de pouco luxo, porém sempre lotado. Na frente, um chafariz de cimento velho e água com lodo, quebrado entre bancos semelhantes aos da praça que na frente tem.
— Você me convida para jantar, não me paga sequer um drink naquele restaurante nojento e me traz para esse moquifo duas estrelas? Eu sou uma pesquisadora rica, poderosa, não posso me dar ao luxo de estar aqui, querido. – Criticou Lara, apenas de lingerie preta e uma meia calça sexy.
— Lara, para com isso! Eu te trouxe aqui por que estou quase para ganhar o Nobel. A gente precisava brindar e você sabe que professores universitários nesse país jamais serão bem remunerados. – Kaique tentou amenizar, porém sem sucesso.
Ignorando aquela situação de ferir seu ego, Lara pulou para cima de Kaique e começou a encher ele de beijos. Aquela cena toda começou a ficar quente. Ele a jogou na cama e começou a tirar as meias da sexy cientista sedenta por prazer. Em seguida, tirou sua própria camisa, desabotoando-a lentamente.
— Só me espera um pouco que eu vou no banheiro passar um perfume e retocar a maquiagem. Quero estar bem gostosa para você, ganhador do prêmio Nobel. – interrompeu Lara antes dele começar a tirar a calça.
Um banheiro velho. O azulejo todo manchado de impurezas de libido e a parede descascando de tanto mofo. Piso frio.
Lara tirou da sua bolsa uma seringa, com um líquido azul escuro. Para testá-la, ela apertou um pouquinho, deixando respingar naquele espelho manchado com gotas de tinta marrom. Rapidamente ela enrolou a mão de papel higiênico e o limpou.
— Vai rápido, bebê! Estou perdendo o controle aqui e não quero te buscar nesta... situação aqui! – gritou Kaique, deitado de barriga para cima e de olhos fechados, esperando o acasalamento.
— Quem tem pressa, come cru, Kaique. Nem parece o pesquisador que esperou quinze anos para ganhar o tão sonhado prêmio! – gritou ela de volta. – Prêmio que deveria ser meu. – sussurrou em seguida, pegando a seringa e a escondendo no sutiã, com a tampa da agulha para não a furar.
Abrindo a porta do banheiro, Lara deu uma jogada de cabelo e começou a dançar bem lentamente. Kaique, ao olhar aquela dança sensual, ficou mais excitado e tirou logo as calças. Tropeçando nelas, ele conseguiu chegar até a fêmea sedutora, que o abraçou por trás, apalpando as suas partes íntimas.
— Uau! O que você quer fazer com isso? – perguntou ele de um jeito bem sexy.
Lara ficou apalpando ele com apenas uma mão, enquanto a outra pegava a seringa. Quieta e delicadamente, ela tirou a tampa da agulha com a boca e rapidamente injetou aquele líquido azul no pescoço de Kaique, que assustado a jogou violentamente na cama.
— Uau! Que força... – debochou Lara, percebendo que ele estava começando a ficar zonzo.
— O que você fez? Lara, o que você injetou em mim? Eu não estou... Lara, eu não estou conseguindo... Lara... – Kaique começou a se segurar na mesa redonda pequena que tinha ali, mas sem força ele caiu junto com ela. Arrastando-se no chão, em direção a Lara, Kaique começou a chorar. Seu corpo doía como se estivesse sendo queimado vivo. Em questão de segundos, Kaique não resistiu e morreu.
Lara, tranquila, abriu sua bolsa cinza de couro e pegou uma tesoura. Subiu sobre as costas de caíque e começou a furar seu crânio incontáveis vezes.
— Esse prêmio pertence a mim, idiota! – gritava ela, cada vez mais rápida nas tesouradas na cabeça do já morto. – Não existe ninguém mais inteligente do que eu!! O prêmio Nobel da física será meu, seu escroto! Eu vou matar todo mundo que tentar ganhar esse prêmio! Esse prêmio será meu! Esse prêmio é meu! Esse prêmio nunca vai ser seu!
Em seu último grito, os pássaros que dormiam em uma árvore ao lado voaram amedrontados. Lara tinha feito mais uma vítima naquele ano. Até quando ela ficaria nessa vida? Quem será sua próxima vítima?
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