A Filha da Magia
19 Puro-osso?!
Notas iniciais
Puro-Osso?!
P.O.V. Maria
Escuridão. É a única coisa que vejo.
Sei que estou de olhos fechados, mas não quero abri-los. Não quero encarar a claridade que está batendo no meu rosto. Posso sentir que estou em cima de algo macio. Aperto o tecido grosso e depois passo a mão em algo que está debaixo da minha cabeça. Uma cama. A minha cama.
Abro os olhos devagarzinho. Primeiro o direito, depois o esquerdo. Quando eles estão totalmente abertos, dou de cara com um par de olhos negros. Eu conheço esses olhos. São dele.
– O...-respiro fundo- o que diabos você faz no meu chalé, di Angelo?- falo quase num sussurro com a voz rouca. Ele pula de susto e vejo que não está sozinho. Lou, Johnny, Percy, Annabeth, Brenda e Thaís.
– Maria!- exclama o filho de Hades e eu me lembro da pergunta que eu havia feito
– Então?- eu disse, me sentando. Ele me olha confuso- O que você está fazendo aqui?
– Hã...-ele me olha envergonhado, eu sei que fui grossa, mas ainda estou irritada com ele- É, bem, você...
– Deixa que eu explico, ô Puro-Osso- disse Thaís, empurrando ele, que ficou mais vermelho ainda, fazendo todos rirem
– Puro-Osso?- perguntei sorrindo
– É, o cara é mais magro que um palito de dente- disse ela dando de ombros. Ri. Ele estava ainda mais vermelho
– Tá...- disse, tentando me sentar de novo, já que a tentativa anterior falhou. Quando finalmente consegui, me senti tonta e quase caí da cama. Todos me seguraram e obvio, para me ajudar, Nico segurou justo na minha cintura. Fiquei vermelha. Me sentei e Lou me trouxe uma água com uns negócios azuis boiando. Olhei para ela
– Beba- foi a única coisa que disse. E eu fiz o que mandou. O líquido tinha gosto de suco de blueberry. Todos me olhavam atentamente e eu me senti desconfortável.
– O que foi?- perguntei irritada
– Hã...é, precisamos conversar- disse Lou- À sós!- ordenou ela e todos a olharam. Percy, Annabeth, Thaís, Brenda e Johnny se despediram de mim. Apenas eu, Lou e Nico ficamos no chalé.
Nico olhou para mim de modo envergonhado e eu virei a cara. No mesmo instante me senti culpada. Por que eu estava com raiva dele? Por que ele me beijou ou foi por que eu...hã, eu...? Ah, isso é ridículo! Quando virei de novo, ele já tinha ido embora. Só eu e Lou.
– O que aconteceu?- perguntei- Eu quero saber a verdade!- exigi. Ela apenas olhou para o meu e vi que tinha algo em cima. Estava coberto com um pano, mas percebi que era preto e brilhava com o sol. Me levantei da cama, cambaleante e fui em direção ao objeto. Tirei o pano de cima de modo cauteloso e aí vi. Eu me lembrava dela. Queria ela desde o início, mas aquela história me assustou. Quando a peguei, ela “soltou” o mesmo brilho prateado de quando a segurei pela primeira vez.
– Tenebris- sussurrei. Fiquei tanto tempo admirando a espada que nem percebi que Lou se encontrava do meu lado
– É linda, não?- disse ela. Assenti com a cabeça. Mas aí percebi o tom de amargura em sua voz
– O que houve? Não gosta da espada?- ela pigarreou
– Hum...Bem ela tem uma história um tanto triste
– Sim, me contaram
– Hum, bem, me conte o que entendeu- disse ela como uma professora
– Uh, okay. Bem, pelo que me contaram, essa espada pertenceu a um semideus que vivia no acampamento e então esse semideus fugiu por algum motivo e depois morreu- quando terminei, estremeci. Essa história era horrível
– É...... Quando isso aconteceu?- ela perguntou sem demonstrar expressão, mas fiquei curiosa para saber o motivo de tanto interesse se ela parecia já conhecer a história
– Hã...- tentei lembrar do que Brenda me dissera no dia que nos conhecemos- Uns três anos, acho
– Três anos...- ela pareceu meditar- Apesar da história não estar completa, ela não lhe parece familiar?
– Hum, deveria?
– Bem, uma vez você me perguntou sobre o ex-dono dessa espada
– É?- perguntei tentando me lembrar. Eu sou só um pouquinho lerda
– É, você é meio lerda mesmo- disse ela dando um sorrisinho
– Ei!
– Maria, essa espada faz parte de uma lenda antiga
– Ah é? Qual? Hércules? Aquiles?- perguntei animada, adorava lendas
– Uma lenda pertencente aos filhos de Hécate
– Oh! E o que ela diz?
– Dizem que há muito tempo atrás, Hécate se juntou a uma das Keres, Akhlys e Hefesto, deus dos ferreiros.
“As Parcas previram que Hécate um dia teria uma filha ou filho que se tornaria o mais poderoso de todos, ultrapassando até mesmo Circe. Mas com grandes poderes, há grandes responsabilidades (N/A: frase by Tio Ben, Homem-Aranha) e também foi previsto que essa filha ou filho se perderia numa antiga lenda que seria revivida. Se essa criança acreditasse na lenda, seu poder se transformaria em algo muito maior e pior”
“Porém, se essa criança fosse forte o bastante para resistir à curiosidade, que é o defeito fatal dos filhos de Hécate, ela derrotaria a lenda revivida. Portanto, para que essa criança fosse ao encontro do seu destino, Hécate contatou com Hefesto e Akhlys e pediu ajuda para criar a espada que indicaria o poder. Feita de ferro estígio e impregnada com a Névoa da Morte e magia, então a espada foi mandada para o mundo mortal em busca de seu verdadeiro dono”
Olhei para ela. Ela estava falando de Tenebris!
– Mas Tenebris não é a minha espada!- exclamei
– Como não?! Maria, você a chamou e ela a atendeu! Nem mesmo seu antigo dono conseguia fazer isso!- eu parei
– Que antigo dono?- perguntei me lembrando da conversa anterior a história- Lou, quem era o antigo dono da espada?
– Essa espada passou por todos os filhos de Hécate, mas apenas dois conseguiram ter o mínimo de controle sobre ela- ela olhou para mim
– Eu? Eu sou uma dessas duas pessoas?- ela apenas assentiu- Quem foi a outra?
– O outro- ela me corrigiu- o nome dele era...é Robert- paralisei
– Espera...Robert?
– Sim, lembra que eu lhe disse que ele fugiu há uns três anos atrás. Ele, antes de fugir, usava Tenebris como sua espada
– Robert? Então...ele é o filho de Hécate mais poderoso de todos os tempos?
– Ele era- ela me olhava fixamente e eu finalmente entendi
– Eu? Lou isso só pode estar errado! Não sou poderosa! Não consigo nem fazer um feitiço simples! Quanto mais fazer o que Robert faz! Eu...
– Você já fez- disse ela, séria
– Como assim?
– Na luta contra a filha de Afrodite- ela começou a narrar à luta toda e quando ela acabou, eu me senti...bem, eu me senti um monstro
– Eu fiz Drew ir para a enfermaria? Eu a fiz chorar?- ela assentiu- Meu Deus! O que eu fiz?!
– Você controlou a Névoa
– Hã?
– A Névoa! Lembra do que Annabeth te explicou? Sobre aquele véu mágico?
– Lembro
– Você usou esse véu mágico por benefício próprio! Você a fez ter pesadelos acordada!
– O que?
– Me escuta, sei que é confuso! Todos os filhos de Hécate conseguem controlar o mínimo de névoa, mas para que os mortais ou semideuses não vejam algo que os possa fazer mal e tals, mas você...Você pode usar isso para mexer com os próprios medos da pessoa
– Isso é horrível!
– É, de certo ponto de vista sim! Mas isso só é um pequeno passo para algo maior!
– Maior?- olhei com as duas sobrancelhas levantadas (não consigo levantar as duas)
– Maria, se você conseguir controlar esse seu poder hoje, você, pela lenda, conseguirá controlar a Névoa da Morte amanhã! Você se tornará a verdadeira Filha da Magia!
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