A Filha da Neve
1 Prólogo
Notas iniciais
POV Melanie
Estava correndo como se minha vida dependesse disto, e pensando bem, dependia mesmo.
Eu poderia estar em casa tomando chocolate quente e lendo um livro, mas não, estava sendo perseguida por monstros, isso mesmo, eu disse MONSTROS. Em pleno inverno. Não que isso fosse um problema, pelo menos, não para mim.
Tudo começou quando eu voltei da escola e encontrei meu pai sentado no sofá com o queixo apoiado nas mãos, ele parecia triste, desolado.
–Aconteceu alguma coisa?- perguntei colocando a bolsa no chão
Ele suspirou.
–Pai?-chamei.
–Me desculpe, Melanie- ele disse.
–Desculpar pelo que?- perguntei confusa.
–Por ter esperado tanto tempo- ele respondeu como se isso esclarecesse tudo.
–Esperado para que?-perguntei muito mais confusa.
–Você está correndo perigo- ele disse.
–Pai, chega, agora você já está me assustando- falei fazendo cara feia.
–Lembra do que eu lhe contei sobre sua mãe?- ele perguntou.
–Que ela morreu em um acidente quando eu era bebê- respondi um pouco desconfortável. "Mamãe" não era um assunto no qual eu era boa.
–Eu menti- disse ele.
–OQUE????- gritei.
Ouvi um barulho estranho do lado de fora da janela, mas ignorei.
-Agora não temos tempo para conversar, mas prometo que você logo entenderá a verdade- ele disse se levantando do sofá e seguindo na direção da escada.
–Mas...- não consegui completar a frase.
Ele fez um gesto para que eu o seguisse.
Suspirei e subi as escadas.
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Tudo estava bem, na medida do possível para quem foi praticamente expulsa de casa pelo próprio pai, eu tinha uma bolsa de viagem do meu lado no banco, não tinha muita coisa dentro dela, apenas minhas roupas, livros e outras coisinhas.
Ainda estava pasma, não tinha entendido nada. Sério, quem conseguiria?
Talvez meu pai estivesse pirando, ou inventando uma desculpa, muito ruim por sinal, para me mandar para um internato.
Não era uma grande surpresa o fato de ele querer se livrar de mim, meu sobrenome era Problema.
Não que eu quisesse ter nascido assim, simplesmente nasci.
Olhei para fora da janela do táxi, fiquei observando a paisagem lá fora, era inverno, minha estação preferida do ano. No inverno eu me sentia feliz e segura, sei que parece loucura, inverno era a estação do frio, do escuro. Mas isso nunca me incomodou, porque o frio e a neve eram parte de mim, literalmente.
Continuei pensando nisso até que o taxista falou:
–Dia difícil, ein?- ele olhou para mim pelo retrovisor.
Assenti.
–Posso dar um jeito nisso pra você- disse ele.
Não entendi, oque ele sabia afinal?
Aí o taxista se transformou em um bicho com asas. E as coisas começaram a dar errado.
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Não sei bem oque eu estava pensando, mas pular de um táxi em movimento não foi lá a melhor ideia que eu tive na vida. Mas quando o motorista do táxi vira do nada um monstro, você não pensa, você faz.
Eu pulei sem pensar duas vezes, cai de costas no asfalto e minha bolsa caiu em cima de mim. Levantei com um pulo, estava dolorida, mas ignorei isso, adrenalina pura pulsava em minhas veias. Comecei a correr, não fazia ideia de para onde estava indo, mas qualquer lugar era melhor do que ali. Entrei na floresta, olhei para trás, ninguém estava me seguindo, só que isso não significava nada.
Continuei correndo com toda a força que minhas pernas tinham, eu corria muito quando queria. Ouvi um barulho do meu lado e virei o rosto na direção do som. De perto parecia mais um anjo assustador e sedento de sangue do que um monstro. Ele era, tipo, enorme. Continuei correndo.
Avistei uma colina ao longe, fui em sua direção.
–Pare- disse uma voz a minha esquerda.
Virei o rosto, outro "anjo" voava por entre as arvores, ele era menor e mais magro que o outro.
–Viemos ajuda-lá- continuou o da esquerda.
–Há-Há- gargalhei sarcasticamente.
Eu estava dolorida por conta da queda e minhas pernas queimavam com o esforço da corrida. Parei ofegante ao lado de um grande pinheiro e me virei. Os "anjos" me encaravam.
–Venha conosco e nos ajude que iremos recompensa-lá- disse o magrelo.
Não fazia ideia do que ele estava falando, mas sabia que não era boa coisa.
Sabia o que tinha que fazer, ergui a mão direita e me concentrei, um raio congelante disparou da minha mão na direção dos "anjos". O magrelo arregalou os olhos enquanto o gelo ia em sua direção, mas antes que pudesse atingi-los eles desapareceram.
Minha visão estava escurecendo, fui vencida pelo cansaço do dia, fechei os olhos e adormeci.
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