A Filha de Máscara da Morte

6 Brincadeira (NÃO) inocente


Notas iniciais
Oi oi mes anges! Eu voltei ehe! Pq eu fiz isso? Pq sou uma pessoa muito ruim, não me machuquem Ç.Ç Milo - Eu protejo :3 Não faz mais que sua obrigação ♥ Espero que gostem Boa leitura =^.^=

A manhã estava no mínimo agradável, não havia sequer uma nuvem no céu, o vento fresco diminuía o calor do Sol escaldante da Grécia.

Alguns anos haviam se passado, todos anos tranquilos, sem nenhum distúrbio, problema era algo que o santuário raramente estava enfrentando na realidade agora, o que era um alívio tanto para a deusa, quanto para Shion e para todos que ali viviam.

Victorie já estava com seus sete anos, mas continuava com a mesma fofura e graça de sempre. A acabava se diferenciando do pai com o tempo, enquanto o canceriano continuava com o mesmo gosto por lutas e sangue, a pequena preferia ignorar que existia, mas o amava independente disso.

No momento o canceriano mais velho treinava na arena com o pisciano. Socos e chutes sendo trocados, um treino sem cosmo dessa vez. Victorie se aproximou de um dos dourados que estava repousando na arquibancada, puxou levemente sua roupa.

– Eles não vão se matar, né Aio? — perguntou preocupada ao fitar o pai ser lançado contra uma pilastra.

– Claro que não coisinha. — Aiolia riu e bagunçou os cabelos da menor que se sentou ao seu lado. — É só um treino mesmo, precisamos manter a força. — sorriu.

Victorie o olhou, o leonino sempre reparava na sua mudança. Os cabelos roxo-azulados cresceram MUITO nesse tempo, já chegavam próximo da cintura da pequena. Os olhos castanhos chocolates estavam sempre com um brilho doce e inocente. No momento vestia um vestido grego simples amarelo bebê, nos pés, um chinelinho simples, um laço de mesma cor do vestido adornava seus cabelos.

– Certeza? — fez bico.

– Tenho sirizinha, tenho sim, fique tranquila. — sorriu alegremente. — Por que fica aqui com a gente? Podia ir brincar com os aspirantes, nem todos estão treinando. — perguntou.

– É, por que? — Aiolos surgiu aparentemente do nada, se sentou do outro lado da menina, ela intercalou o olhar entre os dois.

– Bem... eu não gosto muito deles... vocês são mais legais. — sorriu tímida e corou levemente. Sempre a achavam fofa. — Gosto de ficar aqui com vocês.

Aiolos riu, subitamente a pegou no colo e a virou de cabeça para baixo a segurando pelas costas. Ela gargalhava e gritava por socorro, o leonino ria.

– É, mas. nós. não. gostamos. que. você. fique. parada. como. um. cadáver. aí sozinha! — exclamou entre pausas e a sacudindo fazendo com que berrasse mais.

– MAS EU GOSTO! ME SOLTA OLOS! POR FAVOR! PAPAAAAAAAAI! DIIIIIIIIIIIH! SHURAAAAAAA! EU VOU MORRER SOCORROOOOOO! — esperneava em meio aos risos altos, o sagitariano apenas a sacudia mais.

O canceriano e o pisciano pararam de treinar para fitar a cena e riam, os demais que estavam na arena soltavam risos e outros, como Shaka, balançavam a cabeça e reprimiam risos diante daquilo. O moreno colocou a canceriana no chão que correu para trás do leonino ainda rindo e com a face vermelha.

– Me proteja! — agarrou as roupas do leonino e se encolheu atrás dele.

– Protejo pirralha, protejo, esse pangaré não vai mais te virar de cabeça pra baixo. — riu. O irmão o fuzilou. — Melhor ir falar com seu pai sabe? Antes que ele venha e arranque nossa cabeça.

– Não exagere Aio, papai é legal. — sorriu e começou a pulas as escadas e descer até a arena.

Na cabeça dos dourados, Máscara era legal... com ela, e ponto. Só com a menor ele era agradável, com os demais era o mesmo imprestável de sempre. Na realidade qualquer se tornava doce quando se tratava da criança, era o xodó dos 12 e pareciam mudar de personalidade ao interagir com ela. Máscara ainda era o principal alvo nesse quesito.

– O que raios foi aquilo? — Máscara arqueou a sobrancelha quando ela se aproximou saltitando, bagunçou os cabelos roxos.

– Eu estava conversando. — se balançou alegremente com um sorriso inocente.

– Parecia mais que estavam lhe matando, isso sim. — balançou a cabeça, ela deu um risinho travesso. — Tá rindo de que pirralha?

– Nada, nada! — riu novamente e se virou para o pisciano. — DIH! — berrou e pulou no mais velho que a segurou e abraçou apertado.

Novamente se mordia de ciúmes por dentro, queria arrancá-la das mãos daquela sardinha. Não que não gostasse do amigo, mas sabia como ele era, não se importava com mais ninguém, nunca poderia acreditar totalmente que ele estava sendo sincero, e não deixaria que isso afetasse a filha.

– Achei que tinha esquecido de mim, capetinha! — riu. Ela inclinou a cabeça para o lado fingindo inocência e lhe deu um beijo na bochecha. — Esse sorriso não cola, pode tirar ele da cara! — a colocou no chão.

– AFF! Seu chato! — faz bico. — Vou passear, tchau papai! — sorriu meiga para ele e correu para fora da arena.

O canceriano a fitou enquanto ia embora, podia muito bem continuar sendo a pessoa imprestável que era, além de não lembrar de nada que havia acontecido para que ela existisse, mas se dedicava o melhor que podia, mesmo que as vezes não fosse o suficiente.

Depois que a pequena cena passou, voltaram aos treinos normalmente, uma hora ou outra ela voltaria para fazer companhia a eles.

Victorie andou pelo santuário procurando alguma coisa para fazer. Já conhecia o lugar praticamente todo, também era seu amado "playground" se divertia com tudo que lá havia.

– Ei! — se virou lentamente, como queria ter o temperamento do pai para simplesmente dar de ombros e seguir em frente. — É você, Vic? — viu quatro aspirantes, deviam ter recebido uma folga de seus mestres.

– É... oi... — respondeu tímida. Odiava mesmo ficar com eles.

– Quer brincar com a gente? — uma das garotas sorriu. Era um pouco maior que si, o que não lhe passava confiança alguma.

– Er... eu...

– Vamos! Vai ser divertido! — os quatro que estavam ali sorriram e a menina estendeu a mão. A segurou desconfiada.

Eles a levaram até uma área quieta, canetinhas, papéis e fitas estavam no chão, sentaram-se e um garoto pegou uma das canetas e escreveu algo no papel.

– Se brinca assim: a gente escreve o nome de um animal no papel e cola nas costas da pessoa, aí ela sai andando e pergunta as características do bicho e nós dizemos se tem, se é ou não, entendeu? — explicou pacientemente e sorriu doce.

– Uhun, posso... ir primeiro? — a canceriana estava tímida demais, não estava com um bom pressentimento.

– Claro. — um dos garotos sorriu e escreveu em outro papel. — se vire. — a pequena obedeceu e colocou em suas costas com a fita. — Pronto, pode ir.

Victorie se levantou assim como os demais e começou a andar pelo lugar.

– Eu tenho... patas? — perguntou.

– Tem! — responderam em uníssono.

– Eu... vivo na terra? — perguntou. Alguma coisa não estava certa, começava a se arrepender.

– Não! — responderam da mesma forma.

Algo a estava angustiando, por que não aprendia a lição? Continuava a andar temerosa.

– Eu sou... um siri? — arriscou. Todos disseram um simples "uhun". Se virou para eles. — Por que sou um siri? — perguntou curiosa.

Devia ter imaginado, talvez não devesse ter sequer saído de perto do pai ou dos dourados. Pequenos sorrisos se formaram em seus rostos, engoliu em seco.

– Porque só vivem sozinhos na água... são estranhos, feios... — a outra garota começou a ditar. Os olhinhos chocolates se encheram d'água, abaixou a cabeça.

– São anti-sociais, machucam sem motivos. — o último garoto sorriu debochado.

– Vai usar suas pincinhas e arrancar nossas cabeças para por nas paredes como seu pai faz? — todos riram. Lágrimas escorriam livremente pelo rostinho da pequena que saiu correndo para a floresta os deixando para trás, rindo.

Já estava começando a entardecer. Máscara achou estranho não ver a mais nova em momento nenhum. Olhava frequentemente para as saídas de câncer a esperando. Shaka apareceu.

– Máscara? — se aproximou.

– Shaka? O que foi? — o olhou e cruzou os braços, não estava com cabeça para aturar mais ninguém enquanto não visse a mais nova.

– Victorie está aqui? — perguntou. Máscara estranhou a pergunta, mas balançou a cabeça. — Não?

– Não, achei que estava com você. — estreitou os olhos. A vontade de atacar o loiro começava a subir.

– Não, não está. Sequer apareceu hoje. — balançou a cabeça.

A pequena tinha o costume de ir a casa de virgem no seu horário de meditação e ficar lhe fazendo companhia em silêncio. Pela primeira vez em todo esse tempo de convivência com o canceriano, o viu empalidecer violentamente.

– Não... está... VICTORIE! — ignorou a presença do virginiano e saiu correndo escadarias abaixo desesperado, o observou partir em silêncio, logo depois voltou a sua própria casa.

Os olhos sem dúvida estavam bem inchados, mas não era pra menos. Chorara a tarde toda. Se encostou numa árvore longe da vista de tudo e todos, abraçou a si mesma e começou a chorar novamente.

Era sempre assim, nunca se cansavam, nunca. As brincadeiras sempre eram piadinhas sem graça. Por que? Por que faziam isso consigo? O que fez para eles?

– Eu n-não v-vou voltar... — disse entre soluços e deixou mais algumas lágrimas caírem.

Se sentou direito e fungou logo coçando os olhos vermelhos. Talvez não gostassem dela por ter um pai e eles não, ou talvez por ser amiga de todos os dourados, não sabia por que, a pequena criança simplesmente não sabia.

– Me deixem em paz, não quero ver ninguém! — fez bico ao notar algumas almas a rodearem. — Me deixem sozinha.

As mesmas se recusavam, estavam flutuando envolta dela e se "esfregavam" e a atravessavam causando um arrepio gostoso.

– Suas chatas. — riu alegremente e se levantou começando a correr atrás delas e dar risadas gostosas.

Por que estava se importando tanto? Não precisava daquelas pessoas chatas. Tinha seu pai, todos os seus "tios", os gêmeos, as vezes o senhor Shion, e seus amiguinhos flutuantes, não precisa dos outros.

A floresta não era tão assustadora assim, havia diversas plantas, flores variadas, as árvores altas dá uma vontade de subir. Corria em círculos atrás delas quando ouviu um berro histérico e tropeçou de susto e caiu no chão.

– VICTORIEEEEEEEE! — os berros de Afrodite ao vê-la ficaram mais altos. Os olhos da canceriana marejam por causa da queda. — Eita... VIC!

– Achou ela?! — a voz do pai ecoou por seus ouvidos.

Afrodite não se importou em responder na hora. Correu até a menor e a abraçou protetoramente, ela retribuiu em silêncio, Máscara e até mesmo Shura surgiram e a rodearam.

– SUA MALUCA! ONDE ESTEVE TODO ESSE TEMPO?! — Máscara perguntou incrédulo. A tomou dos braços dos pisciano e a abraçou quase que a esmagando.

– Desculpe... eu não queria preocupar vocês... — fez um bico choroso e logo voltou a chorar escondendo o rosto no peito do mais velho.

– O que aconteceu pra você sumir? Está bem? — Shura se ajoelhou do lado dos dois. Ela assentiu em meio a resmungos. — Esse ralado... está bem mesmo? O que foi? — ela não respondeu, ficaram desconfiados, mas era melhor não incomodá-la.

– Se machucou? — Máscara a afastou e olhou os ralados nos cotovelos e joelhos. — Vem, vou arranjar alguma coisa pra cuidar disso. — se levantou e se virou de costas. — Suba logo, paciência não é meu forte. — ela deu um risinho, subiu alegremente em suas costas e ele a segurou.

– Certeza que está tudo bem? — Afrodite insistiu se aproximando dela.

– Uhun. — balançou a cabeça afirmativamente, sabiam que ela estava mentindo, mas também sabiam que ela não contaria. — Er...

– O que foi? — o capricorniano inclinou a cabeça para o lado.

– ... Tô com fome! — exclamou em tom choroso. Os três fizeram um facepalm. De alguma maneira, Aiolia a contagiou com o famoso "buraco negro no estômago". Balançaram a cabeça e acompanharam os cancerianos até sua casa.