A Filha Dos Oceanos E O Filho Do Sol
7 Invadem a minha cabeça
O pessoal estava dentro d’agua, enquanto eu estava sentada na areia, sobre a minha manta. Nate chegou alguns minutos depois da gente.
— Senta aqui! – falei, chegando para o lado para ele poder sentar comigo.
Nate usava sandálias de borracha, bermuda jeans e uma regata branca. Estava simples, mas lindo. Eu vou tentar controlar meus pensamentos, prometo.
— Você veio. – falei.
— Falei que vinha, não falei? – ele perguntou e deu um meio sorriso.
— Falou. – eu disse e retribui o sorriso. – Percy disse que eu não queria deixar você ir embora ontem! Deve ter sido uma cena bem vergonhosa para mim.
— Não precisa ficar sem graça. Você estava nervosa e isso é completamente normal...
— Uma filha de Poseidon que não sabe nadar, eu sou uma aberração! – falei, apoiando meu rosto no joelho.
— Você não é uma aberração, só não tá acostumada com a água. É normal que você tenha aquele tipo de reação. – falou, me abraçando de lado.
— Obrigada. Você tem sido bastante atencioso comigo. – falei, apoiando minha cabeça em seu ombro.
— Você quer entrar na água? Pode segurar nas minhas costas! – ele falou.
— Obrigada, mas não! Provavelmente, eu nos afogarei! – falei, sorrindo.
— Você está duvidando da minha força? – ele perguntou e eu dei de ombros – Agora é questão de honra! Se eu não aguentar nós dois, eu não sou filho de Ares. Vem! – ele falou se levantando e me oferecendo a mão.
— Não!
— Se você reparou, não estou perguntando. Ou vem por bem, ou vem por mal! – falou.
— Quero ver você me obrigar. – eu falei.
— Você quem sabe! Depois só não diga que eu não avisei!
Não sei COMO ele conseguiu, mas o filho da mãe conseguiu. Nate me pegou pelo braço, me prendeu em suas costas e nos levou em direção à agua, onde os outros já estavam e nos observavam.
— Acho que eu vou começar a acreditar em você! – ele falou.
— Por quê?
-Você é muito pesada. – ele falou e eu dei um tapa no seu braço, fazendo cara de indignada e depois não aguentei e ri junto com ele.
— Estou zoando. Você não pesa quase nada para mim. – ele falou.
— Dude, eu vou te dar um prêmio. Como você conseguiu trazer ela? – Léo perguntou.
— Trouxe à força. – Nate disse, sorrindo.
— Nate, por favor! A água tá fria. – falei e firmei minhas pernas em sua cintura. (n/a: Sei!)
— Só mais um pouco. Se você não se acostumar, a gente sai. Pode ser? – ele sugeriu e eu assenti.
Ficamos na água por mais meia hora, depois decidimos sair, pois estava escurecendo. Quando estávamos chegando nos chalés, Annabeth foi a primeira a se despedir, dizendo que tinha varias coisas para fazer antes do jantar.
A caminho de nossos chalés, nós encontramos ou fomos encontrados, eu sei lá, por Clarisse e suas duas “amigas”, Katherine, filha de Afrodite, e Patrícia, outra filha de Ares.
— Olha só, meninas, vocês, por acaso, já ouviram falar de um filho de Poseidon que tem medo da água? – Clarisse perguntou.
— Não. – respondeu Patrícia.
— Mas esse filho de Poseidon desse ser uma aberração, porque ter medo do próprio poder é burrice. – Katherine respondeu com um olhar irônico, que veio diretamente em minha direção.
Senti meus olhos se encherem de água.
— Serena. Não dê ouvido a elas. Vamos embora. – Rachel sussurrou para mim e tentou me tirar dali, mas eu não conseguia, queria arrebentar a cara dela. Porém, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Nate começou a falar no meu lugar.
— Calem a boca. Você pode até ser a conselheira do chalé, mas o que fez foi totalmente desumano. ATÉ PRA VOCÊ, KATHERINE!
— O que foi, Nate? Deu pra defender a medrosa agora? – Clarisse perguntou.
— Não. Eu estou defendendo o que é certo!
— Deixe que ela fale por si. Ou ela sente tanto medo que nem isso consegue fazer? – Katherine perguntou.
Toquei o ombro de Nate e o chamei:
— Nate, por favor... – mas antes que eu pudesse terminar a frase, eu senti meu corpo amolecer e ser amparado pelos braços de Nate, que me chamava repetidamente:
— Serena... – Mas minha mente só conseguia prestar atenção na dor que ela sentia e na voz grossa, que ecoava pela minha cabeça, dizendo:
“Preparem-se, filhos de Poseidon, a hora do nosso encontro se aproxima”.
Aos poucos, minha visão e audição foram voltando, só então percebi que haviam me deitado na grama e que a briga com Clarisse, Katherine e Patrícia havia acabado.
— Ela está acordando... – ouvi Piper dizer.
— O Percy também! – ouvi Léo dizer ao longe.
— O que aconteceu? – eu perguntei, ainda meio zonzo.
— Depois que você me chamou, você e Percy desmaiaram por dez minutos! – Nate explicou.
— Você também escutou? – perguntei para Percy, que já estava em pé, mas apoiado em Léo e em Grover.
— Escutei, e não pareceu coisa boa.
Nate me ajudou a levantar e nós fomos até a casa grande, onde Quiron estava em sua cadeira de rodas, na varanda. Ele falou para entrarmos. Quando sentamos nos sofás, eu e Percy começamos a explicar para eles o que havia acontecido. Foi quando, no final, Percy fez um comentário que ninguém esperava:
— Era Cronos.
— Percy, você tem certeza? Uma acusação dessas... – Rachel começou a falar, mas na metade da frase a voz dela mudou, como se três vozes falassem ao mesmo tempo:
“Os filhos dos mares,
Com mais dois irão
Até o que restou do antigo império,
Onde o rei titã destruirão
E as semideusas resgatarão.”
Quando ela terminou de falar, encostou no sofá e seus olhos verdes se fecharam. Confesso que fiquei com medo agora. Quando eles se abriram de novo, já não estavam mais verdes, Rachel estava “normal”.
— Parece que o oráculo deu seu decreto. – Quiron falou – Convocarei uma reunião com os conselheiros, onde informarei a nova missão, que terá como lideres: Percy e Serena.
Em meia hora, todos os conselheiros foram reunidos em volta de uma mesa de ping-pong. Todos estavam ali, menos Annabeth, que tinha tomado chá de sumiço. Todos falavam ao mesmo tempo, não dava para entender nada ali. Até que Quiron resolveu botar moral e todo mundo calou a boca:
— Vocês querem saber o porquê de eu convocar essa reunião e têm esse direito. O oráculo recitou mais uma profecia, onde os dois filhos de Poseidon, aqui presentes, serão os líderes e, mais duas pessoas, irão até a antiga Grécia...
— Quem serão esses dois? – Connor perguntou.
— Essa questão eu deixei para Percy e Serena! – Quiron falou, olhando para a gente.
— Eu e Serena pensamos muito, e resolvemos chamar o Léo, do chalé de Hefesto e o Nate, do chalé de Ares. – Percy falou.
— Vocês quatro saem daqui amanhã, depois do café-da-manha. Léo, prepare o navio. Alguém se opõe? – Quiron perguntou e todos ficaram quietos. – Então, que os deuses estejam com vocês.
Aos poucos, as pessoas foram saindo e só ficamos eu, Percy, Léo e Quiron. Porem, Percy estava cada vez mais preocupado por causa do sumiço repentino de Annie. Quando não conseguimos mais segurá-lo ali e estávamos saindo para ir atrás dela, Nate e Grover apareceram, suados e ofegantes!
— Então? — Percy perguntou.
— Procuramos em todo o acampamento ... – Nate começou.
— Ela não está aqui, Percy. – Grover falou.
— Não é possível! Em algum lugar ela tem que estar! – Percy falou, desesperado.
— Esperem. A profecia. A última linha dela: ”E as semideusas resgatarão”. Annabeth pode ser uma delas. – falei.
— Não. NÃO. – Percy falou e se sentou nos degraus da escada, frustrado. — Eu fiz de tudo para deixá-la segura. TUDO!
— Podem ir, meninos, obrigada! Até de manhã. – sussurrei para Grover, Léo e Nate. – Percy...
— Eu não vou me perdoar se alguma coisa acontecer com ela! – falou.
— Hey — puxei ele pelos cabelos para Percy olhar em meus olhos. – agora você tem uma razão...
— Duas. Eu tenho duas razões. – ele me interrompeu.
— Tudo bem. Agora você tem duas razões para fazer essa missão dar certo. – falei e depois parei e pensei. – Por que duas? Percy, você está me escondendo alguma coisa?
— Estou. Mas não posso te contar agora! Não me pergunte nada, por favor! Na hora certa, eu te conto! – falou.
— Tudo bem! Não vou te pressionar! – falei e o abracei – Mas você sabe que pode contar comigo para tudo, né?
— Sei. Obrigado. – falou e depois me soltou.
— Vem. Vamos arrumar nossas coisas.
Duas horas depois eu e Percy estávamos quase terminando de arrumar nossas coisas, quando ele disse que queria ficar uns minutos sozinho, para pedir ao nosso pai que nos ajudasse.
— Tudo bem. Aqui está tranquilo. – falei, sorrindo.
— Tá. – falou e antes de sair me deu um beijo na testa.
Cinco minutos se passaram, eu colocava os dracmas na minha mochila, quando ele me chamou:
— , VEM CÁ! RÁPIDO!
Peguei a espada, só para prevenir e corri para fora, onde ele estava. Chegando lá, vi Percy parado perto de um homem que usava barba, uma blusa de botão florida, uma bermuda e chinelos.
— Pai?!
— Venha cá, querida. Deixe-me abraçá-la, minha filha! – ele falou e eu soltei a espada no chão, correndo para abraçá-lo.
— Pai! – falei e o senti abraçar Percy também.
— Meus dois filhos reunidos de novo. – ele falou e depois olhou diretamente para mim – Como você está crescida, minha filha!
— Eu senti sua falta. – falei
— Eu nunca te abandonei no mundo. – ele disse – Eu sempre tentei te ajudar quando você precisou!
— Eu escutava! – falei.
— Vejo que o presente de Tyson tem funcionado muito bem. – papai falou.
— Tem sim. – falei, sorrindo.
— Mas você vai precisar de uma aljava com flechas para a missão. – Poseidon falou.
— Eu pegarei uma emprestada no acampamento. – falei.
— Mas a do acampamento não terá flechas sempre. Não como essa que eu tenho para você! – ele falou e, nas minhas costas, apareceu uma aljava branca, parecia ser feita de osso. As flechas eram de madeira clara e as penas eram vermelhas. (n/a: tenho certeza de que todos já viram as Crônicas de Narnia, certo? A aljava dela é igual a da Susana.)
— Mas, como? – perguntei
— Digamos que Apolo me deu uma ajuda. – falou e depois sorriu. – Ela nunca ficará sem flechas!
— Obrigada, pai! – agradeci.
— E, para você, meu filho. Seu presente você já recebeu.
— Já?
— Já. Seu escudo! Eu mandei revestir ele com uma estrutura que o deixa invulnerável. – papai falou.
— Obrigado, pai! – Percy falou.
— Agora, é melhor vocês dois irem para a cama. Precisam descansar! Terão um longo caminho pela frente.
Depois que ele falou isso, sumiu em forma de fumaça.
— Acho que essa é a nossa deixa para irmos para a cama. – Percy falou e me puxou para dentro do chalé.
— Boa noite, mano. – falei, colocando a minha aljava nova aos pés da minha cama
— Boa noite. – ele falou, desanimado.
— Hey, ânimo. Vamos trazê-la de volta. Eu prometo. – falei e ele deu um meio sorriso.
— Obrigado. – ele falou e depois deitou para dormir.
Eu deitei, mas demorei para pegar no sono. Estava ansiosa e nervosa pelo o que viria pela frente.
Clarisse:
Patrícia:
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