Notas iniciais
Espero que gostem. Desculpem-me a demora, é que estou colocando os trabalhos da faculdade em dia.

O Chapéu foi retirado de sua cabeça e percebeu que a mesa vermelha e dourada berrava, assobiava e aplaudia fortemente, ela saiu praticamente correndo, Marcos lhe ergueu em um abraço de parabéns e Murilo lhe sorriu, pois estava do outro lado da mesa.
–Seja bem vinda. -Disseram-lhe em uníssono.
–Valeu. -Ela sorriu e Murilo indicou outra mesa com o queixo.
Belinda se virou e viu Tayner e Henri sorrindo para ela, dando-lhe os parabéns, ela lhes estalou um beijo, fazendo-os rir.
–Gostou de onde ficou? -Marcos perguntou-lhe baixinho.
–Amei. -Sussurrou. -Estava morrendo de medo de ficar na Sonserina.
–Sério? Por quê?
–Meus tutores queriam que eu ficasse lá.
–E por isso...
–Por isso eu odiaria com todas minhas forças ficar lá. -Disse sorrindo.
–Por quê?
–Os meus tutores são... Complicados. -Ele riu.
Belinda viu Draco ser colocado na Sonserina e agradeceu novamente por não ter sido jogada junto com ele. Finalmente todos foram colocados em suas Casas e um lindo banquete apareceu em suas mesas, Bell não estava com muita fome, mas pegou um pedaço pequeno de pudim e começou a engolir.
–Coma mais um pouco. -Pediu Murilo.
–Sem fome.
–Por mim. -Marcos brincou.
–Por que faria alguma coisa por você?
–Porque eu sou um cara legal?!
–E convencido. -Ela riu e bebeu um gole de suco de abobora.
–Eu sabia que ela não me deixaria na mão.
–Cala a boca. -Bateu levemente em seu braço.
Marcos, Murilo, Douglas e Daniel eram somente um ano mais velhos que Belinda, o que significava que eles ainda se suportariam por muito tempo.

Belinda acordou atrasada, notara, deu um salto da cama e tomou um banho rápido, vestiu a saia plissada cinza-escura por cima de um short, a blusa branca de botões e colocou a gravata vermelha e dourada, colocou por cima a capa preta da Grifinória e calçou o par obrigatório de sapatilhas pretas por cima das meias que batiam em seus joelhos. Antes de sair do quarto puxou sua mochila preta de caveiras brancas pra cima do ombro e colocou o chapéu pontudo. Saiu dali correndo para o Grande Salão quando percebeu que não havia ninguém em seu Salão Comunal.
–Merda. -Xingou quando deu uma topada, mas andava rápido enquanto acabava de enfaixar o braço esquerdo, que tinha a manga da camisa enrolada até o cotovelo.
–Bom dia. -Daniel falou, ele está no pé das escadas vai-e-vem e estendeu a mão para a garota e ela deu o ultimo nó na faixa negra, baixou a manga da camisa e logo segurou sua mão.
–Nem tanto.
–Que foi?
–Odeio saia. -Disse puxando levemente a ponta da saia plissada de seu uniforme. -Odeio gravata. -Disse afrouxando um pouco. -Odiei o uniforme. -Ele riu divertido ao lado da garota, largando sua mão e passando o braço por meus ombros.
–Mas você ficou muito bem, relaxa. -Ele lhe guiou a contra gosto até o Grande Salão. -Agora vai para sua mesa que eu devo ir para a minha.
–Até mais. -Ele beijou sua testa.
–Até mais. -Ela sorriu e foi sentar perto de Marcos.
–Achei que não fosse descer. -Marcos disse lhe dando espaço para sentar ao seu lado.
–Me atrasei um pouco. -Disse esfregando os olhos.
–Ainda está com sono? -Murilo perguntou carinhosamente.
–Não dormi muito bem.
–O que houve?
–Nada demais, apenas não consegui dormir rapidamente.
Ela se serviu de suco de abobora e pegou um bolinho de creme, estava comendo tranquilamente quando algo bateu em seu pé, ela baixou a cabeça e encarou um rato origami, inclinou-se e pegou, respirou fundo quando percebeu de quem era, o abriu com calma.

Quem são os imbecis que estão andando com você?
Mal eles sabem com quem estão andando, não é mesmo?
Draco M.

Belinda ergueu os olhos e eles pareceram mais escuros que o normal, as pupilas haviam desaparecido no escuro, Draco deu-lhe um sorriso de escarnio, deixando-a mais irritada ainda, ela amaçou o papel com força e sentiu as unhas afundarem na palma da mão, sua outra mão tocou levemente a varinha que estava no bolço da saia, ela estava louca para ataca-lo.
–Belinda? -Marcos tocou seu ombro. -O que foi?
–Nada. -Respirou fundo e falou entredentes.
–Bell. -Belinda se distraiu de Draco por um momento e encarou Murilo de sobrancelhas erguidas. -Que foi?
–Você me chamou de que?
–Bell. -Falou confuso e ficou mais confuso ainda quando a menina sorriu um pouco, deixando a irritação de lado. -Algum problema que eu a chame assim? Se tiver eu...
–Não, não. Quer dizer, nenhum, é que há muito tempo ninguém me chamava desse modo. -Ele sorriu e Belinda pensou na época em que Draco a chamava assim, ele que lhe dera tal apelido, ela sorriu melancolicamente com a lembrança.
–Está tudo bem mesmo, Belinda?
–Está sim, apenas lembranças que me rondam, nada mais.
–Lembrar faz bem. -Marcos disse.
–É, pelo menos na maioria das vezes. -Mas não importa.
–Que seja. -Murilo falou se colocando de pé e pegando dois bolinhos de creme e passando um para a garota. -Temos que ir pra aula, vamos te deixar na sua sala.
–Valeu. -Disse ela mordendo o bolinho.
–Fugindo Lestrange? -Ela escutou a voz de Tayner e riu.
–Eu não fujo, deve aprender isso. -Eles riram e ele a abraçou.
–Parabéns.
–Por?
–Gryffindor.
–Valeu, eu amei. -Ele riu.
Douglas a largou e ela deu um passo para trás, quando o fez recebeu um escorão, Belinda sabia quem era mesmo antes de escuta-lo.
–Olha por onde anda.
–Vai para o inferno Malfoy. -Mandou ela, virando-se para encara-lo.
–Pra que? Eu já estou com o diabo. -Ela xingou e deu um passo em sua direção, mas Tayner a segurou.
–Draco, some daqui. -Mandou a garota irritada.
–Ora bastardinha, por que...
–Se me odeia tanto, por que não fica longe porra? -A irritação da garota era notória, Draco riu e deu-lhe as costas.
–Qual é a desse palhaço? -Murilo perguntou.
–Não importa. -Os rapazes a encararam e Daniel apareceu ali.
–Quem morreu? -Perguntou.
–Ninguém, mas não sei por quanto tempo o cara vai viver ainda, não com ela puta desse jeito. -Marcos comentou.
–Tayner?
–Que?
–Sei que você me adora, mas já pode me soltar. -Ele riu e a largou.
–Foi mal.
–Quem é aquele?
–Um idiota Sonserino, obvio. -Os Leões riram e ela recebeu dois tapinhas das Serpentes. Ai!
–Vamos. -Disseram arrastando ela dali em direção da sala.

Draco olhou pela janela do quarto e bufou, voltou para a cama e logo dormiu. Ele sempre soube que seria colocado na Sonserina, seria uma tragédia se não fosse, o contrario de Belinda, ela já seria motivo de desapontamento para os Malfoy mesmo sem possuir seu sangue, imagina ele que é um Malfoy.
Ao amanhecer Draco acordou e foi para o banheiro, fora o primeiro a acordar e por sorte conseguiu tempo para passear e ver tudo em seu Salão Comunal, era elegante e aconchegante. Não demorou muito e o lugar estava cheio, o monitor chefe lhes acompanhou até o Grande Salão, para o café-da-manhã, todos pareciam animados com aquilo.
–E ai? -Um garoto moreno disse ao seu lado. -Você é Draco Malfoy, não é?
–Sim. -Disse o loiro de sobrancelhas erguidas.
–Eu sou Blaise Zabini, nós ficamos no mesmo dormitório cara.
–Ah. -Disse Draco sorrindo. -E ai?
Draco e Zabini conversaram durante todo o café-da-manhã, era bom conhecer alguém e melhor ainda ele sendo sangue-puro. Malfoy fora criado para dar-se bem somente com pessoas de sangue-puro, para ser o típico "bruxo orgulhoso" como Lucius chamava.
Ali perto Belinda divertia-se com os novos amigos, Draco olhou Potter sentado ali perto da menina, que nem mesmo notava a presença dele.

Os primeiros meses passaram de forma divertida e natural, divertida de um modo que Draco nunca imaginara que fosse ocorrer. Belinda estava cada vez mais irritante, principalmente andando com seus amiguinhos sangue-sujos, Malfoy já havia dito a seu pai sobre isso, mas mesmo após todas as broncas que levara, continuava a andar com eles e não dar importância nem a Lucius e nem a Draco.
Belinda pulou na frente da colega de dormitório e ela e assustou, fazendo Bell gargalhar, Hermione rolou os olhos, mas riu também,
–Oi Mi. -Cumprimentou Belinda.
–O que deu em você?
–Por que a pergunta? -Disse começando a caminhar ao lado da amiga.
–Está muito... Animada.
–Nada que eu saiba pelo menos.
–Indo para a biblioteca? -Perguntou Hermione.
–Sim, quero ler sobre os Sereanos.
–Alguma razão para se interessar por essa espécie?
–Somente curiosidade. -Disse sorrindo.
–Hmm. -Disse a castanha.
As duas entraram em silencio na sala, Hermione pegou um livro de poções e apareceu com um sobre Sereanos para Belinda, que ainda procurava algum sobre o assunto. Ela agradeceu e sentaram-se, completamente absortas em suas descobertas, Belinda anotava de vez em outra alguma informação sobre o assunto. Era tarde e Belinda só percebera porque seu estomago roncou.
–Vamos? -Chamou ela.
–Só um minutinho pra acabar esse paragrafo.
–Ok, vou colocar meu livro de volta no lugar.
–Certo.
Hermione enfiou novamente a cara nos livros e pergaminhos, enquanto Belinda ia até o corredor seguinte deixar seu livro, ao lado do livro sobre Sereanos, havia um sobre unicórnios e Belinda recordou-se que ouvira um dos professores comentando o assunto, ela já ia puxa-lo, mas Hermione apareceu e a chamou para irem embora, logo Belinda esqueceu o livro e foram jantar. Quando chegaram ao Grande Salão já estavam todos ali.
–Onde vocês estavam? -Murilo perguntou quando Belinda sentou-se ao seu lado.
–Biblioteca. -Disseram a duas em uníssono.
–Grande novidade. -George disse.
–Vocês tem que viver mais.
–O que de melhor há do que ler? -Hermione quis saber.
–Viver. -Retrucaram os gêmeos juntos, fazendo todos rirem.

O primeiro ano chegara ao final, com incontáveis confusões por toda Hogwarts. Embora Sonserina em primeiro momento tivesse mais pontos que todos, ficara em segundo lugar na competição das Casas, ficando atrás da Grifinória, que deveria ter ficado em ultimo, entretanto a casa de Gryffindor tivera muitos pontos de ultima hora, já que seus alunos tiveram atitudes inéditas.
Era o ultimo dia de aula e muitos alunos já estavam em seus dormitórios arrumando seus malões e preparando-se para voltarem para suas casas. Belinda estava sentada em um galho não muito alto de uma árvore e olhava o castelo bem iluminado e aconchegante, pensando nas mudanças que o ultimo ano trouxe para sua vida.
Primeiro, fizera amizades verdadeiras, o que não esperava. Segundo, a briga com Draco estava mais acirrada que nunca e ela já havia perdido a esperança de voltar à antiga amizade com Malfoy. E terceiro, pela primeira vez na vida ela sentia-se feliz e se aquilo não fosse felicidade, logo transformar-se-ia em tal.
Lestrange gostaria de dizer que o segundo item de sua vida estava equivocado, mas infelizmente Draco sabia seus pontos fracos e sabia usa-los bem contra ela, mas ela descartou o pensamento e sorrira, sua vida estava bem agora, ela costumava sorrir mais e chorar menos.
–Hey Lestrange, vai ficar ai a noite toda? -Ela olhou para baixo e viu seus amigos ali, sorriu e pulou para o chão.
–Oi.
–E ai, o que você vai fazer nessas férias?
–Ler.
–Só isso? -Tayner perguntou enquanto ela se encostava na árvore.
–Eu vou pra casa, pode apostar que é o melhor a fazer, me trancar no quarto e ler.
–Havia esquecido com quem você morava. -Ela sorriu amarelo.
–Como você foi criada pelos Malfoy e é tão diferente de Draco? -Henri quis saber, fazendo-a rir.
–Vim com defeito de fabrica. -Os rapazes riram.
Belinda e os amigos conversaram por mais um tempo, até que cada um dirigiu-se para seus dormitórios. Lestrange viu que nem todo mundo havia voltado, mas estava tão cansada que trocou de roupa, jogou-se em sua cama e adormeceu.
Belinda fora acordada por uma Hermione quase saltitante, a menina abriu os olhos negros e encarou a amiga.
–O que foi?
–Marcos pediu para eu te chamar. -Disse sorrindo.
–Pra que?
–Não sei.
–Diga que vou daqui a pouco.
–Vamos Bell, daqui a pouco temos que ir para o Expresso Hogwarts.
Belinda queria dizer que era exatamente por esse motivo que preferia continuar dormindo, mas assentiu e saiu da cama. Bell tomou banho e se arrumou de modo automático, parecia mais cansada que nunca, por fim estava vestida e seguiu para o Salão Principal, onde todos seus amigos comiam e riam, ela respirou fundo e seguiu até seu lugar, um sorriso calmo nos lábios.
–Bom dia. -Cumprimentou alegremente.
–Dormiu bem? -Murilo quis saber.
–Maravilhosamente. -Mentiu, porque tivera pesadelos durante a noite, mas não estragaria a manhã alegre de todos por conta disso.
O café-da-manhã fora composto por conversas animadas do que fariam durante as férias, Belinda só escutava e sorria, concordando nos momentos certos, mas em nenhum instante disse como seriam suas férias. Finalmente a manhã passou e todos começaram a seguir para fora do castelo, para pegarem o Expresso. Haviam risos por todos os lados, eles pegaram as carruagens e enquanto todos conversavam, Belinda caiu em um silencio mortal.
–O que foi? -Tayner perguntou passando os braços pelo ombro da menina.
–Dor de cabeça. -Mentiu e apoio a cabeça no peito do rapaz.
–Bell.
–Que foi?
–Não mente pra mim. -Sussurrou e ela sorriu.
–Não estou.
–Fala sério. -Belinda o encarou e aqueles olhos, aquele azul intenso inspecionava cada movimento da menina, ela mordeu o lábio inferior e suspirou.
–Só não quero ir pra mansão. -Admitiu em um sussurro. -Não quero ter que ficar com Draco, não quero ter que sair como uma espécie de bichinho de estimação que vai para onde os donos vão... Só não quero ficar com os Malfoy.
O loiro assentiu, era da mesma casa que Draco e já notara o quão irritante o garoto podia ser, mas antes que ele respondesse fora chamado pelos amigos, que não perceberam a conversa particular que Belinda e ele estavam tendo, ele sorriu e entrou na brincadeira, aconchegando mais Belinda ao peito.

Belinda saiu do trem por ultimo, havia dormido quase a viagem inteiro na perna de Tayner, ele ainda a abraçava enquanto caminhavam para a plataforma.
–Lestrange, mamãe e papai já estão esperando. -Draco disse surgindo em sua frente do nada.
Draco a encarou, Belinda parecia esgotada, os olhos estavam perdidos e sem brilho, a expressão seca e distante.
–Diga que já estou indo. -Ele virou-se e se foi.
–Acho que nos vemos outro dia, não é? -Douglas perguntou.
–É, acho que sim. -Ela o abraçou. -Obrigada.
–Por?
–Pelo apoio.
–És minha amiga, não precisa agradecer baixinha.
–Não sou baixinha.
–É sim. -Disse rindo.
Belinda despediu-se dos outros amigos, incluindo Potter, Granger e os Weasley, depois contra gosto arrastou seu malão até os Malfoy.
–Olá querida. -Ciça disse acariciando os cabelos da menina.
–Oi Ciça.
–Tudo bem?
–Tudo e você?
–Estou bem.
–Belinda.
–Que foi? -A voz ficara seca ao dirigir-se a Lucius, que a encarou irritado.
–Olha como fala.
–Se não quer que eu fale com você, não me chama.
–Belinda, acalme-se, por favor. -Narcisa pediu e a menina assentiu.
Belinda lançou um ultimo e desesperado olhar para os amigos antes de começar a caminhar.
–Achei que tivesse sido claro quando mandei se afastar dos Weasley e da Sangue-Ruim.
–Por que eu lhe daria ouvidos, Lucius?
–Porque eu sou seu responsável.
–E?
–É melhor você me respeitar.
–Se não fará o que? -Desafiou.
–Por favor, vamos conversar quando chegarmos em casa. -Narcisa disse.
Ao chegarem no castelo Belinda, mesmo com todos os gritos e ordens de Lucius, seguira direto para seu quarto e trancou-se ali.

Notas finais
Digam o que acham. Isso é somente para mostrar como a vida de Belinda vai mudando no decorrer da história e logo Draco começará a aparecer e contar a história também. Beijos