A Filha Perdida

20 A declaração


Notas iniciais
Geeeeeeeeeeeeente, desculpem a demora.
É que tá triste para escrever, inspiração ZERO, assim como o tempo. Então, em vez de me julgar por não ter postado antes, comemorem por estarem lendo isso daqui u.u

Depois de um tempo, percebi o quão ridícula eu estava sendo, chorando no ombro do meu namorado por magoar um menino que ele odeia e parei de chorar.

Quando chegamos no hotel, era mais ou menos dez horas da manhã e eu subi para desfazer as minhas malas (Jake é meu namorado, mas ainda tem os dois braços, pode muito bem desfazer as malas) enquanto os meninos iam falar com a equipe de segurança mais próxima.

Eles estão demorando uma eternidade para voltar, e eu começo a ficar preocupada quando ouço alguém me chamando, o som vem da.

Me viro, mas não são os meninos. É Austin, numa Mensagem de Íris.

– Oi, Austin – cumprimento.

– Missy – ele responde, sério.

– Alguma notícia de Quíron? Podemos ir atrás do meu irmão?

– Notícias sim, mas nada de busca. Na verdade, vocês vão ter que esperar por pelo menos uma semana. E que vocês devem ficar mudando de hotel, que não devem passar mais de três dias no mesmo lugar. É que Quíron disse que ainda não é seguro você sair por aí. Você sabe disso, não é?

– Claro.

– Mas não se preocupe. Não tem nada demais acontecendo com seu irmão. É só precaução...

– Eu queria que as pessoas parassem de não me dizer as coisas – interrompo, irritada. – Tipo, com certeza alguma coisa está acontecendo. E não ajuda em nada tentar esconder isso de mim.

Austin fica sem graça e para de falar por um momento.

– Foram ordens. Não posso te contar nada. Mas eu não concordo com isso.

Reviro os olhos. Acho que estou ficando mestre nisso, é o que eu mais faço. Austin suspira e eu posso ver que ele sente mesmo não poder me contar o que está acontecendo. Mas isso não me faz ficar com menos raiva.

– Seus cartões foram liberados – ele muda de assunto e me deixa surpresa.

– Meus cartões? As contas da minha mãe?

– Exatamente. Demos um jeito de liberar. Seus “pais” adotivos te emanciparam. Você é praticamente uma adulta de 16 anos. E responde por todos os seus atos.

– Quer dizer que Elius não é mais meu pai?

Ele ri da minha brincadeira. Nem tem tanta graça assim. É que o clima estava tão estranho entre nós naqueles dias antes de eu vir embora que ele (e eu!) ficou aliviado por eu tratá-lo da forma que eu trato normalmente. Mais um momento de silêncio se passou. Tanto que eu poderia imaginar que ele tinha desligado, se fosse uma chamada no celular, mas não era e Austin não “desligou”.

– Tudo bem, eu digo – quebra o silêncio depois de um tempo. – Mas você não sabe de nada disso. Eles suspeitam que Jayme não seja filho de Hefesto, como você pensa. Acham que ele pode ser filho de Poseidon.

São quase meio dia e os meninos acabaram de chegar. Eu terminei de arrumar as minhas malas e estava jogada na cama que vou dividir com Jake. Estava, agora estou agarrada ao pescoço de Jake, aliviada por nada demais ter acontecido com ele... e com Kyle também.

Eles me contam o que fizeram enquanto eu esperava e conversava com Austin. A equipe de segurança não estava no lugar que deveria e levou um bom tempo para eles encontrá-los num fliperama próximo. Gastaram mais um bom tempo dando uma bronca neles e outro tempo para levá-los de volta ao lugar onde deveriam estar.

Depois de me atualizar, eu contei a eles sobre minha conversa com Austin e nós conversamos por um momento sobre a possibilidade de Jay ser mesmo filho de Poseidon. Eu acho isso um absurdo, minha mãe não seria capaz de ter filhos com dois deuses diferentes, e eu não digo isso por ela não ser bonita ou capaz de seduzir... Só que ela não sai “dando” para qualquer um, com certeza não para dois deuses diferentes.

Jake me dá um beijo na cabeça e diz que precisa de um banho. Vai para o banheiro com seu material de limpeza e suas roupas, me deixando num silêncio desconfortável com Kyle. Desconfortável demais para um filho de Hermes, eu costumo me dar bem com todos os irmãos dele. Mas não é exclusivo para mim, Kyle não se dá bem com ninguém, só, um pouco, com Jake.

– Melissa, vou fazer uma pergunta – anuncia, em vez de perguntar se pode fazer uma pergunta, como as pessoas normalmente fazem.

Mas ele hesita antes de fazer a pergunta, como se tivesse mudado de ideia. Não mudou.

– Você realmente está apaixonada pelo Jake?

Uma pausa na história para eu expressar o quanto estou surpresa. Sei lá, tudo bem ele não me conhecer a ponto de não saber que eu não costumo namorar as pessoas só por namorar, ou melhor: que eu não costumo namorar! Mas perguntar uma coisa dessas é absurdo!

Fico sem palavras e sinto meu rosto esquentar, de raiva.

– Claro que sim! – respondo, a voz mais aguda que o normal. – Não namoraria alguém só por namorar.

– Não! Desculpe-me. Não foi minha intenção te ofender. É que o melhor para você é não estar apaixonada por ele.

– Aonde você quer chegar?

– Quero dizer que já vi pessoas apaixonadas pelo Jake antes. Uma garota morreu sem conseguir se apaixonar de novo.

– Está falando de Elisabet?

– Não. Ela também morreu, mas ela ainda estava apaixonada por ele. Sinceramente, Lisa foi a que menos sofreu por causa de Jake. Mas ela ainda estaria viva se não tivesse se apaixonado por ele.

– Não foi culpa dele! – quase grito, mas tomo cuidado para que Jake, separado de nós apenas por uma porta, não ouça. – Eu sei o que aconteceu, não foi culpa dele.

– Você sabe apenas do que Jake te contou – responde, ficando alterado. – Eu estava lá e vi o que aconteceu – ele inspira e expira três vezes para se acalmar antes de continuar. – Mas essa não é a questão aqui. Tudo o que você precisa saber é que tem que tomar cuidado com o Jake.

Estou completamente vermelha e furiosa. Kyle não pode se meter (ou tentar) no meu relacionamento com Jake desse jeito. Quem ele pensa que é?

– Apesar de tudo eu era amigo da Lisa – continua antes que eu tenha tempo de dizer qualquer coisa. – Na verdade, eu sempre fui amigo dela, desde o primeiro dia que ela chegou no acampamento. Foi por isso que ela me chamou para ir à missão com ela. Eu aproveitei para cuidar do coração dela.

– Kyle, você era apaixonado por Elisabet?

– O quê? Não! Nós éramos como irmãos. Eu amava Lisa, sim, mas não dessa forma. Eu a amava tanto quanto Eliott.

Eliott. Então, Kyle o chama assim. Estranho. Ninguém, ninguém mesmo, o chama de Eliott. Isso quer dizer que ou Kyle e Elius (ou Eliott, como preferir) são amigos próximos a ponto de Elius ter contado toda a história para Kyle (o que eu duvido muito), ou eles se conhecem desde muito antes de tudo isso. É o que eu acho.

– Olha, eu nunca fui muito de impedir as meninas de, sei lá, ficar com ou namorar o Jake. Mas eu sinto que você é importante demais para cair nos joguinhos dele. E acho que essa missão é também importante demais para vocês se desviarem dela. Então, é por isso que eu te pedi para tomar cuidado com o Jake.

– Ainda assim, eu não entendo – eu digo. Estou realmente confusa, vocês também estariam se alguém que vocês nem conhecem, do nada, pedisse para tomar cuidado com seu namorado.

– Você não entende porque está realmente apaixonada por ele. Isso é um problema para você.

– Você só pode ter alguma coisa contra Jake.

Antes da resposta de Kyle, percebemos que não ouvimos mais o barulho da água caindo do chuveiro, o que quer dizer que Jake está prestes a sair.

– Eu? – sussurra apressadamente. – Contra o Jake? Claro que não! Muito pelo contrário. Se eu estou dizendo isso tudo é porque eu, mais do que ninguém, sei como é.

Ouço o clique da chave virando na porta. Jake vai sair em alguns segundos.

– Eu digo isso – conclui Kyle, ainda mais rapidamente e falando mais baixo – porque eu estou apaixonado pelo Jake.

Notas finais
:P
Comentem, poxa, eu tô #xatiada porque ninguém comenta nada. Eu quero saber o que vocês acharam da história. Se não gostarem, comentem também, o que importa é eu saber O QUE vocês acharam. :D