A Filha Dos Mundos
3 O acidente
Saya olhou para o relógio do parque. Estava há hora e meia sentada naquele banco de jardim. Como era bom estar ali! Uma fresca brisa roçava-lhe a cara, ajudando-a a esvaziar a cabeça de todo e qualquer tipo de pensamentos.
Ao longe ouvia-se o som das alegres brincadeiras de um grupo de crianças, pelo ar corriam palavras soltas de conversas mais ou menos interessantes, e perto dela uma velha senhora suspirava pela a sua juventude há muito perdida.
Mas estava a ficar tarde e ela tinha de regressar ao jornal. Por isso levantou-se, pegou na carteira e começou a andar. Podia ter apanhado um táxi, contudo por algum motivo não o fez. Talvez por ainda se sentir a sufocar e não lhe apetecer minimamente estar dentro de um pequeno veículo, quente e ainda a cheirar ao suor de uma infinidade de pessoas que já nele tinham entrado.
Parou junto a uma passadeira, à espera que o sinal ficasse verde. Avançou assim que todas as outras pessoas começaram a andar, meio perdida nas profundezas do seu ser, que lentamente preenchia uma vez mais com os pensamentos que, por momentos, expulsara. Não reparou que os outros começaram a apressar-se, até que, já quase em cima dela, ouviu o som forte de uma buzina de uma camião.
Ficou paralisada, incapaz de se mover. Fechou os olhos e em menos de um segundo não sentiu mais nada... Nem luz, nem escuridão.... Só o vazio.
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