A Filha Dos Mundos

32 A declaração de amor


Notas iniciais
Finalmente eles declararam-se um para o outro

Quando Saya finalmente acordou já o sol se pusera, levantara e se preparava novamente para deitar. Kagura também já lá não estava. Por isso levantou-se e saiu da tenda.

Atravessou o campamento sem saber muito bem para onde se dirigia. Não havia caras desesperadas por entre a multidão, apenas uma tristeza acumulada durante muitos e longos anos. Alguns até sorriam, certos de que cedo o sofrimento dos anos acabaria.

E então, sem que disso se apercebesse, chegou ao local onde os arqueiros se haviam concentrado. Muitos deles encontravam-se ali, mas alguns tinham-se escondido na floresta para atacarem o exército de Morniran também pelos lados. As aljavas estavam repletas de compridas setas, mas mesmo assim eles tinham muitas mais ao seu lado. Alguns permanenciam de pé, outros sentados, mas a maioria permanencia de olhos fechados e profundamente concentrados. Por isso foi natural que, quando Saya se aproximou, muitos deles se virassem repidamente e abrissem os olhos. Um deles avançou para ela, com arco numa das mãos. Era Kai.

- Preciso de falar contigo — disse ele

E sem mais uma palavra levou-a até um lugar relativamente sossegado. Ninguém pareceu reparar neles. Pensaram provavelmente que se tratava apenas de mais dois que se dirigiam para as suas posições.

- Saya, é provavel que ainda não sabias isto — a sua voz e o seu rosto estavam estranhamente graves — Os Youkais, os Elfos e as Fadas pode morrer com a idade ou serem mortos em combate, mas também podem morrer de amor — Saya olhou para ele admirada. O que queria ele dizer com aquilo? E o que queria aquilo dizer? — Quando amam alguém de verdade e essa pessoa morre, limitam-se a deixar a alma voar para o mesmo lugar para onde voou a alma da pessoa que amavam.

- Então é por isso que o meu pai está naquele tumulo de cristal. Ele espera pela a minha mãe pois ela como humana não pode morrer de amor.

- Hai. Não sei o que vai acontecer a apartir de agora, mas se sobreviver a esta batalha seria verdadeiramente triste que depois morresse.

Ela percebeu exactamente o que ele queria dizer. No entanto, talvez por querer ter a certeza, ou simplesmente por querer ouvi-lo, disse:

- Kai, nunca foi boa com meias palavra — aquela era uma grande mentira — Por isso, se me queres dizer alguma coisa, diz-mo simplesmente.

Ele sorriu e Saya soube que Kai entendera que ela o tinha compreendido perfeitamente. Contudo ele respondeu:

- Quero dizer que mesmo um Youkai se pode enganar a julgar uma pessoa e assim mudar os seus sentimentos para com ela. Saya, se outrora te destestei, agora amo-te a ponto de morrer de amor por ti — e com um ar divertido acrescentou — Não te atrevas a morrer.

Ela olhou-o e não conseguiu evitar que um enorme sorriso lhe iluminasse o rosto.

- Kai, eu sou uma fada. E isso quer dizer que posso morrer de amor. Portanto, não morras.

E no começo daquela longa noite eles beijaram-se, sem mesmo se importarem com os muitos que poderiam vê-los. E foram de facto muitos os que os viram, assim como o Raiden que procurava Saya para a levar para junto de Kagura e Ilmaran. Mas Raiden não ficou aborrecido ou admirado. Porque se não sabia que os dois se amavam, há muito que suspeitava.

- Aishiteru — disseram ambos simultaneamente.

Então, muito ao longe, soou o som de tambores. As bandeiras de Omnirion e Névila foram desfraldadas, e a árvore dourada coroada por um sol e a lua em quarto crescente rodeada por três estrelas brilharem lado a lado como uma luz na escuridão. Os arqueiros retesaram os arcos e ficaram atentamente à espera, os restantes guerreiros ocuparam as suas posições e Saya subiu com Raiden para um baixo monte onde já se encontravam Kagura e Ilmaran com um pequeno grupo de espadachins. O som suave e profundo das trompas de Omnirion ressou por Ranthlin. A batalha ia começar.

Notas finais
Meus amores só faltam 16 capítulos SO IS THE FINAL COUNTDOWN