A Filha da Rainha Má
1 Capítulo 1 - Era Uma Vez
Notas iniciais
Espero que vocês gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever!!!
Beijos.
Evilins’tbornit’smade.
(Regina Mills)
Era uma vez.
É assim que os contos de fadas se iniciam, ou supostamente deveriam iniciar, mas o que estou prestes a contar não é um simples conto de fadas. É uma história. Uma vida. Uma maldição que mudou a vida de muitos e que ainda continua a mudar. É a história por detrás de todos os conceitos que foram moldados e as meias verdades ditas sopradas aos ventos e desenhadas nas noites de céus estrelados. É o simples e complicado destino. É a história verdadeira e nunca contada sobre a Rainha Má.
*
(Em um futuro não muito distante)
E em súbito teve plena certeza de que iria morrer, e o desespero aflorou em seus olhos diante da inevitável morte.
Estava destinado, alguém naquele dia iria morrer e ela sabia disso.
*
(Floresta Encantada)
Regina caminhava desesperadamente de um lado para o outro em seus aposentos, os olhos carregados de lagrimas de felicidades e preocupação. E mais do que isso, medo. Medo pela vida que acabara de descobrir que crescia dentro de si. E ela estava decidida, seria capaz de tudo para proteger o fruto do seu amor verdadeiro com Daniel.
Cora havia garantindo que nada pudesse dar errado, e um arrepio percorreu o seu corpo ao lembrar da morte do seu amado cavalariço, o seu coração sendo arrancado e esmagado por sua mãe, aquela que deveria ter lhe proporcionado amor e apoio incondicional fora a que mais a fizera sofrer. Regina fora obrigada a se casar com um homem que não amava, subjugada a uma vida que não escolheu, a um reino a qual nunca faria parte. As lagrimas continuavam a rolar, e voltou os seus pensamentos para os poucos momentos felizes que passara ao lado de Daniel, e percebera que fora presenteada com uma oportunidade de ser verdadeiramente feliz. E agradeceu a quem quer que fosse por esse privilégio. Ela iria amar, cuidar e proteger o seu filho de tudo e de todos a qualquer preço.
Ela planejara minuciosamente como esconderia a sua gravidez. E com um pretexto de precisar de alguns meses de tranquilidade viajou para um dos muitos castelos do rei, escolhendo aquele mais afastado e despovoado de todos. Regina contava apenas com a ajuda de seu pai, Henry. O único em quem confiava.
O castelo estava deserto, e praticamente abandonado se não fosse pela simplória manutenção que era feita por alguns aldeões que habitavam nas proximidades. As cores de verde esmeralda com leves toque de lilás estavam levemente desbotadas pelo tempo, contudo não diminuíam o esplendor do lugar. Regina se sentia livre, um sentimento que achou que nunca poderia alcançar.
O cantar dos pássaros acordara Regina naquela manhã, ela passara pelos primeiros meses de gravidez com saúde e tranquilidade apesar dos enjoos matinais e desejos inusitados, ela se aproximava do quinto mês de gestação. E ainda sem se levantar da cama acariciava sua barriga sentindo como a pequena vida crescia e mexia a cada dia mais, sentindo a vida que pulsava e ganhava força e imaginando como seria a sua carinha, a cor dos seus olhos e cabelos, se seria parecida com ela ou com Daniel. E mais uma vez temeu por aqueles que poderiam lhe fazer mal. Ela afastou os pensamentos ruins se levantando da cama.
Os meses passavam rapidamente, Regina estava cada vez mais alegre e cheia de vida. Ela tinha uma luz única a iluminando para o seu final feliz. Ela partiria após o nascimento do seu bebê para o mais longe que conseguisse, até ter a certeza que não seria encontrada. E ser rainha não significava nada para ela, tudo o que queria estava ali: o seu bebê, o seu pai. A sua família.
E Henry com a proximidade para o nascimento do bebê contratara os serviços de uma parteira para garantir que tudo ocorresse da melhor forma possível. Ele estaria do lado se sua filha a protegendo como nunca esteve antes.
E naquela manhã Regina caminhava vagarosamente entre as flores do pequeno jardim, e aquele dia em particular fora mais ensolarado e mais cheio de vida do que os outros que vivera. E então, a primeira contração a atingiu, e percebera que sua bolsa havia estourado confirmando que a hora do seu bebê vir ao mundo chegara.
Henry fornecera tudo que a parteira pedira e que seria necessário para aquele momento único. Tudo estava organizado e separado, lençóis, tesoura e água morna. O castelo fora tomado pelos gritos de Regina que aumentavam a cada nova contração, o seu coração batia acelerado, a sua respiração descompassada. O seu pai estava ali, ele segurava a sua mão demostrando que tudo daria certo, e que não a deixaria.
O mundo lá fora brilhava em celebração a chegada da nova vida. Gritos. A energia que emanava em torno do castelo trazia a certeza que aquela criança seria especial. E mais gritos.
Empurre.
Respire.
Essaseram as únicas palavras que Regina conseguia ouvir. E um silencio ganhou proporção na floresta que cercava o castelo, nem os animais manifestavam seus ruídos, tudo estava harmonicamente calmo para aquele nascimento como se o esperassem. O silencio fora rompido com um grito final seguido por um choro infantil. Regina desabou de cansaço na cama, mas sem tirar os olhos da criança que agora estava sendo limpa e enrolada em uma manta.
—Parabéns, é uma menina. — A mulher entrega em seus braços a pequena que chorava.
E havia lagrimas em seus olhos e um sorriso em seus lábios quando aconchegou a filha em seus braços que parara de chorar quando sentira o calor daquele abraço materno de amor. Ela observava cada traço da pequena enquanto a amamentava e um beijo fora depositado em sua testa, ela não poderia descrever o que sentia. Era um amor infinito.
—Ela é exatamente como você, Regina. — Henry afagava os seus cabelos ainda úmidos. —E qual será o seu nome?
—Elizabeth. O seu nome será Elizabeth! — Regina disse cada palavra com orgulho.
E esse poderia ser o final dessa história, entretanto, é apenas o começo do sofrimento que durará por anos.
*
(Boston, Massachusetts)
Muitos anos depois.
E a nossa jornada se inicia de forma simples, em um mundo normal, onde coisas normais costumam acontecer ou assim se espera.
A noite passava lentamente, e o vento lamentava vagando por entre os altos prédios acinzentados e desgastados pelo tempo, e as poucas arvores que sobreviveram ao crescente mar de concreto. E dentre tantos barulhos inoportunos e residências sem importância uma se destacava, e mais especificamente uma janela. E naquela janela se encontrava alguém que há muito se perdera de si mesmo, mas que estava prestes a voltar para o lugar de onde pertencia.
Era uma jovem com não mais de dezesseis anos, os seus olhos castanhos mostravam frieza e amargura para aqueles que os encarassem por muito tempo, o seu longo cabelo negro iniciava-se liso e terminava com suaves ondulações em suas costas, e sua pele clara acentuava a beleza e destacava seus traços delicados mais ao mesmo tempo firmes, e seus lábios rosados suavizavam sua expressão tão séria e reprimida. O seu coração sempre apertado e carregado de dor e incompreensão, estava mergulhado na escuridão. E a sua alma soava desesperada e aflita como se tivesse vivido mais do que aparentava, mais do que sua mente pudesse raciocinar e lembrar. Ela tentava entender todos esses sentimentos que a dominavam e os motivos para os ter, mas nada parecia fazer sentido, ou pelo menos nada que um mundo normal pudesse entender.
E essa garota tão especial se chamava Elizabeth.
A brisa fria passou pela janela a fazendo ranger em protesto tocando suavemente e sem cerimônias o rosto da jovem que ali se encontrava, a despertando de seu profundo transe mental. Ela olhava para além daquela simples janela, daquela barulhenta cidade que não importava a hora sempre haveria alguém vagando pelas ruas sem rumo. Ela olhava para além do céu escuro procurando algum sinal que iluminasse sua mente atordoada e calasse os seus pensamentos irracionais que soavam tão verdadeiros em sua mente e coração. Em sua mão segurava um livro diferente de todos que já possa ter visto, o pressionou suspirando contra o seu peito em um ato desesperado de silenciar o que a perturbava, e esperando que de alguma forma surgisse uma resposta que a tranquilizasse.
Ela se perguntou mais uma vez o porquê de carregar o sentimento com tamanha certeza de que pertencia a um mundo completamente diferente daquele que estava fadada a viver. E fechou a mão que repousava sobre a janela com tamanha fúria, quase cravando suas próprias unhas em sua pela branca causando pequenas vermelhidões. Ela notou que o relógio marcava quase três da manhã, e pensou em dormir. E afirmou mentalmente com grande pesar que quando o fizesse os pesadelos que estavam a sua espera viriam novamente a visitar.
E como em quase todas as noites eles vieram.
Notas finais
E perdoem se encontrarem alguns erros de português.
Beijos!!
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