Notas iniciais
Último capítulo! E aí, com quem a Mel fica???

Os dias passaram, doidos como sempre. Izzy não deu sinais de vida, assim como meu pai. Jace continuava infantil e Clary tinha que controlá-lo. Simon estava na maior depressão, pois a namorada dele havia sumido e não atendia as ligações dele. Maia e Jordan pareciam que iam avançar um no outro, mas sempre que um sumia, o outro sumia também (hummm). Martin era meio Severo Snape, ainda, mas às vezes legal, eu não o entendia. Romeu continuava um imbecil, dando em cima das alunas e me tratando mal. Travis ainda tinha sua cara assassina sempre que olhava para Sebastian. Pietro parecia um cachorrinho, andando atrás de mim o tempo todo, mas sumia sempre que meu... Namorado estava por perto. Ser eu não estava sendo fácil.

—Tu tá ruim de namorado, ein, guria. –Maia disse. Travis tinha me chamado para ver a aula de “pancadaria” dele, então eu pedi a companhia da licantrope. –Cara, às vezes até eu tenho medo dele.

—Não exagera, Maia. Ele não é tão ruim. –No tatame, Tray derrubou um garoto, e puxou o braço dele, quebrando-o.

—Não é?

—Tá bom, ele é um pouquinho violento... –Agora Travis acertou um soco num outro garoto, que parecia estar defendendo o que estava com o braço quebrado. –Ai meu Raziel, que isso?

—É, você tem um gosto ruim pra macho, amiga.

—Acha que se eu sair de fininho, ele vai me matar?

—Não. Acho que ele vai te dar uns tapas, mas você pode dar uma desculpa depois.

—Tá. Vamos. –Me levantei, correndo pra porta com Maia.

—Melissa. –Paramos. Eu estava quase tendo um treco. Me virei, forçando um sorriso para Travis. –Onde você vai?

—Hã... Eu... Emergência feminina. Tenho que ir.

—Não ia nem se despedir?

—É que você tava tão centrado, que eu não quis atrapalhar, sabe.

—Ah. –Se aproximou pra me beijar.

—Tray, você tá suado, não.

—Desculpa. –Riu. –Nos vemos mais tarde.

—Tá. Tchauzinho. –Acenei, então saí o mais rápido possível, sem correr.

—A gente quase foi assassinada. –Maia disse. –Se um dia você sumir e aparecer esquartejada numa mala, eu sei quem foi.

—Maia, que horror!

—Que? Eu sou sincera. –Suspirei.

—Vamos, vamos sair daqui antes que ele volte, limpo, pra me beijar.

***

—Mel, eu nunca te pedi nada. –Jace disse, se aproximando. Ele tinha uma marca bem grande na lateral esquerda do rosto. –Mas dê um jeito naquele seu namorado.

—Ele socou sua cara de novo.

—Yeah, ele socou minha cara. –Cruzei os braços.

—O que foi que você fez dessa vez, Herondale?

—Nada!-Olhei para Clary, ela fez que sim com a cabeça.

—Então por que ele te bateu?

—Por que ele é maluco! Vamos, ruiva, vamos comer e ficar longe desses doidos. –E saiu, puxando Clary para o refeitório. Simon deu de ombros e os seguiu. Travis apareceu pouco depois.

—Por que bateu em Jace?-Ele piscou um pouco surpreso.

—Como assim?-Retrucou.

—Bateu em Jace de novo. Por quê?

—Era aula de luta.

—Mas não precisa pegar pesado. Ontem você quebrou o braço de um garoto, Tray. Isso não é legal. Não gosto de violência, então...

—Está terminando comigo?-Deu um passo na minha direção. Recuei. –É isso, Bane? Está me dando um fora?-Engoli seco. Travis tinha uma expressão assassina no rosto. Ai, Raziel, socorre aqui.

—N-n-não. Eu só... Ia... Dizer que devia... Hã... Tomar cuidado, pra não... Machucar os outros, só isso. –Sorriu. Cara, ele parecia um psicopata anteriormente. Momento Tom Keen quando tira os óculos?

—Ótimo. Vamos, estou morrendo de fome.

***

—Acho que estou super ferrada. –Comentei, enquanto Maia procurava alguma roupa no próprio armário. Me sentei na cama dela, brincando com um lobo de pelúcia que não combinava nada com a garota. Olhando de perto, o lobo tinha uma coleira escrita “Jordan”. Tentei não comentar isso.

—Que foi agora?

—Travis. Ele surtou quando achou que eu estava terminando com ele. Parecia um psicopata daqueles filmes, sabe?

—E você estava terminando com ele?

—Acho que sim. –Se virou pra mim, um vestido verde na frente do corpo.

—Acha?

—Ele é muito agressivo e grudento. Você viu o que ele fez na cara do Jace? Não quero namorar um cara assim.

—Então termina com ele.

—Tentei, mas ele me olhou como se eu fosse uma bela bolsa de sangue, e ele um vampiro sedento. Sério, achei que ele fosse me matar.

—Vamos armar um plano pra você se...

—Gente!-Clary entrou correndo no quarto, seguida de Jace, que tinha um colar de flores no pescoço e jogava confete para os lados. Era carnaval?

—Que invasão é essa, menina?

—Sebastian...

—O que tem Sebastian?-Perguntei, levantando.

—Ele... Tipo... Ele... –Respirou fundo, parecia sem fôlego. –Ele sumiu.

—Sumiu?

—Explica esse milagre direito. –Maia pediu, largando o vestido e colocando as mãos na cintura.

—Sei lá como isso aconteceu. –Clary disse. –Só que ele sumiu. Ninguém o vê desde a hora do jantar de ontem. Marcie tá lá em baixo, fazendo um drama digno de uma viúva.

—Alguém o sequestrou?-Perguntei.

—Não sei. Ele... Só sumiu. Não levou nada do quarto dele.

—Deve ter fugido com alguma garota. –Maia comentou, sem parecer dar bola. –Logo aparece.

—Mel, você tá legal?-Fiz que sim, mesmo que a resposta fosse não. Sebastian havia desaparecido.

—Não é estranho?-Jace perguntou. –Raphael sumiu e agora Sebastian... Mel, o que é que você tá fazendo com seus namorados?

—Jace! Caso se esqueceu, Alec também sumiu.

—Você pegou o Alec, Melissa?-Arregalou os olhos.

—Peguei. –Respondi venenosa. –E peguei seu pai também. Quer ser o próximo?

—Clarissa!-Pulou no colo da esposa, que o derrubou no chão. O garoto levantou e saiu correndo.

—Tem algo errado, e não é com Jace.

—Acha que tem alguém sequestrando os outros?-Maia perguntou.

—Bom, nem todas as pessoas somem por que querem, né? Precisamos fazer alguma coisa.

—Vamos montar uma equipe e investigar!

—Estamos presas aqui dentro, gênia. –Clary lembrou. –Investigar como?

—Isso é bem fácil. –Respondi. –Temos Camille do nosso lado, lembram?-Sorrimos. –Vamos arrumar as malas, garotas. Estamos vazando daqui.

Infelizmente, os garotos nos viram e exigiram que os deixassem sair também. Acabamos levando Jace, Simon e Jordan. Escapei antes que Travis também aparecesse e quisesse ir junto.

Camille conseguiu dar um jeito no diretor, então lá íamos nós, a pior e mais atrapalhada equipe de busca do mundo.

Falamos com Izzy pelo telefone, e ela disse que não havia notícias de Alec. Os vampiros do hotel Dumort disseram o mesmo sobre Raphael, e Valentim sobre Sebastian. Os três tinham sumido.

—Dois Caçadores de Sombras, e um vampiro. –Camille listou, andando de um lado para o outro no apartamento dela. –Por que não faz sentido?

—E alguma coisa nessa história faz?-Jace perguntou. Fiz que não.

—Bom, por onde querem começar? Já fiz minha parte, agora é com vocês.

—Pra que alguém ia querer Alec, Sebastian e Raphael?-Perguntei.

—Eles são bem bonitos. –A vampira comentou, distraída.

—Belcourt, volta pra Terra.

—Acho que temos que falar com seu pai. –Clary disse. –Ele pode saber de alguma coisa.

—Ele não me atende.

—Então vamos atrás dele.

—Não sei onde ele está.

—Vai ganhar o troféu de filha do ano. –Camille provocou.

—O que? Ele sumiu, mulher. Não sei como achá-lo.

—Além de pior filha vai ganhar o de pior feiticeira. Vamos rastreá-lo.

—Ah. Entendi.

—Dã.

—Cala a boca, Camille.

***

Rastreamos meu pai até uma área afastada. Tinha mato, e uma cabana abandonada.

—Meu pai não pode estar aqui. –Eu disse. –Tem algo errado.

—Com certeza. –Camille concordou. –Tem certeza de que fez tudo certo?

—Fiz como você disse pra fazer!

—Galera. –Clary chamou. –Vocês vão querer ver isso. –Me virei.

—O que? Oou.

Uma nuvem escura se aproximou de nós, então nos engoliu.

***

Quando acordamos de novo, estávamos numa jaula enorme. Os meninos estavam tentando arrebentar as grades (ou algo assim). Olhei em volta.

—Perceberam que isso parece o salão de um castelo?-Perguntei.

—Sim. –Maia respondeu. –Tá na cara.

—Meninos, se afastem. Vou tentar nos tirar daqui. –Os garotos recuaram, ficando atrás de mim. Estendi as mãos, me concentrando, mas nada aconteceu. –O que? Por que não funciona?

—Seus poderes não funcionam aqui, querida. –Olhei pro lado. Havia outra jaula, onde estavam meu pai e Izzy.

—Onde estamos?

—Num lugar bem ruim. –De repente, as jaulas sumiram. Corri até meu pai e o abracei.

—Onde estão Alec, Rapha...

—Com ele. –Me soltei do meu pai. Um homem pálido estava de pé, não muito longe de nós, vestido de branco. Era bem alto, careca e... Os olhos, eram dourados e verdes, como...

—Os olhos dele são como os nossos.

—É claro que são, querida. –Ele disse. –Sou Asmodeus. Sou avô.

—Impossível.

—Tem certeza?-Fiz que não. –Ótimo. Não vai me dar um abraço?

—Nos tire daqui, agora.

—Posso até tirar, mas depois do meu ritual. –Estalou os dedos. Três figuras apareceram ajoelhadas na frente dele: Alec, Raphel e Sebastian.

—Não!-Meu pai segurou meu braço. –Seb... Rapha... Solte-os! Os três.

—Por que eu faria isso? Preciso deles pro meu ritual. O sangue deles... A vida deles... É tudo meu.

—Não. Não é!-Chamas azuis apareceram nas minhas mãos. Meu pai recuou, assim como Asmodeus. –Deixe-os em paz.

—Você não deveria poder fazer isso.

—E isso?-As chamas se tornaram mais fortes.

—Desista, Mel. Não pode contra mim. Agora chega.

—Ninguém. Toca. Nos. Meus. Garotos!

As chamas avançaram contra Asmodeus, que recuou mais ainda. Camille soltou um gritinho, apavorada. De repente, meu avô sumiu, mas sua voz ainda se fazia ouvir.

—Eu volto, Melissa! Eu volto!

Corri até Sebastian e Raphael, abraçando-os de uma vez só.

—Que bom que estão bem. –Sussurrei. Então apaguei.

***

Foi Julie que nos salvou. É. Minha amiga filha do capiroto nos tirou do inferno. Devíamos voltar para a Academia, mas meu pai declarou feriado para todos nós. Além disso... Bem, ele pediu Alec em casamento assim que voltamos. Ou seja, os preparativos iam começar.

Sabendo que tudo tinha cara de fim de novela, eu sabia que tinha que tomar uma atitude. Fui atrás de Raphel, encontrando-o no jardim.

—Raphael. -Chamei, ele se virou. -Precisamos conversar.

—Não tenho certeza disso. -Sem conseguir me conter, me desfiz em lágrimas.

—Você não pode me perdoar?

—Mel... -Se aproximou.

—Rapha, eu sinto muito. Não quis machucá-lo, eu...

—Tudo bem. Entendo. Você ama Sebastian de verdade, vi o jeito que o olhou.

—Lamento.

—Não tem por que. Não é culpa sua. Sabe, ouvi uma vez, de uma pessoa muito sábia, que se você está dividido entre duas pessoas, deve ficar com a segunda. Porque se amasse a primeira de verdade, não haveria uma segunda. -Tentei secar as lágrimas, não consegui, mais delas vieram. -Ama Sebastian, fique com ele.

—Estaria ferindo você.

—Acontece. Em triângulos amorosos, alguém sempre acaba machucado. Se não fosse eu, seria Sebastian.

—Desculpa. -Lágrimas avermelhadas escorreram pelo rosto do vampiro, que me puxou para um abraço.

—Não se desculpe. Apenas me prometa que haverá um lugar reservado pra mim no seu coração, um lugar como amigo.

—Vai querer ser meu amigo depois que magoei você?-Me abraçou com mais força.

—Estaria me magoando de verdade se me esquecesse. Te amo, minha amiga feiticeira.

—Te amo, e lamento por não ser do jeito que queria. -O senti sorrir.

—Não importa. -Se afastou um pouco. -Caso se canse daquele psicopata loiro, pode me procurar, acho que te dou uma chance. -Piscou.

—Vou pensar no seu caso. Mas acho que Sebastian e eu não...

—Todos cometemos erros. Não crucifique Sebastian como se ele não pudesse errar. -Olhou por cima do meu ombro. -Acho que é hora de conversarem. -Me deu um beijo na testa e desapareceu na noite. Me virei.

—Sebastian. -Murmurei.

—Mel, eu... -Começou hesitante. -Eu... Me dê uma chance de...

Não o deixei terminar, corri até ele e o beijei. O garoto levou alguns segundos para se recuperar da surpresa e então me correspondeu. Me afastei, ele tocou meu rosto.

—É você, Sebastian Morgenstern. Eu escolhi você. Meu coração é seu.

—Sou mortal, Mel. Não vou viver para sempre.

—Não pense nisso, não agora. -Voltamos a nos beijar. Sebastian me ergueu, girando-me no ar, sem conseguir parar de sorrir.

—Eu te amo, Melissa Bane!-Gritou.

—Shh, os outros vão ouvir.

—E daí? Quero que saibam a verdade. Eu amo uma feiticeira baixinha que tem olhos de gato. -Sorri.

—Então acho melhor eu gritar para que saibam que amo um psicopata loiro.

***

—Cara, meu irmão casou com seu pai, isso nos faz parentes!-Izzy exclamou, me abraçando.

—Ué, você é minha tia agora?

—Não pensei nisso.

O jardim do hotel de Camille estava lotado. Caçadores de Sombras e seres do submundo estavam espalhados pelas mesas e pela pista de dança. Papai e Alec estavam junto com os pais do meu... Padrasto.

—Os dois não são um casal lindo?-Izzy perguntou.

—São. Um shipp perfeito. –Rimos. Alguém envolveu minha cintura com os braços. –Oi, Seb.

—Ih, lá vem o casalzinho. Com licença que eu não seguro vela. Simon! Vamos dançar!

—Ela é muito doida.

—Como certa feiticeira. –Sebastian disse, me girando para ficar de frente pra ele.

—É? Não conheço nenhuma feiticeira doida.

—Eu conheço. Uma bem linda. –Me beijou.

—Estou de olho em vocês!-Papai gritou. Mostrei a língua pra ele.

—Ele ainda não gosta de mim, né?

—Ele vai se acostumar. –Garanti. –Mais cedo vi você conversando com Raphael.

—Ah, é. Agora que não estamos mais brigando por você, somos meio... Amigos.

—Hum, bom saber. Achei que teria que bancar a “Dona Flor e seus dois maridos”.

—Não faço ideia do que está falando.

—Isso é bom.

Ah, antes de chegar ao fim, preciso falar umas coisinhas...

Não voltamos para a Academia Raziel. Nenhum de nós aguentava mais aquele lugar, e como a maioria foi por minha causa... Saímos juntos.

Eu terminei com Travis, que pareceu bem zangado e até ergueu a mão pra me bater. Aí Sebastian, Alec, Jace, Jordan, Raphel e Pietro se colocaram ao meu lado, e o garoto desistiu, indo embora.

Romeu foi demitido e sumiu no mapa. Martin continuava dando aulas na academia.

Camille começou a namorar um outro bruxo, mas disse que se meu pai precisasse, ela estava disponível.

Maia e Jordan voltaram. Sabia que não iam ficar longe por muito tempo.

Pietro voltou para o Brasil, após terminar seus estudos. Ele e Julie começaram a namorar. Parece que atualmente estão em Búzios, eles até me mandaram um cartão postal.

Bom, ainda na festa de casamento do meu pai...

—Psiu, garota. Psiu. –Olhei em volta. Estava sentada em uma mesa, brincando com uma taça. Meu olhar localizou Presidente Miau parcialmente escondido por alguns arbustos.

—Ai, você ainda fala.

—Aproxime-se. –Revirei os olhos e me aproximei dele.

—Se alguém ver isso, vão achar que sou maluca.

—Você é maluca. –Cruzei os braços.

—O que você quer?

—Pegue isso aqui. –Inclinou a cabeça para o lado. Havia um cordão azul no pescoço, e um pequeno frasco pendurado nele. Um líquido verde brilhava dentro dele. O peguei.

—O que é?

—Aí tem o suficiente para Alexander e Sebastian.

—O suficiente do que?

—Imortalidade. Isso os tornará imortais. Mas eles devem pensar bem antes de fazer essa escolha. Pensar neles, e não em seus parceiros imortais. –Olhei para o frasco. Quando olhei de novo para o gato, ele não estava mais lá.

—Mel, o que foi?-Sebastian perguntou, se aproximando com meu pai e Alec.

—O que é isso?-Papai questionou, apontando para o frasco.

—Uma chance. –Respondi.

FIM

Notas finais
E aí, vcs acertaram? É isso. Acabou!!! :) O que acharam? Deem suas opiniões, só não vale querer a matar a tia! Bjs!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!