Talvez a essa altura já estivesse parecendo uma dança, e uma um tanto quanto ridícula. Se jogava para um lado, para o outro, pra frente, para trás e tudo para desviar dos golpes do mais velho.

– Vamos Mei! Não aprendeu nada do que lhe ensinei em Sicília?! — Máscara perguntou debochado.

– Orras! — exclamou frustado e avançou. Ele o distraíra da última vez? Provaria do próprio veneno agora. — HA! — fingiu desferir um soco, o outro avançou, mas como planejou, saltou subitamente.

– O que... — arregalou os olhos.

Ao olhar para cima, Mei sorriu divertido e jogou todo seu peso para baixo num forte chute. Sentiu as costelas estralem ao ir de encontro ao chão.

Agarrou o tornozelo do aprendiz ainda no chão e o arremessou numa pilastra. Se levantou e riu com gosto.

– Agora sim é meu aprendiz! — riu. O outro se levantou meio atordoado e limpou o sangue do canto da boca.

– Eu mereço. — suspirou. — Vic sumiu, né?

– É... estranho... — arqueou a sobrancelha pensativo.

Ela havia sumido a tarde toda, isso estava ficando estranho... e suas suspeitas pairavam em alguém que conhecia bem... NAH! Burrice, ele nunca faria algo assim.

– "Todos os cavaleiros de ouro, apresentem-se na 13° em 5 minutos, nem mais, nem menos." — ouviu a voz de Shion pelo cosmo.

– Pivete, preciso ir, vê-se não mata ninguém... ou fica se engraçando demais. — sorriu levemente malicioso.

– Ai minha Atena. — fez um facepalm. — Você eu sei que mudou, nunca mais foi a lugar nenhum, mas eu... virei um caso perdido tsk tsk... — balançou a cabeça em tom de auto repreensão.

– Se vire. — começou a andar. O outro se indignou, ergueu a mão em um aceno silencioso e sumiu para a 13°. — "Que infernos Shion quer com a gente..."

Victorie olhou para o pisciano o admirando por uns segundos. Sorriu, mas logo corou ao vê-lo retribuir.

– Sabia que esse teu ar de tímida é muito bonitinho? — a prendeu pelo braço e bagunçou seus cabelos. — Pirralhinha.

– Por que vocês amam desarrumar meu cabelo quando ele está todo arrumadinho? — fez bico chorosa.

Ele riu. Haviam decidido, se encontrariam duas vezes por semana para ficarem a vontade, fora disso, agiam naturalmente. A canceriana se sentia mal por mentir ao pai, mas era preciso se quisesse continuar ao lado do dourado.

– Shion está nos chamando... — disse de repente. Ele assentiu.

– Eu ouvi, os outros também devem ter ouvido, corra pra câncer antes que Máscara chegue, e de lá suba com ele. — deu um empurrãozinho em suas costas. Ela assentiu e correu para câncer.

Todos acabaram se encontrando no caminho, subiram todos juntos, ao entrar na 13° alguns arquearam a sobrancelha, outros arregalaram levemente os olhos e outros sequer prestaram atenção.

Shion conversava com uma mulher, estava sem o elmo, e dava para ver que parecia... encantado com ela. Ok, isso tá estranho. Pensou a maioria.

– Se organizem de acordo com a ordem zodiacal. — pediu ele. Todos nem ousaram desobedecer, como sempre, a imagem do ariano irritado vinha em mente.

Se organizaram em duas fileiras, cada uma com seis cavaleiros de ouro, com exceção da fila da frente que havia Victorie, Shoran e Lyra junto com câncer e leão.

– "Quem será que é essa mulher?" — Mu indagou aos outros pelo cosmo.

– "Sei não, mas que Shion está com uma cara..." — Saga riu levemente. Kanon estava mais concentrado na serva ao lado de Atena, Angel, que vez ou outra sorria.

– "Isso se chama falta de mulher, já falei pra ele!" — o libriano reclamou.

– "OH DOHKO!" — Máscara bufou internamente, fuzilou o libriano de canto.

– "Ah sim! Desculpe." — riu, os outros acabaram rindo também. Victorie apenas ficou curiosa.

– Meus cavaleiros, sei que é meio inesperado, mas quero que cumprimentem nossa visita. — Saori sorriu gentilmente a eles e acenou com a mão na direção da mulher, ela se virou para eles.

Praticamente todos os 12 perderam o ar, mesmo os comprometidos, como Milo e Kanon. Victorie simplesmente não pôde fazer mais nada a não ser achá-la linda.

A mulher sorriu docemente a eles, tinha cabelos em tom que lhe parecia ser prateado, mas tinha algumas mechas num tom um pouco escuro, a pele morena parecia macia e sedosa, tinha olhos verdes, duas esmeraldas brilhantes, tinha um corpo esbelto, nem a mais, nem a menos, a armadura que usava era em tons de azul, contrastava perfeitamente. Podiam dizer que era a mulher mais bonita que já haviam visto, a fitavam com cara de idiotas mesmo sem saber o porque.

– Muito prazer, cavaleiros de ouro de Atena, sou Afrodite. — sorriu. Todos arregalaram os olhos, Kalika e Angel davam risinhos por causa da cara deles.

"AGORA tá explicado..."– Victorie sorriu, a deusa do amor e da beleza estava diante deles, claro que renderia uma reação... besta, de encanto por parte dos rapazes.

– Ela veio me fazer uma humilde visita, mas também tem um pequeno assunto a tratar, um assunto enterrado por 19 anos. — Saori explicou. Ficaram atentos enquanto ela olhava para cada um e seu olhar parou nos cancerianos.

– Não fiz nada dessa vez, eu juro! — Máscara sussurrou contrariado. A canceriana riu baixinho.

"Então... é ela..."– Afrodite olhou na mesma direção, sua orbes verdes penetrantes pareciam enxergar até a alma.

– Muito provavelmente realizaremos uma festa aqui na 13° em comemoração a visita da senhora Afrodite, detalhes serão dados depois. — Shion explicou. — Estão liberados, com exceção de Máscara da Morte e Victorie.

Todos se dispersaram, Angel seguiu ao lado de Kanon e Saga para gêmeos, o pisciano lançou um discreto olhar preocupado à canceriana que retribuiu com um curioso, desceu para sua casa. Estavam sozinhos agora.

– Podem vir comigo? — a deusa da beleza caminhou graciosamente até eles e sorriu. — Gostaria de conversar a sós com os dois.

Os cancerianos olharam para Atena e Shion, o ariano assentiu. O trio entrou numa sala meio abandonada, era como um pequeno jardim, havia algumas plantas, uma pequena fonte no centro e dois bancos, se sentaram.

– Gostaria de tratar um assunto bem... importante, para vocês será, para mim, será um trabalho cumprido. — sorriu e se virou para o canceriano. — Você não se lembra de nada, não é?

– Como? — arqueou a sobrancelha, mas logo entendeu do que se tratava. — Ah sim... não, não me lembro... — respondeu.

– Pois bem, acho que já está na hora de lembrar de tudo. Vamos começar nosso assunto pelo começo.

A deusa aproximou o rosto do canceriano que corou pela proximidade, o que o deixou com raiva por dentro. Mas fazer o que, era a deusa da beleza. Ela tocou de leve sua testa, sentiu uma pequena onda de cosmo passar por seu corpo.

– Isso deve bastar, só precisa lembrar de algumas partes. — disse em tom gentil e sorriu. Se afastou e se virou para Victorie. — Tão graciosa e bonita... deve ser uma amazona excelente também. — sorriu.

– O-obrigada, senhora Afrodite. — corou com o elogio.

– Senhorita no máximo, por favor, não sou muito fã de parecer velha. — riu levemente.

Máscara não estava prestando atenção nelas. Sentiu uma dor de cabeça aguda lhe atingir. Levou as mãos ao rosto e gemeu baixinho de dor, arregalou os olhos.

Começava a se lembrar de tudo. Tampou o nariz quando um filete de sangue escorreu, Victorie e Afrodite estavam entretidas numa conversa, estava tudo bem, elas não viram.

Os olhos chocolates da mais nova estavam lá, mas seus cabelos eram de uma cor verde, longos e ondulados, usava uma armadura azul, era uma mulher totalmente diferente, mas extremamente bonita, em seguida, viu a si próprio, junto a aquela moça próximos a uma árvore, se olhavam e sorriam, a próxima visão foi da pequena cidade, estava em chamas, inimigos desconhecidos espalhados, ela mandou que corresse, sentiu o coração doer, logo em seguida foi empurrado para evitar um golpe sujo, caiu atrás de um muro, bateu com a cabeça numa pedra e tudo escureceu.

– Se lembrou? — Afrodite perguntou de repente e o olhou. Victorie fez o mesmo.

– PAI! — correu até ele e rasgou um pouco da manga do vestido e limpou o sangue.

– Obrigado... — resmungo um agradecimento e olhou para a deusa. — Hecariate...

– Hecariate era uma guerreira esplêndida, uma Erote muito cuidadosa. — notaram que a voz da deusa do amor parecia mais triste. — Dei a ela uma folga na Itália para que descansasse, e lá ela acabou conhecendo você. — sorriu ao canceriano. — Você estava muito bem, estava mudando, até que pra minha infelicidade alguns guerreiros de Hefesto resolveram surgir e atacaram... ela tentou te salvar.

– Ma... mãe... — Victorie fitou a deusa, as lágrimas escorriam por seu rosto. Depois de anos, podia saber mais sobre sua mãe. O canceriano a abraçou.

– Você perdeu a memória, cumpriu a missão e voltou, sem saber de mais nada. — suspirou. — E ela acabou vivendo escondida com a pequena — enxugou com delicadeza as lágrimas da mais nova. — até que conseguiu enviá-la para cá, foi achada e morta por eles...

– E-eu não consegui lembrar... só ficava tentando e... muito menos que seria uma de seus Erotes. — a fitou.

– É, somos mais conhecidos pela beleza, alguns de nós somos bem fúteis eu admito, mas ela não. — balançou a cabeça. — Nunca se perguntou nem que por um instante por que os cavaleiros de ouro se encantavam tanto com Victorie bebê? Mudavam de personalidade com ela? A achavam uma gracinha, ou sempre ajudá-la se preciso? — inclinou a cabeça para o lado sorrindo.

Ambos ficaram em silêncio, tudo fazia sentido agora. Afrodite vendo o quão afetados ambos ficaram, os chamou para um pequeno lanche, acabaram melhorando, mais memórias vinham na mente do canceriano, se a mais nova quisesse, agora poderia contar tudo sobre a mãe.

– "Cê" viu aquilo? Era A Afrodite! — Shoran olhou para a gêmea que tinha uma cara emburrada. — O que foi garota?!

– Vontade de te dar um tapa em você pela cara que fez! — cruzou os braços emburrada. O gêmeo riu do ciúmes dela.

– Ai ai você... ei ei ei ei ei ei, olhe! — cutucou o braço da outra e olharam na mesma direção. — E lá está... a maldita.

Observaram Yohana largada na arquibancada reclamando de algo qualquer, estava sozinha. Um sorriso maldoso cruzou os lábios dos dois leoninos.

– Vamos ensinar ela a não se meter com nossa "priminha"? — Lyra estralou a mão e riu maldosa.

– Ah vamos...

Andaram em silêncio até a arquibancada, chegando por trás dela, mesmo já tivesse passado, ainda tinham raiva guardada.

Bonjour, vache... (N.A Boa tarde, vaca) — Shoran sorriu e desferiu um chute na amazona potente o suficiente para que fosse lançada da arquibancada e caísse com um baque no chão.

– Idiota. — a leonina riu e saltou pousando graciosamente ao lado dela que se levantou atordoada.

– O-o que vocês querem?! — perguntou aflita. Os dois eram os gêmeos prodígio, o título de cavaleiro de ouro podia estar batendo na porta. Aquilo não era nada bom.

– Apenas... vingar nossa prima. — Shoran disse lentamente, em tom maldoso. Estremeceu. — Ninguém mexe com a nossa família. E ela nunca faria nada demais, e pura e boa, ao contrário de uma miserável como a que estou vendo.

– Aquela... aquela...

– NÃO ABRA A BOCA! — Lyra desferiu um tapa em sua face a fazendo cair no chão de joelhos. — Te atacar é perda de tempo, temos uns assuntos a tratar, mais pacificamente. — a segurou pelos cabelos, a outra mordeu o lábio segurando o grito de dor.

– É melhor não se aproximar mais dela e nem de nenhum dos 12, não vai ser uma recepção bonita. — Shoran disse em tom frio e estralou o punho. — E muito menos, de Afrodite.

Yohana arregalou os olhos, como haviam descoberto? Aquela pirralha... devia ter sido ela. O que eles estavam querendo dizer com isso?! Seria possível que...

– Além do mais, você não ia ter chance com ele mesmo, sua idiota! — Lyra riu sarcástica. Sentiu vontade de chorar.

– Como vocês... — a leonina soltou seu cabelo a empurrando, caiu deitada no chão, mas não quis se levantar.

– Quem sabe você descobre, mas está avisada agora. — Shoran deu as costas a ela e saiu andando. — Vem mana, temos coisas mais importantes para fazer.

– Claro. — o seguiu e rumaram para leão. — O que Afrodite veio fazer aqui é mais importante agora, e planejar as comprar também. — se abraçaram de lado e saíram deixando a outra curiosa para trás.

Depois que melhoraram das lembranças e das descobertas, Máscara decidiu descer para câncer e dormir um pouco, perguntou a Victorie se voltaria também, mas ela preferiu dar uma andada para se acalmar. Ele assentiu, mesmo um pouco desconfiado. Atena se juntou a Shion e Afrodite para fazerem os planejamentos da festa.

Desceu direto para peixes, passaria alguns minutos lá e logo depois desceria, não percebeu que alguém a observava.

– Dih...? — entrou calmamente, embora continuasse meio abalada.

– Vic? — se aproximou. — Está tudo bem? O que Afrodite queria? Não era nada perigoso, né? NÉ?! — a encheu de perguntas e inclinou a cabeça para o lado.

– Se acalme. — sorriu levemente. Ele riu sem graça.

– Desculpe, me empolguei demais, vem. — começou a empurrá-la em direção ao jardim, sentaram nas rosas da frente. — Enfim... o que era?

– Dih... — os acontecimentos vieram em mente, seus olhos marejaram. — M-minha mãe... ela ajudou meu pai... a lembrar da minha... — se embolava nas palavras, lágrimas escorreram das orbes castanhas, escorrendo pelo rosto alvo.

– Eita... — se aproximou e a abraçou. Deixou que chorasse tudo que precisava chorar. — Já passou... já passou... — ela agarrou suas roupas enquanto soluçava, não se importou que as lágrimas molhassem sua blusa.

Ficaram em silêncio por alguns minutos, o dourado apenas fazia carinho em seus cabelos, procurando tentar compreender a confusão que estaria os pensamento da pequena.

Victorie não estava triste nem magoada, só se encontrava abalada e confusa, anos e anos sem saber nada sobre sua mãe, nem ela nem seu pai, e agora tudo voltava a tona.

– E-ela era uma E-Erote... lutava em nome de Afrodite... — revelou em meio as lágrimas. Ele arregalou levemente os olhos, agora entendeu por que quis falar com eles a sós.

– Devia ter sido uma guerreira muito forte. — sorriu levemente. — Fique calma, sei que está afetada, o siri deve estar tão afetado quanto você.

– É... — se encostou nele mais calma. — Preciso ir lá...

"Então... era verdade mesmo! Os outros tinha razão!"– Mei os observava em silêncio atrás de uma pilastra. — "É tudo escondido do mestre..."

– Deve. — Afrodite sorriu e bagunçou levemente seus cabelos. — Pelo jeito vai ter uma festa na 13° você quer...

– Ir com você? É claro. — sorriu mais alegre. — mas devemos ter cuidado, não vou poder ser carinhosa demais, ain! — fez bico tristinha.

O pisciano riu e beijou o topo de sua cabeça. Logo depois ela se levantou tirando as pétalas da roupa e desceu para câncer. Mei os observou e saiu sem ser visto. Seria o certo? Contar? Não... possivelmente não, que situação... decidiu manter isso em segredo junto com os outros. Desceu discretamente.

Pela manhã seguinte, anúncios foram colocado em algumas pilastras por todo o santuário avisando que haveria uma festa na 13° pela visita da deusa do amor e da beleza.

Praticamente todos ficaram animados com a notícia e já tinham os preparativos em mente.