Notas iniciais
Espero que gostem. Deixem seus comentários dizendo o que estão achando. 😊

Belinda sentou na cama e fez carinho na barriga de Rúnda, que estava deitado no meio de sua cama, na companhia de Bichento, que pareceu muito confortável quando também ganhou carinho.
–A gente sai do quarto por poucas horas e perde nosso lugar para os mascotes. –Bufou ela e Hermione riu.
–Sabe onde tá a Gina? –A castanha perguntou se jogando em sua cama.
–A última vez que a vi foi ela correndo de mim depois de me chamar de idiota. –Hermione gargalhou.
–Os meninos me falaram.
–Quando que eu não ouvi? –Ela fez careta, mas sabia bem quando havia acontecido, só queria entrar no assunto.
–Quando você estava falando com o... –Ela baixou a voz. –Malfoy.
–Entendo. –Sorriu. –Por que você corou ao falar dele Granger? –Hermione ficou duas vezes mais vermelha e desviou os olhar.
–Não corei nada.
–Suas bochechas estão extremamente vermelhas. –Implicou e viu a castanha olhar para o outro lado, tentando usar o cabelo para se esconder, o que fez a menina gargalhar.
–Para. –Hermione falou sem graça.
–O que aconteceu pra você ficar assim ao falar do Malfoy?
–Nada. –Disse, ainda sem encarar a amiga.
–Hermione!
–Nada. –Ela disse baixinho.
–Eu conheço você, Granger.
Belinda viu a castanha olhar para o chão e depois suspirar, levou alguns segundos até ela erguer a cabeça e encarar a menina a sua frente.
–A gente acabou... Se beijando. –Sussurrou.
–O que? –Belinda a queria ouvir dizer em voz alta.
–A gente se beijou. –Disse e Bell riu.
–E o que isso tem de errado?
–É do Malfoy que a gente tá falando. –Exasperou-se. –Tem tudo de errado. Ele me odeia, eu o odeio e...
–E desculpas não contam, Mi. –Cortou.
–Não é desculpa.
–Ah, é sim. –Ela sorriu.
–Não é!
–Hermione. –Elas se encararam. –Se você o odeia, por que deixa que ele te beije?
–Bem... –Ela corou, sem conseguir achar uma resposta. –Eu... Eu...
–Você? –Hermione se jogou na cama e enfiou o rosto no travesseiro. Belinda gargalhou e mudou para a cama da amiga, sentando ao seu lado. –Honestamente, não vejo problema nenhum nisso.
Hermione deitou de lado e encarou a menina. Os olhos negros estavam muito sérios e ela sorria tranquilamente.
–Ele é um idiota. –Disse por fim e Lestrange riu.
–Ele é, mas?
–Mas o que? –Hermione sorriu.
–Tinha um mas ai, Granger. –Bell disse rindo.
–Sei lá. –Ela sentou e encarou a amiga. –Ele beija bem, não sei Bell. Mas o Malfoy pode estar armando, todo mundo sabe que ele me odeia. –Disse ressentida.
–Quantas vezes já ficaram?
–Ficar é algo muito forte. –Belinda riu.
–Quantas vezes vocês já se agarraram por ai?
–Belinda! –Ela deu um tapa de leve na amiga.
–Você quem disse que ficar é algo muito forte. –Hermione riu.
–Duas.
–Menos do que eu esperava. –Belinda zombou.
–E se ele espalhar pra toda Hogwarts?
–Ele...
–Estou erguendo a bandeira branca. –Gina disse da porta do quarto, interrompendo a conversa e atraindo a atenção das duas.
Belinda a encarou, vendo que a menina estava somente com a cabeça pra dentro do quarto. Lestrange pensou por um momento depois riu.
–Relaxa Weasley, pode entrar.
–Você não vai fazer nada? –Perguntou ainda na porta, o que a fez rir.
–Não. –Disse simplesmente.
–Por que não acredito em você?
–Problema é seu. –Belinda sorriu tranquilamente. –Quem vai ficar ai fora é você.
As três passaram um bom tempo conversando, até que finalmente Gina relaxou.

Draco bebeu um gole do suco de abóbora e viu Belinda entrar com Granger e a ruiva. Ela ria tranquilamente e logo que sentou o encarou e rolou os olhos, o que o fez bufar e olhar para Zabini que ria ao seu lado.
–Você e a Lestrange tão cada dia pior.
–E eu achando que a gente tava melhor. –Zombou o loiro.
–Não acho.
–A qual é?
–Tayner chega ai. –Blásio chamou quando Douglas e Daniel estavam passando.
–Fala Zabini. –Daniel cumprimentou, já se jogando perto de onde eles estavam.
O Salão Principal ainda estava quase vazio, poucos alunos já tomavam seus lugares, mas ainda assim estava barulhento como o normal.
–Eu tava dizendo pro Draco que ele e a Lestrange tão cada dia mais estranhos. –Disse o moreno despreocupadamente.
Draco sentiu vontade de dar um soco no amigo, todos sabiam que os amigos de Belinda o detestavam, Tayner e Olivier trocavam algumas palavras com ele, porém nada que relacionasse o nome da menina. Malfoy viu os olhos azuis fixos nele e depois desviarem pra Zabini de novo, Douglas riu e deu de ombros.
–Cara, a Lestrange é estranha. –Disse por fim.
–Se você acha que ela tá pior fodeu de vez. –Daniel disse muito tranquilamente enquanto se colocava um pedaço de pernil no prato. –Aquela menina já é doida o suficiente.
–Mas vocês três aturam ela. –Zabini brincou.
–Ela é meu carma. –Daniel disse rindo.
–A cruz que eu sou obrigado a carregar. –Douglas concordou também rindo. –Tenho certeza que o Malfoy vai dizer uma coisa parecida.
Draco sorriu e deu de ombros.
–É uma cruz pesada e sem rodinhas. –Daniel riu.
–Tá vendo. Ninguém defende aquela peste. –Douglas brincou.
–Se ela souber que vocês disseram isso...
–Nem brinca cara, ela me mata enquanto eu estiver dormindo. –Draco falou por impulso e quase se arrependeu quando Daniel o encarou, mas de repente o menino gargalhou.

–Que porra é aquela? –Murilo perguntou pra ninguém especifico.
–Que? -Belinda ergueu os olhos e viu do que Murilo falava.
Tayner e Daniel conversando e rindo com Draco e Zabini, o que a fez sorrir. Marcos bufou ao lado.
–Ele está compactuando com a Doninha. –Murilo falou e Belinda riu.
–Pelo menos eles dois não estão implicando com o Malfoy.
–Eles são da mesma Casa Comunal. –Hermione comentou. –É normal que convivam em paz.
–Obrigada. –Belinda encarou a castanha e sorriu. –E até porque eu já falei, o Malfoy pode ser um idiota, mas não é a pior pessoa que eu conheço.
–Tanto faz. –Marcos deu de ombros. –Só não espera que eu vá fazer o mesmo que os dois.
–Serpentes tem que se entender, não acha? –Belinda sorria.
–Já disse que tanto faz, mas eu to fodendo pra isso. –Esclareceu enquanto pegava um pedaço de carne.
–Você pode odiar o Malfoy, mas vocês são até parecidos. –Implicou a menina e os olhos verde azulados faiscaram pra ela.
–Não sou um covarde mimado, Lestrange. –Ela riu, sem se importar com o xingamento.
–Na verdade eu to falando da safadeza de vocês. –Informou. –Vocês dois são cafajestes pra caramba.
–A qual é?
–Draco tem tanta fama em Hogwarts quanto você eu acho. –Sorriu. –Mas ele não tem medo de relacionamento, você foge disso como um coelhinho assustado. –O grupo riu quando o rapaz revirou os olhos.
–Qual é, Draco Malfoy poderia namorar sério então?
–Se ele quisesse. –Deu de ombros, mas viu Hermione encarar o prato como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
Belinda sorriu vitoriosa, era exatamente isso que ela pretendia, queria fazer Hermione perceber que Draco poderia deixar de ser safado com o incentivo certo, mas também queria mostrar o lado bom do loiro pra ela.
–Eu também poderia...
–Nem fodendo. –Cortou rindo. –Você tem uma aversão a qual nunca vi de relacionamento sério. Só uma poção muito poderosa pra te prender Coren. –Zombou ela.
–Amortentia. –Hermione e ela disseram juntas e começaram a rir.
–Dessa ele só não se livrava porque é a poção de amor mais poderosa que tem. –Murilo entrou na brincadeira.
–Vão se foder. –Coren mandou e eles riram.
–Hey, alguém viu os gêmeos por ai? –Belinda perguntou de repente.
–Eu vi eles no Salão Comunal. –Marcos deu de ombros. –Estavam aprontando alguma coisa. –Informou rindo. –Por isso eu sai de lá, não confio neles em momento algum, mas quando tão no canto cochichando é pior ainda. –Belinda concordou rindo.
–Eles são umas pestes e por isso os amo.
–Você só ama o que não deve, já disseram isso? –Questionou Murilo.
–Já, quando eu falei que amava você, foi a primeira coisa que me disseram. –Sorriu. –E que também eu tenho que parar de gostar de coisas que não prestam. Mas fazer o que, né? Eu tenho esse problema.
–Vai te foder Lestrange. –Mandou.
–É a segunda pessoa que fala isso pra mim em menos de cinco minutos. –Ela fez careta.
–Nem se atreva, é muito nova pra isso porra. –Marcos cortou e ela riu.
–Acho tão bonitinho o quanto vocês são protetores.
–Até parece que são cuidadosos. –Gina provocou.
–Cala a boca ruiva. –Marcos disse sorrindo.
–São cuidado só quando é pra infernizar minha vida. –Lestrange afirmou.

Belinda seguiu para a Torre de Astronomia assim que acabou o jantar, os alunos se dispersaram em vários grupos e a menina aproveitou pra fugir sozinha.
Lestrange se jogou no chão e ficou observando a noite, as estrelas brilhavam intensamente no céu e a lua banhava tudo ao redor com sua luz.
–Por que não me surpreendo em te ver aqui? –Draco quis saber.
Belinda sorriu e o olhou por sob o ombro.
–Porque aqui deveria ser um lugar pra ficar longe de idiotas, mas não dou essa sorte, você sempre vem atrás.
–Muito engraçado. –Disse ele se jogando ao seu lado. –E o que você achou da carta da mamãe?
Belinda bufou, lembrando que eles não haviam falado disso desde que ele entregara a carta pra ela.
–Lucius não vai conseguir. –Deu de ombros. –Os Pierre estão mais calmos, porém não querem que o herdeiro deles se meta comigo, não mais. –Ela sorriu. –Eu fiz um grande favor ao livra-los dos Malfoy, eles não fazem ideia.
–Idiota. –Ele deu um leve tapa no braço da menina.
–Ai. –Reclamou e ele riu. –O que eu fiz?
–Cala a boca Lestrange. –Ela riu.
–Mas sério, eles podem até ter aceito esse convite pra jantar, mas quer apostar quanto que não vai ter acordo?
–Já falou com o Brian?
–Mandei uma coruja pra ele logo depois que li a carta da Ciça. –Informou. –Mas ele disse que o pai dele já deixou bem claro que não terá acordo, que só aceitou esse convite porque pessoas importantes do mundo bruxo estarão lá. –Bufou. –E de qualquer jeito eles estão começando a aceitar a namorada dele. –Sorriu.
–A mestiça? –Ele fez careta.
–Nem começa. –Alertou. –Até porque você não tá em posição de falar de alguém que fica com uma mestiça, como é que você chama a Granger mesmo? –Draco a fuzilou. –Ah sim, Sangue-Ruim. –Rolou os olhos. –Alguém que beija uma “Sangue-Ruim” não pode falar de outro que é apaixonado por uma mestiça.
–Vamos mudar de assunto.
–Qual o problema em assumir que gosta de ficar com a Hermione... ?
–Nem começa Belinda. –Avisou e ela bufou.
–Que seja Doninha-Saltitante.
–Sua...
–Olha a boca! –Interrompeu entre risos.
Draco odiava recordar daquele dia e fez Belinda prometer que não diria nada relacionado aquilo.
–A incrível Doninha... –Draco deu um tapa em sua perna. –Aaaaai!
–Quieta.
–Você ficou fofo daquele jeito, não me culpe.
Belinda lembrava bem da Doninha albina que ele se transformara, podia ter um sério ressentimento pelo Professor Moody, mas naquela tarde deu boas gargalhadas quando viu Draco flutuando e quicando de um lado para o outro.
–Aquele velho desgraçado. –Rosnou o loiro e ela riu.
–Tem uma coisa que eu nunca perguntei. –Ele a encarou sem humor, mesmo com ela ainda rindo. –Doeu?
–Você realmente tá perguntando isso? –Belinda se forçou a parar de rir.
–Eu ia perguntar naquele dia mesmo, mas você me proibiu de tocar no assunto. –Deu de ombros. –Agora quero saber. Doeu?
–Ele me jogou no chão, é claro que doeu. –Resmungou. –Aquele velho maluco, fiquei com os braços e costa doloridos por três dias.
–Eu bem lembro de você mancando também.
–Não quero lembrar disso.
–Tudo bem Doninha-Saltitante.
–Idiota. –Ele se preparou pra ficar de pé, mas ela o agarrou.
–Parei, juro que parei. –Prometeu. –Vai me dizer o que tava conversando com o Tayner e o Olivier?
Draco suspirou fundo e a encarou. Sentou de novo ao seu lado e deu de ombros, tentando se acalmar e falou da conversa com os outros, o que a deixou indignada, mas logo os dois riam e relaxaram mais.
Belinda gostava do jeito que estava sua parceria com Draco, eles conseguiam se entender novamente e se ajudavam, era bom do jeito que estava e ela não podia reclamar, sua vida estava boa finalmente e era a primeira vez que isso acontecia. Era a primeira vez na vida que Belinda não tinha algo que lhe puxava pra baixo e a mantinha entristecida ou amedrontada, as coisas estavam boas.

Notas finais
O que acharam? Até o próximo capítulo. Beijos