A Filha Roubada dos Weasley
4 De volta à casa dos Diggory
No domingo, por volta do meio-dia, o malão de Aurora e o malão de Simon estavam prontos com os seus materiais escolares e seus pertences mais preciosos. Simon não parava de verificar a cada instante se seu malão estava realmente arrumado e se não esquecera nada. Já Aurora estava sentada no sofá da sala, lendo distraidamente e sentindo-se perfeitamente bem. Já era costume eles passarem as férias na casa dos Diggory, o que fazia Aurora não ficar nervosa, já que estava acostumada. Cedrico sempre convencia os pais as lhes convidarem pois era melhor amigo de Simon e apaixonado por Aurora, que fazia papel de difícil, mas que gostava de Cedrico.
A atmosfera na casa dos Jones estava extremamente boa, com exceção das reclamações de Simon, o que fez Aurora parar sua leitura diversas vezes para jogar almofadas na cabeça no irmão, que a menina acertava em cheio, fazendo o garoto ficar mais furioso ainda. Os Diggory chegariam às cinco horas, que faltava muito para chegar ainda.
— Espero que você tenha os avisado que nós realmente podemos ir, Aurora. — Simon rosnou para a irmã, que simplesmente revirou os olhos.
O almoço foi quase uma refeição animadora, com exceção de Simon, que reclamou sem parar da comida (macarrão). Aurora e os pais comeram tranquilamente, parecendo não ligar para o que Simon falava, fazendo o garoto falar mais ainda.
— Já chega, você não acha? — vociferou o Sr. Jones por cima da mesa.
— Acho que sim. — respondeu Simon, ficando vermelho.
Aurora passou a maior parte da tarde em seu quarto; não suportava ver Simon caminhando de um lado a outro da sala a todo instante. Finalmente, às quinze para as cinco, Aurora voltou ao térreo e entrou na sala de estar.
A Sra. Jones estava dando ordens para Think arrumar o andar de cima assim que os filhos partissem para a casa dos Diggory. O Sr. Jones lia o jornal tranquilamente. Simon se enterrou em uma poltrona e ficou dando batidinhas no braço da poltrona, parecendo ansioso. Aurora largou-se no sofá e pegou seu livro novamente.
As cinco horas vieram e se foram. Simon, suando ligeiramente foi várias vezes em direção a lareira, enfiou a cabeça ali dentro, e recolheu a cabeça depressa.
— Eles estão atrasados. — rosnou para Aurora.
— Eu sei. — disse Aurora. — Talvez deu algum problema com a rede de flu.
Cinco e dez... depois cinco e quinze... Aurora estava começando a ficar ansiosa também. Às cinco e meia, ela ouviu os pais conversarem em murmúrios no sofá do outro lado da sala.
— Não têm a menor consideração.
— Poderíamos ter outro compromisso.
— Simplesmente odeio atrasos.
— Eu também... Sr. Diggory!
Aurora deu um pulo. Do outro lado da sala ela viu seus pais correrem precipitadamente até o Sr. Diggory para apertar sua mão. O Sr. Jones apertou a mão do Sr. Diggory, em seguida, foi a vez da Sra. Jones, que sorria sem graça.
— Aurora! Simon! — O Sr. Diggory virou-se para os dois e abriu os braços. Aurora e Simon correram até o Sr. Diggory e o abraçaram fortemente. — Como vão, crianças?
— Bem. — Os dois responderam ao mesmo tempo.
Aurora virou-se e deparou-se com Cedrico parado atrás dela, olhando-a com um sorriso nos lábios. Cedrico era um rapaz muito bonito de uns dezessete anos. Era capitão e apanhador do time de quadribol da Lufa-Lufa, em Hogwarts. Aurora correu até o amigo e abraçou-o fortemente. Cedrico agarrou a menina pela cintura e a abraçou, fazendo com que Aurora se sentisse constrangida e com que o Sr. Jones desse uma tossida fingida para que os dois se soltassem logo. Assim que Cedrico soltou a menina, ela voltou para perto dos pais, com o rosto muito corado e sentindo um calor subindo pelo seu pescoço.
— Se o senhor puder nos manter informados de como estão nossos filhos, nós agradeceríamos muito. — A Sra. Jones ia falando.
— Ah, certo. — Disse o Sr. Diggory. — Irei mantê-los informados. Melhor irmos, então, crianças.
Aurora e Simon correram para abraçar os pais e falarem algumas coisas de última hora.
O Sr. Diggory arregaçou as mangas das vestes e puxou a varinha. Aurora viu os pais recuarem um pouco, para dar espaço ao homem.
— Incêndio! — disse o bruxo, apontando a varinha para a lareira.
As chamas irromperam na mesma hora na lareira, crepitando alegremente como se já estivessem acessas há horas. O Sr. Diggory tirou do bolso um saquinho fechado com cordões, desamarrou-o, tirou uma pitada de pó e jogou-o nas chamas, que viraram verde-esmeralda e rugiram com mais força do que antes.
— Pode ir, Ced — disse o Sr. Diggory.
— Estou indo — Disse Cedrico.
Cedrico adiantou-se e entrou direto nas chamas, dizendo “Casa dos Diggory”. Ouviu-se um barulho de deslocamento no ar e Cedrico desapareceu.
— Agora você, Simon — disse o Sr. Diggory. — Cuidado com a mala.
Simon arrastou a mala até a lareira, entrou nas chamas e acenou para os pais. Depois, com um segundo deslocamento de ar, Simon gritara “Casa dos Diggory” e desaparecera também.
Agora só faltavam Aurora e o Sr. Diggory.
— Bom... Tchau então — disse Aurora aos pais. — Amo vocês.
— Tchau, querida. Amamos você. — os dois disseram em uníssimo.
— Até o Natal — disse Aurora enfiando um pé nas chamas que, aos seus sentidos, pareceram um hálito morno. Naquele momento, porém, um som de alguém chorando ocorreu às costas dela e a menina virou-se a tempo de ver a mãe chorando.
— Mamãe...
— Vá, querida. Vá.
A menina entrou nas chamas, espiando por cima do ombro e disse “Casa dos Diggory”; seu último vislumbre da sala de estar foi o Sr. Jones passando o braço pelo ombro da esposa e a puxando para mais perto de si. Mas no momento seguinte Aurora começou a rodopiar em grande velocidade e a sala desapareceu de vista numa erupção de chamas verde-esmeralda.
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