A Força da União - Parte 2
19 O Amor
Notas iniciais
Dias Depois
Angelina surgiu na sala com um vestido rosa claro, as rendas brancas lhe davam ainda mais delicadeza. Para completar, seus pés calçavam sapatilhas pretas.
– Você está linda! – exclamou Nicholas levantando do sofá.
Ela colocou a mão nas ataduras em sua cabeça.
– Nem tanto.
– Você está perfeita! – disse ele com o mesmo entusiasmo.
Angelina sorriu envergonhada. Nicholas aproximou-se e segurou as mãos dela.
– Desculpe, é tudo culpa minha – ele olhou para as faixas que cobriam o ferimento –, eu deveria ter acreditado em você, se eu não tivesse insistido para...
– Não é culpa sua. – interrompeu – Ninguém tem culpa, simplesmente aconteceu. O importante é que você está aqui comigo.
Nicholas sorriu junto com ela, beijou seu rosto delicadamente e a envolveu em um abraço.
...
Sarah continuou deitada em sua cama, apenas tirou os fones dos ouvidos ao perceber a janela se abrindo. Caleb entrou sem dizer uma palavra e ficou de pé esperando Sarah esboçar interesse em sua presença.
– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou.
– Eu falei com o Matheus e já que a Petra foi transferida, ele me contou o que aconteceu naquele dia. Eu olho e percebo que tudo o que falaram e como a desprezaram depois do ocorrido, foi totalmente justo.
O resto de Caleb estava inexpressivo, como se as palavras simplesmente saíssem sem significado algum. Sarah fitou-o, mas não acrescentou nada.
– Me... desculpe.
– Entendo. – ela sentou-se na cama – Eu também não confiei em algumas pessoas e me arrependo disso.
Ela lembrou-se de Angelina, mas resolveu não introduzi-la na conversa.
– É meio difícil pedir desculpas, eu não estou acostumado, mas é ainda mais difícil ficar longe de você. – Caleb sentiu seu rosto esquentar, mas tentou manter a postura impassível.
– Desde quando você é tão sentimental?! – Sarah riu para tentar conter aquele momento que lhe era desconfortável.
– Eu não sou sentimental – disse com voz mais áspera –, é que eu quero que as coisas voltem a ser como eram.
– Mas as coisas podem voltar a ser. – Sarah levantou e o contornou até a janela, ficou olhando algo lá fora.
Sem avisar, Caleb a abraçou pelas costas, e ela ficou imóvel.
– Eu quero esquecer tudo isso. – ele sussurrou em seu ouvido.
Ela virou-se devagar e foi pega de surpresa por um beijo do rapaz. Sentiu seu coração acelerar e não queria que aquele momento acabasse.
...
– Entendeu? – perguntou Harry com um livro na mão.
– Entendi! – respondeu Mira entusiasmada.
– Sabe... – ele fechou o livro – Essa ideia de estudar ao ar livre foi excelente, esse parque não está muito movimentado, isso é bom.
Ela anuiu. Para Mira era tão bom sentar naquela grama e respirar o perfume da natureza.
– Eu posso te perguntar uma coisa? – ela começou tímida.
– Sim.
– Você gosta da minha companhia?
– Logicamente. Para ser sincero, você é a melhor companhia que já tive.
– Obrigado, eu me sinto lisonjeada! Mas... não leve a mal, só estou confusa. – ela pausou desconfortável – É que disseram uma coisa e eu fico até sem graça de mencionar.
– Fale apenas se quiser.
– É que “uma pessoa” me disse coisas... meio ruins sobre a nossa relação. “Essa pessoa” disse que você não... Essa pessoa disse que você não olha direito para mim e nem sorri. É bobagem, claro! – ela tentou deixar a situação mais confortável – Gosto de como me trata e também gosto da sua personalidade.
Mira silenciou, e ao perceber que Harry não tinha nada a acrescentar naquele momento, ela continuou:
– Foi idiotice mencionar isso, me desculpe. Por um momento eu achei que... Eu cheguei a acreditar que você talvez não gostasse muito de mim, mas você já falou o contrário, então eu acredito. Foi realmente um erro duvidar.
– Você tem esse direito. Talvez eu devesse sorrir mais, demonstrar mais o que sinto em relação a você, é assim que as pessoas fazem. Eu não faço isso porque não vejo necessidade. Eu amo você e sei que sabe disso, sabe que é a pessoa que mais confio e mais gosto no mundo, então, eu não entendo como poderia demonstrar esse sentimento. Essa área nunca foi muito bem compreendida por mim. – a cada palavra Harry continuava inexpressível, mas passava um sentimento que só Mira conseguia sentir.
– Eu sei – ela sorriu –, eu também te amo e confio em você.
Ela mantinha-se instável, ou tentava. O que ela queria mesmo era pular no pescoço de Harry, abraça-lo e beijá-lo, mas ele não era o tipo de pessoa que se sentiria confortável com isso.
– Eu posso te beijar? – Harry perguntou casualmente.
– Hã?! – Mira intrigou-se.
– Um dia meu pai me disse “Harry, quando vi sua mãe na mesma faculdade que eu, olhei para ela e admirei sua beleza imensurável. Nos aproximamos e quando eu decidi que queria ficar ao lado dela pelo resto da vida, eu a beijei.”
Ela não conseguia externar a felicidade que estava naquele momento, parecia que seu coração iria pular para fora da boca.
– Seu pai é uma sábia pessoa. – ela disse antes de saltar para mais perto dele e beijá-lo devagar.
...
– Não acho que seja uma boa ideia postar na Rádio Corredor a história entre a Sarah, a Angelina e a Petra. – disse Ariel deitada olhando para o teto.
– Também acho. – concordou Greg sentado em frente ao notebook.
– Elas são melhores amigas, mas brigaram feio. Uma não confiava na outra... Foi mesmo ruim.
Greg assentiu sem olhar.
– Nós nunca brigaremos assim, né?!
– Claro que não, baixinha! – ele sorriu.
– Eu sempre confiarei em você, prometo! A gente nunca vai se separar, combinado?
– Combinado! – ele afirmou – Mas... Eu lembrei agora que você sente muitas cócegas, não é?!
– Greg... Não, não pensa nisso! – ela recuou.
O garoto de repente correu até ela e começou a fazer cócegas na pequena. Depois de alguns segundos ele parou, apoiou as mãos na cama e olhou Ariel soltar as últimas gargalhadas.
– Eu te amo! – disse ela, que estava com a cabeça entre as mãos dele e olhando-o deitada na cama.
– Também te amo! – ele beijou o rosto dela e despencou por cima da garota, que riu mesmo sentindo-se esmagada.
...
Mais tarde, Sarah foi ao parque para ver Minerva e também a pequena Salina, que estava enchendo-se de flores.
– Você vai ficar grande e bonita, assim como a Minerva! – disse ela tocando nos brotos da muda.
– Muito resistente também. – acrescentou Angelina chegando naquele instante.
– Angel... Eu queria pedir...
– Não! Você já pediu desculpas, estou cansada de ouvir isso! Sei que se arrepende.
– Você sempre acreditou em mim, como eu pude duvidar da sua palavra?! Eu sou...
– A minha melhor amiga! – completou – Sempre será. Olhe para mim! Nada vai separar a gente, nunca!
Elas se abraçaram. As duas sentiam-se culpadas pelas brigas entre elas, mas as duas também sentiam um amor mútuo, que reduzia os desentendimentos a pó.
...
...
(Rebecca pediu desculpas e contou toda a história para Angelina e Sarah. Ela decidiu morar com a irmã em outra cidade mesmo as garotas afirmando que a perdoavam, ela disse que não merecia outra chance, mas que levaria elas e seus amigos no coração).
“O amor... Ah, o amor! Quando verdadeiro supera as barreiras mais sólidas.”
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