A Filha da Sabedoria
20 Enquanto isso... no Acampamento Meio-Sangue
Notas iniciais
Gabrieletes, podem pirar kkkkkkkk
Gabriel
Não recebi mensagens de Alexia por um dia inteiro.
Nada. Nem uma mensagem de Íris ou algum torpedo. (Sendo óbvio que ela não me mandaria um torpedo já que não podemos ter celular, mas mesmo assim eu estou preocupado).
Estou atirando flechas — como sempre. E não é a melhor coisa a se fazer caso você esteja preocupado com sua melhor amiga, pois as flechas começam a se fundir muito forte do ponto e chegam até a pegar fogo por conta da luz solar (sim, quando você é filho de Apolo e fica com raiva ou com medo os raios solares acabam ficando um pouco... ariscos).
Tentei que convencer que os dracmas dela apenas acabaram, mas eu não tenho certeza. Estou com um pressentimento ruim, e isso também não é bom quando se é filho do deus da profecia. Também tive um pressentimento ruim em relação a Thomas Ferdinand quando ele se foi e ontem um sátiro nos mandou a mensagem de que ele morrera...
Não, eu não vou contar isso para a Lexy.
Da última vez que conversamos ela estava MUITO tensa. Imagino já que foram os romanos que mataram sua madrasta — e isso fez seu pai a expulsar de casa. Deve ser difícil para ela viver no meio deles e coisa e tal.
Contar que o Ferdinand foi morto pela Medusa não vai ajudar em nada.
Estou tão distraído em meio a pensamentos e flechadas que nem reparei quando uma figura aparece ao meu lado. Era uma garota de cabelos castanho-avermelhados, olhos azuis fortes e sardas salpicadas pelo rosto. Eu sempre ficava de olho nela no Pavilhão, mas nunca soube seu nome
Ela é a conselheira do chalé de Afrodite.
- Oi — eu digo atirando mais uma flecha.
- Oi — ela responde.
Continuo atirando as flechas restantes, sem encará-la, e quando termino viro o corpo em sua direção.
Ela vestia uma blusa normal do Acampamento. Não estava maquiada, o que é raridade para os filhos de Afrodite. Ela tinha um escudo de bronze nas mãos e uma espada em outra, como se estivesse pronta para a batalha de Charleston — isso também é raridade para os filhos de Afrodite!
- Você é...? — pergunto.
- Joanna Baker.
- Gabriel Rodriguez.
Ela sorri.
- Me disseram que eu deveria falar com você.
Franzo o cenho.
- Falar o que?
- Para alistar o Chalé 10 na batalha.
Pisco os dois olhos. É possível? O Chalé das líderes de torcida e modelos querendo se alistar para uma batalha? Deuses, eu devia ter apostado com Miranda que ganharia uma grana preta. Parece que vamos ter um pouco de sorte, afinal.
- Hã... Tem certeza que não pediram para falar com o Went? — pergunto pensando no experiente filho de Hefesto que quase nunca perdia uma batalha (exceto para Miranda e Alexia).
- James Went? — ela sorri — ele mesmo disse que você é o "chefe". Alexia ia querer assim.
Uno as sobrancelhas.
- Por que todo mundo está falando nela no passado?
Joanna muda o peso de um pé para o outro.
- Miranda disse que pode haver uma hipótese dela estar morta. Os romanos não são tolos...
- ELA NÃO ESTÁ MORTA! — Joanna leva um susto e recua um passo para trás, respiro fundo, controlando-me — ela é filha de Atena, sabe se virar.
- Você parece gostar dela...
- Ela foi minha primeira amiga e a única que me considera uma irmã desde os meus 11 anos. Se você é filha da deusa do amor deveria reconhecer amizades!
Ela abaixa os olhos. Legal! Consegui fazer a garota mais bonita do Acampamento ficar sem graça. Parabéns, Gabriel! Você é 10!
- Desculpe — eu digo.
- Tudo bem. Miranda e James estão patrulhando os meio-sangues e distribuindo as armas. Já estamos indo para a batalha.
- Temos uma equipe lá em Charleston?
- Sim. Comandados por Derren, filho de Hermes. Ele vai mandar uma mensagem para Alexia, para conseguir contato. Não sei de muita coisa, fora isso.
Suspiro de alívio. A hipótese de alguém entrando em contato com Alexy era boa.
- Vamos lá para a patrulha então — digo.
- Antes, eu queria te mostrar uma coisa.
Estranho um momento, mas então deixo que a filha de Afrodite me guie até a praia vazia. Nenhum meio-sangue ou ser vivo se encontrava lá — a não ser talvez os peixes na água. Todos estão na floresta ou no arsenal, aprontando as coisas.
É onde deveríamos estar...
Paramos de andar quando chegamos na parte de trás do Chalé 3 — de Poseidon — que era virado para a pria (uau, por que será?). Encosto na parede encrosta por pedras marinhas, cheias de algas enroscando-se nelas e espero que Joanna fale o que queria falar.
Ela está de costas.
- Gabriel, eu sei que você me observa.
Arregalo os olhos. Que diabo de garota ninja...!
- Eu sou filha de Afrodite — completa — sei quando as pessoas tem sentimentos fortes por mim...
Ela se vira, e olha para mim de cima a baixo. Um olhar completamente diferente do olhar doce de alguns momentos atrás. Ela parecia faminta — quase desesperada por sexo! (mas, claro, que eu não disse isso em voz alta).
- ... mas o seu sentimento forte por mim tem haver com outra coisa — diz.
Ôxi!
Vou admitir. Ela é linda. Não há nenhum garoto no Acampamento que não fique louco por ela — e eu acho que eu estou ficando — mas tenho muito respeito pelas mulheres (ainda mais as que eu gosto) então eu não a agarraria ali desse jeito.
Mas se ela continuar a me olhando assim eu não vou conseguir me controlar.
- Joanna, você é linda!
Ela sorri.
- Eu sei.
Modéstia passou longe!
- E eu sinto coisas fortes por você...
Ela se aproxima.
- Eu sei.
- Mas não tem só a ver com... coisas físicas. Eu gosto mesmo de você. Entende?
Ela sorri, seu corpo está tão próximo que quase encosta no meu. Se o vento passa, posso sentir sua blusa na minha, mas não é muita coisa. Ela encara meus olhos tão profundamente que acho que meus olhos estão passando do castanho-claro para o azul.
- Eu entendo, Gabriel. Mesmo. — murmura.
Ah, não aguentei!
Puxo ela pela cintura e a beijo desesperadamente. O que tá rolando comigo? Eu só olhava essa garota no almoço e agora eu estou me agarrando com ela na praia? Isso não é dos deuses! Mas pareço estar hipnotizado. Não paro de beijá-la, nem de acariciar suas costas por baixo da blusa.
Joanna beija o meu pescoço e depois seus beijos passeiam até minha orelha. Essa garota não é pura, não. Estamos praticamente deitando na areia quando ouvimos uma voz atrás de nós.
- Os pombinhos por favor se apressem — diz Miranda L'Fleir, vestindo sua armadura de bronze — nós partimos em dois minutos.
Notas finais
Gostaram da narração do Gabriel? E da Joanna? Ela não é tão pura quanto parece.
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