A Filha do Presidente
5 Nós estamos falando sobre mães?
Notas iniciais
POR ELE
– Dylan, você matou alguém! – Amellie gritou pra mim apavorada enquanto eu recolhia a arma e me aproximava. Talvez não tivesse sido a atitude correta atirar. Talvez eu devesse ter considerado que isso era uma casa de terror e que a intenção era amedrontar. Mas quando ouvi Amy pedindo ajuda, eu só... Paralisei. Não consegui raciocinar direito e apenas atirei. E isso não pode acontecer nunca mais.
Abaixando-me ao lado da garotinha, coloquei o dedo em seu pescoço procurando a pulsação. Porém apenas encontrei algo sólido parecido com plástico. Confuso, a girei, e percebi que o tiro apenas tinha feito um furo em sua barriga, sem sangue. Alguns fios escapavam do buraco e eu enfim entendi o que havia acontecido.
– Era só uma boneca! – Afirmei, aliviado. Amy suspirou e passou as mãos nos cabelos.
– Oh, Graças a Deus. – Respondeu, mas logo em seguida me fuzilando com os olhos. – Mesmo assim, imagina se fosse uma pessoa!
– Amellie, você pediu ajuda, eu pensei que...
– Pensou errado, seu idiota! – Rebateu e eu me levantei, indignado. – Caso não se lembre, isso aqui é uma casa de terror. Eu gritei porque estava com medo, isso não significava que a menina iria realmente me matar.
– Você é tão ingrata! Eu te salvei. – Argumentei e ela rolou os olhos.
– Me salvou? Você... – As luzes do corredor foram acesas de repente e nos silenciamos. Talvez pela nossa demora ou pelo barulho do tiro, alguém estava vindo. Arregalando os olhos, Amellie endireitou a blusa e abaixou o tom. – Vamos embora.
Saímos do corredor e descemos as escadas rápido, fazendo mais barulho do que podíamos. Abrimos a porta da frente e, aproveitando que o fiscal não estava mais ali, afastamos-nos da casa o mais rápido possível.
– Você quer ir a mais algum brinquedo? – Questionei, tentando mudar de assunto e ela apenas me ignorou. – Quando você vai falar comigo de novo?
– Não sei. – Respondeu, fingindo estar pensativa. – Quem sabe nunca?
– Eu protegi você, tá bom? É pra isso que eu sou pago. – Suspirei, cansado desse assunto e com medo de deixar algo escapar. Amellie não podia saber.
– Você é pago para atirar em pessoas? – Se virou pra mim de repente, as sobrancelhas erguidas.
– Claro. Senão não seria treinado pra isso. – Assenti e ela abriu a boca de indignação. O que ela achava, que me pagavam só pra eu a segui-la? – Amellie, você é filha do Presidente. Isso é mais do que o suficiente pra chamar a atenção das pessoas. Sejam elas boas ou ruins.
– Não é como se alguém fosse querer me fazer mal. – Rolou os olhos e eu segurei o riso. Mal ela sabia. – Certo?
– Certo, Amy. – Sorri rápido, tentando fazê-la esquecer desse assunto. Não saber de algumas coisas é o melhor tipo de proteção que alguém pode ter. – Já que você não quer ir em mais nenhum brinquedo, acho que podemos ir embora.
– Não! – Ela exclamou de repente, me assustando. – É que eu não quero voltar pra casa. Eu... Bom... – Corou, envergonhada e eu arqueei as sobrancelhas – Eu gostei de passear um pouco, com você.
– Ah... Claro. – Assenti com a cabeça, sem saber ao certo o que responder. Não é como se ela já estivesse loucamente apaixonada por mim, certo? Era só uma adolescente que passava muito tempo em casa e estava me agradecendo por trazê-la pra passear. Certo? – Então o que você sugere?
– Bom, tem uma campina aqui do lado. – Apontou pra imensa área verde ao lado do parque, onde algumas pessoas faziam piqueniques, brincavam com seus cachorros etc. – Nós podemos parar um pouco.
– Então vamos lá. – Concordei e saímos do parque em silêncio. Por algum motivo, um clima estranho se instalou entre nós e eu não fazia ideia de como tirá-lo. Amellie alegou que estava com fome, então me encaminhei para uma barraquinha de cachorro quente e comprei um pra mim e um pra ela. Quando me virei, Amy já estava sentada sobre a grama a alguns metros de distância, observando uma mulher brincando de pega-pega com seus filhos pequenos.
– Está tudo bem? – Perguntei me sentando do seu lado e ela pareceu sair do transe. Sorrindo agradecida, Amellie pegou um cachorro quente da minha mão e assentiu.
– Eu estava pensando na minha mãe. Eu ainda era muito nova quando ela morreu, então não me lembro de momentos assim. – Apontou pra mulher que agora havia derrubado um de seus filhos no chão e ria com ele. – Me sinto um pouco...invejosa.
Todos os Estados Unidos sabiam sobre a morte da primeira dama. Na verdade, quando o avião em que ela viajava pra Paris explodiu, Adam ainda era um senador. Mas depois da notícia se espalhar por todo o país, Ele ganhou reconhecimento e fama, o que tornou mais fácil o cargo a presidência alguns anos depois.
– Se serve de consolo, minha mãe me abandonou quando eu tinha nove anos e deixou meu pai pra sustentar cinco crianças. – Comentei e ela arregalou os olhos verdes pra mim.
– Sinto muito.
– Não sinta. – Dei de ombros, dando uma mordida em meu cachorro quente. – Ela nunca foi uma mãe mesmo.
– Regina sempre foi uma ótima mãe pra mim, pelo menos. Ela geralmente era calma e paciente. A única coisa que a irritava de verdade era a profissão do meu pai. – Riu sem humor, provavelmente se lembrando de algo do passado. – Acho que ela não está muito orgulhosa agora.
– Tenho certeza que ela está orgulhosa de você agora. – Eu garanti, segurando em sua mão. Amy parecia estar se segurando pra não chorar.
– Não muito. Minha mãe sempre sonhou que eu me formasse em direito e virasse uma advogada bem sucedida e independente do meu pai. E olhe pra mim agora. Sou só uma menina mimada, fútil e claro, dependente. – Resmungou com raiva, encarando a grama.
– Você ainda pode fazer uma faculdade. – Comentei, confuso. Não existe faculdade desse planeta que não aceitaria a filha do Presidente dos Estados Unidos da América.
– Ah Dylan, você conhece o meu pai. Pra ele não existe faculdade nesse mundo segura o suficiente pra mim. – Explicou sorrindo fraco e eu franzi o cenho. Não sabia que Adam Lockwood era tão preocupado com a segurança de sua filha que nem a deixa fazer faculdade. Parecia até que ele não confiava no Serviço Secreto.
– Amy, você já é maior de idade. Não precisa da permissão do seu pai pra fazer tudo. Você nunca conseguirá realizar seus sonhos se não correr atrás deles, mesmo que pra isso você precise bater de frente com seu pai. – Me surpreendi com o que eu mesmo havia acabado de falar. Não devia estar aconselhando Amellie a desobedecer a seu pai, até porque ele era meu chefe. Mas havia alguma coisa nela... algo que me fazia contrariar a admiração que eu tinha pelo Presidente. Eu não concordava com o jeito que Adam criava sua filha, mesmo que isso não fosse da minha conta. E agora eu estava assustado.
– É, quem sabe um dia. – Zombou, e eu me virei para questioná-la, mas algo atrás dela me chamou atenção. Longe de todas as famílias, mais perto dos arbustos, um homem de touca e casaco preto nos observava. Eu podia estar me equivocando, mas algo dentro de mim apitou que aquele era um dos terroristas. Tentando não deixar transparecer que eu o tinha notado, olhei pra Amy.
– Vamos embora. – Declarei, com a voz mais gentil que eu pude. Mesmo assim, ela franziu o cenho.
– O quê? Por quê? – Perguntou, confusa.
– Já está ficando tarde e logo os paparazzi vão começar a aparecer. Vamos pra casa. – Inventei uma desculpa qualquer e Amellie pareceu acreditar, pois deu de ombros e se levantou. O mais discreto possível, virei pro lado contrário ao do homem de preto e ativei o pequeno microfone em meu terno.
– Meliante suspeito cinquenta metros à direita. – Sussurrei , recebendo um “afirmativo” na minha escuta. Amy podia não perceber (ou talvez tenha se acostumado tanto que nem se importava mais) mas em todos os lugares, outros seguranças a acompanhavam de longe. Às vezes de carro e às vezes a pé. Dependia de aonde ela ia.
– Falou comigo? – Amellie questionou, se virando pra mim. Neguei com a cabeça e ela voltou a andar, totalmente alheia ao homem de preto que era jogado ao chão pelo Serviço Secreto. Sorrindo de lado, segui Amy em direção ao estacionamento. É, o Presidente ficaria orgulhoso.
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