A Filha da Magia
8 Primeira pegadinha
Notas iniciais
Primeira pegadinha
–Pois bem, pequena, qual a sua relação com pegadinhas?- perguntou Travis, como um detetive
– Bem, eu sempre pregava peças nas minhas amigas quando elas iam à minha casa! E nos meus primos, nos meus tios e nos meus... hã, nos meus pais- respondi
– Hum, entendo, entendo- disse Connor, passando a mão no queixo- Tá legal, acho que ela entende do assunto, Travis
– É, parece que sim, pois bem, vou explicar o plano- disse Travis.
Estávamos sentados na grama e Travis começou a me explicar o plano de ação da pegadinha. Quando eles terminaram de me explicar o plano, seguimos em direção ao chalé 28, o chalé de Eros. Paramos a poucos metros do chalé e eles me repassaram o plano, e depois botamos em ação. Parei em frente à porta do chalé e bati de forma suave. Arrumei o meu cabelo o máximo possível e fingi cara de choro. Depois de três segundos um menino louro de olhos azuis abriu a porta, parecia ter uns dezesseis anos e fiquei meio abobada por causa da beleza do menino, mas me lembrei do eu tinha que fazer.
– Olá- disse o menino de forma alegre- O que a senhorita deseja?
Olhei para atrás do menino e vi que o chalé estava vazio, do jeito que os dois disseram.
– Bem...- comecei a chorar- sabe *soluço* eu tinha um namorado e *soluço* e agora que eu descobri que sou uma semi...*soluço de novo* deusa... não sei se ele vai me amar mais- continuei a chorar de mentira e ele acreditou, ele me conduziu a um banco de mármore branco a uns metros do chalé.
– Por isso....*mais soluços* eu achei que você podia me ajudar..- “Ah, mas eu ia matar aqueles Stolls!” Eu odeio fazer papel de menininha indefesa, mas pelo menos o plano estava dando certo. Olhei por cima do ombro do menino e vi que aqueles dois já haviam entrado. Isso!
– Olhe- o menino falou- se ele realmente te amar, ele não vai se importar se você é uma semideusa.
– Mas e seu eu voltar para ele e descobrir que ele me traiu?- disse com voz chorosa
– É para isso que eu, Zac, estou aqui!- disse orgulhoso- Afinal eu sou filho de Eros!- depois disso, Zac me abraçou e eu fiquei paralisada. Não sou muito de abraços. Depois do choque, olhei por cima do ombro de Zac e vi Connor dando o sinal com as mãos todas laranjas.
– Hã...Obrigada Zac, foi muita gentileza sua!
– Oh, de nada gatinha, qualquer coisa me da um toque!- disse fazendo um telefonezinho com a mão
– Claro, obrigada- disse saindo correndo, indo em direção ao Lago
Encontrei os Stolls na beira do Lago, gargalhando.
– Hey, do que vocês estão rindo?- perguntei
– Da sua atuação, é obvio!- Connor
– Foi hilário ver você fazendo papel de menininha!- Travis
– Vocês não explicaram essa parte para mim direito, então eu improvisei!
– Foi um ótimo improviso!- Travis
– Tá, chega de falar sobre isso! Agora quando o pessoal do chalé vai voltar do arco e flecha e descobrir a pegadinha?- perguntei
Mal terminei a pergunta e ouvi, de lá de longe, gritos femininos.
– STOLLS!!!!!!!
– Taí sua resposta- disse Connor- Bem, pequena, temos que correr porque senão estamos ferrados! Então até o jantar!
– Isso mesmo! Até lá pequena!- disse Travis, correndo atrás de Connor
– Ok, até lá- gritei
Me levantei e percebi que não havia muito que eu fazer, então pensei e pensei e decidi. Fui correndo em direção a área dos chalés, me escondendo toda vez que uma filha de Eros passava toda manchada de verde e laranja. Parei em frente a um chalé todo vinho, com parreiras desenhadas nas paredes, bati na porta de modo suave. Um menino baixinho que parecia ter uns onze anos atendeu. Era moreno com cabelos encaracolados e intensos olhos púrpura.
– Oi- disse o menino- sou Lucas e você?
– Oi, é, meu nome é Maria e eu quer...- o menino me interrompeu- Você quer falar com a Thaís, né?
– Hã, sim. Ela está?
– Entre e verá!- respondeu, me assustei com a resposta
– Ok- disse entrando no chalé. Com meia dúzia de beliches, uns sofás roxos e uma máquina de Diet Coke o chalé era bem legal. Olhei para o beliche do meio e lá estava Thaís, com o tornozelo enfaixado. Quando a vi, pulei em cima dela.
– Thaísssss- disse quase chorando
– Maria? O que? Você saiu da enfermaria?
– Como você sabe que eu estava na enfermaria?- perguntei
– Annabeth
– Oh, entendo. E como você está? Não sabe como eu senti sua falta!
– Também senti sua falta! E eu estou bem, mas eu é que pergunto!
– Como assim?
– Duas empousai te atacaram e você lutou, mesmo não tendo nenhum treinamento!
– Oh, bem eu não lutei, eu desmaiei. Um menino me salvou
– Que menino?
– Nico di Angelo. Quando nos conhecemos...- ela me interrompeu- O filho de Hades? Nico di Angelo, o único filho de Hades te salvou?- perguntou surpresa
– Hã, filho de Hades? Ele não me falou que era filho de Hades- comentei, pensativa e ela me interrompeu- Você o conheceu? Conversou com ele?
– Sim, e daí?
– Nada, é que ele é bem fechado...
– Hum, entendo- nunca fui muito de ter amigos, então sei como é se sentir sozinha- Mas, hã, estou bem como pode ver!
– Sim, sim!- de repente a expressão dela se entristeceu- Você já soube da Bea?
– Sim- respondi triste
– Eu devia ter pulado na frente dela quando ela partiu para cima dele! Eu devi ter impedido ela! É minha culpa ela estar assim!- disse chorando
– Calma, Thaís- tentei acalmá-la, mas também estava chorando- Não foi sua culpa! Ela vai acordar!
– Eu sei!- disse limpando as lágrimas- Mas como está sendo seu primeiro dia no CHB?
Ficamos conversando por, mais ou menos, meia hora e depois eu saí do chalé 12, indo em direção ao meu chalé. Quando cheguei lá, os Stolls estavam com corações pintados nos rostos e flechas nos bumbuns. Tomaram um banho e quando todos os filhos de Hermes e indeterminados chegaram, eles arrumaram a fila e seguimos em direção ao pavilhão do refeitório para jantar. Uma menina, filha de Hermes, Cat, me explicou sobre as oferendas e tudo mais.
– Jogamos nossas comidas ao fogo como preces aos deuses- disse Cat, olhei para ela incrédula- Venha, é a nossa vez!
Fomos em direção ao centro do pavilhão e jogamos parte de nossa comida nas brasas, que ao contrario do que eu pensava, cheirava a brownies e sorvete. Depois, voltamos a nossa mesa e eu observei as outras e percebi um menino de cabelos escuros e casaco aviador sentado sozinho em uma mesa, comendo um hamburger. “Nico di Angelo, o único filho de Hades”. As palavras de Thaís ecoavam em minha mente, mas fui tirada de meus devaneios por uma palhaçada que os Stolls fizeram envolvendo batata frita e muito ketchup.
Ao final do jantar, todos seguiram em direção a área comum dos chalés, onde uma enorme fogueira queimava. Sentamos em volta e começamos a cantar animadamente. Percebi que as brasas da fogueira ficavam mais quentes e maiores quanto mais animados ficávamos. Que irado!!! Todos estavam felizes, quando um frio repentino chegou, os filhos de Apolo pararam de cantar e resto do pessoal parecia ter ficado assustado, Quíron ficou em alerta. Quando, de repente uma névoa meio esverdeada sai da floresta e começou a nos circundar. Os filhos de Ares prepararam as espadas e os de Nêmesis as lanças. Os únicos que não pareciam assustados eram os filhos daquela deusa estúpida que queria me matar vulgo Hécate e o di Angelo. De repente notei que a névoa verde me envolvia e que todos olhavam para mim. Senti uma mão em meu ombro e todos se curvaram, até mesmo Quíron. Dioniso chegou com uma camiseta de golfinhos roxos florescentes.
– Argh! Essa carrapatinha só podia ser sua filha mesmo, não é, Hécate?
Me arrepiei inteira. Hécate?
– É um prazer revê-lo, Dioniso- disse assim Hécate, “a deusa estúpida que queria me matar” vulgo minha mãe.
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