Notas iniciais
Espero que gostem. Divirtam-se :D

Belinda suspirou, as últimas noites foram verdadeiras lutas, mal conseguia dormir e o resultado das noites insones começavam a ficar evidentes em seu rosto, a pele inacreditavelmente estava mais pálida e destacava as olheiras escuras.

Lestrange se arrumou e saiu do quarto, mal falara com os amigos desde que tudo acontecera, todos a olhavam inseguros e isso a irritava, a fazendo passar a maior parte do tempo na Torre de Astronomia com Draco, andara ignorando mesmo as colegas de quarto e Ty, não queria conversar, só precisava de tempo. Ao chegar ao Salão Comunal, viu Harry com Hermione e Rony, sentados no sofá em frente à lareira, fora o Trio de Ouro, não havia mais ninguém ali.

Lestrange respirou fundo e caminhou até eles, quando encarou Harry, se viu refletida nos olhos verdes e reprimiu um suspiro, adiara aquela conversa, mas precisava saber, já estava calma e controlada para ter uma conversa decente, assim como ele parecia bem o suficiente para lhe contar o que ela desejava saber.

–Oi Harry. —Cumprimentou e sentou em um sofá ali perto. —Como você tá se sentindo? —Ele deu de ombros.

–Acho que não muito bem. —Ela assentiu.

–Ficará. —Disse antes que ele tivesse a oportunidade de perguntar sobre ela.

–Eu não merecia o prêmio. —Sussurrou o rapaz e ela o encarou confusa por um momento.

–Do que você tá falando?

–Cedrico chegou a taça antes de mim.

Belinda sentiu o estômago revirar e suspirou, mas manteve o olhar de Harry.

–Você mereceu, Potter.

–Mas ele...

–Sim. —Cortou, mordendo o lábio inferior e olhando para a janela. —Você poderia me dizer como aconteceu? —Sua voz saiu pouca coisa mais alta que um sussurro e Harry assentiu.

–A taça nos transportou para um cemitério... —Iniciou meio inseguro, como se esperasse que ela fosse interromper. —Quando chegamos fomos atacados por Voldemort.

Belinda sentiu calafrios passarem por seu corpo e fixou os olhos mais atentamente em Harry, ouvindo toda sua explicação de como um Comensal da Morte tomara o lugar de um dos mais brilhantes Aurores e se passou o ano inteiro por professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, de como o mesmo matara Sr. Crouch e aprisionara o verdadeiro Olho-Tonto Moody, de como Voldemort matara Cedrico, prendera Harry e voltara a seus dias de glória.

–Mas o ministro não quer acreditar, diz que é invenção do Harry. —Hermione falou recentida. —E acha que Dumbledore está louco por acreditar.

–Louco é ele por não fazer nada a respeito. —Rebateu a menina de modo furioso. —Você identificou algum Comensal? —Voltou a encarar Harry, que assentiu lentamente.

–Mas não acho que você vá querer saber.

Belinda ergueu uma sobrancelha e Hermione percebeu que ela estava no controle de suas emoções novamente, como não estivera nos últimos dias.

–Goyle, Crabbe e Malfoy estavam lá no cemitério. —Hermione disse e Belinda ficou em completo silêncio.

Malfoy. O nome ecoava em sua mente como uma música desagradável que se repetia somente porque ela não gostava.

–Malfoy? —Repetiu e viu Harry assentir.

–Lucius Malfoy estava lá, eu vi.

Belinda se colocou de pé lentamente e começou a caminhar em frente a lareira, de um lado para o outro, como se tentasse clarear a mente, Rony ia dizer algo, mas Hermione o calou com um olhar gélido, todos dando tempo para que ela conseguisse assimilar a notícia. A menina parou em frente à lareira e ficou olhando o fogo crepitar.

–Eu sempre achei, apesar de tudo, que ele não cometeria o mesmo erro duas vezes. —Disse para os amigos. —Esperava muita coisa de Lucius, Merlin sabe disso, mas não que ele voltasse a seguir Voldemort.

–O cara é doido e um seguidor...

–Ronald, seu insensível! —Hermione repreendeu.

–Eu não falei mentira nenhuma. —O ruivo se defendeu.

–A Belinda foi e ainda é criada pelos Malfoy, seu idiota. —A castanha soltou.

–Tudo bem, Hermione. —Disse a menina, ainda encarando o fogo. —Acho que só eu não via que Lucius ainda era um Comensal da Morte.

–Belinda.

Lestrange já conversara sobre isso com a castanha, sabia que embora Lucius tivesse conseguido ser inocentado da acusação de ser um Comensal, na verdade era um. Acreditava em Harry, não havia porque não acreditar.

–Ficarei bem. —Suspirou. —Todos ficaremos. —Deu de ombros e se virou para encara-los novamente. —Bem, vou dar uma volta.

–Você não vai pro Salão Principal? —Harry questionou.

–Não estou disposta a ouvir todos lamentando a perda de um amigo leal e gentil, eu sei o que Cedrico foi. —Deu de ombros novamente. —E de qualquer forma fiquei de me encontrar com Taylor.

–Ele está preocupado com você. —Hermione lhe disse e ela assentiu.

–Sei que sim, acho que eu não tenho sido alguém... Sociável e racional nos últimos dias.

–É compreensível. —Disse a castanha e Bell deu um sorriso pequeno, completamente desprovido de emoções.

–Nos falamos mais tarde.

Belinda seguiu para a Torre atrás do quadro de frutas na sala do final do corredor do sexto andar, evitando pensar sobre o que Harry lhe dissera. Assim que subiu a pequena escada, viu Taylor encarando o horizonte, parecia distraído, ela se aproximou e notou que o rapaz parecia estar extremamente distante.

–Ty? —Ela chamou e ele a olhou surpreso.

Belinda viu o rapaz a encarar e um misto de emoções passar pelos olhos verdes, porém o mais evidente era a preocupação.

–Eu estou bem. —Assegurou e ele bufou, mas a abraçou.

–Não quer me falar? Eu entendo. —Sussurrou no ouvido dela. —Mas não adianta mentir.

Lestrange suspirou e assentiu, repousando o rosto contra o peito do menino.

–Tá. —Disse por fim.

Belinda e Taylor não conversaram inicialmente, mas após um longo tempo apreciando o horizonte, lado a lado, ela lhe contou o que Harry dissera sobre a volta de Voldemort, porém deixou de fora que seu tutor fazia parte dos seus seguidores.

–Então foi ele quem matou o Cedrico? —Ela assentiu.

–Ainda não sei bem o que pensar. Antes eu atribui a um acidente, senti raiva da falta de cuidado dos professores. —Ela balançou a cabeça e o encarou. —Mas agora é pior, o Lord das Trevas está de volta e provavelmente irá tentar dominar todo nosso mundo. —Ty absorveu o que ela dissera.

–Nosso mundo vai sofrer muito, principalmente porque o nosso ministro é um idiota e não vai tomar medida alguma para deter o que está por vir.

Belinda agredecia ao fato de Taylor acreditar em Harry e não concordar com o ministro, era bom saber que ela podia contar com alguém, precisava falar sobre isso com alguém que não fosse Draco. Lestrange nem sabia ainda como falar com Draco e contar que o Mestre das Trevas renascera e Lucius voltara ao seu antigo Círculo, se é que algum dia havia saído.

–Eu sei. —Ela disse de forma amargurada e ele segurou sua mão. —A pior parte é essa, saber que ele não fará nada e que a morte do Cedrico só foi a primeira de muitas que estão por vir.

Belinda sentiu a veracidade de suas palavras caírem como um jato de água gelada sobre ela e sentiu os ossos congelarem, tudo começaria a mudar e nada seria para a melhor. Sim, Cedrico Diggory fora o primeiro de uma extensa lista que estaria por vir e ela sentia medo de quantas pessoas poderia acabar perdendo, era um pensamento egoísta, mas ela gostaria de pelo menos poder proteger aqueles com quem se importava.

Notas finais
E ai? Curtiram? Deixem seus comentários. Beijos e até o próximo capítulo.