Notas iniciais
Sinto muito pela demora. Espero que gostem e caso contrário, avisem. ^^

As férias foram tranquilas, embora Lucius ainda estivesse furioso e Belinda não permanecesse mais que alguns poucos minutos na presença do homem, as coisas corriam bem com Draco, o que já era de grande alivio para Lestrange.

–Preparada? –Draco perguntou folheando um dos livros que a menina mantinha no quarto.

–Vai ser divertido. –Disse ela com um sorriso maldoso.

–Papai vai matar você.

–Nada pode ser pior que me casar com alguém que não amo, Malfoy.

–Você quem sabe.

–Tenho certeza que compreende bem. –Ela deu de ombros. –Trocar tudo que deseja por uma mera aceitação da sociedade não é pra mim. E apesar de você fazer tudo como Lucius manda, não gosta.

–Está delirando novamente Lestrange? –Questionou e pegou o caderno de desenho da menina que estava encima da mesa.

–Isso é particular. –Falou ela puxando o caderno das mãos do loiro.

–O que está escondendo ai? –Perguntou o menino tentando pegar o bloco de desenho de volta.

–Nada que seja da sua conta... Sai Malfoy! –Falou enquanto o empurrava pra longe.

–Belinda? –Narcisa parou na porta entreaberta e os encarou, havia um sorriso doce nos lábios da mulher, os olhos brilhavam de entusiasmo.

–Sai. –Disse ela empurrando Draco e colocando o caderno diante do peito. –Se você pegar isso aqui, mato você Malfoy.

–Acho que seria bom se descessem, os Pierre estão a espera.

–Que maravilha. –Debochou o loiro.

–Noticia adorável. –Belinda sorriu como se a simples informação de tê-los na casa alegrasse sua noite. –Como estou Ciça?

Draco a avaliou, o vestido cinza-claro de alças batia em seus joelhos, era colado na cintura e solto no resto do corpo, as sapatilhas pretas. O cabelo preso em uma trança longa e algumas madeixas diante do rosto da menina.

–Linda. –Sorriu a mulher.

–Obrigada. –Belinda estava odiando a roupa e o penteado, mas sorria alegremente.

–Vamos?

–Vão na frente, descerei em cinco minutos.

–Claro. –Narcisa sorriu. –Vamos querido?

–Claro mamãe.

Belinda encontrou-se sozinha no quarto e suspirou, guardou o caderno de desenhos e alisou o vestido, colocou seu melhor e mais adorável sorriso, suavizou a expressão e desceu as escadas. Estavam todos ali, em uma conversa calorosa, Draco estava sentado no canto do sofá observando tudo com uma expressão de deboche e diversão. E bem no canto da sala, estava ela, Rita Skeeter, em um vestidinho azul-celeste, os olhos atentos aos movimentos e foram os primeiros a encontrar Belinda.

–Boa noite. –Disse a menina sorrindo para todos e logo sendo focada pela câmera fotográfica de Skeeter.

–Belinda. –Sr. Pierre lhe sorriu e deu um abraço.

Lestrange gostaria de simplesmente mandá-lo para o Inferno naquele instante, mas retribuiu o carinho tranquilamente. Logo os demais membros da família Pierre a cumprimentaram, quando Brian o fizera, estava com uma expressão levemente irritada, curiosa e preocupada.

–Relaxa Pierre. –Disse Belinda abraçando-o.

–To tentando.

–Confia em mim.

–Me preocupei mais. –Belinda riu audivelmente.

–Vamos jantar? –Narcisa chamou a todos.

O jantar fora excepcional, divertido e amigável, com diversas fotos. Draco olhou disfarçadamente para o relógio de pulso e prendeu o riso, continuando seu jantar como quem não quer nada.

–Vamos tomar um licor na sala. –Lucius convidou alegremente e todos foram.

Belinda sentou-se ao lado de Brian e apoiou a cabeça no ombro do menino, Lucius a encarou de forma curiosa, mas nada disse.

–O que você está planejando Lestrange?

–Algo divertido.

–Que provavelmente a deixará de castigo pelo resto do ano.

–Ano? –Ponderou a menina e riu. –Pelo resto da vida acho mais provável.

Brian se afastou e a encarou, não havia como decifrar aqueles olhos escuros e brincalhões.

–Temo por você.

–Acho que eu também. –Riu. –Senhoras e Senhores. –Disse se colocando de pé e sorrindo. –Tenho algumas palavras a dizer antes que o pedido formal seja feito. –O clarão da câmera cegou a menina temporariamente.

–Que maravilha. –Senhora Pierre sorriu.

–Hoje é um dia maravilhoso para celebrarmos, sendo o dia que eu, Belinda Lestrange e Brian Pierre anunciamos a nossos familiares e amigos que estamos namorando. –Brian a encarou boquiaberto, todos esperavam um má-fé partida da menina. Risos e murmúrios deram inicio.

–Com licença. –Tayner disse surgindo ao lado de uma menina linda.

Katherine, Belinda sabia ser o nome dela. Uma garota morena, de lindos olhos cor de mel, cabelos castanhos extremamente cacheados e longos, magra e alta.

–Creio que chegamos atrasados. –Katherine sorriu.

–Na verdade não poderia haver melhor momento. –Respondeu alegremente e viu Brian congelar, os olhos arregalaram de forma engraçada e Belinda prendeu o riso. –Juntem-se a nós, por favor.

–Como quiser. –Tayner disse sentando-se elegantemente em um dos assentos desocupados.

Lucius encarava aos recém-chegados com desconfiança e Jaqueline com desgosto, a mulher odiava atrasos, sempre dissera achar falta de elegância.

–Deixe-me apresenta-los. –Ela sorriu amplamente. –Essa é Katherine, namorada de Brian e esse é Douglas, meu namorado.

A pena de Skeeter trabalhava apressadamente para não perder nenhuma palavra que era dita e a câmera fotografava as expressões de choque dos Malfoy e dos Pierre.

Belinda havia pedido a Tayner que se passasse por seu namorado e o rapaz aceitou após ser subornado com alguns doces. A expressão de deboche de Douglas era memorável e Belinda faltava saltitar com as manifestações de sentimentos que ocorria na sala naquele instante.

–Essa é a hora de eu pedi-la em casamento Bell? –Douglas provocou.

–Que brincadeira de mal gosto é essa Lucius? –Wallace berrou para o homem loiro que estava mais pálido que o comum.

–Belinda, explique-se imediatamente! –Berrou Lucius.

–Como queira.

–Antes você irá me explicar isso Lucius Malfoy! –Wallace não estava nem um pouco satisfeito com o teatro que Belinda armara.

–Vamos para o escritório e conversaremos. –Pediu Lucius.

–Não!

–Saia! –Berrou Lucius para Rita, que já estava com um sorriso mais que satisfeito.

–Tenham todos uma excelente noite.

–Muito obrigada Skeeter. –Belinda sorriu. –Até outra vez.

Rita saíra da sala e assim que a porta da mansão fechara atrás da mulher Lucius encarou Belinda ferozmente.

–Que palhaçada foi essa Belinda? –Vociferou.

–Claro, claro. Deixe-me explicar. Disse-lhe milhares de vezes, não casarei com Brian Pierre, entretanto não quisera dar-me ouvido, não quis aceitar minha recusa e minha decisão. –Dissera ela ainda com um sorriso, porém esse era perigoso e zombeteiro. –Se escutasse o que os outros têm a dizer não passaria por esse vexame Lucius Malfoy.

–Sua pirralha...

–Lucius, eu quero uma explicação. –Exigiu Wallace.

Draco observava a cena com divertimento contido, os Pierre estavam chocados e Wallace parecia querer matar seu filho somente com o olhar e embora Brian parecesse assustado o suficiente encarou Katherine e sorriu, o que despertou a curiosidade de Malfoy. Porém Draco sabia que as coisas sairiam do controle após a ida dos Pierre, Lucius não deixaria passar em branco a humilhação que Belinda o fizera passar, na realidade, fizera toda a família sofrer.

–Como você está? –Douglas sussurrou pra Belinda.

–Ferrada. –Murmurou de volta, mas sem tirar os olhos do espetáculo que ocorria a sua frente.

–Se quiser fugir, essa é a hora.

–Não me dê boas ideias Tayner. –O loiro sorriu, porém estava preocupado.

–Acha que ele fará algo contra você?

–Pode apostar que voltarei viva, meu amigo.

–E inteira?

–Tenho minhas dúvidas. –Comentou preocupada, mas logo sorriu. –Porém antes quebrada que casada.

A briga continuou severamente na sala, até que Wallace berrou furiosamente com Brian e o pegou pelo braço.

–Você nunca mais irá vir a essa casa! –Disse ele e Belinda notou que o braço de Brian estava machucando. –E nem verá essa garota!

–Mas pai...

–Cale-se!

Belinda vira Brian ser arrastado porta a fora e as mulheres Pierre seguirem o homem. Lestrange virou-se entretida para Lucius.

–Irá fazer algo semelhante comigo Lucius?

Belinda sentiu a mão queimando seu rosto e as lágrimas arderem em seus olhos e as prendeu, porém ergueu a face e encarou o homem, a mão de Tayner apertou levemente seu ombro, para afastá-la de Lucius e ela não se moveu.

–Belinda. –Disse Tayner irritado.

–Douglas, leve Katherine daqui. –Pediu a menina.

–Bell...

–Vai agora Tayner. –Belinda sentiu a mão sair de seu ombro. –O que você pensa que é pra me tocar desse modo?

–Sua pirralha. –Ele apertou o braço de Belinda, que continuou a encará-lo.

–Solte-me.

–Se não...

–Solte-me agora Lucius! –A voz fora decidida e feroz, os olhos de Lucius vacilaram por um momento.

–Você humilhou minha família...

–Você se humilhou Lucius! –Contra-atacou. –Não vê que não me importo com sua família?! Estou querendo que se exploda! A única coisa que realmente desejo é poder ficar longe de você e de suas mãos asquerosas...

Outra bofetada fora desferida no rosto de Belinda, porém essa com tanta força que a desequilibrou e derrubou no sofá. Lestrange levou a mão ao rosto ardido e logo tocou a boca, onde sangue escorria.

–Você ficará presa em seu quarto até o dia da volta para Hogwarts! –Berrou o homem.

–Antes presa que em sua presença. –Bell colocou-se de pé e estava pronta pra se retirar, mas Lucius segurou-lhe pelo pulso.

–Lembre-se que é só uma bastardinha que eu permito viver em minha casa, se não fosse minha compaixão você estaria na rua, não passaria de uma maltrapilho, de um repugnante inseto rastejante...

–Antes um inseto rastejante do que ser você! –Disse ela empurrando o homem com força e puxando o pulso. –Posso ser bastarda, inseto ou o que for, mas prefiro isso a ter que viver com você! Porém veja só, nem tudo o que queremos podemos ter! –Berrava furiosamente, as lágrimas a ponto de trai-la, mas não em frente a ele. –Quer bater novamente Sr. Malfoy? Vá em frente! Me arrebenta de porrada se quiser Lucius, mas eu nunca irei atender a suas ordens!

–Sua...

–Sua o quê? Vai fala! Fala o de sempre! Que eu sou uma escoria, uma vergonha para o mundo Bruxo, um Paria! Fala!

–Draco, tire-a daqui. –Narcisa ordenou.

–Não. –Disse Belinda se debatendo quando Draco a segurou. –Largue-me! Se Lucius tem tanto nojo, por que manter-me próximo? Porque simplesmente não me largar em uma porta qualquer ou coisa do gênero? Por que me trazer para a casa dele?

–Sua pirralha ingrata! Eu fiz tudo isso por... –Calou-se imediatamente.

–Por? Fala!

–Draco. –Pediu Ciça.

Draco agarrou a menina pela cintura e a rebocou escada a cima, assim que chegaram ao quarto o trancou e a viu socar a parede com força, as lágrimas escorrendo imediatamente. Malfoy não sabia o que fazer, então a viu dar mais dois socos na parede e sua mão sangrar, ela caiu de joelhos e começou a soluçar, porém poucos minutos depois os soluços transformaram-se em gargalhadas.

–Você... –Draco não conseguiu finalizar, porque a menina ria descontroladamente, embora ainda fossem visíveis suas lágrimas. –Belinda?

–Eu... Eu... –E mais risadas. –Eu...

Cerca de dez minutos depois ela se recompôs e Draco a encarou de cenho franzido, o que quase desencadeia mais gargalhadas.

–Lestrange, que porra é essa?

–Eu estou livre! Não irei mais casar.

–Livre? Você vai passar o resto das férias trancada no seu quarto.

–Que diferença faz? –Perguntou tocando o canto da boca com o polegar. –Gosto horrível na boca.

–Você não devia ter enfrentado o papai daquele jeito, ficou maluca de vez? –Ralhou e ela riu, porém controladamente.

–Draco, eu não sou uma Malfoy, não tenho obrigação nenhuma de atender as ordens de seu pai. –Disse ela indo para o banheiro e ele a seguiu.

–Mas você o deixou furioso e olha o resultado.

–Você o teme demais.

–E você de menos. –Ela riu novamente e abriu a torneira, deixando a pia encher e lavou o rosto.

–Só acho que se eu não fizer algo, serei obrigada a casar com quem ele mandar, obrigada a ser o que ele quiser e sempre que ordenar. –Ela bufou e olhou no espelho os danos causados por Lucius em seu rosto.

–Mas se continuar enfrentando-o assim, daqui a pouco terá a cara deformada. –Ela riu.

As bochechas estavam inchadas com marcas de mãos de ambos os lado, o lábio inferior com um corte fundo e o superior levemente, abaixo do olho esquerdo já ganhava uma coloração arroxeada, aparentando mais que ela levara um soco e não um tapa.

–Será que você consegue algo doce pra comer? Quero tirar o gosto de sangue da boca.

Draco suspirou e notou que ela não iria mais entrar no assunto naquele momento, ele a encarou severamente e por fim deu de ombros.

–Tenho alcaçuz e sapo de chocolate no quarto.

–Então por que ainda não o pegou?

–Espere aqui.

–Sim senhor.

Belinda aproveitou que Draco saíra do quarto e tomou um rápido banho, vestindo roupas largas e confortáveis pra dormir, os cabelos molhados grudavam em sua nuca, pescoço e testa.

–Achei que tivesse morrido afogada. –Draco zombou quando ela voltou para o quarto.

–Ainda não se livrará de mim.

–Que pena. –Disse ele e ela sorriu, sentando-se na cama, onde Malfoy despejara os doces. –Lá embaixo tá um caos, papai tá furioso com você e berrando loucamente.

–Narcisa está com ele? –Perguntou agarrando um sapo de chocolate que tentara fugir.

–Sim, mas não acho que vá ser útil. –Ele fez careta e pegou um sapo de chocolate pra si. –Nunca o vi tão furioso.

–Isso é um problema, não?

–Muito engraçado. –Disse ele.

O silêncio predominou no quarto enquanto eles comiam, Belinda sentia uma necessidade arrebatadora de se encolher no canto e chorar, mas o orgulho a proibia de tal ato.

Draco olhou para a menina e suspirou, sua expressão estava cansada e assustada, parecendo um bicho encurralado, que mesmo tentando aparentar ferocidade, era palpável o medo por trás das garras expostas.

Assim que Draco a deixou, ela se encolheu na cama e chorou, o que pareceram horas a fio, quando as lágrimas pareceram esgotar, Lestrange caíra em um sono sem sonhos, porém agitado o suficiente para não lhe oferecer descanso algum.

Notas finais
E ai? O que acharam meus amores? ^^