A Filha da Magia
29 Mais semideuses
Notas iniciais
Mais semideuses
Eu não sabia o que responder. Uma semideusa do CHB no meio de Connecticutt.
– Qual é seu nome?- perguntou Mariah
– Hã... Ah, sim! Maria, Maria Alice- ela ficou me analisando fixamente, o que me deixou constrangida
– Melinoe, talvez? Ou talvez Hades... não, com certeza não! Então seria...- demorei um certo tempo pra descobrir que ela estava falando do meu parente olimpiano
–Hécate. Minha mãe é Hécate- ela semicerrou os olhos
– É, faz mais sentido- se voltou para Jake e Thaís- E vocês? O que estão fazendo aqui?
– O mesmo que você- respondeu Jake
– Hum, ok. Venham comigo, parecem com fome- disse Mariah, adentrando ainda mais na “floresta”
Enquanto ela, Thaís e Jake iam mais a frente conversando, fiquei tentando lembrar de quem era o chalé 6...
– Filhos de Atena! Humpf!- ouvi Nico resmungar
– É mesmo! Irmã de Annabeth!
– Ainda não gravou todos os chalés?- perguntou ele com um sorriso brincalhão no rosto
– Não- dei um sorriso- mas o que você tem contra filhos de Atena?- ele me olhou confuso- Ouvi você resmungar
– Ah...é, bem... é uma longa história...- fiquei encarando-o
– Tem algo a ver com Annabeth, não é?- ele começou a ficar muito, muito vermelho
– Hã, é... bem, é que...
– Deixa quieto! Depois eu descubro!- eu brinquei, deixando-o mais vermelho, me fazendo rir
Desde que eu e o di Angelo nos tornamos amigos, ele não me contara quase nada da vida dele, apenas que teve uma irmã e que sua mãe se chamava Maria di Angelo, o que explica a surpresa quando nos conhecemos.
Continuamos a andar, conversando um pouco, mas bem baixo. Mas, de repente, Mariah parou de súbito em frente a uma pedra imensa.
– Olha, é melhor vocês ficarem aqui... só por enquanto- ela estava mais pálida e mexia as mãos freneticamente
– Ok, Rigaud, mas não demore- disse Thaís, se sentando no chão.
Ficamos esperando lá por meia hora, acho. Nos primeiros quinze minutos não ligamos, mas depois...
– Puta que pariu! Eu vou entrar lá!- disse Thaís já super irritada- Caralho, ela disse que voltava em cinco minutos!
– Na verdade ela não disse nada...
– Fica quieta bruxinha! Eu vou entrar lá!
– Se acalma criatura!
– Criatura o Hades! Eu vou entrar lá!- ela já estava quase “dentro” da pedra
– Socooorooo!!!- Nico veio me ajudar a segurá-la e Jake tentou impedi-la, mas acabamos todos entrando no esconderijo.
–-----------------------------------------------------------------
A pedra separava o mundo de uma clareira maravilhosa. Pássaros cantando, borboletas e uma pequena fonte d’água ao fundo, mas as pessoas que estavam lá dentro não pareciam tão felizes.
Mariah, que estava ajoelhada no chão, tinha os olhos inchados e surpresos, assim como a garota ruiva que segurava o machado. Ela estava ao lado de ou garota, que parecia mais velha, uns 16 anos, que apontava uma espada para Jake. Espichei o pescoço e vi que Mariah estava ajoelhada ao lado de uma menina loira que não parecia nada bem.
– Mas o que...?- fui indo em direção à loira
– Não se aproxime!- vociferou a ruiva
– Katherine?- perguntou Jake, indo em direção a morena
– Nem pense em se aproximar, Jake!- disse ela
– Mas...- ele nem terminou a frase.
A loira começou a tossir seco e depois cuspiu sangue. Nem eu nem Thaís nos importamos com um machado ou uma espada, nos ajoelhamos do lado da loira e vimos seu estado.
A perna direita dela tinha furos, mais parecidos com mordidas, por toda a sua extensão. Também tinha várias feridas nos braços soltando pus e estava bem pálida.
– O que aconteceu com ela?- perguntou Thaís se dirigindo a Mariah, que não teve tempo de responder
– Basiliscos árabes- Jake respondeu e percebi seus olhos lacrimejarem
– Basiliscos árabes?- me voltei para Mariah
– É, quando a Guerra de Troia chegou ao fim, vários basiliscos foram deixados nas regiões árabes e consequentemente, eles cruzaram com outra espécie local, criando uma nova, mais venenosa – assenti
– Mas como uma criatura gigantesca picou ela sem matá-la?- perguntou Thaís
– Do que você está falando? Basilisco significa “pequena coroa” e não gigante. Todos os basiliscos têm, mais ou menos, o tamanho de uma naja e não de um dragão como antigamente
– Mas os gigantes...?
– Foram extintos
– Hum, entendi...- Thaís respondeu
– Mas como isso aconteceu?- perguntei e Mariah olhou para as outras duas em pé
– Bem, estávamos em missão eu, Rigaud e Clary- disse Katherine apontando para a ruiva- Tínhamos a tarefa de procurar uma semideusa descrita como filha de Apolo. Ela morava no Canadá e...- olhei para Nico
– Filha de Apolo? Por acaso o nome dela não seria Nina Lacrowff?- Clary olhou para mim
– Como você sabe? Por acaso foi você que a sequestrou?
– Sequestrá-la? Não! Ela não foi sequestrada. Também estamos em missão e encontramos ela enquanto íamos para New Haven- ela me analisou
– Onde ela está então?
– No acampamento
– Como assim no acampamento?- Katherine me perguntou, furiosa
– Quando a encontramos, mandamos uma mensagem de Íris para Quíron e pagamos uma passagem de trem para NY para depois Argos levá-la para o CHB- Katherine me olhou, bufou e se sentou. Olhei para Clary que golpeava com raiva uma árvore com o machado.
– Bem... obrigada, né
– De nada- eu disse- Mas como isso aconteceu?- apontei para a loira- Katherine me observou
– Fomos até a parte do Canadá mais perto da fronteira e quando vimos que a menina não estava lá, decidimos procurar aqui pelo país mesmo- ela deu de ombros- Acabamos encontrando Lorrayne em Vancouver...
– Espera! Lorrayne? Lorrayne Miller? A filha de Deméter?- Katherine assentiu- Mas ela saiu do CHB?
– Nossa, tá bem desatualizado, hein maninho?!- Jake lhe mostrou a língua
– Maninho?- perguntei
– Prazer, Katherine Santiago, filha de Ares
– Prazer, mas pode continuar?
– Tá.Ela queria ajudar na missão, aceitamos e fomos voltar para o acampamento. Acabamos parando numa cidadezinha em Massachusetts, acho que era Salém e...
– Salém?!
– É, sei que é sua cidade natal, mas não precisa tanto...
– Não é isso! Temos que chegar lá menos de dez dias...
– Bem, lá sentimos uma presença forte de magia negra, mas acabamos dormindo num hotel. Acordamos de manhã e vimos vários basiliscos árabes em cima dela. Desde então desistimos da missão e iríamos para o CHB, mas ela estava muito pior e paramos aqui- observei a clareira e puxei Thaís para o lado.
– O que foi?
– Temos que ajudá-los!
– Isso eu já sei Maria! Mas como?- me voltei para Katherine
– Faz quanto que estão em missão?
– Seis semanas- uma semana antes de Nina sair do Canadá
– Vocês não devem ter mais ambrosia, né? – perguntei, temendo a resposta
– Se o que você quer saber é se temos ambrosia o suficiente para cuidar de Lorry, a resposta é: não, não temos- ela me olhou com pesar e sem pensar em nada, tirei minha mochila das costas e comecei a tirar tudo de lá. Dracmas, dólares, casaco, livro de feitiços básicos, alguns frascos cheios de líquidos estranhos e borbulhantes, o cristal...
Observei cuidadosamente o cristal, mas continuava sem me lembrar para que servia. Deixei de lado e por fim, achei a caixinha com ambrosia. Peguei um pilão (N/A: para quem não sabe, pilão é aquele negócio que se usava antigamente para amassar alho), joguei alguns cubinhos da comida dos deuses e procurei pelo frasquinho de líquido amarelado que Lou me dera e me lembrei da advertência que dissera:
“Isso ameniza os sintomas qualquer veneno. Ameniza, mas não cura!”
Juntei tudo e amassei até ficar um líquido parecendo Guaraná e joguei numa garrafa.
– Dê isso para Lorrayane!- estendi a garrafa para Mariah
– O que você está dando para ela? É veneno?- perguntou Clary
– Não, é para amenizar os sintomas. Ameniza, mas não cura. Dura 24 horas- Mariah me olhou com seus olhos inchados, pegou a garrafa da minha mão e derramou na boca de Lorrayne.
1, 2, 3, 4, 5 segundos sem reação alguma, então ela abriu os incríveis olhos verdes. Olhou para mim e depois para Mariah, sorriu e desmaiou. As feridas de seus braços e pernas haviam cicatrizado e ela estava mais corada.
– Funcionou- sussurrou Mariah com um sorriso no rosto
Decidimos ficar de guarda ao lado de Lorry para ver se ela tinha alguma outra melhora. Eu fiquei com o turno das 7:00 as 8:00 junto com Clary.
– Hã... olha, desculpa pela grosseria de mais cedo, Lorry era muito minha amiga e...
– Tudo bem, eu teria feito o mesmo- ela sorriu
– Bem, acho que devo me apresentar melhor. Prazer, Clary Morgan, 15 anos, Nêmesis
– Uma filha de Nêmesis? Nossa, nunca tive uma conversa tão longa com uma filha de nêmesis!
– E você?
– Hécate
– Ah, Hogwarts
– É- rimos juntas e Thaís chegou com um cacho de uvas na mão
– Como você arranja tantos cachos de uvas?- perguntei
– Sou filha de meu pai, oras. Esperava o que?
– Sinceramente, ver você mais bêbada do que já é- e rimos mais.
–-----------------------------------------------------------------
Jake, Katherine e Nico ficaram preparando a comida. Quando chegamos para o jantar, fiquei tonta.
– Galinha? Você cozinha Jake?
– O que? Você, alguma vez, duvidou de meus dotes culinários?- todos rimos
Perguntei como elas chegaram lá e Katherine explicou tudo desde o inicio.
– E então estamos sozinhas. Sem dracmas para mensagens de Íris, sem néctar e ambrosia suficiente e pouco mais de quinze dólares que usamos no mercadinho da estrada a uns 7 km daqui
– Mas e esse lugar?-perguntou Thaís
– Quando chegamos aqui, não tinha nada. Na manhã seguinte estava assim. Descobrimos que Lorrayne deu vida a esse lugar. Árvores, flores, galinhas, tudo- olhei para minha coxa de galinha caipira, eu estava comendo as custas de alguém que poderia morrer em 24 horas.
De repente perdi a fome.
– O que você está fazendo, baixinha?- perguntou Jake, enquanto eu o puxava para um lugar mais afastados
– Preciso conversar com você
– Sobre?- fiquei frente a frente com ele
– Phobos, você e seu medo de cobras- ele arregalou os olhos
– Eu não tenho medo de cobras, não tenho medo de nada
– Sei e eu não tenho medo de palhaços...
– Pera, você tem medo de palhaços?- disse ele rindo
– Assim como você de cobras- ele me olhou sério
– Como vocês...?
– Ouvi Phobos falando e quero saber o que aconteceu
– Aff! Tudo bem, sente-se- obedeci- Eu nasci no Tennessee mesmo, numa cidadezinha de interior chamada Crawly Corns. Eu vivia com minha tia, por que minha mãe morrera no parto
– Sinto muito
– Todos sentem... Eu era um garotinho franzino, fraco q o pior...loirinho
– Você loirinho? Essa eu pagaria para ver! Mas Tennessee? Você disse para mim que tinha nascido em Miami
– É, tudo para não ter que contar nada do que aconteceu. Bem, todos os garotos da escola implicavam comigo e um dia uma cara apareceu. Descolado, de óculos escuros e uma moto foda, ele veio falar comigo, de todos os meninos, ele me escolheu. Nos tornamos amigos e ele me ensinou a lutar e ser mais forte. Quando minha tia descobriu, ficou furiosa e me proibiu de vê-lo, mas eu sempre fugia pela janela como qualquer menino.
– Você quer dizer como qualquer filho de Ares, né?
– É, pode ser. Ele continuou a me visitar todos os dias, até que ele parou de aparecer. Durante dois messes eu fiquei indo ao nosso local de encontro, mas nada. Até que um dia ele voltou, só que furioso e me contou tudo, tudo. Eu levei na boa, sabia que tinha algo diferente. Mas então ele se afastou de mim e disse que eu não era filho de Ares, que eu era um fracote, bobo e outras coisas e então... 12 basiliscos de fogo saíram da terra e ficaram me rodeando. Ele sabia do meu medo de cobras. Eu deixei ele lá e saí correndo para a casa da minha tia, contei tudo para ela e fomos para NY, mas os basiliscos nos seguiram dia e noite, até chagarmos no acampamento e... minha tia
– Ela...?
– Hã- ele me olhou confuso- Ah, não, não. Graças a Deus- um trovão explodiu no céus- Zeus
– E desde então eu estou no CHB- olhei para o cabelo castanho-avermelhado dele- Ah, ficaram me zuando, dizendo que eu parecia um filho de Apolo, então uma filha de Afrodite deu um jeito no cabelo- assenti
– Posso fazer uma pergunta?
– Claro
– Por que você tem medo de cobras?- ele me encarou e e vi seus olhos lacrimejarem
– Tinha seis anos. Eu estava brincando com meu avô no quintal e a bola voou longe, no meio do mato tinha uma cascavel, eu não vi ela se aproximar e meu avô se fez de escudo. Ele morreu nos meus braços- olhei para ele, nada que eu dissesse iria apagar de sua memória a imagem de seu avô morto, só seis anos.
O abracei, ali e não me importei. Ele chorou um pouco, mas logo me soltou.
– Você está quase dormindo aqui- assenti- melhor ir para sua barraca- dei tchau para ele fui para a barraca que eu dividiria com Thaís até Lorry conseguir alguma melhora.
Fui dormir com os mosquitos, as os pesadelos vieram junto.
Fale com o autor