A Floresta
20 Uma Jóia e Uma Perda
Demoraram um pouco para acharem a porta da biblioteca, todos os livros estavam empoeirados, havia mais panos nas mesas e nas poltronas, parecia que todo o cômodo era feito de madeira.
Daniel tentou achar o mapa nas gavetas da escrivaninha, mas estavam trancadas, se Camila achava isso um pouco estranho, sim ou claro?
–Droga, todas as gavetas estão fechadas... – Reclamou ele.
–Tem que haver uma chave por aqui... Agora são duas coisas para procurarmos.
–Sim. Procura dentro dos quartos e vê se você consegue achar um deles.
–Ok.
Foi no quarto principal. Ele era um pouco assustador, escuro e várias coisas quebradas. Tentou ir até a janela para abri-la. Quando abriu a janela, percebeu uma foto, era da antiga família. Estava um homem do lado esquerdo, uma mulher do lado direito e uma jovem que deveria ter a mesma idade que Camila, ela estava no meio.
Os olhos da adolescente estavam fundos e escuros, Camila pegou a foto e começou a olhar atentamente para ela.
–Ela se parece comigo.... – Disse Camila tirando a foto de um retrato antigo.
Olhou atrás da foto para ver se havia algo escrito, e realmente tinha. Dizia:
Que Deus abençoe a minha família...
Com amor
Diamante
A escrita parecia ser feita de sangue, Camila largou a foto na hora, e não havia notado uma coisa, quem tinha feito aquilo. Tentou esquecer aquilo, fingir que não tinha visto nada, só continuou a procurar uma chave e um mapa dentro de todas as gavetas, e nada dos dois. Decidiu ver se Daniel havia achado alguma coisa, aproveitou e levou a foto junto para mostrar a ele.
Chegou na biblioteca e começou a perguntar:
–Dani, você conhece essa família?
–Sim, eles morreram há pouco tempo... Sorte que não foi aqui, porque senão poderia ter fantasmas.
–Acho que foi aqui sim, olha o que está escrito atrás da fotografia.
Dani virou a foto, prestou muita atenção na escrita em sangue. Camila estava torcendo que para que não tivesse fantasmas daquela família, para ela, seria aterrorizante. Daniel disse que aquela frase não havia sido escrita há pouco tempo, acrescentou:
–Acho que você não prestou atenção em quem escreveu isso...
–Não. – Camila foi se aproximando de Daniel e notou que o nome da pessoa era Diamante. –Então a garota dessa foto, é aquela do lago?
–Tenho uma leve suspeita de que é sim... – Respondeu. –Nesta foto ela está parecendo muito com você, os olhos delas devem estar assim por causa de várias noites passando a madrugada acordada.
–Ou porque ela é muito sinistra.
Dani concordou com a cabeça, devolveu a foto para ela, e continuou a procurar o mapa. “Nunca vamos encontrar esse mapa se ficarmos só nessa biblioteca...”, pensou. Decidiu ir para o jardim, poderia encontrar alguma coisa importante, e Daniel decidiu ficar pela biblioteca mesmo, até que ela entendia isso, várias coisas que ele fazia eram igual às coisas de Camila, o fato dos dois serem um pouco insistentes às vezes, adoram aventuras e mistérios...
Não conseguiu achar nada só olhando, teve que procurar muito em lugares pequenos, atrás das coisas, enquanto procurava havia tropeçado em uma pedra que não tinha naquele jardim, ou que, não havia notado.
–Que estranho, ela não estava aqui... – Pensou. –Deve ser alguma pista. Preciso de uma pá...
Já sabia onde estava à pá, tinha achado-a enquanto procurava o mapa. Agachou e pegou-a, estava debaixo de um dos bancos. Correu até a pedra, tirou-a e começou a cavar. Camila não sabia por que estava fazendo aquilo, mas sentia que estava fazendo o certo, sua intuição estava muito forte naquele momento.
–Consegui... – Disse, jogou a pá no chão e tentou tirar o enorme baú daquele buraco.
Por sorte o baú já estava aberto. Quando abriu, percebeu o porquê que estava um pouco pesado... Havia cinco divisórias, estavam todas tampadas com um pedaço de madeira, e em cada tampa, tinha algo escrito:
–Lembranças, Mapas, Diários, Trabalho e... – Deu uma leve pausa para respirar, não estava conseguindo ler direito o que estava escrito na última tampa... –Pro... cura... dos.
“Procurados?...”, pensou ela. Sabia que na segunda tampa estava escrito mapas, mas acabou ignorando isso, olhou para os lados e abriu a quinta divisória, tinha fotos e fotos de homens e mulheres, cada um estava com a sua foto em cima e as papeladas em baixo, os nomes ia de A até Z.
Quando foi olhando as fotos, foi lendo os nomes... Estavam em ordem dos mais procurados, Camila percebeu isso assim que foi lendo quais foram os crimes que alguns deles haviam cometido. “Vou procurar o Daniel para ter certeza se aquele bilhete do Bob estava querendo me dizer algo...”, pensou.
–Daniel, Daniel... – Pensou. –Será que é ele?
Pegou a papelada da foto e começou a ler, não sabia o nome inteiro do Daniel, mas pelo menos estava com foto e parecia que era ele mesmo. Algumas partes que havia lido foram:
Nome — Daniel
Idade — Não identificada
É o que? – Um anjo das trevas
Gênero – Masculino
Crimes (organizado por data):
1999 – Destruições de vilas e grandes cidades, dentro desse crime, várias mortes, vítimas com ferimentos graves...
2000 – Planos em ação para conquistar e destruir muitas vilas...
2002 – Roubos, várias fortunas ainda não foram encontradas.
2004 – Subornos para reis e rainhas (oferecia muito dinheiro em troca do reino).
2008 – Mapas superimportantes desaparecidos.
2010 – Muitos prisioneiros foram soltos por sua causa.
2012 – Roubou a jóia da Rainha Esmeralda.
2013 – Atrapalha os destinados a encontrar essa jóia (cada pessoa que entra na floresta, ele muda de aparência e personalidade e só irá parar quando alguma pessoa conseguir sair viva dessa floresta e com a jóia em suas mãos).
“Então... O bilhete não está mentindo... Eu preciso sair daqui com esse mapa e sozinha...”, pensou Camila. Ficou pasma com o que havia lido, havia mais coisas, mas só leu o que lhe chamou mais atenção, roubos, destruição, suborno, tudo em uma pessoa que conseguia esconder que já havia feito tudo aquilo. Pegou só a folha que havia lido, dobrou e guardou em seu bolso, fez o mesmo com a foto.
Abriu a segunda tampa, conseguiu achar vários mapas, todos eles pareciam ser muito importantes. Alguns eram de lugares com grande quantidade de ouro e água, outros mostravam os caminhos mais apropriados para lugares perigosos e para vilas e cidades distantes e entre outras coisas. Pegou o que mostrava como que era totalmente a floresta, ou pelo menos, todos os lugares que já havia passado.
–Camila, conseguiu achar alguma coisa? – Perguntou Daniel, estava na porta que dava direto para o jardim, mas mesmo assim conseguiu assustar a Camila.
–Ah, oi Dani... É eu consegui achar um mapa só que não sei se é o certo... – Respondeu Camila tentando fingir que estava tudo bem. –Dê uma olhada. – Andou em direção até ele e lhe entregou o mapa.
Ficou olhando por um tempo, ficava prestando atenção em todos os detalhes e parecia estar entendendo o mapa.
Enrolou-o e apenas disse para Camila que era o mapa. Foram para frente da casa e continuaram andando.
O sol já estava partindo e Daniel ficava falando sobre o quanto que o caminho era seguro e curto, dizia que já estavam muito próximos a jóia.
–Finalmente chegamos... – Disse Daniel.
–Sim.
Camila pediu para ficar com o mapa, Daniel parecia ter desconfiado na primeira vez, mas Camila acabou inventando uma história e ele pareceu acreditar. Havia outra placa na frente da entrada, dizia:
Eu ainda não abandonei vocês.
Só que agora, meu jogo vai ser um pouco mais fácil.
Vocês estão procurando pela jóia, certo?
Só que a um problema...
Quem está com a jóia?
Tente descobrir ou dê meia volta e siga seu caminho...
Camila estava com o coração partido e ainda precisava procurar à jóia, mas não havia nada além de árvores, então... Onde poderia estar à jóia?
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