Notas iniciais
Oi gente! Um pouquinho atrasada né! Mas explico que foi por causa que esse capítulo ficou imenso, para a alegria de alguns e desesperos de outros kkkkk Ainda não consegui terminar de responder aos comentários, mas me dedicarei a eles podem me aguardar! Respondi a muitos esses dias, mas hoje eu passei o dia escrevendo esse capítulo. Aliás, demorei também porque tive um pequeno bloqueio de escritor pelo meio, mas eu consegui o/ Obrigada muitíssimos aos comentários (estou muito feliz ao ver que começamos a quase dois meses essa fic recebendo 4 comentários no primeiro capítulo e agora com 14 capítulos estamos com quase 200), as favoritações, recomendações e acompanhamentos (chegamos à 150 gente! UHUUL! kkk) Quem faz a fic é você leitores e tenho a felicidade de ter vocês pessoas maravilhosas que estão sempre me estimulando *-* Arigato! Divirtam-se com Pedido...

– Sasuke, Sasuke. Acorde! – ouvi Sakura sussurrar ao meu lado enquanto cutucava meu braço esquerdo.

– Mmmm... – resmunguei ainda de olhos fechados deitado de bruços na cama – O que você quer Sakura?

Ela bufou.

– Eu já falei com o meu informante, já podemos voltar para Konoha.

Abri lentamente meus olhos, focando minha visão em Sakura que estava em pé ao lado da cama com as mãos na cintura. Ela usava um kimono vermelho com detalhes dourados, simples, mas luxuoso. No entanto o que mais me chamou a atenção foram seus orbes verdes visivelmente cansados.

Encarei-a por mais alguns instantes antes de puxá-la pelo seu pulso direito com minha mão esquerda.

– Aiii – resmungou enquanto caia na cama de costa para mim – Porque você fez isso? – perguntou me olhando por cima do ombro.

– Você está visivelmente cansada Sakura e o sol ainda nem nasceu – resmunguei baixo aconchegando-me em seu corpo e contornando sua cintura com o meu braço esquerdo – eu sei que você quer ir embora o mais rápido possível daqui e que estão tentando te matar, mas Sakura, você está cansada e nem tente negar, sua cara horrível de quem não dormiu diz tudo. – ela bufou com a minha última sentença e eu rir um pouco de canto – Dessa maneira você não vai aguentar nem caminhar por uma hora, imagine fazer uma viagem longa para Konoha. Então, aproveite esse tempo que ainda temos para descansar. Concordas? – perguntei pro falcão que nos encarava e que assentiu para mim afirmativamente – Viu? – falei rindo levemente para Sakura colocando meu rosto na curva de trás do seu pescoço.

– Tsc. Tudo bem, – concordou a contragosto – mas... – parou a fala para tirar meu braço em torno de sua cintura – fica longe de mim – me fuzilou com o olhar – a cama é de casal, você não precisa ficar tão perto de mim. Então... Se afasta!

– Tsc – resmunguei de cara fechada me afastando depois que liberei o jutsu para que o falcão voltasse ao seu lugar de origem.

Logo Sakura pegou no sono, prova de que estava cansada e só estava querendo bancar a durona e ir embora dali o mais rápido possível.

Curvei-me sobre ela para verificar se estava dormindo profundamente, assim que confirmei sorri de canto enquanto a contornava com o meu braço aproximando os nossos corpos.

– Nenhuma mulher resiste a mim Sakura, ou me rejeita – sussurrei sorrindo maliciosamente depositando um beijo em seu pescoço enquanto aconchegava meu rosto na curva de seu pescoço.

Será engraçada a reação dela ao acordar, pensei perdendo a consciência, voltando a dormir.

***

– SASUKE-SAMA! – entrou gritando uma empregada no meu quarto.

– Aqui não tem privacidade, não? – resmunguei abrindo meus olhos focando meu olhar na empregada que encarava a mim e a Sakura incrédula – O que foi que aconteceu? – perguntei sem humor.

Ela nada respondeu, apenas saiu correndo fechando a porta da mesma maneira que entrou no quarto.

– Mmm... – resmungou Sakura remexendo-se nos meus braços – O que está acontecendo? – perguntou sonolenta enquanto se espreguiçava na tentativa de acariciar os seus cabelos, porém acabou acariciando os meus.

– Hmmm... Isso é bom – falei provocando. Só então ela percebeu nossa proximidade e o fato de minha bochecha direita está colada a sua esquerda, enquanto nossos corpos estavam colados em forma de "conchinha".

– Ahhh! – gritou assustada me empurrando para longe enquanto pulava da cama – Mas que merda é essa Sasuke? – vociferou me olhando com ódio sem entender nada, eu apenas ria da situação – Eu disse para você ficar bem longe de mim!

– Até parece que não estava gostando – provoquei rindo apoiando minha cabeça sobre os meus braços cruzados com o meu peitoral e parte da minha box descoberta pelo lençol que antes nos cobria. Sorri de canto de maneira sedutora voltando a falar de maneira pausada – você estava dormindo tão bem nos meus braços, Sakura!

– Grrr... – grunhiu ela com raiva ajeitando o robe. Virou de costas em direção à porta, mas parou depois do primeiro passo – Alguém nos viu? – perguntou desconfiada me olhando de canto.

– Uma empregada que entrou aqui gritando o meu nome nos viu – falei indiferente.

– CACHORRO! – gritou pulando em cima de mim – O que você acha que vão pensar de mim? – gritava enquanto tentava me bater com um travesseiro que eu desviava com uma mão.

– Para falar a verdade, – comecei rindo segurando o travesseiro entre nós. Ela estava de joelhos sobre mim, então puxei o travesseiro em minha direção forçando-a a ficar com o rosto próximo ao meu – acho que gato combine mais comigo.

– Ora seu... – falou soltando o travesseiro e apontando o punho direito coberto de chakra em direção ao meu rosto. Joguei o travesseiro longe e segurei seu pulso direito impedindo-a que me acertasse centímetros antes do impacto usando o meu chakra para desregular o dela e sua força bruta diminuir consideravelmente – Ainda não acabei – falou entredentes abaixando o outro punho coberto de chakra na minha direção, mas fui mais rápido.

Em um golpe rápido troquei nossas posições na cama jogando nosso peso para o meu lado direito. Em segundos eu estava por cima segurando os pulsos de Sakura acima de sua cabeça.

– Vai ter que treinar muito para conseguir me acertar, Sah – falei calmamente com um sorriso no rosto.

Ela se remexeu em baixo de mim tentando se soltar, mas tudo em vão porque eu apertava com força seus pulsos.

– Você não vai consegui se soltar de mim. Desista – falei com desdém.

– Quem disse que eu vou desistir? – falou com um sorriso debochado no rosto já com respingos de suor. Fiquei confuso, mas minhas dúvidas foram logo sanadas.

Sakura cruzou suas pernas que antes estavam abertas ao meu lado no meu quadril.

– Ai! – resmungamos ao mesmo tempo. Como o golpe foi inesperado, ao sentir a grande força de sua perna ao meu redor acabei desabando com força sobre o corpo da rosada.

– Não... to... conseguindo... respirar... – falou arfando, seus lábios estavam próximos à minha orelha direita.

– Número um, a culpa é sua por ter me derrubado. Número dois: só vou te soltar depois que você disser que desiste...

– Nunca!

– Ótimo, então vamos ficar assim por um bom tempo – falei rindo notando a nossa posição.

– Uma ova – falou remexendo-se abaixo de mim tentando fugir, mas eu apenas forçava meu peso contra ela que me respondia apertando meu quadril com suas pernas descobertas pelo robe. Eu estava aguentando para não gritar, mas se ela colocasse mais força nas pernas, era bem possível que ela quebrasse o meu quadril.

A cama começou a ranger com o bater do encosto na parede e com o arrastar no chão a medida que Sakura botava mais força em sua escapatória.

– Sakura, para de se remexer embaixo de mim, só está piorando a situação – falei um pouco preocupado, se ela continuasse naquele ritmo era bem capaz que meu corpo me traísse e mostrasse a excitação que eu estava começando a sentir.

Ela estava arfando, cansada e suada, quando eu pensei que ela ia desistir, eu descobrir que mulheres com cabelos rosas são mais insistentes que a maioria!

Em um golpe de desespero, Sakura cravou os dentes no meu pescoço com força.

– SAKURA... AHHHH! – gritei ao mesmo tempo que a porta do meu quarto abriu-se com brutalidade por uma segunda vez. Tentando ignorar a dor que sentia vindo da marca dos dentes de Sakura agora marcados no meu pescoço de onde escorria gotículas de sangue, falei arfando – Mas que droga... – continuei falando erguendo um pouco o meu tronco para visualizar quem havia entrado – aqui não tem privacid... – não consegui terminar a frase, minha voz fugiu ao ver quem nos observava.

Sim, caro leitor! Acertou quem pensou em Tsuchikage!

O nosso querido kage nos observava incrédulo. Ele arfava e tinha sinais de que tinha corrido para chegar até ali.

Ah, caro leitor! Eu não o julgo. O que eu pensaria se entrasse em um quarto e me deparasse com um homem e uma mulher, ambos com 27 anos, sobre uma cama, com a mulher por baixo remexendo-se com as pernas nuas cruzadas ao redor do homem, enquanto este, apenas de box, segurava suas mãos para o alto enquanto gritava o nome dela devido a sua mordida. Bom... o último pensamento que viria nos meus pensamentos é que eles estavam tendo uma conversa amigável. O primeiro pensamento que eu teria? Bem... com certeza era o mesmo que o Tsuchikage estava tendo naquele exato momento.

Sakura arfava enquanto encarava surpresa o Tsuchikage. Um pequeno filete de sangue escorria pelo canto esquerdo de sua boca e eu tinha certeza que aquele sangue era meu.

Sem nenhuma palavra proferida, Sakura descruzou suas pernas e eu me ergui sentando-me na borda da cama de frente ao kage, sem me importar por está quase nu. Sakura por outro lado, em completo desconforto, sentou-se encostando suas costas no encosto da cama ajeitando seu robe, tentando ficar o mais longe de mim.

O clima no quarto estava pesado e ficou ainda mais pesado quando o Tsuchikage mudou seu olhar de incrédulo para obscuro focado em mim.

Não me aguentei, sorri de canto notando o completo ciúmes e ódio focado em mim.

– Não reclame – comecei calmamente pondo minha mão direita sobre o ferimento no meu pescoço do mesmo lado, tentando fazer uma compressa, já que o sangue começava a escorrer para o meu peitoral – foi você quem invadiu o meu quarto sem permissão.

– Sasuke! – repreendeu-me Sakura, mas eu apenas olhei-a de relance e voltei meu olhar para o homem, que eu não duvidava pelo seu olhar, que com certeza imaginava todas as formas de mortes nada gentis que poderia aplicar em mim.

– As empregadas não encontraram a Sakura no quarto dela mais cedo – informou-nos com uma voz baixa e sombria – vieram até mim perguntando por ela já que não a achavam, mandei todos procurarem, até que uma veio informar ao Sasuke sobre o sumiço dela, mas...

– Mas... – estimulei. Sabia que estava passando dos limites e que com certeza Sakura me fuzilava com ódio.

– Mas ela acabou encontrando a Sakura e veio me informar sobre o seu paradeiro. Só vim confirmar a veracidade – falou calmamente olhando-me nos olhos, mas desviou o olhar para Sakura enquanto continuava – Que bom que você está bem Sakura – comentou sem humor – O café da manhã já está servido – comunicou virando de costas saindo do quarto.

Sakura assustou-se com a força que a porta foi fechada, deixando-nos sozinhos.

– Esse kage... – comecei virando-me para a Sakura, mas parei assim que senti a ardência na minha bochecha esquerda. Ela havia me dado um tapa.

– O que você acha que está fazendo? – perguntou com raiva empurrando-me na cama com sua mão direita sobre o meu pescoço.

– Vamos começar de novo? – perguntei calmamente notando sua posição. Ela estava novamente sobre mim, só que agora com as mãos no meu pescoço, pronta para me estrangular.

– Você só está piorando a situação – murmurou saindo de cima de mim. Fiquei olhando para o teto sem me mover até ouvir a porta sendo batida com força mais uma vez, mas agora pela Sakura.

***

Entrei na sala de jantar em silêncio. Usava minha roupa ninja completa, pronto para sair em viagem após o café da manhã, até minha capa eu usava, não por frio ou qualquer outra coisa, mas para esconder a marca da mordida de Sakura.

Sentei-me no mesmo lugar do que no jantar da noite anterior. Sakura, Hiroto e Horen já estavam sentados calados tentando evitar cruzar o olhar comigo.

Internamente eu agradeci, não estava muito afim de ter que encarar o olhar de alguém ou ouvir uma conversa calorosa e clichê familiar entre os dois irmãos.

Comíamos em silêncio. A cada segundo que se passava o clima ficava mais pesado. Aos poucos as trocas de olhares foram surgindo, discretos e ocasionais.

Horen me olhou pelo canto do olho e depois para os demais, um pouco confusa. Talvez ela não soubesse em detalhes o que havia acontecido, ou melhor dizendo, o que achavam que havia acontecido, pois a desconfiança estava estampada nos rostos dos empregados que vez ou outra entravam na sala e olhavam discretamente para mim e para Sakura.

Pelo visto a fofoca voava solta naquela vila assim como em Konoha, pensei.

Hiroto olhou para Sakura com uma mistura de desolação, raiva, ciúmes e desgosto, mas de maneira discreta, mas os sentimentos transbordados daqueles olhos castanhos escuros não eram invisíveis a mim. Seu olhar divagou para mim e logo os sentimentos foram trocados para puro ódio.

Eu não iria sair por baixo, sustentei o seu olhar com um pequeno sorriso de canto vitorioso.

Eu tinha certeza, seu olhar não negava. Ele pensava que eu estava com Sakura e estava com ciúmes.

Enquanto eu tomava banho antes de descer as escadas eu havia refletido sobre as atitudes do Tsuchikage e chegado a uma conclusão. Conclusão essa que discutiria com a Sakura quando ficássemos a sós.

Essa porém rejeitava e evitava qualquer olhar na minha direção. Se eu não tivesse visto o seu acesso de fúria mais cedo, juraria que nada a atingia, que ela encarava aquela situação com completa indiferença.

Terminamos o café e Sakura foi a primeira a quebrar o silêncio:

– Vamos Sasuke. Temos uma longa caminhada pela frente. – se levantou da mesa. Todos nós que a acompanhavam se levantaram também – Muito obrigada pela hospedagem Horen, Hiroto. – falou amigavelmente – Foi bom rever vocês. – sorriu – Horen, cuide-se. Você está bem, mas tem que continuar se cuidado e seguindo a prescrição médica direitinho.

Horen sorriu abraçando a amiga.

– Então você precisa voltar de vez para Iwagakure para sempre puxar minha orelha toda vez que eu fizer alguma coisa errada como você sempre fez esses anos Sakura. Você sabe que eu não entendo nada dessas coisas e termos médicos.

Sakura sorriu desvencilhando-se do abraço. Foi a vez do Tsuchikage se despedir.

– Até a próxima Sakura – falou baixo depositando um beijo na mão de Sakura, assim que cessou o beijo, encarou os orbes verdes com uma mistura de dor e admiração em seu olhar castanho – Espero reencontrá-la em breve – soltou a mão de Sakura – Tenha uma boa viagem.

– Teremos – falei e o olhar moroso do Tsuchikage passou de moroso para mortal. Minhas suspeitas se confirmavam a cada segundo que eu passava ao lado daquele homem.

– Adeus Sasuke – falou laconicamente o homem.

– Até logo Sasuke-san – falou tímida a loira.

Assenti para ambos e me retirei com Sakura logo atrás de mim.

Não duraria muito até as fofocas correrem aquelas ruas devido aos empregados. Sairíamos daquela vila antes que a bomba estourasse.

Assim que chegamos a uma boa distância dos portões, Sakura olhou para trás, assim que teve a certeza que não estávamos sendo espionados, puxou-me pelo braço por entre as paredes de rochedos ao nosso lado esquerdo.

Ela não disse nada e eu não reclamei. Ela tinha alguma coisa em mente e não queria ser vista. Caminhamos entre as imensas paredes de pedra até a paisagem cinzenta abrir para uma grande clareira.

Eu não acreditava no que via. No meio daquelas rochas, de maneira isolada havia uma floresta, mas atrás de algumas árvores via-se uma grande casa de três andares de paredes brancas e majestosas no meio de uma campina rodeada pela floresta.

Ouvi um ranger baixo e olhei para a minha esquerda. Era um balanço movimentando-se embaixo de uma árvore na frente da casa.

Sakura me soltou e continuou a andar em direção à casa sem cerimônias, sem bater à porta, só então eu entendi que local era aquele.

– Essa é a casa que você morava? – perguntei seguindo-a enquanto ela abria a porta da mansão.

– Sim.

Arregalei um pouco os olhos ao ver a imensa casa por dentro. A sala dava visão para todos os andares. Um grande e luxuoso lustre de cristais pendurava-se no teto. Os móveis estavam cobertos por panos brancos, os filetes de luzes que adentravam pelas janelas iluminavam e mostravam as partículas de poeira suspensas no ar.

– Bela casa – murmurei – não sabia que existia lugares com vegetações como essas no meio desses rochedos.

– Meu ex marido a mandou construir assim que nos casamos. Eu não era muito acostumada à Iwagakure, então ele mandou construir essa casa para que eu não me sentisse tão distante de Konoha, de sua vegetação e clima – arregalei os olhos surpreso à sua declaração de super atenção do ex marido.

Ela subiu as escadas e eu a segui em direção ao terceiro andar.

Deixei que ela continuasse a subida sem mim. Parei no segundo, porque um som de caixa de som chamou a minha atenção. Caminhei lentamente em direção a uma porta branca entreaberta e adentrei o recinto.

O quarto era grande com as paredes rosas e uma cama de casal de dossel na parede esquerda com um criado-mudo em cada lado com um abajur. Uma janela estava aberta fazendo um carrossel de madeira mover-se sobre a escrivaninha do meu lado direito. Caminhei até as grandes janelas que davam para a floresta e a fechei. O carrossel parou.

– É o quarto da Mina – supus olhando ao redor.

Na frente da cama ficava o grande closet com as portas brancas de madeira abertas. Alguns brinquedos estavam no chão, mas de forma organizada. Olhei para a cama e vi uma pequena boneca de pano colocada com cuidado sobre ela. Sentei-me do lado direito da cama e peguei a bonequinha um pouco maior que a minha mão, sorri minimamente ao perceber que ela se parecia com a Mina, com cabelos rosas, olhos castanhos e um vestidinho vermelho.

Olhei para o criado mudo e vi uma foto de Sakura com seus aparentes 20 anos, não muito tempo depois que ela havia ido embora de Konoha.

Sakura não olhava para a câmera, mas para o pequeno bebê em seus braços, seus olhos brilhavam tão verdes, tão felizes encarando os olhos castanhos claros e curiosos de sua filha. Seu olhar dizia tudo. Que ela amava aquela menina de maneira intensa e incomum, que era capaz de qualquer coisa por ela. Ela estava feliz. Sakura estava feliz e sorria para a sua cria, o mesmo sorriso que ela esbanjava quando morava em konoha. Seus longos cabelos rosas voavam levemente com o vento enquanto ela estava em uma cadeira de balanço, a mesma cadeira que...

Levantei o olhar e vi a cadeira de madeira perto da janela. Aquela foto havia sido tirada ali.

Sobre o colo de Sakura estava uma pequena bonequinha. A mesma que eu segurava no presente.

Suspirei colocando a foto no lugar e abaixei o olhar para a bonequinha que sumia nas minhas mãos.

No fim, Sakura havia sido feliz, pensei.

Mas...

Se ela foi feliz, porque ela estava daquele jeito quando chegou em Konoha. Por mais que um kage esteja querendo a sua morte para ficar com a sua filha isso não faz uma pessoa ficar fria.

Quanto mais informações eu encontrava, mais perdido eu ficava.

Suspirei me levantando. Iria procurar a Sakura. Olhei para a bonequinha mais uma vez e resolvi leva-la comigo. Não sabia o porquê, mas sentia que tinha que leva-la, então escondi na minha bolsa enquanto saia do quarto.

Senti o chakra de Sakura no andar superior, subi até lá e entrei no imenso quarto de paredes brancas com janelas de parede inteira ao fundo. Uma grande cama de casal localizava-se na parede esquerda.

Foi inevitável pensar. Aquele era o quarto de Sakura e do seu marido e aquela cama...

Quantas vezes ela se entregou naquela cama?

– Sasuke? – chamou Sakura me olhando curiosa da porta do closet me tirando dos meus pensamentos. Desviei meu olhar da cama para a mulher de cabelos rosas que abraçava um grande livro de capa grossa de couro marrom.

– Hn.

– Algum problema? Você estava aéreo.

– Nenhum. Já pegou o que você queria pegar? – supus olhando para o livro.

– Sim, isso é importante e não havia encontrado na minha mudança. Uma caixa acabou ficando para trás – explicou.

Apenas assenti.

– Então acho que já podemos ir – falou caminhando-se para a porta, mas ao perceber que eu não a seguia, ela parou e me encarou.

– Tem uma coisa que está me incomodando e eu preciso que você responda sinceramente, Sakura – comentei olhando para a cama.

– E qual é? – perguntou incerta.

– Sobre o Tsuchikage – senti ela ficando tensa do meu lado esquerdo, mas não protestou – eu pensei sobre ele, avaliei as atitudes dele e sim eu provoquei, mas porque eu queria testá-lo – fixei meu olhar nas esmeraldas que sustentavam meu olhar antes de prosseguir – e cheguei a uma conclusão.

– E qual seria?

– Ele olha para você de uma maneira diferente, sonhadora, seus olhos brilham ao te ver e odeia sua proximidade com outro homem, ou melhor dizendo, sua proximidade comigo – aproximei-me a passos lentos de Sakura parando de frente a ela sem desviar meu olhar – ele é gentil com você, lhe dar flores e todo o cavalheirismo existente à você. No início pensei que era teatro, um homem tentando se safar de uma possível acusação de assassinato no futuro, mas hoje, ao ver o desespero dele ao entrar no meu quarto e nos ver juntos... Eu vi nos olhos dele o ódio puro direcionado a mim. Se ele pudesse, ele me mataria ali mesmo só pelo fato de eu tê-la tocado. Sakura, o Tsuchikage é apaixonado por você.

Minha declaração não a abalou. Ela apenas suspirou e voltou a me encarar antes de dizer:

– Eu sei.

– Agora me diga, como um homem que é apaixonado por você, quer matá-la?

– Porque ele não quer me matar – respondeu de costas para mim andando até um espelho a minha esquerda – ele quer que eu aceite o pedido – sussurrou.

– Que pedido? – perguntei aproximando-me de suas costas, olhando em seus olhos através do espelho. Ela suspirou e virou-se para mim antes de admitir.

– O pedido de casamento.

Estava em choque, não acreditava no que ouvia.

Sakura havia acabado de perder o marido a um pouco mais de uma semana e já tinha um pedido de casamento vindo de um kage?

– Ele sempre foi apaixonado por mim, desde quando eu o vi pela primeira vez no dia do meu casamento. Via em seus olhares, mas ele sempre me respeitou e não atentou contra o meu casamento, mas depois que o meu marido morreu...

– Ele fez o pedido – supus. Ela assentiu.

– E eu recusei.

– E ele não aceitou um não.

– Isso. Ocorreu no dia seguinte ao enterro do meu marido. Não via mais razão para ficar em Iwagakure e não queria que Mina fosse usada como a futura Capitã do Corpo Médico, ela é só uma criança, mas quando uma vila ver a oportunidade de conseguir um bom shinobi, ela vai e usa sem se importar. Então resolvi voltar para Konoha com a minha filha, comuniquei ao Kakashi no dia anterior que me enviou dois ANBU, mas o Hiroto mandou seus ANBUs me proibindo de partir. Quando fui tirar satisfações com ele na sua sala, ele me pediu em casamento. E-eu senti tanto nojo – falou gaguejando a última frase – eu havia acabado de me tornar viúva do homem que era o seu braço direito nessa vila e ele simplesmente me proibi de partir e diz para me casar com ele? – falou incrédula, parecia que Sakura estava desabafando para ela mesma e não para si – Mas eu disse não e falei que se ele tentasse me impedir eu derrubaria pedra por pedra a sua vila – falou com o olhar frio. A ameaça não tinha blefe – ele me deixou partir, mas ele deixou claro que um dia eu seria a sua esposa e se isso não acontecesse eu terminaria a sete palmos abaixo do chão com Mina voltando para Iwagakure. Desde aquele dia, enquanto eu estou fora de konoha ataques ocorrem. Assim como ocorreu quando eu fui para Konoha – assenti me lembrando que ela disse que havia sido atacada logo quando chegou em Konoha – e como aconteceu conosco na divisa dos países. Ele quer me vencer pelo cansaço. Pela possibilidade de tirar o que me é mais precioso. A minha filha.

Franzi o cenho ao ouvir tudo aquilo. Tinha mais uma dúvida que persistia na minha cabeça.

– Sakura, você e esse tal de Hiroto, já tiveram... – eu não conseguia nem pronunciar, mas aquela possibilidade martelava na minha cabeça insistentemente – um caso? – perguntei com a voz baixa quase inaudível, mas que Sakura escutou e arregalou os olhos se afastando nervosa de mim.

– Ficou louco Sasuke? – indagou de costas para mim, tentando não olhar para mim.

– Eu vi como ele olhava para você e como você reagia, ficando assustada com os toques e gestos dele. Eu preciso saber se vocês já tiveram algo além dessa paixão doentia e platônica dele por ti.

– Porque você quer saber esse tipo de coisa? – perguntou sentando-se na cama olhando para o chão – Isso não tem nada a ver com você.

– Porque tem um kage a poucos quilômetros daqui pensando que eu estou dormindo com a mulher que ele quer como esposa. Porque não sei se você percebeu, mas estou jurado de morte assim que ele nos pegou na cama. Então Sakura, se for para me meter nessa história eu quero saber os pormenores.

Ela me olhou por um tempo assimilando o que eu dizia até suspirar e olhar para o chão falando em um sussurro:

– Você promete não contar para ninguém?

– Hn.

– Promete? – me indagou mais convicta me olhando nos olhos.

– Prometo – resmunguei de mal humor.

Seu olhar vacilou e voltou a olhar para o chão.

– Uma noite – sussurrou.

Ela não precisava me dizer mais nada, eu havia entendido. Virei de costas tentando absorver a informação esfregando minhas mãos sobre meu rosto suspirando profundamente.

Uma noite. Uma noite. Uma noite.

Aquilo reverberava na minha mente e o pior de tudo era saber o seu significado.

Eles passaram uma noite juntos. Sakura havia se entregado àquele homem durante uma noite. Sakura e Hiroto haviam dormindo juntos. Sakura transou com Hiroto.

– Quando? – perguntei tentando controlar a minha raiva e meus pensamentos que latejavam com essa informação. Eu não queria que fosse verdade. Não com aquele homem. Mas o pior de tudo é que eu já desconfiava, aquilo foi só a confirmação.

– Vai fazer um mês.

Encarei Sakura que parecia humilhada e arrependida. Ela parecia ficar cada vez menor sentada naquela cama grande.

– Você estava casada – falei. Sakura havia traído o marido com o próprio primo dele, com o homem que era que nem o seu irmão.

Eu sentia uma mistura de nojo, repulsa, desagrado e decepção pela Sakura naquele momento. Mas vê-la se sentir tão humilhada atenuava minhas emoções e me faziam querer entendê-la.

– Eu não sou perfeita Sasuke. – admitiu em um sussurro – Eu errei, eu sei, e não me orgulho disso. Não tem um dia que eu não queira apagar aquela noite da minha memória. Desculpe-me Sasuke, mas eu fui fraca e... – continuou com uma voz mais baixa – eu sou humana.

– Tudo bem – falei, mais tentando me convencer do que consolá-la. Eu não era a perfeição em pessoa, tinha minhas falhas e meus erros. Não tinha o direito de julgá-la.

– Não conta isso para ninguém tá! Não quero que a memória dele também seja manchada – referiu-se ao marido e eu assenti.

Quando ela se levantou eu senti um frio na espinha. Havia dois chakras se aproximando da casa.

– Tem gente vindo para cá – segurei um braço de Sakura.

– Eu conheço esses chakras – sussurrou – são de subordinados do meu ex marido.

– Esconda o seu chakra – ela assentiu e senti seu chakra diminuir até ficar invisível. Aproximei-me da porta e vi dois ANBUs entrarem na casa com caixas de madeira – Seu marido tinha subordinados da ANBU? – sussurrei baixo.

– Ele era o Capitão da ANBU – admitiu.

Minha surpresa foi imediata. O cara ainda tinha o mesmo trabalho que o meu!?

O pior era pensar que Sakura havia traído o Capitão da ANBU com o Kage da vila.

Ela não podia se meter com gente com um nível de importância política menor, não?

– Alguns já estão posicionados, só faltam esses – falou um ANBU.

Ativei meu sharingan e rinnegan e fiquei incrédulo ao constatar explosivos dentro da caixa.

– Eles vão derrubar essa casa com tudo dentro – comentei minhas conclusões para a Sakura que me olhou chocada.

– É mais um aviso do Hiroto – falou.

– Precisamos sair daqui.

Ela assentiu e me puxou para o closet.

– Aonde você está me levando, Sakura?

– Existe uma saída subterrânea, vamos por ela.

Assenti e deixei que ela me guiasse. Ela segurou minha mão direita com a sua esquerda, enquanto que com o outro braço segurava o grande livro.

Descemos vários lances de escadas através de uma passagem secreta. Quando chegamos ao subsolo ouvimos a primeira explosão. Olhamos para o teto acima de nós e fissuras apareceram com poeira caindo delas.

Aquele teto não aguentaria muito tempo. Em pouco tempo estaríamos soterrados.

– Sakura, não tem saída – disse olhando para a sala três por três com uma lâmpada incandescente acessa balançando no teto.

– Vou te mostrar como é uma casa de shinobis de verdade – falou com um sorriso irônico.

Puxou-me até a parede ao fundo.

– Segura para mim, por favor – pediu estendendo o livro para mim que peguei sem relutância com a minha mão livre.

Com a mão direita, Sakura empurrou um tijolo fazendo uma porta se abrir na parede dando para outra passagem secreta.

Outra explosão foi ouvida sobre nós e mais poeira e fissuras surgiram sobre nós.

– Vamos, temos que correr – falou correndo me puxando.

A medida que atravessávamos a nova sala secreta, as luzes com seus sensores iam se acendendo.

Eu não acreditava no que via. Aquilo era um laboratório para pesquisas medicinais. Outra explosão. Passamos por uma porta que dava passagem a uma estufa no subsolo com vários tipos de ervas raras.

– Você tem uma estufa debaixo da tua casa e um laboratório.

– Tinha muito tempo livre. Acabei dedicando esse tempo para estudar ervas e como o solo aqui é ruim para o plantio, acabei criando uma estufa com o clima e solo adequado – explicou-me rapidamente.

“– [...] virou dona de casa...”, a voz de Kakashi se fez presente na minha cabeça.

– Que tipo de dona de casa você é?

– O tipo eu! – falou sorrindo me olhando por cima do ombro. Eu sorri de volta.

Outras explosões se sucederam sobre nós enquanto atravessávamos outra porta que dava para uma sala de treinamentos com armamentos na parede.

– Isso já era do meu marido – comentou correndo atravessando o salão retangular.

BUM!

O teto começou a desmoronar atrás da gente se aproximando com uma velocidade impressionante.

– CORRE SASUKE! – gritou Sakura me puxando com mais força em direção a uma porta dupla que ela abriu jogando seu peso sobre ela em uma medida de desespero.

O teto desmoronava cada vez mais, aproximando o rastro de concreto e poeira das nossas costas, enquanto que o teto sobre nós era perfurado e cortado por profundas fissuras que se alastravam desordenadamente.

O corredor era estreito e via-se uma porta.

– Ali é a saída! – gritou.

Com o meu sharingan eu vi dentro da parede ao lado da porta um contador.

– EXPLOSIVO! – gritei puxando Sakura com brutalidade de encontro ao meu corpo.

5... 4... 3... 2... 1... BUM!

A porta explodiu. Fissuras viam tanto de onde estávamos indo, quanto de onde viemos. O desmoronamento era inevitável e se aproximava dos dois lados. Estávamos cercados.

Olhei para o teto que caia sobre mim antes de me debruçar sobre a Sakura que estava de joelhos no chão. Esperando o impacto...

***

A respiração de Sakura era forte devido ao ar privado e roçava meu pescoço.

Tudo era escuro, mas eu conseguia sentir as mãos de Sakura agarrando-se a minha camisa, enquanto eu contornava seu corpo com meus braços aproximando nos corpos sem soltar o livro.

– Eles sabiam que nós estávamos aqui em baixo – murmurou – sabiam que eu iria levá-lo a essa saída. Só a família Yoshito sabia da existência desse subterrâneo – arfou mais uma vez tentando conseguir ar – Foi ele! – apertou mais a minha camisa pressionando o seu rosto ainda mais contra o meu corpo – Aquele desgraçado resolveu derrubar uma casa sobre a minha cabeça para que eu aceitasse o pedido de casamento dele. Droga! Como eu odeio ele! – apoiei meu queixo sobre a sua cabeça e afaguei seu cabelo e suas costas com as minhas mãos tentando acalmá-la.

Como ainda estávamos vivos?

Bom, depois de Sakura reclamar que eu não deveria ter me jogado na frente das senbons, que um Susano’o incompleto resolveria. Aquilo acabou ficando na minha cabeça e aqui estamos nós, soterrados mas vivos, encobertos por um Susaso’o incompleto esperando que os shinobis da pedra se afastem para que possamos sair sem sermos vistos.

– Eles já foram – falei ao ver o chakra deles sumindo entre os rochedos.

Sakura assentiu.

Fiz o braço esquelético do Susano’o abrir nosso caminho para o solo. Aos poucos o concreto foi posto para o lado e frestas de luz do sol apareceram acertando o nosso rosto.

Com a Sakura no colo pulei para fora do buraco. Assim que estávamos fora observamos a cena de destruição.

A porta pela qual sairíamos era dentro da floresta do lado oposto da qual havíamos entrado.

Uma linha retangular de escombros, que antigamente era o corredor no subsolo, formava a partir dos nossos pés em direção à clareira.

A bela casa de três andares agora não era nada além de uma montanha de concreto, ferro e poeira.

Sakura encarava horrorizada a cena. A única coisa intacta era o balanço de Mina e sobre ele havia algo. Sakura saiu correndo em direção a ele e eu a segui.

Sobre o banco do balanço tinha um bilhete e uma rosa vermelha.

Rosa vermelha, pensei. Só poderia ser do Tsuchikage.

Sakura cobriu a boca ao ler o bilhete e estendeu-o para mim virando-se de costas afastando-se.

No bilhete estava escrito:

“Veremos quem vai derrubar pedra por pedra a vida do outro,

Yoshito Hiroto”

Olhei para a destruição a minha frente e suspirei. Ele derrubaria a Sakura pedra por pedra até ela aceitar.

– Belo pedido de casamento, Sakura – ironizei amassando a folha até formar uma bolinha jogando em direção aos escombros da antiga casa. Enquanto a folha caia, a queimei com o Amaterasu – Só que você esqueceu que agora está mexendo com fogo e não com pedra – falei sádico virando-me de costas enquanto ouvia o ranger do balanço de Mina...

Continua...

Notas finais
MEREÇO REVIEWS??? Eita gente, novas revelações! Sakyzinha traindo o marido, um kage psicótico apaixonado, Sasuke jurado de morte. Aliás, ele ficou bem sádico no final, dizendo que o cara está mexendo com fogo agora. Aliás Sasuke e Sakura sendo pegos rolando na cama pelo Hiroto kkkkkk rir muito escrevendo essa cena imaginando-a ;P É isso gente! Espero que tenham gostado! Aliás, acho que é bem possível que o próximo capítulo saia no DOMINGO e não no sábado, já que no sábado, eu tenho compromisso! Beijos gente =* até a próxima!