– Por quê? Vocês não me queriam? – perguntei.
Sally se levantou e me abraçou de lado. Depois começou a falar, fazendo cafuné em mim. – Não, meu anjo. Quando você e seu irmão nasceram, tudo ficou perfeito. Amávamos e amamos vocês!
– Então, por que...
– Logo que vocês completaram dois anos, as coisas começaram a complicar. Quando o primeiro monstro apareceu e incendiou nossa casa, nós tivemos que nos tivemos que nos mudar. Seu pai achou que era perigoso eu ficar com dois semideuses, pequenos e gêmeos, ainda por cima... – ela falou e eu e Percy fizemos cara de desentendidos.
– O cheiro do sangue é mais forte quando semideuses gêmeos ficam juntos. – Quiron falou.
– Pera, então somos gêmeos? – Percy perguntou. É lerdo mesmo.
– São! Vocês dois são gêmeos! – Sally falou.
– Isso explica muita coisa! – falei.
– Voltando: Eu teria que deixar um de vocês. Por mais que me doesse muito, foi necessário, para a sua proteção e a de seu irmão. Mas saiba que isso foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer! – ela falou.
– Então por que eu, e não o cabeça de alga? – perguntei.
– Você sempre foi mais independente de mim do que seu irmão. Eu realmente sinto muito. O meu único consolo durante todos esses anos foi que seu pai me jurou que olharia você. – ela disse, se sentando de novo.
– Entendo. – falei, simplesmente. Ela sorriu, limpando as lágrimas e depois falou:
– Eu quero que você venha morar com a gente. Já perdi dezessete anos da sua vida, não quero perder mais nenhum! Seremos uma família de novo! – ela disse.
– Eu... Não sei. Não acho que será uma boa ideia. – falei.
– Você quem sabe, querida. Mas saiba que você sempre terá um lugar com a gente lá em casa. Somos sua família. – Sally disse.
– Prometo que vou pensar com carinho, tá? – falei, sorrindo.
– Tá bom. Ah, ia me esquecendo, Tyson mandou um presente para vocês. – Ela falou e tirou de dentro da bolsa um relógio e uma pulseira dourada com vários pingentes, entre eles um arco, um escudo e uma espada. Sally entregou a pulseira para mim e o relógio para Percy.
– Tyson mandou você ter cuidado com ele. – ela falou para o filho.
– Como ele sabia sobre mim? – perguntei.
– Poseidon contou para ele. O coitado ficou todo feliz quando descobriu que tinha outra irmã! – Sally falou.
– Agradeça a ele por mim. É linda! – falei, colocando-a no meu braço.
– Olha o que o relógio faz! – Percy falou, chegando um pouco para trás e bateu no relógio. De inicio, nada aconteceu, segundos depois, o relógio se transformou em um escudo que tinha dez vezes o tamanho do relógio. Nele havia gravado vários desenhos, como se fossem vários pedaços de histórias ou batalhas diferentes e nelas aparecia sempre o mesmo menino.
– Esse menino é você? – perguntei.
– É, sou eu em todas as minhas aventuras... – Percy começou a falar.
– E em todas as vezes que quase me matou do coração! – Sally falou e nós rimos.
– Maneiro. – falei e Sally me olhou, incrédula. – O escudo, não ele ter quase te matado do coração!
Ficamos conversando durante uma hora ou duas, não sei ao certo! Sally queria saber tudo sobre mim. Ela ficou bem triste quando descobriu que eu vinha fugindo dos lares adotivos para os quais me mandavam e que vivia nas ruas há quase um ano.
Chegou uma hora em que eu e Percy tivemos que ir, já havíamos perdido o café da manhã e as pessoas sentiriam nossa falta. Mas eu não queria que ela fosse embora. Queria saber mais sobre minha... Mãe.
– Nós ainda temos muito tempo para colocar os assuntos em dia, querida. Aproveite seu verão. – falou e me abraçou, depois abraçou Percy.
Nossa próxima atividade seria treinamento com arco e flecha. Chegamos à área de treinamento e nos preparamos. Eu tirei a pulseira e quando fiz o caminho para colocá-la no bolso de trás, o pequeno pingente de arco caiu na grama. Quando ele caiu no chão, passou de um pequeno arco de pingente para um enorme arco dourado antigo. O arco era dourado e todo trabalhado, como se tivesse sido esculpido. Lindo.
Peguei no chão e me virei espantada para Percy.
– Eu acho que nós devíamos mandar uma mensagem-de-iris para Tyson quando acabarmos aqui. – ele falou.
– Concentração, garotos. – o instrutor pediu.
– Desculpe. — Eu e Percy falamos.
Percy pegou um arco e algumas flechas, eu peguei apenas as flechas. Depois nós voltamos para nossas posições, nos preparamos e começamos a atirar.
Eu acertei bem no meio do alvo, enquanto meu irmão chegou “perto”. Depois de mais quarenta minutos treinando, nós fomos para o nosso chalé mandar a mensagem-de-iris para Tyson, depois iríamos pegar minhas coisas no chalé onze, o chalé de Hermes.
Caminhamos até à fonte, onde a luz batia. Percy pegou uma moeda de ouro, um dracma de ouro, e jogou ali, disse algumas palavras que eu não entendi direito e logo a imagem de um ciclope apareceu na nossa frente.
– IRMÃO! – O ciclope gritou, feliz.
– Oi, Tyson. Obrigado por ter consertado o relógio mais uma vez.
– Tudo bem. E a nossa outra meia irmã? Papai falou dela. Ela gostou da pulseira?
– Ela tá aqui! Vem cá, Serena. – Percy me chamou.
– Hey, Tyson, obrigada pela pulseira. Ela é linda. – falei.
– De nada. E você já a usou? – ele perguntou.
– É sobre isso que queríamos perguntar. Como ela funciona? – Percy perguntou.
– Os pingentes são presos superficialmente, mas eles só funcionam se um filho de Poseidon puxar. Quando puxados, eles se transformam, automaticamente, em versões maiores dos pingentes e se você perder, eles voltam para a pulseira em cinco minutos! Mas só um filho de Poseidon pode tirá-los. – Tyson disse.
– Acho que eu entendi! E como eu faço para eles voltarem para o tamanho original? – perguntei.
– Basta você colocá-los perto da pulseira que eles voltam automaticamente também. – ele explicou.
– Obrigada. Desculpe a falta de educação, mas eu e Percy temos que ir. Espero te ver pessoalmente logo. – falei
– Também, até. – ele falou e a imagem se desfez.
– Ok, já sabemos como funciona. Vamos pegar as suas coisas para depois irmos treinar, daqui a pouco a Annie vem me chamar. – ele falou.
– Você gosta mesmo dela, né? – perguntei, quando vi a cara de bobo apaixonado quando ele falou o apelido da Annabeth.
– Gosto muito dela. Annabeth simplesmente me completa. – ele falou.
– Own, meu irmão tá apaixonado! – falei, enquanto abraçava ele de lado.
Quando chegamos ao chalé de Hermes, explicamos a Travis e Connor, que ficaram super felizes por mim, nós pegamos minhas poucas coisas e caminhamos de volta para o chalé de Poseidon. No caminho, nós nos encontramos com o resto do pessoal.
– Hey, precisam de ajuda? – a Rachel perguntou.
– Não, são poucas coisas, mas obrigada assim mesmo. – falei.
– Deixe eu apresentar vocês, Serena, essa é a Piper. Piper, essa é a Serena. – a Bianca me apresentou.
– Hey. – falei.
– Então você é a famosa Serena? Olha, preciso te dizer que nunca vi eles falarem tanto de uma pessoa igual eles falam de você. E olha que eu cheguei hoje! – Piper falou.
– Espero que tenham falado bem de mim, pelo menos. – falei, sorrindo.
– Falaram muito bem! – ela disse.
– Então, Annabeth nos contou! Filha de Poseidon, hein? – a Annabeth falou.
– É, agora eu tenho certeza de que não estou mais sozinha! – falei, abraçando Percy de lado.
– Achei que isso fosse impossível! Quero dizer... Poseidon ter outro filho. Vocês sabem, por causa do pacto! – Leo falou.
Agora nós já estávamos dentro do nosso chalé. Eu e Percy nos sentamos na minha cama e ele falou:
– Eu e Serena somos gêmeos. Ela também é filha da Sally!
Eles nos olharam, como se tivessem descoberto que nós havíamos cometido um assassinato.
– Como? – a Annie perguntou.
Nós explicamos tudo a eles, desde ontem a noite até a nossa conversa de hoje de manhã com a mamãe, enquanto vestíamos nossas armaduras. Quando terminamos, já estávamos a caminho da arena, onde o resto do pessoal resolveu ir treinar também.
– É difícil de acreditar! – a Bianca falou.
– Se está sendo difícil pra vocês, imagina pra gente. – Percy falou.
– Como eu disse, eu estou feliz, agora eu não estou mais sozinha. Eu tenho uma família. – falei.
– Mesmo se você não tivesse, desde o momento em que você pisou nesse acampamento, você não estaria mais sozinha. Você poderia contar com a gente, sabe disso, né? – a Rachel falou.
– Eu sei. Obrigada. – falei.
– Vai ter que aturar a gente pro resto da vida agora, querida! – a Bianca falou e pulou nas minhas costas, fazendo-nos cair no chão.
– SUA MALUCA, SAI DE CIMA DE MIM! – falei e ela saiu, rindo.
Quando chegamos à arena, eu tirei o escudo e a espada da pulseira que estava guardada. Os dois eram lindos, ambos dourados e, como o arco, ambos pareciam ser entalhados à mão.
Caminhei até um canto da quadra onde Nate me esperava, treinando num boneco de madeira. Posso dizer uma coisa? Coitado do boneco!
– Bom dia! – falei.
– Bom dia. – falou, seco.
Peguei a toalha que estava jogada no chão e passei para ele, quando parou de atacar o coitado do boneco.
– Obrigado. – falou, secando o suor da testa e do pescoço. Parte da minha mente pedia para eu falar para ele não fazer isso, que ele estava lindo assim. Pelos deuses, o que tava acontecendo comigo? Afrodite, se você estiver me ouvindo, por favor, me ajuda?
– Tenho que te agradecer por ontem. – falei.
– De nada. – falou. – Tá pronta pra começar?
– To sim!
Assim se seguiu por três horas o nosso treinamento. Como sempre, fomos os últimos a sair da arena. Os outros pararam de treinar, mas esperaram a gente acabar.
– Ei, a gente tá querendo ir à praia depois daqui. Quer ir com a gente? – perguntei para ele quando terminamos.
– Tudo bem. Eu vou ao chalé trocar de roupa e encontro vocês lá, tá? – falou.
– Tá bom... Er, tchau. – falei e coloquei o escudo e a espada na pulseira.
– Legal.
– O quê?
– A sua pulseira! Todos os pingentes são armas? – perguntou, pegando o meu pulso para analisá-la.
– Acredito que sim, não tive tempo de utilizar todos ainda! – falei.
– É linda!
– Obrigada. – agradeci e saí.

Piper:

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