A Flor Do Mal

2 Uma Flor Dentro de Casa


Depois de correr muito, já cansado e, sem querer exagerar, quase morrendo, finalmente cheguei na minha rua, porém, antes de ir para o lar doce lar resolvi passar no mercadinho ali perto para comprar uma água. Alguns minutos depois de satisfazer minha sede fui até a porta da casa. Ding dong, toquei a campainha.

‒ Akira, aí está você! ‒ minha mãe abriu a porta ‒ Temos visi...

Ignorei-a e subi as escadas, buscando uma cama relaxante para deitar, o primeiro quarto estava bom, só queria descansar e tentar entender o que havia acontecido. Abri a porta, pulei na cama e já me deitei, fechando os olhos.

‒ Akira-kun? ‒ pude ouvir uma voz meiga e um perfume que combinava com o inverno e me lembrava alguém...

Mayumi? Ela estava ali?

‒ O que você está fazendo aqui? ‒ virei para o lado, era mesmo aquela garota

Ela sorriu.

‒ Eu que te pergunto. ‒ riu

Eu estava confuso.

‒ É você que vai morar aqui? ‒ falei, assustado

Ela afirmou balançando a cabeça para cima e para baixo. Minha mãe havia me dito que estávamos quase falidos e que iria alugar um quarto para uma pessoa por alguns meses, mas achei que essa pessoa seria menos jovem e menos atraente.

‒ Ela tem que viajar... ‒ Mayumi bocejou ‒ Minha mãe, tem que viajar por alguns meses e eu não tenho onde ficar, achamos que aqui seria uma boa solução.

‒ Ah. ‒ ah? Que tipo de idiota fala "ah"?

‒ Espero não incomodar. ‒ olhou para baixo, parecendo envergonhada.

Vai. Sai daqui. O que Sakura vai pensar disso? Que sou mesmo um aproveitador de mulheres indefesas.

‒ Não vai, ‒ dei um sorriso falso ‒ tudo bem ficar alguns meses aqui.

‒ Ah, se for assim então tudo certo... ‒ se levantou e caminhou lentamente até a porta ‒ Ah, antes que eu me esqueça... Adorei seus poemas. ‒ foi embora

‒ Poemas? Que poem-

Ah, claro, aqueles poemas. Escritos ano retrasado para Sakura, todos romanticamente ruins e inúteis, feitos num caderno sujo. Mas onde será que estavam? Procurei por todo o quarto, nada. Mas, se ela só entrou ali, e definitivamente só entrou ali, por que o caderno não está ali? Só tenho uma possível teoria: Hanako Mayumi roubou.

‒ Filho, desça aqui rapidinho. ‒ minha mãe me chamou

Desci as escadas sem ter cumprido meu objetivo, não entendi o que havia acontecido de manhã, sequer pensei nisso e ainda criei mais uma preocupação. Olhei rapidamente a sala para ver se não tinha mais ninguém além de nós dois ali.

‒ Mãe, a Mayumi, digo, a garota que vem morar aqui foi embora? Ela estava com algum caderno, ou algum lugar onde pudesse guardar um?

‒ Sim para as duas perguntas. ‒ ela olhou para cima, parecendo tentar ter um flashback do que aconteceu ‒ a menina, uma gracinha aliás, estava com um caderno velho, ele caiu de dentro da mochila quando se levantou do sofá, mas ela o pegou e depois saiu.

Calma, Akira, existem vários cadernos velhos no mundo, talvez não seja o seu, talvez ela tenha lido algum poema seu no outro caderno, aquele da escola mesmo, talvez, talvez... Vários "talvez" encheram minha cabeça naquele instante.

‒ Filho, eu queria falar com você sobre ela. ‒ tossiu, interrompendo meus pensamentos ‒ A garota que vai vir pra cá foi para sua escola, não foi?

‒ F-foi. ‒ gaguejei

‒ Tente tratá-la bem, ok? ‒ disse ‒ Ela não teve uma vida fácil como a sua.

O que poderia ser considerado uma vida fácil? Sei que minha mãe não devia saber a resposta para essa pergunta e, mesmo que soubesse, seria um pouco desrespeitoso da minha parte perguntar, então lancei um simples:

‒ Ok. ‒ já tinha coisas demais para me preocupar ‒ Mas, para onde ela foi?

‒ Ela disse que tinha que ir para o aeroporto, sua mãe está indo embora agora.

Isso quer dizer que ela volta, e quando voltar vou pedir para esclarecer a história direito.

‒ Ata. ‒ sorri ‒ Vou pro meu quarto agora, era só isso que você tinha pra falar?

‒ Era.

Subi as escadas rapidamente e me joguei na cama, mais uma vez. Fechei os olhos e adormeci.


‒ Quente. ‒ alguém disse, abri os olhos para ver quem era e senti uma mão tocando minha testa

‒ Hanako! ‒ dei um berro

Ela tirou sua mão do meu rosto.

‒ Você deve estar com febre.

‒ O que você está fazendo aqui? ‒ era a segunda vez que perguntava aquilo

‒ Bobo. ‒ riu ‒ Agora esse é meu quarto.

É. Estava certa. Eu estava, tecnicamente, na sua cama, no seu quarto e ainda perguntava por que ela estava lá.

‒ Então, a pergunta certa: o que eu estou fazendo aqui? ‒ eu estava quente, realmente, um pouco fraco também

‒ Shhhh. ‒ pediu que eu ficasse quieto ‒ Durma mais um pouco, descanse, eu irei cuidar de você. ‒ botou os dedos nas minhas pálpebras e fechou-as, dormi

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.