A Força da União - Parte 2
14 Execução Sem Saída
Notas iniciais
– Eu sei o que você...
– Cala a boca! – gritou Petra aproximando o dedo indicador do rosto de Angelina – Você é tão perfeitinha, seria uma pena se alguém... – ela juntou o dedo médio ao indicador, simbolizando uma arma, bem entre os olhos de Angelina – Boow!
____________________
A garota calou-se em um olhar perplexo e estarrecido. Estava ali no chão, encostada naquela parede fria e recebendo ameaças de uma novata que parecia inofensiva.
Petra riu.
– Para sua informação aquilo que a tia Elô te contou foi a minha versão light. Eu era uma criança, uma notava. Acha que eu não fiz coisas piores nesse meio tempo? – ela a olhou profundamente – Ela deve ter dito a você que eu nasci destinada a maldade, um dia ela me falou isso. Acho que ela não estava errada. – ela riu novamente.
Angelina estava muito assustada. Ela levantou-se de supetão e correu até a porta, mas Petra foi atrás dela e a segurou pelos cabelos.
– Ah! Me solta! – gritou.
– Conta isso para alguém que eu arrebento a sua cara! Eu fui expulsa de várias escolar por motivos piores, então não ache que estou brincando. – Petra a soltou – Eu poderia muito bem descontar nos seus amiguinhos, né?! – ela sorriu, abriu a porta e saiu.
– Não, não faça isso! – Angelina gritou, mas a outra já tinha saído e fechado a porta.
...
O sinal tocou e todos entraram na sala.
– O que você queria me dizer? – perguntou Sarah cruzando a porta.
– Não, nada. – respondeu Angelina que caminhava ao seu lado.
– Como nada? Você fez um estardalhaço pra nada?!
– É que – ela pausou, e olhou envolta, pensando em algo rápido – eu acho que o Nicholas vai terminar comigo.
– Sério?! – espantou-se – Mas por quê?
– Ele anda meio afastado, talvez não goste mais de mim.
– Bobagem! – Sarah sentou-se em seu lugar – Ele te ama! Pode ser algum problema familiar ou algo assim. Converse com ele, assim talvez você descubra.
– Ok, eu vou fazer isso. – ela foi para o seu lugar.
De vez em quando no meio da aula Angelina era pega sendo observada por Petra, e a garota a olhava com ódio. Angelina não revidava, apenas baixava a cabeça e seguia suas tarefas.
...
Petra e Rebecca conversaram muito por telefone, para no dia seguinte executarem um plano.
Petra foi uma das primeiras a chegar e ficou esperando escorada no portão, ela ligou para Sarah quando acordou e pediu a menina para vir à escola um pouco mais cedo, queria lhe contar algo. Dando a chance de Rebecca e Caleb de virem sozinhos, para a segunda parte do plano se ajustar.
Assim que Sarah apareceu na esquina, Petra pegou o telefone e enviou uma mensagem.
____________________
Para: Rebecca
Ela chegou!
____________________
Rebecca tropeçou propositalmente e caiu no chão.
– Ah!
– Rebecca, se machucou? – perguntou Caleb olhando-a.
– Não, eu sou esfolei um pouco o joelho.
Caleb estendeu a mão para ajuda-la a se levantar, e ela aceitou enquanto seu coração batia mais forte.
– Tem certeza que não aconteceu nada demais?
– Tenho, eu estou bem, mas obrigado por se preocupar.
Enquanto isso na escola, Petra esperava Sarah no portão, e alguns garotos conversavam sentados na calçada.
– Olá, Sarah!
– Oi. E então, o que tinha para me dizer?
– Desculpe pedir para você vir mais cedo, eu só queria manter segredo. Posso te pedir um conselho?
– Claro.
– Eu estou gostando de um garoto que mora na minha rua, ele é de outra escola e eu não sei como me aproximar.
– Era isso?!
– Pois é, uma coisa boba, eu só não queria que descobrissem.
– Entendo. – Sarah pensou – Você sabe de algo que ele goste?
– Deixa eu pensar... Skate! Ele anda de skate!
– Você poderia chegar nele com um papo sobre skate.
– Eu posso pedir pra ele me ensinar a andar!
– É, pode ser.
– Vou fazer isso! – afirmou Petra animada.
Nesse momento, Caleb e Rebecca apareceram da esquina. Vinham caminhando lentamente.
Um dos garotos sentados na calçada levantou-se e caminhou até as duas meninas.
– Oi, garotas! – ele cumprimentou com um sorriso.
– Oi! – falou Petra.
O garoto de olhos azuis aproximou-se de Sarah.
– Não somos da mesma turma, qual seu nome?
– Sarah. – ela respondeu encabulada.
Petra deu alguns passos para trás, afastando-se um pouco.
– O meu nome é Matheus. – ele aproximou-se do ouvido da menina – Você é muito bonita!
Ela corou rapidamente. O garoto a olhou nos olhos por três segundos, pegou as mãos dela devagar e as pôs em sua cintura. Matheus, então, tocou o rosto de Sarah, que estava imóvel, e a beijou.
Caleb estava chegando perto quando viu aquilo. Ele espantou-se e foi consumido por uma raiva brutal.
– É assim?! Que pelo menos terminasse comigo primeiro! – disse ele voltando por onde havia vindo.
– Espera! – disse Sarah.
– Ei! – Matheus segurou o braço dela – O que está acontecendo?
– Por que me beijou? Você nem me conhece!
– Você é linda, desculpe, eu achei que tinha alguma chance.
– Eu preciso ir. – ela correu para seguir Caleb, e conseguiu alcança-lo – Você está pensando coisas erradas!
– Eu acho que ainda não estou cego! – ele andava apressadamente.
– Aquele cara me beijou, eu não tive culpa!
– Coitadinha de você! – disse sarcástico.
– É sério, Caleb! – ela segurou o braço dele.
– Você não precisa se explicar. Nós não temos nada mesmo!
– Temos sim!
– Temos o quê? – retrucou encarando-a.
Sarah não sabia o que responder, atrapalhou-se e pensou no que falar rapidamente.
– Eu gosto de você! Eu juro que não foi culpa minha o que você viu! Eu nem conheço aquele garoto, ele simplesmente me beijou sem motivo algum. Eu estou falando a verdade! – Sarah soltou o pulso dele.
– Eu acredito em você. – falou Caleb cabisbaixo – Eu só preciso ficar sozinho.
Ele continuou andando e Sarah resolveu respeitar sua escolha, ficou vendo-o se distanciar pela rua.
Após ele sumir na dobra de uma esquina, Sarah voltou à escola. Quando chegou perto Petra foi correndo vê-la.
– Sarah! Onde está o Caleb?! Está tudo bem entre vocês?
– Quem é aquele cara? Matheus. Você o conhece?
– Eu o cumprimentei um dia, mas foi só isso. Não sabia que ele estava a fim de você.
– Idiota!
– Vai dizer que você não gostou nem um pouquinho dele?! – disse Petra cutucando de leve o braço de Sarah com o cotovelo.
Sarah ficou com o rosto avermelhado novamente.
– Ele é lindo! – continuou – Aqueles olhos são perfeitos! Ele foi brusco com você?
– Não – respondeu encabulada –, foi... Não, ele foi... Eu não quero falar disso!
– Tem certeza?! – ela arqueou as sobrancelhas com um olhar maldoso.
– Tenho! – respondeu inflexível – Vamos pra aula!
Fale com o autor