À sua frente estava Naraku. Encontravam-se ambos parados a meio de um grande campo, um em frente ao outro, prontos para se enfrentarem. Saya tnha o Ceptro na mão; Naraku tinha o bastão.

Subtitamente um grande clarão branco ergeu-se no ar, cobrindo tudo e todos. Por uns momentos, Saya não conseguiu ver mais nada. Depois a luz diminuiu e ela soube que Naraku tinha mais uma vez desaparecido.

Podia ver Kai a correr para ela. Sorriu-lhe. No entanto ele não sorriu. Tinha uma expressão preocupada e cada vez corria mais. Ela quis correr também, mas começou a cair, a cair, numa esquridão que não sabia explicar de onde vinha. Viu-o estender a mão para a segurar. Mas ela não conseguiu agarrá-la.

- Kai! — gritou

Contudo era inútil. Já não conseguia vê-lo. Nem sequer se via a si mesma. E continuava a cair, a cair sempre para a escuridão cada vez mais densa. Até que começou a ver as luzes de uma cidade. Sem saber porquê, fechou os olhos. Sentiu algo a tocar-lhe na cara...

Alguém lhe fazia festas na cara e Saya acordou. Era Kai que estava sentado na sua cama, bem perto dela. Tinha uma expressão terna e quase agradecida no lindo rosto.

- Gritas-te o meu nome — disse ele

- Tive outro daqueles sonhos — respondeu ela — É por isso que estás aqui?

- Lie. A Finny apareceu e traz uma noticia... Arranja-te depessa — e depois acrescentou com um estranho tom de voz — Veste um vestido, um dos mais bonitos que tiveres. Eu espero lá fora.

Saya levantou-se rapidamente e foi ao armário escolher um vestido. Perguntava a si mesma que noticia trazia Finny.

Finny era uma duende com quem a Saya se dava muito bem. Ela levava os seus recados a Elianor e contava-lhe os segredos do palácio. Supostamente existiam no minimo sete passagens secretas escondidas no palácio. Mas Saya não estava muito certa de que isso fosse verdade porque, até ao momento, Finny ainda não conseguira mostrar-lhe uma única dessas passagens. Também era verdade que ainda não perguntara nada sobre isso a Kagura, Kai ou mesmo ao Raiden. Enfim, talvez existissem, ou talvez não passassem de uma história igual a tantas outras.

Vestiu um lindíssimo vestido bege claro com flores vermelhas muito escuras e folhas verdes delicadamente bordados. Era um vestido justo sem mangas, com um grande decote, de onde caía um folho para o seu peito, e uma pequena cauda. Depois de um momento de consideração, colocou a coroa sobre os cabelos onde ainda persistiam três finas tranças. Saiu e seguiu acompanhada pelo o Kai arté à sala do trono.

- Como ela está? — perguntou por fim Saya

- Muito abalada, mas penso que sobreviverá — respondeu ele, e imadiatamente o seu rosto tornou-se grave — Foi capturada por Suresim, um elfo que no tempo do teu pai nos traiu e ajudou Naraku a chegar a Omnirion. Também os Elfos, os Youkais e as Fadas podem ser corrompidos pelo o desejo de poder — acrescentou, como se fosse simultaneamente terrivel e improvável — Naraku exigiu que o recebesses. Tem cuidado. Suresim é uma pérfida raposa. Ele fará tudo para te seduzir, tem cuidado com a sua voz. Desconfia de tudo o que ele disser, pois raras são as verdades que profere.

Chegaram à sala do trono. Raiden, Tsuki e Kagura também lá estavam, bem como alguns guardas. Ela sentou-se no trono e Raiden e Kagura deram-lhe conselhos parecidos com os de Kai, mas Tsuki permaneceu silenciosa, a fitá-la com os seus sábios olhos.

A noite ainda envolvia as Terras da Luz e o palácio, assim mergulhados na luz das velas e repleto de caras preocupadas, pareceu a Saya triste e sombrio.

Por fim, as portas abriram-se e um elfo de cabelos negros entrou. Aproximou-se do trono e curvou-se numa vénia perante Saya. Kagura colocou-se atrás do elfo e Kai chegou-se mais para a frente. Raiden e Tsuki permaneceram junto dela, um de cada lado do trono.

- Senhora — disse o elfo — , é uma honra e um prazer conhecer a filha do rei morto — Saya achou a saudação extremamente desagradável — Eu sou Suresim

- Eu sou Saya, rainha das Terras da Luz. Mas porquê estar com galanteios se nenhum de nós os pretende realmente proferir? Falai logo, Suresim, o enganador, que novas nos trazeis?

Suresim fez um trejeito como se o titulo o magoasse, mas não se incomudou a desmenti-lo.

- Naraku, o ultimo e grandioso filho dos Elementos pretende chegar a um acordo — disse com uma voz definitivamente muito mais desagradável — Ele deseja que sabais que ele tem o poder para tomar Caladmirion pela força. Mas está disposto a deixar que vocês a preservem... sob certas condições — fez uma pequena pausa, à espera da reação dos outros, porém nada a aconteceu — Primeiro: Caladmirion ficará sobre o dominio de Morniran. Segundo: os Youkais, os Elfos e as Fadas serão autorizados a permanecer nas suas terras, mas não poderão utilizar quaiquer armas, seja de que tipo forem. E, por fim, a mais importante de todas: o Ceptro será entregue ao glorioso Naraku.

Saya não estava bem certa da resposta a dar. As condições pareciam-lhe inaceitáveis mas... E se aquilo fosse o que o seu povo queria? Era uma decisão extremamente delicada que iria decidir o destino de todos os povos livres. Espontaneamente olhou para o Kai e lembrou-se do sonho que ele tivera e das suas palavras «... eu sei que é o que acontecerá se Naraku conseguir o Ceptro». Foi o suficiente para se decidir, para saber o que tinha de fazer. Levantou-se do seu trono e olhou profundamente para o elfo que estava na sua frente.

- As Terras da Luz, assim como o Povo da Luz, não serão encobertas por qualquer sombra enquanto náo tivermos forças para o impedir — disse calmamente, como se desde o inicio tencionasse dizê-lo.

- Então — retorquiu Suresim com um brilho terrível nos olhos — , a guerra virá até vós. Um por um serão destruídos. E tu lamentarás não ter sido mais sábia.

Saya olhou-o com o mesmo olhar dele.

- Chamais então sabedoria a confiar em dois traidores, um que traiu os seus irmãos e outro que traiu o seu povo?

Suresim não respondeu. Irado, saiu da sala sem mais uma palavra.

- A guerra virá bater à nossa porta. Contudo talvez nunca chegue a entrar — disse Tsuki.

Saya sentia-se extremanete cansada. Não percebera muito bem o que Tsuki quisera dizer, ou com realizá-lo, mas estava disposta a tudo para evitar uma guerra que inevitavelmenta iria destruí-los.

- Achas, Tsuki, que eu decidi mal? — perguntou Saya.

- Gomenasai minha querida mas, não poderei responder a essa pergunta porque não sou a rainha. — disse delicadamente e saiu também da sala.

- Não te afliges Saya, tomas-te uma decisão sábia. A mesma decisão que eu ou o nosso estimado rei tomaria. — falou com um sorriso nos lábios.

Saya não sabia se tomará a decisão correcta. Mas sabia que não podia entregar as terras que tanto o seu pai lutou e deu a vida à sua própria sorte.