A Filha de Máscara da Morte

22 Sua Filha, Mephisto


Notas iniciais
TUDO QUE TENHO A DIZER - NOTAS FINAIS!!

Xx Dois Anos Depois xX

– VENHA JÁ AQUI SEU PIVETE! — berrou quase puxando os cabelos. As vezes tinha uma vontade um tanto grande de dar umas palmadas naquele menino.

A esposa estava sentada tranquilamente no sofá, Mu ao seu lado, tomavam chá distraídos.

– Menos agressividade querido, ele é só um bebê ainda.

– Um bebê... DELINGUENTE! — puxou os cabelos.

– Papa! — o pequeno apontou para um jarro grande e cheio de flores, fez bico pidão.

Seus olhinhos rosados piscavam inocentes, coisa que ele não tinha quase nada, os cabelos roxos chegavam até um pouco depois de seus ombros, bagunçados graças à farra.

– Não, Cid! É perigoso! — bufou e se aproximou pegando o pequeno no colo e sentando no sofá. — Oh cabritinho elétrico!

– Deixa o coitadinho, Milo! — riu e lhe deu um selinho.

– ECA! — tampou os olhinhos com a língua pra fora. Mu riu do sobrinho.

– Menos El Cid, BEM menos. — riu Milo.

Sim, deram-lhe o nome de El Cid em uma pequena homenagem ao antigo cavaleiro de capricórnio. Shion contara sobre todos os seus antigos companheiros à filha, a mesma, quis homenagear o da constelação correspondente à de seu filho.

– Bah! — cruzou os bracinhos inflando as bochechas. Se aconchegou no colo do pai e "raptou" fios do cabelo e começou a brincar.

A amazona sorriu bagunçando seus cabelos roxos, como os do pai.

– Milo, você soube? — o olhou.

– O que, aquilo com Victorie? Ah, claro. — riu. — Tem como nao saber nao.

– MASK ainda não sabe.

– PORQUE, querem surpreender ele. — Mu entrou na conversa e riu.

O pequeno capricorniano olhava emburrado para os dois por não saber do que estavam falando.

– Ei! Eu quelo saber também! — estreitou os olhos cor de rosa.

O trio se virou para a criança de bochechas infladas e olhos estreitados. Milo bagunçou seus cabelos também, se antes estavam bagunçados, agora estava pior.

– Uma hora você vai saber... uma hora vai. — sorriu. — Agora vá pro jardim brincar um pouco com Mu vá.

El Cid pareceu sério por uns instantes, sério demais para a idade, mas fazer o que. Sorriu e bateu palminhas logo descendo do colo.

– Vem tio Mu! — segurou a mão do ariano.

O puxou enquanto andava meio desajeitado, não fazia muito tempo que havia aprendido a andar. Rumaram para o jardim, Mu não recusou e se deixou ser puxado.

Milo puxou Kalika pela mão e sentaram na escadaria de aries, ficando a observar todo o santuário de baixo.

– Dois anos... pouca coisa mudou, né?

– É... pouca mesmo, foi bem tranquilo. — sorriu. — Dá pra lembrar muito bem o dia que tive que subir as pressas pra câncer porque Victorie estava morrendo de fome.

Ambos riram. Milo mais ainda lembrando da cara torcida do canceriano quando o provocou.

– A lagosta mudou muito... oh se mudou.

– Sem dúvidas. — sorriu e subiu no colo do mais velho, se aconchegando. — Parece ter renascido, por dentro.

Sequer prestavam muita atenção por onde andavam, estavam mais concentrados na leitura que tudo.

– Mano... ele era um gênio mesmo. — Lyra sorriu admirada ao ler as pequenas letras.

– Clamor do Zodiáco... seria legal poder aprender. — o gêmeo fez bico, ela fez o mesmo.

– Seria legal é viajar no tempo, conhecer Regulus de Leão, trazer ele e os outros dourados pra cá, e obrigar Shion a construir outras doze casas... — viajou completamente em suas ideias. Shoran soltou uma gargalhada.

– Você tá bem mana?! Toma remédios, que eu nunca soube, e esqueceu dessa vez?!

– Ah vá se ferrar, bichano doméstico! — bufou puxando o livro antigo das mãos do irmão.

Ele bufou voltando a seguí-la e se espichando para ler um trecho ou outro.

– Kaiser de Leão... ele tinha leões de estimação! — os olhos de ambos brilharam.

– Deve ter sido muito legal! Ter um leão vivendo com você. — bateu palminhas, o livro sob seu braço.

– Certo certo, agora me dá. — roubou o livro da irmã. Ela bufou frustada.

– Tá bem tá bem! Leia aí mais sobre eles, eu ainda quero ouvir. — fez bico. Ele riu.

Mesmo com os anos passando, ambos continuam as mesmas "crianças crescidas" da 5° casa.

Andaram enquanto liam o livro emprestado. Na realidade "roubaram" de Shion, se o ariano soubesse... tsk tsk, não seria bonito.

– Ikki! — Lyra exclamou alegre ao ver o bronzeado passar por eles. O mesmo a fitou, logo coçando a nuca.

Shoran estreitou discretamente os olhos, há tempos já notava um clima estranho entre os dois leoninos.

Acabaram andando juntos, Ikki apesar de ser quieto, acabou se soltando com os dois e conversavam animadamente. Na visão de Shoran, era apenas questão de tempo.

– Olhem... — Ikki apontou.

Os gêmeos se viraram para a direção que o amigo apontou. Um pequeno filhote de leão, andava de um lado para o outro miando, parecia apavorado.

A leonina de imediato ficou compadecida e se aproximou, com cuidado passou a mão pelas costas do animal, ele ficou estático.

– Tadinho...

– Deve ter se perdido da mãe. — Shoran se abaixou, sem pudor ou hesitar, o pegou no colo e ergueu no estilo Rei Leão. — Que gracinha!

– Vão criá-lo? — Ikki se pronunciou enquanto os olhava. Um sorriso de Lyra foi suficiente para ele. — Agora precisaremos de um nome. Shoran ficou pensativo.

– Hm... Thisatína. — sorriu finalmente.

– Que junção de nomes usou aí? — a irmã perguntou curiosa, arqueou a sobrancelha.

– Tesouro e raio. Tesouro de Raios. Ele é nosso tesourinho que acabamos de achar. — ele sorriu. — o ensinaremos tudo que for possível ensinar a um leão de um cavaleiro de ouro!

– Exatamente como Kaiser fez!

Ambos sorriram. Ikki acabou sorrindo junto. Shoran aconchegou o pequeno leão no colo, ele se rendeu e se aconchegou no novo dono. Shoran sugeriu que voltassem, nenhum dos dois discordou.

Ikki acompanhou Shoran, Lyra andou mais atrás dos dois. Sentiu uma pequena brisa e se virou, apenas ela.

Não havia ninguém atrás de si, apertou o livro sobre o signo de leão (e seus respectivos cavaleiros de ouro) com certo medo.

Ficando mais atenta, acabou vendo muito bem. Ficou tentando buscar palavras sem sucesso, o irmão já se afastando mais.

– E-er...

Como não ver? Em meio ao verde das árvores, um reflexo azulado, dois lindos olhos azuis, um sorriso divertido quase não visível, e um fraco brilho dourado. Abriu um largo sorriso.

Espíritos existem, os que se foram lutando por Atena, continuam aqui.

– Você é...

Tentou se aproximar, "ele" balançou a cabeça, não deveria avançar. Recuou, mas continuou sorrindo, "ele" fitou o livro em seus braços e sorriu.

– ... darei meu melhor! Serei uma amazona de leão que orgulhe vocês! — sorriu plenamente feliz. Azul encarou azul.

Era inacreditável demais, surreal demais, mas era maravilhoso. Quais seriam suas emoções ao estar cara a cara com seu ídolo como cavaleiro, mesmo tendo ele já partido? Aquele em quem se inspirou? Eram tantas misturadas...

Viu ele sorrir alegremente como uma criança. Queria se aproximar, estar mais perto, mas de que adiantaria? Ele... era um espírito...

– LYRA! — pulou de susto. O espírito se virou para a direção da voz, ela fez o mesmo.

– Shoran?!

O gêmeo voltou e segurou sua mão, nem notara o antigo dourado ali. Ele não o via?! Ele... queria que só ela o visse?!

– Quase morremos de pavor! Vamos indo, Aiolia quer nos treinar mais um pouco. O desafio final está chegando.

Se deixou ser puxada e começaram a andar de volta. Andou mais devagar e o olhou de canto. Será que em alguma hora, se voltasse, ele estaria ali de novo? Sussurrou baixinho.

– Eu volto, Regulus...

Viu um breve sorriso surgir em seus lábios, ele assentiu brevemente a ouvindo e rumou para a floresta, sumindo. Ela sorriu e correu atrás do irmão.

Prometeu, prometeu e iria cumprir. O orgulharia como amazona, voltaria para vê-lo. Promessa é promessa, e cumpriria esta com prazer. Voltaria, sempre voltaria para vê-lo.

– Pode colocar ali por favor? — Shion apontou para a prateleira.

– Claro, Shion. — sorriu e pegou os papéis batendo na mesa de leve os organizando e guardando.

Como sempre, Victorie sempre ajudava o ariano com seus trabalhos. Dessa vez, Angel os estava ajudando já que a bagunça era grande.

– Dois anos que passaram rápido, não é? — a serva sorriu enquanto passava o espanador nas prateleiras.

– Sem dúvidas, mas anos maravilhosos. — sorriu a canceriana. Sentou-se na cadeira do ariano cansada. — Eu sou a Grande Mestra agora, me obedeçam! — bateu a mão na mesa arrancando risos dos dois.

– Continue sonhando pequena canceriana. — Shion bagunçou seus cabelos longos.

– Af!

A serva terminou de arrumar as coisas restantes, afinal, era SUA função, ficava quase se coçando quando os via trabalhando em seu lugar.

– Devia folgar um pouco, Angel. — a canceriana a fitou. — Não precisa ficar se forçando tanto, Kanon não iria gostar.

– E-eu sei. Mas é minha função cuidar de tudo. — sorriu levemente. — Vocês não tem por que fazer isso...

Shion se virou e a fitou.

– Diga-me... você já sentiu o cosmo?

Ambas se surpreenderam. Angel, acabou assentindo brevemente.

– Apenas duas vezes... fraquinho... — não sabia porque o ariano havia perguntado aquilo. Ele sorriu.

– Bem... qual o seu signo, serva?

Novamente as surpreendeu. Victorie piscou algumas vezes, mas acabou sorrindo quando entendeu sua intenção.

– V-Virgem Mestre Shion. — levou os braços para trás das costas, tímida.

– Entendo...

Shion sorriu levemente. Não seria má ideia, com um bom treino, quem sabe daria certo, ela era dedicada, calma, e obediente.

– Depois que acabar seus serviços... — se aproximou de sua mesa, pegou um papel e rabiscou algumas palavras e a entregou. — Siga para virgem e entregue isso à Shaka. Não precisará voltar para a 13°.

– M-Mestre...?!

– Seja uma boa discípula, virginiana. — sorriu. O rosto da serva representava surpresa, mas logo se encheu de alegria.

– Serei Mestre Shion! — sorriu guardando o papel com cuidado e saiu do aposento indo cuidar de suas tarefas. Desejava poder ir logo para virgem, sua nova casa...

Victorie fitou Shion alegre pela atitude que ele tomou. Se Angel pudesse se tornar ao menos uma amazona de prata ou bronze, talvez de ouro... seria maravilhoso!

– Nem preciso perguntar por que está tão alegrinha né?

– Não mesmo! Kanon ficará feliz por saber que ela ficará forte. Ainda mais treinando com Shakinha!

– Não deixe ele te ouvir o chamando assim. — riram.

Estava anoitecendo... Victorie se despediu do ariano e desceu lentamente em direção a câncer, o amado se apressou e desceu mais rápido, tinha que falar com seu pai de qualquer maneira.

– MÁSCARA MEU AMIGO! — o pisciano chegou exclamando em câncer.

O canceriano, que estava encostado na pilastra da entrada observando as estrelas, sua própria constelação entre elas, saltou de susto.

– AFRODITE SUA BAITOLA! QUER ME MATAR DO CORAÇÃO?! — bufou furioso. O amigo sorriu inocente. — Tira esse sorriso, agora.

– Af!

Nada mudou, absolutamente nada. Continuavam amigos de todo e qualquer jeito.

Parecia que nunca houve brigas, que nunca houve uma discussão, magoa ou ódio, e ficavam felizes por isso, eram os melhores amigos que sempre foram.

– Enfim, o que veio fazer aqui? Se veio me matar de susto, espero que o motivo seja importante. — o fuzilou.

– E é meu querido amigo, algo que eu nunca deixaria passar sem falar com você. — sorriu.

O canceriano ficou curioso. Victorie havia chegado e se escondido nas pilastras de câncer, sorria cheia de alegria, os anos não mudaram seu ar de anjinho e de criança curiosa.

– Bem... para começo de tudo... tem preferência por Cressida ou Bianca? Qual acha mais indicado? — sorriu meio bobo.

O canceriano ficou estático tentando enteder, até que a ficha caiu e ele se virou totalmente e lentamente para o pisciano.

– O que.... VOCÊ FEZ COM A COITADA DA MINHA FILHA SUA SARDINHA ENLATADA?! — puxou os cabelos. O pisciano riu, ele não estava com raiva, apenas incrédulo e surpreso.

Victorie sorriu sabendo disso também. Saiu correndo de trás das pilastras e se jogou em seus braços sem hesitar, o apertando em seguida.

– Me fez feliz... mas não tanto quanto ter você como pai.

Máscara ficou estático novamente, palavras tem poder. A abraçou forte em seguida e faz carinho em seus cabelos.

– Eu digo o mesmo... porém em grau maior. — sorriu, estava pouco ligando para a presença do pisciano ali. — Eu te amo, Victorie.

– Também te amo, pai. — sorriu chorosa e o apertou. — Vai me ensinar a cuidar de crianças, né?

– É claro! Se depender do Afrodite, você estará perdida. — riu quando o amigo fechou a cara.

Era tão bom... ele estava do seu lado, sempre estaria ali, sempre seria seu porto seguro, nunca se afastaria...

Talvez não exatamente um anjo da guarda, não... o canceriano estava longe de ser um anjo. Mas quem sabe... seu guardião.

– Ei... — ele a fitou. — Nunca se esqueça disso, eu te amo minha filha. Sempre estarei aqui para ser seu pai.

Afrodite se afastou andando de costas para deixá-los sozinhos. Victorie o olhou e sorriu ainda mais feliz, algumas poucas lágrimas rolaram, de alegria.

– Eu nunca esquecerei...

O abraçou forte, o pai retribuiu. Para o pisciano era difícil, ver tanta mudança ser causada por um bebê, mas acontecereu. Ela sorriu

– Nunca haveria como esquecer... que Máscara da Morte de Câncer é meu pai. — sorriu. Foi demais, algumas lágrimas rolaram pelo rosto do canceriano.

"Não nascemos das mesmas mães, não viemos dos mesmos lugares, não fomos criados e treinados nos mesmos lugares.

Mas somos uma família, meu turbulenta talvez, mas tudo bem. Eu nasci aqui, eu cresci aqui, e eu viverei aqui.

Não estava nos planos dele me receber, mas ele me criou, foi o melhor pai que se pode pedir. Eu nunca me incomodarei em mostrar de quem eu sou filha."

Notas finais
Vejamos... como começar? A ideia para essa fic era uma pequena faísca, uma coisa simples e que na realidade não teria passado do 15° cap. Mas ela cresceu, se tornou uma chama que não se apagou. Eu sempre tive medo, sabe? Nunca escrevi, minha primeira... foi sendo abandonada aos poucos, essa não, é a primeira que eu conclui, e isso me deixa imensamente feliz, sentindo que eu POSSO fazer isso, com prática é claro rsrs, mas que eu posso escrever minhas próprias histórias. Todo o apoio, elogios dos comentários, as risadas que alguns me fizeram dar kk isso é o que mais me alegra. Desde o começo, até o fim, fui desenvolvendo mais, me apegando mais, e eu própria não queria que acabasse, mas infelizmente... como dizem, tudo que é bom dura pouco. (;-;) Agradeço novamente a todos que acompanharam a fic A Filha de Máscara da Morte, passaram raiva com a Lagosta da Morte, amaram as fofices com nossa diva Vic e sua fiel carpa, Dite, entre todos os outros personagens que eu criei e os originais do anime. Que tenham gostado das referências que fiz a personagens de LtC, de outros, músicas, e por aí vai. Eu poderia continuar falando, mas duraria AAAAAANOS, e talvez seja agradecimento demais para caber em palavras digitadas. Tudo que eu tenho a dizer, do fundo do coração, Muito Obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!