A Filha Dos Oceanos E O Filho Do Sol
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Depois do jantar, eu quis ir direto dormir. Eu troquei de roupa, colocando uma que eles me arranjaram. Deitei e consegui dormir por uma hora e pouquinho. Fiquei virando na cama até que resolvi levantar e dar uma volta. Peguei um casaco e calcei meu tênis.
Acabei parando na praia. Sentei-me na areia, perto da água. Tirei meu tênis e deixei a água molhar meus pés. Deitei na areia e fechei meus olhos, pedindo bem baixinho:
– Por favor, qualquer coisa, qualquer tipo de sinal para que eu te reconheça. Só preciso saber que não estou sozinha. Que eu tenho alguém que me olha. Por favor, qualquer coisa! – falei. No final desse pedido eu já estava chorando. Soluçava alto, sem me importar. Foi quando senti alguém me pegar no colo. Olhei para o rosto da pessoa e encontrei os olhos azuis de Nate.
– Mas o que...?
– Apenas descansa, tá? – ele falou e seus braços me apertaram mais contra seu corpo, como se quisesse me proteger de um perigo inexistente. Chegava a ser possessivo.
Nate's POV
O que eu to fazendo? Nunca fiz isso por garota nenhuma! Bom, até agora!
Serena se ajeitou em meus braços, acho que ela dormiu. Cheguei à porta do chalé de Hermes e dei de cara com o Connor.
– Cara, ainda bem que você achou ela. Se Quiron descobre que Serena fica zanzando pelo acampamento à noite, ela estaria ferrada! – ele falou.
– Até parece que ela não sabe se cuidar! – falei, passando Serena para os braços dele. Ela parecia um bebê dormindo e o que eu to dizendo?
Serena's POV
Eu estava num lugar escuro, parecia o mar à noite (o que é estranho, já que eu não sei nadar, e isso é vergonhoso, eu sei!). Havia uma bolha de ar a minha volta. É, eu só posso estar sonhando.
– SERENA! – uma voz me chamou. Era uma voz masculina e grossa. Mas apesar de escutar, eu não via ninguém.
– Quem é você?
– Sou seu pai, querida. Meu anjo, como você está linda. Cada dia mais parecida com sua mãe.
– Pai?! – falei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
– Querida, não chore. Você precisa ser forte. – ele falou
– Pai, me deixe ver o senhor? – pedi.
– Em breve, meu amor. Em breve eu e sua mãe iremos te ver. – Ele falou.
– Minha mãe morreu.
– Não, meu anjo. Ela está viva e está mais perto do que você imagina! – falou. – Até breve, minha filha.
Ele terminou de falar e a bolha estourou. A água começou a entrar pela minha boca. Quando eu tentei subir, eu fui arrastada por um redemoinho gigante, oceano abaixo. Foi quando uma risada alta e sinistra foi ouvida e eu acordei com um susto, sentindo a água na minha garganta e batendo minha testa na cama de cima, fazendo a pessoa que dormia lá acordar assustada e os pontos na minha testa abrirem.
– Pelos deuses, Serena, você está bem? – Connor perguntou, preocupado.
– Eu não sei.... To com muita falta de ar... – falei, me deitando de novo.
Eu estava totalmente molhada de suor, minha cabeça latejava muito. Eu sentia o ar faltar em meus pulmões. Travis olhou cuidadosamente o meu ferimento e tirou a camisa (N/a: Né?) para limpar o sangue que escorria.
– Não é melhor levar ela pra enfermaria? – Connor perguntou.
Não havia muita gente no chalé, na verdade, só havia mais duas pessoas além de nós três.
– É melhor. Esse ferimento vai precisar de novos pontos. – Travis falou.
– Você se importa se eu te pegar, Serena? – (N/a: pensei bobeira!) Connor perguntou.
– Não. – falei.
Connor passou as mãos, receoso, pelas minhas costas e por baixo das minhas pernas, me pegando no colo.
Rachel's POV
– O que aconteceu com ela? – perguntei.
Já estava na enfermaria havia uma hora, quando vi um Connor, todo afobado, entrar com uma Serena encolhida em seus braços.
– Sei lá. Só sei que ela acordou assustada e que vai precisar de novos pontos. – ele falou.
– Ela tá acordada?
– Mais ou menos. – ele respondeu.
– Vem. Deita ela aqui. – falei e apontei para uma maca vazia. Caminhei até Serena e vi que lutava para ficar acordada. – Serena, você precisa ficar acordada, por favor, não durma!
– Vou tentar. – falou.
– Connor, vá chamar o Quiron! – falei e o vi sair correndo.
Peguei o pano e comecei a limpar o sangue que escorria da testa dela. Depois peguei a agulha e a linha que se usa para dar pontos, sei lá o nome daquilo. Virei-me para Serena.
– Não vou poder te dar anestesia. Vai precisar ser forte. – falei e ela assentiu.
Comecei a fechar o ferimento com cuidado e muito rápido. Quando terminei, Quiron já havia chegado com Annabeth, Connor e... Nate?!
– Não sou muito habilidoso com ferimentos, mas acho que posso ajudar. – Nate falou, tirando uma mini lanterna do bolso da bermuda. Caminhou até a Serena. – Minha mãe é neurocirurgiã, eu aprendi algumas coisas. – ele explicou.
Nate's POV
– Serena, pra eu te ajudar, preciso que você me ajude, tá? – falei, olhando pra ela.
– Tá. – ela sussurrou
Vê-la daquele jeito, tão frágil e desprotegida, me deu um aperto no coração. E agora eu pergunto: O QUE ESTÁ ACONTECENDO COMIGO?
– Eu vou testar seus reflexos, ok? Aonde a luz for você a segue com o olhar, tá? – perguntei e ela assentiu. Eu liguei a lanterninha e levei-a de um lado ao outro, na frente de seus olhos. Depois para cima e para baixo. – Olha, aparentemente, ela tá bem! – Quando eu terminei de falar, ela já havia adormecido.
– Deve ter sido uma “visão” de alguém ou de alguma coisa. É normal para nós, semideuses, e ela não está acostumada. – a Annabeth falou.
– Não. Foi mais que isso. – Travis, que tinha acabado de chegar, falou.
– Vocês não a viram logo que acordou. Parecia que ela tinha sido sufocada. Sua respiração estava muito falha. Foi muito estranho. – Connor falou.
– Bom. Seja lá o que for, vamos ter que esperar Serena acordar para saber. – Quiron finalizou.
Todos voltaram para as suas atividades anteriores. Eu ia voltar a polir minha armadura, mas Quiron me chamou quando eu me virei:
– Nate!
– Eu!
– Foi bom eu te encontrar, preciso de um favor! – Quiron falou.
– Fala, o que posso fazer por você?
– Na verdade, é o que você pode fazer pela Serena. Preciso que você ensine esgrima a ela!
– Tudo bem. Não que eu esteja recusando, mas por que eu e não o Percy?
– Com todo o respeito ao Percy, você tem mais experiência e habilidade que ele.
– Ok, quando começamos?
– Quando ela acordar! – ele disse e saiu para a varanda com sua cadeira de rodas.
Legal, nunca fiz isso antes. O que eu vou arrumar?
Serena's POV
Três horas depois eu já estava andando em direção à “quadra” de treinamento, onde Nate me esperava para começar com meu treinamento de esgrima, que, segundo Quiron, era necessário. Cheguei lá, encontrando Nate no meio da quadra. Só havia mais duas duplas treinando, e uma delas era Percy e Annabeth.
– Que bom que já chegou. Tem espada? – ele perguntou.
– Não.
– Então, use esta. – falou, me oferecendo uma. Peguei-a, mas quase deixei cair no chão quando senti seu peso. “Não, idiota, a espada é de bronze celestial e ferro fundo e você querendo que ela seja leve”, pensei. – Vamos começar com o básico!
– Ok. – falei
– A espada faz parte de você — falou e fez um movimento muito rápido e ágil com ela – use-a para sua proteção e ataque.
Depois de várias lições como esta, nós começamos com o pequeno “duelo” de treinamento. Depois de muito tempo desviando e atacando ele, teve um momento em que eu caí e ele apontou a espada para o meu pescoço.
– Se você cair, você morre! – falou, depois tirou a espada da minha garganta e me ajudou a levantar.
– Obrigada! – falei, e ele me olhou, confuso. – Por ontem à noite.
– Por nada. Já tá bom por hoje. – ele falou, guardando a espada.
– Tudo bem. Toma. – falei e entreguei a outra espada a ele.
Ele pegou a espada e eu me virei para ir embora, só que eu dei de cara com o Quiron:
– Muito bom, muito bom mesmo. – falou – Depois vou pedir para Annabeth ir com você ao arsenal para escolher uma arma.
– Tudo bem. Se vocês me dão licença, eu vou tomar um banho, odeio a sensação de estar colando, é horrível! – falei.
Saí da arena de treinamento e caminhei até o chalé onze, onde peguei uma muda de roupa e caminhei até os chuveiros. Chegando lá, só dois dos dez chuveiros estavam sendo usados. Despi-me e entrei embaixo do chuveiro. Eu adorava ficar emnaixo d’água, me sentia relaxada, me sentia revigorada, me sentia calma. Logo um dos dois chuveiros foi desocupado.
O silêncio estava tão bom, mas como dizem que alegria de pobre dura pouco, com a minha não podia ser diferente.
– Então, você é a menina nova?
Eu reconheci aquela garota, era uma das filhas de Afrodite, ela ficava se insinuando para o Nate, nunca vi um fora tão bem dado igual aquele em toda a minha vida. O nome dela era Katherine, se não me engano.
Fiquei quieta. Já estava acabando mesmo. Agüentar um pouco daquela voz fina irritante dela não ia me fazer mal, certo? Errado.
– Tudo bem, se não quiser falar, não fale. Só acho que é um milagre você sobreviver a duas idas à enfermaria em menos de vinte e quatro horas!
Fechei meu chuveiro, saí de dentro da “cabine” e olhei para ela.
– O que você quer de mim? – perguntei, enquanto me enxugava.
Ela também fechou o chuveiro dela e falou:
– Quero uma coisa bem simples: você tem que ficar longe do Nate.
Dei às costas para ela e saí dali, deixando-a falando sozinha. Não ia ficar ouvindo uma maluca que não tem "desconfiômetro" para perceber que o menino (que, em minha opinião, não tem mais nada de menino. Eu só penso merda mesmo) não quer nada com ela.
Katherine's POV
Tá, era de noite, todos já haviam ido dormir, menos eu e Serena. Eu descobri uma coisa muito importante essa tarde e faria essa novata pagar bem caro por ter me deixado falando sozinha mais cedo.
Serena's POV
Aqui estou eu, mais uma vez, sentada na praia. Não sei por que, mas eu gosto daqui. Acho que o barulho das ondas nos meus pés e as estrelas acima da minha cabeça me dão tranquilidade e calma.
Eu estava sentada na areia, contando as estrelas. Não sei quanto tempo se passou, mas só saí do transe quando senti um dos meninos do chalé de Ares me pegando e me colocando sobre seu ombro.
– O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? ME SOLTA, SEU MALUCO. ME SOLTAAAAAAAAAAAAA! – gritei, enquanto socava as costas dele. Quando eu vi para onde ele caminhava eu comecei a gritar mais ainda. Foi quando ouvi a voz de um dos meus salvadores:
– DOUGLAS, SOLTA ELA!
E a última coisa de que me lembro foi de sentir a água descer pela minha garganta.
Katherine:
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